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Royale With Cheese | ||
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Título: The Man From Earth Realizador: Richard Schenkman Ano: 2007 ![]() Com o entusiasmo com que escreveu sobre The Man From Earth, o Pedro convenceu-me a ir ver este modesto filme de baixo orçamento, do qual nunca tinha ouvido falar até há data. Mas se há coisa que me convence facilmente costumam ser filmes que não descuram o valor da palavra. Ou seja, filmes que não se contentam com fogo-de-artífico e masturbação digital à parva ou jerricans de sangue entornados (se bem que não há nada de mal em filmes que se limitam a entornar jerricans de sangue). The Man From Earth é um daqueles filmes que nos restituem a fé no cinema, lembrando a todos que o que realmente interessa num filme é uma boa história. Seguindo um exemplo bem conhecido (e que se tornou pedra de toque neste tipo de filmes), The Man From Earth remete para Os Amigos De Alex: um grupo de amigos professores catedráticos que se reúnem para se despedirem de um outro, John Oldman (David Lee Smith), que vai partir inesperadamente ao fim de dez anos de trabalho na mesma escola. Apenas um grupo de actores, uma boa conversa e um cenário (a casa do amigo prestes a abalar), o que nos remete para outro exemplo de culto no que diz respeito a filmes que se passam apenas num decór: Doze Homens Em Fúria. A ideia é gira e a premissa ainda é melhor: ao repararem como o amigo não envelheceu nada em 10 anos, este acaba por confessar que é um homem primitivo que nasceu há 14 mil anos e que, por qualquer razão obscura, nunca morreu. Os amigos, como bons catedráticos que são, começam por levar a coisa para a piada do exercício académico, mas há medida que vão ficando convencidos com os testemunhos de John Oldman (percebem o trocadilho do nome?), a coisa ganha contornos mais sérios. Tendo em conta que são 14 mil anos percorridos, imaginamos logo uma versão long extended de Forrest Gump, mas John Oldman é lesto em nos avisar: sou apenas um Homem no Mundo inteiro, não participei na História toda. Contudo, acabou por conhecer meia-dúzia de tipos famosos, como Van Gogh ou o Buda. E, de repente, há a possibilidade de ter sido o próprio Jesus Cristo. A coisa estava a ir bem, mas de repente, ao chegar ao campo da religião, The Man From Earth encrava e já não sai dali. Então e o resto? Conheceu mais alguém famoso? Como foi a evolução da música? Como foram as guerras? Como, como, como? Uma série de questões que ficam sem resposta - aliás, sem serem colocadas - apenas pela insistência de bater na tecla da religião e do cristianismo. Mas não é só isso que irrita em The Man From Earth. Além disso, irrita a banda-sonora, demasiado trágica e omnipresente. Mas porque raio não se cala aquele piano? Chega a uma altura e estamos convencidos de que há um pianista a tocar no canto em que a câmara não alcança. E é sempre uma toada tão triste que parece que vai morrer alguém. Desde que começa até à última cena. Não tão irritanta é o registo teatral de algumas sequências em que as reacções dos presentes são forçadas ao limite ou o tom granulado do filme, filmado apenas com duas camcorders manhosas. The Man From Earth desilude por desaproveitar tanto potencial. E dá a ideia que não é por incapacidade, mas antes pela preguiça de não desenvolver o suficiente certos pontos. Por isso, o McChicken vai quase por inteirinho para a ideia (que, ao que descobri posteriormente, foi baseada na história verídica de um tal Krim Rosü, que também alegava ter milhares de anos). ![]()
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10:10 AM Domingo, Outubro 30, 2011 TAKE - CINEMA MAGAZINE: ![]() Página oficial Quinta-feira, Outubro 27, 2011 AMERICAN MOVIE: Título: American Movie Realizador: Chris Smith Ano: 1999 Existem estórias que são tão bestiais que custa a acreditar. Estórias tão improváveis que, se fossem escritas, seriam extremamente irrealistas; e que são tão loucas que só podem ser verdadeiras. Perante estas estórias, um documentarista só tem que apontar a câmara e o filme conta-se sozinho. Já diz o adágio que a realidade é mais estranha que a ficção. A sabedoria popular é do caraças... Filmes como The Story Of Anvil ou The King Of Kong, por exemplo, fazem arcos narrativos tão perfeitos que nenhum argumentista os poderia ter criado. E é no seguimento desta família de estórias sobre personagens tão reais quanto comuns (aposto que todos vocês conhecem pelo menos uma pessoa assim) que se insere American Movie, documentário de culto de Chris Smith. American Movie documenta a demanda muito pessoal de Mark Borchardt, um norte-americano do interior que ambiciona ser um realizador de sucesso e fazer o seu filme de vida - Northwest. A sua paixão, a determinação e empenho são inquestionáveis, mas olhamos para a sua figura e percebemos logo o que nos espera. Mark Borchardt tem 30 e tal anos, uma mullet e um bigode bem foleiro, um emprego ainda como paperboy, passa as noites a embebedar-se e a fumar erva e colecciona dívidas, seja ao seu tio castiço e muito velho, seja ao banco. Para fazer Northwest, Mark Borchardt conta apenas com 3 mil dólares e a fidelidade do seu melhor amigo, Mike Schank, que tem o cérebro paralizado pela droga e responde invariavelmente por monossílabos e/ou sorrisos nervosos. Mark Borchardt enumera ainda as suas ifluências cinematográficas: Zombie - A Maldição Dos Mortos-Vivos, A Noite Dos Mortos-Vivos e Massacre No Texas. Ou seja, estamos na presença de um loser eterno e viciado em terror de série b, que ambiciona fazer filmes em super 8, com montes de ketchup. Mas a fornma sincera com que acredita no que faz deixa-nos de tal modo dsarmados, que ficamos incapazes de o contestar ou criticar. No registo de cinema verdade - mas American Movie é mais verdadeiro do que a realidade -, American Movie acompanha a vida e obra deste homem, que ainda por cima tem o azar (que é a sorte de nós, espectadores) de coleccionar tragédias qye ameaçam o filme de nunca se realizar. Tal como The Story Of Anvil, American Movie uma comédia triste e um elogio à determinação. Mark Borchardt não é a quintessência do cinema americano, como acredita piamente, mas é underdog, daqueles que o cinema clássico de Hollywood tanto gosta. Ao documentário só a apontar alguma confusão na edição, com saltos temporais que por vezes tardamos em conseguir logo identificar. Drama, comédia, tragédia... American Movie tem todos os ingredientes que fazem um bom filme. E apesar de (ainda) não ter conseguido realizar o seu filme de sinho, Mark Borchardt consegui terminar Coven, mais uma curta de terror série z disponibilizada