Segunda-feira, Janeiro 09, 2012
O ÚLTIMO VOO DO FLAMINGO:Título:
O Último Voo Do FlamingoRealizador: João Ribeiro
Ano: 2009

Depois de uma panorâmica inicial,
O Último Voo Do Flamingo abre com um grande plano de uma pila decepada. E não se pense que é um plano fugidio; é demorado e volta a aparecer mais uma ou duas vezes. Uma puta é chamada para confirmar o que se já desconfiava: aquela pila não é de ninguém da vila. Lá mais para o meio, há uma explosão e outra pila decepada volta a ficar pendurada nas pás de uma ventoínha de tecto, que roda lentamente. Decididamente, não é o que estavamos à espera.
Na vila moçambicana imaginária de Tizangara, no período pós-guerra civil, soldados da ONU andam a rebentar misteriosamente, deixando apenas como vestígios os seus capacetes e... a pila. Massimo Risi (Carlo D'Ursi, um claro erro de casting) é um Capacete Azul italiano, que fala português com um sotaque ridículo, que é destacado para averiguar o caso, mas que se vai enlear nos mitos e lendas daquela terra e país.
O Último Voo Do Flamingo é um filme de um realismo mágico, adaptado do romance homónimo de Mia Couto, que faz lembrar
O Tio Boonmee Que Se Lembra Das Suas Vidas Anteriores. Aliás, este filme está para Moçambique assim como Apichatpong Weerasethakul está para a Tailândia. Contudo, João Ribeiro é uma versão amadora do realizador tailandês, que não consegue fazer com que o seu filme se pareça mais do que um trabalho de escola.
O Último Voo Do Flamingo tem uma noção de cinema de escala televisiva, que se limita a colar episódios com uam displicência que leva a uma total insignificância. E por muito que gostemos da ideia daquela ideia de thriller policial em territórios irreais - uma velha no corpo de jovem (Cláudia Semedo em mais um erro de casting), casais apaixonados que levitam, feitiços de amor e explosões misteriosas que nos fazem lembrar o mundo mágico chinês de
As Aventuras De Jack Burton Nas Garras Do Mandarim -, não há como aguentar sem fastio a maior parte daquilo que o filme chama de argumento.
Melhor a ideia do que a concretização; mas para isso já tínhamos o livro, não? Vale a boa vontade de todos os envolvidos (eu incluído) para justificar o Cheeseburger.
Posted by: dermot @
9:47 AM
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