Terça-feira, Janeiro 03, 2012
O DEUS DA CARNIFICA:Título:
CarnageRealizador: Roman Polanski
Ano: 2011

Depois de ter sido condenado a prisão domiciliária pelas autoridades iranianas, Jafar Panahi realizou
Isto Não É Um Filme confinado às quatro paredes da sua sala. Mais ou menos inconsciente, aconteceu o mesmo a Roman Polanski. Depois de ter estado em prisão domiciliária, o primeiro trabalho do realizador polaco foi
O Deus Da Carnificina, um filme de apenas um cenário - uma sala de estar de um apartamento.
O Deus Da Carnificina é um filme de actores. Aliás, de dois casais: o de Cristoph Waltz e Kate Winslet e o de John C. Reilly e Jodie Foster. O filho do primeiro casal agredira o do segundo com uma vara e os pais juntaram-se para resolver civilizadamente a situação. E o que parecia ser uma aitude extremamente sensata, descamba numa discussão de proporções épicas, que não poupa nada nem ninguém.
Um filme feito de actores e, sobretudo, das suas palavras soa, à partida, distante do trabalho habitual de Polanski. Contudo, a forma inteligente como mergulha na psique humana não é assim território tão estranho ao polaco quanto isso. Extremamente bem escrito - o filme parte da peça homónima de Yasmina Reza -,
O Deus Da Carnificina dá uma cambalhota de 180 graus no argumento em pouco mais de hora e meia com uma racionalidade desarmante que mete a nu a fragilidade e a hipocrisia do ser humano.
Polanski não se regista ao cinema falado do registo teatral e impõe uma dinâmica ao filme que não o impede de cair numa rigidez forma. E, tematicamente falando, aproxima-se nas crónicas de costumes subversivas de Buñuel; a forma como os seus personagens vão perdendo os seus vestígios de humanidade confinados naquele apartamento remete-nos logo para
O Anjo Exterminador, em que o mesmo acontece a uma multidão numa sala de jantar. Se bem que a comparação mais constante tem sido com
A Corda. Percebe-se a ideia, mas não é a mesma coisa -
O Deus Da Carnificina tem como principal mérito os seus actores (especialmente Cristoph Waltz e Jodie Foster) e, obviamente, o argumento de Yasmina Reza. Um McBacon diferente na filmografia de Roman Polanski.
Posted by: dermot @
9:24 AM
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