pelo fabuloso mundo do youtube. Nisto tudo, só me assusta uma coisa; Mark Borchardt já em três filhos. N Ã O !!, estas pessoas não deviam poder reproduzir-se. Será que não se contentam com um McBacon, como bons americanos que são? Quarta-feira, Outubro 26, 2011 RELATÓRIO MINORITÁRIO: Título: Minority Report Realizador: Steven Spielberg Ano: 2002 ![]() Philip K. Dick está para a literatura de ficção científica assim como Stephen King está para a literatura de terror. A diferença é que enquanto os filmes que adaptam dos livros deste último são, na generalidade, uma treta, os dos primeiro costumam ser bons. Temos o Blade Runner - Perigo Iminente que, bem, é o Blade Runner - Perigo Iminente, o A Scanner Darkly - O Homem Duplo é girote e o Desafio Total é porreiro. Por falar em Desafio Total, sabiam que este Relatório Minoritário era para ser, originalmente, uma sequela do filme do Paul Verhooven? Felizmente que apareceu Steven Spielberg e com o seu bom gosto e dom nato para as imagens assinou Relatório Minoritário, um dos melhores filmes de Hollywood adaptado de um livro de Philip K. Dick, o Pelé dos filmes sci-fi. As utopias (distopias?) perfeccionistas e super-controlas (olá Orwell, olá Big Brother) sempre foram um tema querido de Philip K. Dick. Aliás, o autor dos melhores livros da colecção Argonauta parecia que tinha uma bola de cristal, tal foi a forma como preconizou muito do que é agora o presente da nossa sociedade. Relatório Minoritário passa-se em 2052, num hipotético futuro em que o crime foi erradicado, devido a um sistema que conjuga uns mutantes sobredotados e uma máquina de esculpir bolas em madeira, que antecipam os crimes que vão acontecer. A polícia do pré-crime só tem que descobrir onde está o agressor e ir prende-lo. Mas o que acontecerá quando o principal agente da força, Tom Cruise claro, aparecer na próxima previsão a matar um tipo? Uma perseguição do rato e do gato, obviamente, com Cruise a tentar provar a sua inocência ainda antes de ter algo para justificar, e Collin Farrell a persegui-lo. Uma boa história de ficção-científica é aquela em que utiliza o futuro para questionar o presente. E é isso que Relatório Minoritário faz, numa reflexão sobre a sociedade sobre-vigiada e a falta de privacidade, mas também sobre o destino, o livro arbítrio e o efeito causa-efeito (uma criação da mente humana, arrasando por completo a fraude Efeito Borboleta). Steven Spielberg sabe como poucos cruzar a reflexão com o poder das imagens e, por isso, embrulha tudo muito bem embrulhadinho, num ambiente cyberpunk de carros deslizadores, atmosferas azuladas e computadores mac, com a banda-sonora do sempre acertado John Williams. Spielberg faz com que o filme seja ainda mais envolvente com um anti-herói pouco comum na sua filmografia. É certo que é um núcleo familiar fragmentado (Sean, o filho de Cruise, foi raptado há anos), mas os heróis de Spielberg não costumam ter esqueletos no armário. E aqui é a bagagem de Philip K. Dick, para quem a droga também foi um tema nos seus escritos. Tom Cruise, devastado pelo desaparecimento do filho, afoga a frustração num cocktail de drogas diário. Poderia ser mais negro? Podia, mas para noir-cyberpunk já temos Blade Runner - Perigo Iminente. Talvez ainda influenciado pelo seu filme anterior, AI - Inteligência Artificial, Spielberg não consegue escapar à influência de Stanley Kubrick em Relatório Minoritário, com um cinema algo formal (soberbo travelling na sequência-cartão-de-visita do filme, vista de cima, em que robots-aranha procuram Cruise num prédio de apartamentos enquanto este se esconde numa banheira cheia de gelo), que tanto faz lembrar 2001: Odisseia No Espaço como Laranja Mecânica. Mas não só. Relatório Minoritário rima ainda com outro belo exemplar cyberpunk da ficção-científica (mas mais extravagante), O Quinto Elemento, com Samantha Morton a fazer as vezes de Milla Jovovich. Infelizmente, Relatório Minoritário sofre do mesmo problema de AI - Inteligência Artifical: não sabe acabar na altura exacta. Spielberg cede à tentação do happy ending e depois do filme encerrar um círculo perfeito, deixando à consideração do espectador a resolução daquele sistema paradoxal e aparentemente infalível de antevisão do crime, prolonga-se por mais 20 minutos de filme de conspiração que não interessa à Carochinha. Por isso, lamentamos o McBacon quando podia ser, à vontade, o McRoyal Deluxe. ![]()
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10:30 AM Terça-feira, Outubro 25, 2011 MARJOE: Título: Marjoe Realziador: Sarah Kernochan & Howard Smith Ano: 1972 ![]() Marjoe Gortner. O nome diz-vos alguma coisa? Ajuda se vos disser que foi um actor de filmes de série-b entre os anos 70 e 80? Talvez o tenham visto em Terramoto, o filme-catástrofe de 74 com O Charlton Heston, no Um Ninja Americano 3 ou mesmo como secundário em algum episódio de Os Soldados Da Fortuna. Não? E se eu vos disser que Marjoe Gortner foi, nos anos 60, o evangelhista mais novo do Mundo, que começou a pregar aos 4 anos de idade? Provavelmente também não diz vos diz nada, mas aposto que agora já vos despertei a atenção. É verdade, Marjoe Gortner foi uma criança evangelista bastante famosa nos Estados Unidos - aliás, uma das mais conhecidas no circuito das fraudes em nome de Deus -, que desmascarou tudo em 1972, neste documentário que venceu o respectivo Oscar desse ano. Marjoe é um documentário de processos muito simples. Uma equipe de filmagem acompanha Marjoe Gortner pela sua última "digressão" por casas de culto, antes de se "reformar" e ir aproveitar os seus dotes de representação noutros palcos (os do cinema de segunda categoria). Primeiro, nos quartos de hotel, ele é um tipo normal, como nós, que conta umas piadas e explica o que vai fazer e como é que vai influenciar os fiéis através do poder da sguestão; e depois, em palco, vemos outro homem, um performer, que actua em nome de Deus, enquanto as pessoas dançam, caem no chão em transe e oferecem dinheiro. E no final de cada sessão vemo-los a todos a contarem maços e maços de notas. Marjoe é como o perturbador Jesus Camp, mas com adultos em vez de crianças. Além disso, desmascara todo este mundo de fraude, suportado por uma audiência ignorante e desesperadamente a precisar de acreditar em algo. Marjoe confessa-se e explica, de forma chocante, de como os seus pais manipularam toda a sua vida com uma frieza calculista de arrepiar. Basta ver que o seu invulgar nome, Marjoe, é uma fusão de Maria com José, o que prova que os seus pais já estavam a planear o seu futuro antes de ele próprio nascer. E ficamos a saber como a sua mãe o espancava enquanto ele não decorava os sermões, de como ela lhe fazia sinais para que ele aumentasse ou diminuisse o vigor durante as actuações, de como ele se revoltou quando teve idade para ter juízo, de como regressou ao mundo da religião por falta de dinheiro e oportunidades e de como decidiu revelar tudo neste filme. Marjoe tem os condimentos todos de um bom documentário: choque, investigação, drama, biografia e espírito cinematográfico, com aquela aura de contracultura que pairou sobre todo o cinema norte-americano na década de 70. E tudo isso é recompensado com um McRoyal Deluxe. Aleluia. ![]()
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12:09 PM Domingo, Outubro 23, 2011 MEIA-NOITE EM PARIS: Título: Midnight In Paris Realizador: Woody Allen Ano: 2011 ![]() Nos últimso anos, a carreira de Woody Allen tem sido mais ou menos como a dos Rolling Stones, mas com filmes em vez de concertos. Ele é filmes em Londres, em Barcelona, em Nova Iorque, em Londres novamente e, agora, chegou a vez da sua tourneé parar em Paris. Com a facilidade com que a nossa capital europeia da cultura despediça dinheiro à parva, só me admira como é que não convidaram Allen para vir fazer um filme a Guimarães. Há pouco tempo li algures, escrito não sei por quem (adoro a precisão deste meu texto), a melhor descrição de sempre do trabalho de Woody Allebn. Dizia que, e estou a citar e cabeça, a diferença entre um bom e um mau filme de Allen é nenhuma. De facto, quem lhe vê um filme vê todos. Por isso, às vezes, o que faz mesmo a diferença é a nossa identificação com a história, o tema ou os actores, ou simplesmente o nosso estado de humor nesse dia. Em Meia-Noite Em Paris estão lá todos os elementos-chave da filmografia de Allen. Primeiro que tudo, o habitual roteiro turístico pela cidade, apresentando Paris ao espectador numa colecção de imagens de postais de visita logo no início do filme. Depois é a banda-sonora jazz, o caos felliniano de algumas situações e Woody Allen como protagonista que, como neste caso, não implica necessariamente ser interpretado pelo próprio Allen. Em Meia-Noite Em Paris o seu alter-ego é Owen Wilson que, como é habitual nos actores que fazem o mesmo papel, não consegue evitar os maneirismos do neurótico Allen, o que se torna irritante. A grande novidade de Meia-Noite Em Paris acaba mesmo por ser o seu elenco de luxo. Já falámos de Wilson, falta mencionar Rachel McAdams, Marion Cotillard, Michael Sheen, Kathy Bates, Carla Bruni a fazer o mesmo que o bibelô que tenho ali em cima da lareira e que comprei em Munique - decorar! - e o cameo delicioso de Adrien Brody enquanto Salvador Dali. Dali, o pintor? Mas que raio de filme é este?, questinoa o curioso internauta. Meia-Noite Em Paris é, não só, a homenagem de Allen a Paris, mas essencialmente à época de ouro parisiense, no início do século XX; em que esta era o centro cultural do universo, uma festa em movimento (Hemingway dixit) em que se cruzavam os melhores artistas da altura de todas as áreas: Hemingway, sim, mas também TS Elliot ou Scott Fitzgerald; Daço, Miró ou Modigliani; Dali, Buñuel ou Man Ray; ou Cole Porter e Gertrude Stein. Owen Wilson é um aspirante a escrito, com dúvidas quanto ao seu casamento, que todas as noites às doze badaladas apanha um táxi que o leva atrás no tempo. Meia-Noite Em Paris é, assim, uma versão de época de Regresso Ao Futuro. Ou melhor, uma espécie de À Noite, No Museu, tendo em conta a série de personagens trazidas à vida. E fica assim composto o cenário perfeito do humor que apela à cultura de Woddy Allen, como a discussão sobre as pinturas de Dali ou Wilson a sugerir a uñuel fazer um filme sobre um grupo de pessoas que não conseguem sair de uma sala. Mas não conseguem porquê?, questiona o espanhol. Allem aprovieta a situação para, de forma muito racional, contestar aqueles que estão sempre a dizer que dantes é que eram mas sem particular génio cinematográfico. Já o vimos em menos modo automático, mas como diz o ouro, a diferença entre um bom e um mal filme de Allen é nenhua. Ou seja, não é brilhante, não é mau, é apenas mais um McChicken a la moda de Woody Allen. ![]() Quinta-feira, Outubro 20, 2011 ROXANNE: Título: Roxanne Realizador: Fred Schepisi Ano: 1987 ![]() Uma comédia romântica com Steve Martin e Daryl Hannah, dos anos 80, chamado Roxanne e que não tem a música homónima dos Police na banda-sonora? Oh diacho, algo se passa. No fundo, a omissão é de fácil explicação. Apesar de ser mesmo uma comédia romântica dos anos 80, Roxanne é um pouco mais ambicioso, já que é uma adaptação à época do romance Cyrano De Bergerac, a tragédia romântica de um tipo com um nariz enorme condenado ao desamor da sua bela Roxanne. Contudo, não deixavamos de estar na década em que a noção de gosto esteve dormente e, portanto, Roxanne não escapa ao suplício do kitsch, do mau guarda-roupa, da música má e dos diálogos naifs. Segundo reza a biografia romanceada de Edmond Rostand (já adaptado ao cinema por várias vezes - a melhor em 1990, com Gerard Depardieu no principal papel, e a mais famosa em 1950, que valeu um Oscar a Jose Ferrer), Cyrano De Bergerac (que existiu mesmo) era um temido e respeitado espadachim e romancista, com língua tão afiada quanto a sua espada. Devido a esses dons natos, Cyrano podia-se dar ao luxo de ser insolente, o que fazia com que fosse amado por uns e odiado por outros tantos. Infelizmente, Deus tinha-o também dotado de um grande nariz. A variação para os anos 80 transforma Steve Martin em narigudo, é certo, mas em vez de ser espadachim é um bombeiro ginasta(?), cuja eloquência é mais a de quem faz stand-up comedy, do que de um romântico inveterado (mesmo assim, sem a piada de Eddie Murphy, enquanto o exuberante Buddy Love, em O Professor Chanfrado). Roxanne decorre num subúrbio qualquer norte-americano (clichet alert!!), onde o presidente local é um playboy cheio de ideias malucas, mas com pouco tempo de antena (infelizmente). E Roxanne (Daryl Hannah) é a boazona nova no pedaço, que vai arrebatar o coração de Steve Martin e do outro bonitão local, Rick Rossovich. Martin vai fazer passar-se por ele para conquistar o coração de Hannah e, claro, no final, Rossovich vai revelar-se um canastrão e Steve Martin consegue mesmo ultrapassar os preconceitos recalcados da sua enorme protuberância facial e ficar com a actriz-ícone dos anos 80 (posição que nunca ninguém soube explicar). Normalmente, Roxanne é considerado o melhor filme de Steve Martin e o próprio confessa que foi aqui que, pela primeira vez, se sentiu respeitado enquanto actor (é verdade que também não ajuda fazer tanta comédia pateta, não é?). Contudo, perante o charme datado dos anos 80, Roxanne não é assim tã especial quanto isso. Nem tão pouco o guilty pleasure que alguns fãs tentam justificar que é. Primeiro, porque a variação de Cyrano de Bergerac de Steve Martin não é nada de especial. Falta-lhe a eloquência do original, que desarmava, enxovalhava, humilhava e enfurecia os seus inimigos. Eloquência é mais do que falar depressa, dizer palavras caras e contar umas chalaças inteligentes. E depois porque nunca há química entre o casal de protagonistas. E numa comédia romântica que aposta tudo nisso, dispensando qualquer química screwball para apimentar as coisas, é um tiro em seco. Por isso, Roxanne só pode ser filme favorito de quem nunca viu as adaptações do Cyrano original. E quanto à prestação de Martin, continuo a preferir o seu Dr. Maxwell Edison, em Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band. Comédia sincera, sim, mas deveras insonsa, não mais do que um Cheeseburger, desculpem. ![]()
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10:11 PM Quarta-feira, Outubro 19, 2011 SUBMARINO: Título: Submarine Realizador: Richard Ayoade Ano: 2010 ![]() Richard Ayoade é um razoável comediante britânico e o seu filme de estreia para cinema, Submarino, pré-estreou no passado Festival de Humor de Lisboa, que teve a sua primeira edição em Julho último. Contudo, se estiver à espera de uma comédia, pode tirar o seu cavalinho da chuva. Eu não sabia e agora o meu cavalo está todo molhado. Submarino é a história de Oliver Tate (Craig Roberts), um jovem não muito popular de um liceu de um lugar perdido no meio do País de Gales, naquela fase complicada da puberdade, entre as preocupações normais de perder a virgindade, ser popular na escola e, simplesmente, ser cool. Contudo, se com a rapariga dos seus sonhos, Jordana (Yasmin Paige), a coisa até parece bem encaminhada (apesar de ela ser um pouco... estranha), Oliver ainda vai ter que resolver um inesperado problema: a crise conjugal dos seus pais, o tímido Lloyd (Noah Taylor) e a ex-aspirante a actriz Jill (Sally Hawkins), cujo matrimónio fica ameaçado com a entrada em cena do místico-ninja(!) Graham Purvis (Paddy Considine). Pois então, eis uma versão seca e muito british (leia-se auto-depriciativa) de American Pie - A Primeira Vez, com uns pozinhos de nouvelle vague (Godard telefonou a pedir os títulos gigantes em fundo azul de volta) e aquele ambiente dde cinema indie, que filmes como Garden State tentam emular de forma artificial. Submarino é como a versão de Scott Pilgrim Contra O Mundo realizada por Wes Anderson. E já que estou numa de associações, lembra ainda Mundo Fantasma pela forma simples como diz coisas importantes e reais do difícil mundo de ser adolescente. Submarino cria ainda um par de bonecos memoráveis, quase cartunescos, também graças aos seus actores. O primeiro é o pai de Oliver, Noah Taylor (que, curiosamente, estava na tripulação de Steve Zissou, de Wes Anderson), um muito (demasiado?) racional biólogo marinho com o cabelo todo escorrido como se tivesse sido lambido por uma vaca; e o segundo é Paddy Considine (vénia), na pele de um místico vendedor da banha da cobra, a meio cainho entre o psicadelismo dos Pink Floyd circa Dark side of the moon e a fraude dos discursos motivadores. Considine está para Submarino assim como a personagem de Tom Cruise estava para Magnólia. E, por fim, ainda há um rebuçado que é a banda-sonora de Alex Turner, o senhor dos Arctic Monkeys. Submarino é cinema-indie britânico, que nasce espontâneo à sombra da britcom. Vale um McBacon e um post-it a lembrar que Richard Ayoade será, provavelmente, um nome a seguir. ![]()
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10:05 PM Terça-feira, Outubro 18, 2011 MILLENIUM 1. OS HOMENS QUE ODEIAM AS MULHERES: Título: Män Som Hatar Kvinnor Realizador: Niels Arden Oplev Ano: 2009 ![]() Basta uma pesquisa rápida pela net para encontrarmos toneladas de fan pages, milhões de leitores convertidos e paletes de testemunhos apaixonados de pessoas que passaram a noite em claro a ler de uma assentada os livros da série. Falo do fenómeno Millenium, a trilogia de Stieg Larsson que revitalizou o romance policial, com a sua escrita económica e directa e uns pozinhos de ambiguidade. Fazem-me confusão os fenómenos da literatura de hipermercado, mas se em O Código Da Vinci eu ainda percebia que a polémica e as ideias abordadas justificassem o entusiasmo, aqui não consigo mesmo entender. O que é certo é que até David Fincher já se rendeu aos encantos do jornlista de investigação, Mikael Blomkvist, e a investigadora-hacker-anoréctica-punk, Lisbeth Salander, e está a adaptar o primeiro livro ao cinema. O que se calhar pouca gente sabe é que toda a trilogia já foi adaptada para o grande ecrã pelos suecos. E basta mais uma pesquisa rápida pela internet para encontrar uma infindável série de idiotas fundamentalistas a defenderem estes filmes em detrimento do de Fincher, que ainda nem sequer está feito. Então está bem. Os Homens Que Odeias As Mulheres é a primeira parte dessa trilogia, em que o jornalista de investigação, Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist), fundador da revista Millenium, é contratado por um empresário velhote para tentar descobrir o que aconteceu a uma sobrinha desaparecida/morta há 40 anos atrás. Blomkvist vai contar com a ajuda de uma investigadora-hacker com um passado problemático, Lisbeth (Noomi Rapace), no desvendar de um caso que envolve nazis, serial killers psicopatas e muita, mas mesmo muita tensão familiar. Ta na na na!! A história original de Os Homens Que Odeias As Mulheres, apesar da escrita económica, tem uma aura negra de ambiguidade, já que rima com misoginia, incesto, violação e violência doméstica. Contudo, qualquer possibilidade de montar um thriller neo-noir pertubador e mindblowing cai por terra pela necessidade de compactar no mesmo filme a introdução às personagens, ao mesmo tempo que desenrola a trama principal. Niels Arden Oplev faz o seu melhor, adaptando fielmente o livro qb, deixando cair por terra alguma informação acessória, mas perde oportunidade de colocar a sua marca pessoal no filme. Os Homens Que Odeias As Mulheres é um filme narrativamente competente (salvo um ou outro pormenor na investigação), mas cinematograficamente anónimo. Naomi Rapace é uma personagem interessante, mas também falta-lhe aquela aura negra e misteriosa que devia fazer dela uma pedra de toque do filme. Por isso, Os Homens Que Odeias As Mulheres fica-se pelo Cheeseburger, enquanto aguardamos pelo que David Fincher vai fazer do filme. E fica também aqui escrito que não vou ler o resto da trilogia, não tenho paciência, prefiro gastar o meu tempo em outras coisas. Tenho dito. ![]() Segunda-feira, Outubro 17, 2011 PERTO DEMAIS: Título: Closer Realizador: Mike Nichols Ano: 2004 Perto Demais começa com um encontro fortuito entre Natalie Portman e Jude Law nas ruas de Londres, prolongando-se por um encontro não-planeado. Por momentos, pensamos estar na presença duma história romântica como a de Antes Do Amanhecer ou mesmo - perante o roteiro turístico de Londres - diante de um daqueles filmes casuais de Woody Allen (mas com música clássica em vez de jazz). Mas na cena seguinte vemos Jude aw a seduzir Julia Roberts e, antes mesmo de pensarmos em qualquer piada fácil com a sua vida real, lembramo-nos que afinal Perto Demais é antes um filme de Mike Nichols, senhor consagrado que integra a limitada galeria dos que já venceram os principais prémios do grande e do pequeno ecrã (Oscar, Grammy, Emmy e Tony) e que é mestre na crítica social e na observação humana. Em Perto Demais desenha-se com relativa facilidade e extrema elegância um quadrado romântico, que coloca de um lado Jude Law e Natalie Portman e do outro Julia Roberts e Clive Owen, mas cujos vértices se vão encontrar (e desencontrar) ao longo do filme, resolvendo os seus problemas com muita sensatez e racionalismo. Primeiro do que tudo, Perto Demais é um filme sobre relações humanas e sobre a especificidade do ser humano, mergulhando e escarafunchando em temas como a obsessão, o ciúme, a traição e, especialmente, a mentira. Ou seja, tudo temas desconfortáveis, que fazem de Perto Demais um filme mais negro e perturbador do que parece. E depois, é um filme de personagens (são apenas quatro e nada mais), em que cada actor tem liberdade suficiente para desenvolver o seu boneco numa tridimensionalidade bastante perto da realidade. Dabdo rédea solta aos seus actores, Mike Nichols diverte-se em manipular os cordelinhos do argumento, levando-os pelos caminhos sinuosos da psique humana, aproveitando para analisar relações e comportamentos humanos, qual Buñuel. E quanto mais acidentado o caminho, mais Nichols se diverte, com um cinema muito british, elegante, banda-sonora entre o erudito e a bossa nova de Bebel Gilberto e planos seguros, pouco móveis, mas extremamente livres (paradoxal, eu sei). Perto Demais marca ainda o momento-chave da carreira de Natalie Portman. Foi aqui que ela amadureceu enquanto actriz e passou a ficar habilitada de poder fazer de mulher. Foi aqui que Portman ultrapassou definitivamente o rótulo de jovem actriz promessa, com um futuro promissor à sua frente. Aqui ela ultrapassou o seu futuro. E nem foi pela famosa cena do striptease ou por andar a insinuar o corpo; foi mesmo pela segurança com que se entregou ao papel, sem se intimidar pelos tubarões à sua volta, especialmente Julia Roberts. No final, fica a mensagem: o ser humano é um sacana de um mentiroso, seja ele quem for. Não pode fazer nada contra isso, por isso habitue-se. E, enquanto isso, Perto Demais é uma pequena pérola quase perfeita, um Le Big Mac cheio de molho e batatas fritas. ![]() Sexta-feira, Outubro 14, 2011 FORREST GUMP: Título: Forrest Gump Realizador: Robert Zemeckis Ano: 1994 ![]() Normalmente, Forrest Gump é considerado um dos casos mais injustos nas atribuições dos Oscares para melhor filme e é estudado recorrentemente nos mestrados sobre os critérios das escolhas da Academia de Hollywood (esta última parte é mentira, mas se houvessem tais mestrados seria verdade, de certeza). Não é que o filme de Robert Zemeckis seja um mau filme, antes pelo contrário; o problema é que, em 1994, havia um outro filme chamado... Pulp Fiction (e Os Condenados De Shawshank, mas isso já é outra história). Mas apesar de eu ser um aficcionado do filme de Quentin Tarantino, a vitória de Forrest Gump não me indigna tanto como a de Chicago, por exemplo. Forrest Gump é a história de Tom Hanks, então em pleno processo de transformação em papa-Oscares (antes houvera Filadélfia e no ano seguinte Apollo 13), um saloio sulista com um ligeiro atraso, desde a sua infância aos dias de hoje. Aparentemente, a vida de Gump, que nascera com a espinha torta e um QI abaixo do normal, parecia condenada ao anonimato, mas contra todas as previsões, acabou por se tornar num agente determinante em cerca de três décadas de história norte-americana. Ou seja, Forrest Gump é a tão habitual fábula do underdog que os americanos tanto gostam e que provam que o sonho americano contiua a existir para qualquer um que ouse sonhar. Ou não fossem os Estados Unidos a terra das oportunidades. God bless the USA. Bandeiras desfraldadas ao vento, música orquestral e fade out até passarem os créditos finais. Mas como se isso não bastasse, Forrest Gump é ainda uma aula de História dos Estados Unidos em forma compactada. Um resumo que começa na segregação racial dos anos 50, passa pelo flower power dos anos 60, a guerra do Vietname e a ascenção da contra-cultura nos anos 70 até aos primeiros cartuchos do disco pós-Guerra Fria. American History for dummies, dizem vocês. Não são dummies, corrijo eu, são simplesmente norte-americanos. E, como se isso não bastasse, a própria personagem Forrest Gump é mesmo determinante em muitos episódios históricos, através da manipulação da História e da manipulação digital, que o metem a interagir em found footage real com os presidente americanos (John F. Kennedy, Richard Nixon, Lyndon Johnson e Gerald Ford) ou a ensinar o Elvis a dançar ou a ser o garganta funda que denunciou Watergate. Forrest Gump é feito à medida dos norte-americanos, mas com um sentido de humor inteligente e uma aura feelgood com que Zemeckis nos habituou na trilogia Regresso Ao Futuro. E trespassando o filme de uma ponta à outra está um optimismo latente, daqueles que nos deixa o coração aquecido mesmo quando nos faz chorar: é o espírito Frank Capra, que Zemeckis pediu emprestado a Steven Spielberg, produtor deste épico para toda a família. Depois, Forrest Gump deixa ainda uns bombons pelo caminho, para nos adocicar a boca. Já nos havia preso pelos olhos e depois prende-nos pela barriga. Há a banda-sonora, verdadeira jukebox de hits dos anos 50 ao final dos 70 (Clarence Frogman Henry, Bob Dylan, Joan Baez, CCR, Hendrix, Doors...), há a versão azeda e sem pernas de Gary Sinise do tenente-coronel Bill Kilgore ou até um debutante Haley Joel Osment. Pulp Fiction é melhor e merecia gahnhar o Oscar? Sim, mas a culpa não foi de Forrest Gump. A culpa foi da casualidade de ter um ano com dois Royale With Cheese tão apetitosos. ![]() Quinta-feira, Outubro 13, 2011 HOMENS DE NEGRO: Título: Men In Black Realizador: Barry Sonnenfeld Ano: 1997 ![]() Em 1997, Will Smith fazia uma versão pateta do seu filme de extraterrestres do ano anterior, Dia Da Independência. E, como tudo o que tocava na altura, também Homens De Negro, realizado pelo competente tarefeiro Barry Sonnenfeld (daqueles que não dão mau nome à profissão) se transformou em ouro. Smith era o Midas de Hollywood no final dos anos 90, visto como o novo Eddie Murphy (que raio, Murphy ainda está aí para as curvas, hão-de ver na próxima edição dos Oscares), e conseguia com um buddy movie de ficção-científica o mesmo êxito de um épico blockbuster-catástrofe de Roland Emmerich. Homens De Negro é uma comédia de ficção-científica com toques de filme de acção. Faz lembrar ficção-científica camp de clássicos da década anterior, como Os Caça-Fantasmas ou mesmo O Pequeno Monstro, mas segundo a estrutura buddy movie, na qual Will Smith provara dar-se bem com a sua forma de ser desbocada e corpo para dar ao manifesto em cenas de acção (alguém mencionou Os Bad Boys?). Homens De Negro é um divertido e descontraído filme de extraterrestres, mas segundo a fórmula Jim Henson (na verdade as criaturas saíram todas da imaginação de Rick Baker, que basicamente é a mesma coisa) e o humor de Douglas Adams e o seu À Boleia Pela Galáxia, o clássico da comédia sci-fi - goza com ela, mas de forma inteligente, sem ofender os geeks. Will Smith é então um polícia que é convidado a entrar para os Homens de Negro, uma instituição secreta, mas tão secreta, que nem o Governo norte-americano a conhece. O objectivo: governar o planeta Terra, interposto galáctico para extraterrestres em missões diplomáticas, em busca de asilo político ou, simplesmente, de passagem. Como descreve Tommy Lee Jones, a Terra é como o Casablanca, mas sem nazis. O cariz subversivo de Homens De Negro começa a desenhar-se neste thriller conspirativo, mas dá ainda umas ferroadas na sociedade civil norte-americana, principlamente quando começa com uma caça a um alien que se mascara de mexicano e tenta entrar clandestinamente nos Estados Unidos. Depois, Homens De Negro apoia-se nas costas de Will Smith grande parte das vezes, que por sua vez aproveita o contraponto cool de Tommy Lee Jones (que nos anos 90 fez uma série de filmes como este para ver se as pessoas não se esqueciam dele de futuro, o que parece ter resultado), para esgalharem gagues divertidos, boas cenas de acção (uma perseguição a pé pelo Guggenheim fica sempre bem em qualquer lado, mesmo que faça lembrar o Cremaster 3) e hora e meia de entretenimento mais ou menos pateta, que se imiscui com a realidade, dando alfinetadas em Stallone ou Dennis Rodman. Pode parecer estranho, mas da carreira de Will Smith, Homens De Negro até é dos melhores McBacons. ![]() HOMENS DE NEGRO 2: Título: Men In Black II Realizador: Barry Sonnenfeld Ano: 2002 ![]() O sucesso do primeiro Homens De Negro explicava-se pela conjugação dos seguintes factores: o revitalizar da horror comedy, subgénero que estava moribundo desde Os Caça-Fantasmas mais ou menos; o tom descontraído e muito cool; e a equação feliz (Tommy Lee Jones + Will Simth) + Rick Baker + Danny Elfman. Por isso, Homens De Negro 2 era mais do que inevitável. Infelizmente, enquanto que da primeira vez, Barry Sonnenfeld tinha-se preocupado em fazer um filme, aqui preocupou-se única e simplesmente em fazer dinheiro. O argumento de Homens De Negro 2 parece ter sido escrito num workshop de cinema de dois dias na APPACDM, por meninos com trissomia 21. Completamente ingénuo, sem chama, apinhado de lugares-comuns e uma boçalidade gritante, que me faz querer ir procurar um diccionário de adjectivos só para lhe cascar em cima. É tão mau que nem parece uma continuação do primeiro. Quando começa, o parceiro de Will Smith já não é Linda Fiorentino, mas antes (o sempre genial) Patrick Warburton. Descobrimos então que Smith se tornou num neurolizador compulsivo e, daqui até ir desempoeirar uma estória antiga de amor que põe em causa o futuro do universo que exige retirar Tommy Lee Jones da prateleira, é um pulinho. Tommy Lee Jones regressa então a meio do filme e, surpresa!, vem em modo badass. Não nos lembrávamos que, em Homens De Negro, Tommy Lee Jones conseguisse fazer tais coisas. Se calhar houve outro filme da série que perdemos... Mas depois percebemos que, se calhar, foi mesmo Barry Sonnenfeld que se esqueçeu do tom do seu filme anterior, no meio de tanta masturbação digital, com um CGI exagerado que, além de não convencer, ofusca as criações geniais de Rik Baker. Por isso, Homens De Negro 2 aposta tudo no cão que fala (e canta Gloria Gaynor) e na piada improvisada de Will Smith que, em 2005, rodou até ficar mais do que gasta - Actually it came with a black dude, but he kept getting pulled over. Tudo isto somado a algumas piadas que às vezes parecem os gags maus de Aonde Pára A Polícia, um Johnny Knoxville irritante e uma Rosario Dawson cuja expressão de espanto é equivalente à capacidade dramática dum pimentão que tenho ali no frigorífico, faz com que chegue a uma altura que já nos estamos nas tintas para o cameo do Michael Jackon (RIP) e para um filmezinho-série-z que resume toda a história passada do filme, estrelando o grande Peter Graves. Homens De Negro 2 é um Happy Meal decepcionante que me faz perder toda a vontade de ver esta sequela tardia que aí vem. ![]() Terça-feira, Outubro 11, 2011 GI JOE - O ATAQUE DOS COBRA: Título: GI Joe - The Rise Of Cobra Realizador: Stephen Sommers Ano: 2009 ![]() Quando era puto se havia coisa que eu curtia mesmo eram os GI Joes. Tinha dezenas de bonecos desses e só não tinha mais porque não mos compravam. Havia qualquer coisa naqueles action figures articulados que só encontrava rival no spectrum (isto foi muito antes de aparecerem as consolas da Sega e da Nintendo), mas com a vantagem de não ter de estar à espera vinte minutos sempre que queria brincar. Por isso, quando estreou GI Joe - O Ataque Dos Cobra soltei um riso miudinho, que fiz questão de esconder de todas as pessoas que pensam que eu sou uma pessoa de bem, com gostos eruditos e interesses intelectuais. Vi GI Joe - O Ataque Dos Cobra e, mesmo não reconhecendo nenhuma personagem (eu não via os desenhos-animados, confesso), senti-me como se tivesse novamente 5 anos e estivesse a brincar com os GI Joes. É que vale tudo no filme, fazendo lembrar as discussões de quando eramos gaiatos: O meu boneco é mais forte que o teu, derrotei-te. Não não, o meu é que é mais forte, porque salta mais alto. Salta mais alto porquê? Hmm.. porque tem um fato especial que o faz saltar mais alto.. Sim, em GI Joe - O Ataque Dos Cobra existem fatos aceladores que fazem os heróis correrem mais depressa, saltarem mais alto e baterem com mais força que os seus inimigos, esticando os gadgets do James Bond ao limite do irrealismo. Mesmo que o realizador, Stephen Sommers, diga que toda a tecnologia do filme possa estar inventada em 20 anos, não acredite. Stephen Sommers está completamente descontrolado em GI Joe - O Ataque Dos Cobra, filme de acção em que vale tudo. É como Armaggedon, que até valia fazer fogo no espaço, desde que isso possibilitasse mais uma explosão e uma cena emocionante, mas ainda mais exagerado. Tão exagerado que GI Joe - O Ataque Dos Cobra aproxima-se perigosamente do camp, como aquele flagelo que foi Batman & Robin. Ora bem, para quem não sabe, os GI Joe - O Ataque Dos Cobra são uma força militar internacional e secreta que junta os melhores operacionais de todas as forças especiais do Mundo. Curiosamente, olhamos para o filme e, exceptuando um marroquino (Saïd Taghmaoui), são todos norte-americanos (ah, há uma inglesa, que é a ideia mais próxima de multiculturalidade dos americanos), loiros, olhos azuis e queixo quadrado (e claro que existe o preto brutamontes e o preto que debita one-liners para o comic relief), ou não fossem os Estados Unidos e polícia do Mundo. Mais curioso ainda é, no final, os heróis principais e os vilões serem todos da mesma família e ex-namorados, provando que, até para estas agências internacionais, o mundo é apenas uma aldeia grande. O pseudo-argumento, que mais não é do que um ligeiro motivo para ir avançando o filme de sequência de acção em sequência de acção cada vez mais grandiosa, engloba um negociante de armas descendente de O Homem Da Máscara De Ferro (juro!) e nanotecnologia verde, que desde o remake de O Dia Em Que A Terra Parou tem sido o sonho molhado de tudo o que é realizador insano de filmes de acção. E por falar em realizadores insanos de filmes de acção, quem diria que Michael Bay iria encontrar em Sommers um rival de peso no campeonato mundial dos blockbusters pueris e superficiais. Mas há algo que me faz confusão em GI Joe - O Ataque Dos Cobra e que tem a ver com o elenco. Olhamos para os nomes envolvidos e percebemos que Dennis Quaid tenha aceite o papel para fazer o gosto ao filho, percebemos que Sienna Miller tenha aceite o papel para ter, finalmente, uma oportunidade de não fazer de puta drogada, percebemos que os outros todos tenham aceite o filme para ver se tinham alguma visibilidade, mas.... não percebemos o que faz Joseph Gordon-Levitt num filme como este, por mais que tentemos. Mas pronto, diverti-me à brava a ver o filme e aposto que ainda vou gostar mais da sequela, que parece que vai mudar tudo outra vez, elenco e realizador incluído. Enfim, se brincou com GI Joes quando era mais novo, GI Joe - O Ataque Dos Cobra pode ser um Cheeseburger para recordar os bons velhos tempos. Se não, algo mais do que o Happy Meal é insulto ao cérebro. ![]() Segunda-feira, Outubro 10, 2011 OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE: Título: Os Famosos E Os Duendes Da Morte Realizador: Esmir Filho Ano: 2009 ![]() E eis que nos chega um filme brasileiro que não encaixa no realismo de favela com que eles nos têm inundado desde Cidade De Deus. Aliás, Os Famosos E Os Duendes Da Morte (título esquisito) não podia ser mais diferente. Não há cá cores quentes e saturadas, ritmo trepidante e sons exóticos; o cenário é antes uma aldeia do interior, cheia de caipiras, o horizonte sempre com um nevoeiro messiânico e a música, bom... a banda-sonora daquele local é um misto de rancho folclórico com música de carrinhos de choque. Os Famosos E Os Duendes Da Morte é a longa-metragem de estreia de um jovem de apenas 20 e tal anos, Esmir Filho, o que mete particular raiva. Ninguém tem 25 anos, muito menos a filmar com uma maturidade assim. Mas para nós, geração internet, Esmir Filho não é um nome totalmente desconhecido, já que é ele o autor da curta Tapa Na Pantera. Provavelmente não estão a associar o nome ao vídeo, até porque muitas vezes ele aparece anónimo, mas depois de clicarem aqui vão ver o que é. E depois deste manfiesto pró-erva, entendemos melhor a liberdade conceptual de Os Famosos E Os Duendes Da Morte. De facto, mesmo se tivermos em conta o novo cinema brasileiro, aquele que é tão louvado, mas que teima em nunca chegar às nossas salas (aquele que existe além da Cidade De Deus e Tropa De Elite), Os Famosos E Os Duendes Da Morte é obra estranha, que não encaixa no molde. Caetano Veloso, pessoa insuspeita, tem sido um dos nomes que tem posto Os Famosos E Os Duendes Da Morte nas palminhas. E nós não estranhamos, já que o filme até rima com o psicadelismo e o avant-garde do tropicalismo e da marginália. Os Famosos E Os Duendes Da Morte é a história de Juliaen (Ismael Caneppele), um jovem de uma aldeola caipira, que vive consumido pelo próprio local e pelas limitações geográficas. O seu escape é o Bob Dylan, o flickr de uma tipa de quem deduzimos ter acontecido algo trágico e, claro, a internet. Mas neste ponto a dúvida existencial é se estar perto não é físico - frase-chave do filme. Obra poética, mais reflexiva do que contemplativa, Os Famosos E Os Duendes Da Morte encontra paralelo no cinema europeu do alheamento (olá Antonioni), mas sobretudo na obra sul-americana de Lucrecia Martel. Contudo, em comparação com estes, Os Famosos E Os Duendes Da Morte é menos despegado do físico e menos pausado - aí está o legado da geração internet, nada demora demasiado tempo. Os Famosos E Os Duendes Da Morte é ainda misterioso e sombrio, sempre com uma aura de morte a pairar, materializada numa ponte de ferro onde os caipiras se suicidam aos mil. Voltamos a tentar e não acreditamos como é que Esmir Filho só tem 20 e tal anos. Mas só um jovem para entender o que é ser jovem e cristalizar em imagens a angústia juvenil (teenage angst, sic), não é? Os Famosos E Os Duendes Da Morte é um ovni em português tipo McChicken. ![]() Sexta-feira, Outubro 07, 2011 FAVORES EM CADEIA: Título: Pay It Forward Realizador: Mimi Leder Ano: 2000 ![]() 2011 é o Ano Europeu do Voluntariado e Favores Em Cadeia será, quiçá, o melhor filme para lhe prestar tributo. Mesmo não sendo um super-filme, é suficiente para passar a mensagem de altruismo do voluntariado. Contudo, também é necessário sensibilizar as pessoas para uma responsabilização social do voluntariado, principalmente acabando com as ideias feitas: ser voluntário não é trabalhar de graça e ser voluntário não é só fazer o bem, é fazê-lo bem. Agora que já terminei o sermão, vamos ao filme. Favores Em Cadeia é o filme em que Haley Joel Osment, quando ainda conseguia convencer o pessoal de Hollywood com os seus olhos de anime, inventa um esquema em pirâmide para fazer o bem. Se cada pessoaajudar três pessoas, de forma sincera e sem esperar nada em retorno, e se cada uma dessas pessoas ajudar outras três pessoas - e por aí fora -, o Mundo tornar-se-ia um sítio melhor. Assim, Haley Joel Osment começa por ajudar um sem-abrigo heroínomano (Jim Caviezel), tenta ajudar um colega a não levar uma tareia descomunal dum puto latino e ajuda o seu professor queimado a ter sexo. Todos tivemos algum professor que nos marcou (no bom sentido, claro), pela sua experiência ou pela forma como nos identificamos com o que dizia (ou como o que dizia nos transformou). A Haley Joel Osment foi Kevin Spacey, com a sua lábia engana-tolos e à-vontade apesar de ter a cara feita em merda; por isso, a forma que arranjou para o ajudar foi atiçar-lhe a mãe, uma white-trash alcoólica (Helen Hunt na sua última oportunidade de ter um papel que pudesse andar de mini-saia e decote até ao umbigo). Wait, what? Como se isso não bastasse, as outras acções de altruísmo que a realizadora, Mimi Leder, nos mostra são, por exemplo, uma velha bêbada que ajuda um preto a roubar um rádio ou um preto que dá uns tiros no hospital(!) para que uma miúda com asma seja atendida(!!). Hmm, alguém está aqui baralhado com algumas definições. Favores Em Cadeia procura ainda manipular-nos, primeiro com os olhos grandes de Haley Joel Osment, e depois com o facto de ele: 1) ter um pai que bate na mãe 2) ter uma mãe bêbada 3) ter uma mãe stripper 4) ter uns pais que o negligenciam. Com tanta tragédia na família, estava-se mesmo a ver que Mimi Leder ia esticar a corda para tentar o tearjerker final. E voilá! Afinal o puto latino com mau feitio servia mesmo para alguma coisa. Para perceber como Favores Em Cadeia é tão limpinho e polidinho. basta dizer que quem faz de pai wifebeater e saloio é... Jon Bon Jovi. Como é que algum filme sobrevive a algo mais do que um Double Cheeseburger com isto? ![]() Quinta-feira, Outubro 06, 2011 OS PÁSSAROS: Título: The Birds Realizador: Alfred Hitchcock Ano: 1963 ![]() Os Pássaros será um dos filmes mais inquietantes e misteriosos de Alfred Hitchcock, mas também um dos mais violentos. Aliás, o mestre terá mesmo garantido que este seria o seu trabalho mais assustador até há data e isso, tendo em conta que o seu filme anterior fora o Psico, era obra. Pode parecer estranho que um filme sobre pássaros - gaivotas e corvos, sobretudo, mas também tentilhões e pardais -, criaturas pacíficas e fofas quesó existem para trazer beleza ao Mundo, como refere uma ornitóloga durante o filme, sejam o motivo de um dos mais terríficos filmes da sétima arte. Mas por mais monstros, zombies ou alienígenas que o cinema invente, nunca há de aparecer nada mais assustador do que criaturas comuns do nosso dia-a-dia. Porque, no fundo no fundo, sabemos sempre que monstros não existem e é tudo fruto da nossa imaginação; enquanto que pássaros (e quem diz pássaros diz tubarões ou saloios) são bem reais e estão aqui bem ao nosso lado. Os Pássaros é o filme que inaugurou o sub-género do filme tragédia que tem a ver com a revolta da Natureza (e que teve o seu culminar com o absurdo O Acontecimento). Num lugarejo costeiro, Bodega Bay, cheio de marinheiros de água doce e pescadores, os pássaros da região começam a juntar-se em ataques em massa planeados e regulares, trazendo o terror à socialite Melanie Davies (Tippi Hedren) e o médico e menino-da-mamã Mitch Brenner (Rod Taylor), recém-apaixonados. Hitchcock começa por introduzir os seus personagens. Melanie Davies e Mitch Brenner conhecem-se na cidade, num encontro malandro orquestrado por ele numa loja de animais. Ela, fascinada por ele, segue-o até Bodega Bay para lhe pregar uma partida, num flirt delicioso entre macho e fêmea, daqueles que o mestre - grande observador da natureza humana - fazia tão bem. Introduzidas as personagens e devidamente contextualizadas (não tanto ela, que sabemos ser uma socialite boémia, mas ele, a braços com uma mãe possessiva (Jessica Tandy) e uma irmã demasiado nova), Hitchcock inicia a escalada de suspense, primeiro com uns ataques pontuais de pássaros, e depois com o terror todo de uma só vez, encurralando os heróis numa casa cercada, lembran do os westerns clássicos em que os cowboys ficavam sitiados nos seus fortes. Os Pássaros é um dos filmes mais estudados de Alfred Hitchcock. Uma vez que nunca é dada uma explicação para o ataque das aves - e tendo em conta que, para além de mestre no suspense, Hitchcock era um mestre da psicologia humana -, Os Pássaros tem sido abordado ao longo dos anos de vários ângulos e por vários filósofos (já ouviram falar de Slavoj Zisek?). Há quem defenda que os pássaros são uma metáfora para o amor romântico, outros para a Humanidade e até quem os veja sob uma perspectiva de géneros. Eu, pessoalmente (e mesmo que o amor daquela mãe possessiva dê pano para mangas), continuo a preferir ver o filme como um simples acto de vingança irracional dos animais, a favor do casal de periquitos que acompanha os heróis durante todo o filme numa gaiola. Chegado ao fim, Os Pássaros termina com um final aberto sem qualquer explicação. Hitchcock evitou o habitual the end porque queria mostrar que o terror continuava, sem previsões de terminar. Percebe-se a ideia, mas não deixa de ser extremamente irritante para quem está a ver o filme. E é isso que me faz ficar pelo McRoyal Deluxe. ![]() Quarta-feira, Outubro 05, 2011 O PANDA DO KUNG FU 2: Título: Kung Fu Panda 2 Realizador: Jennifer Yuh Ano: 2011 ![]() Houve qualquer no primeiro O Panda Do Kung Fu que me tocou. Não tenho a certeza se foi o facto de ser ligeiramente superior que os outros desnehos-animados da Dreamworks, desde o já longínquo Shrek inicial, ou se foi apenas por recriar, de forma animada, o mundo das artes marciais dos filmes de Hong Kong, com Cheh Chang à cabeça. que foram um pilar fundamental da minha educação cinéfila. Dissipado o factor novidade, O Panda Do Kung Fu 2 é uma sólida aventura de artes marciais de um grupo de animais antropormofizados, liderados por um trapalhão e desajeitado panda, Po (voz de Jack Black), mas com uma inesperada insistência no melodrama. É que, no fundo, O Panda Do Kung Fu 2 é um filme sobre a origem de Po, o choosen one do kung fu numa China feudal mitificada, mergulhando no seu passado e deixando automaticamente uma porta aberta para a próxima sequela. Afinal de contas, não era nada que não estivessemos à espera. Pelo menos, falo por mim, que sempre desconfiei que o ganso de James Hong não era o pai biológico do panda. Visto que já não necessitou de se demorar na apresentação das personagens - já as conhecemos todas e, por isso, as secundárias saem prejudicadas, com pouco tempo de antena, que o digam Angelina Jolie e Jackie Chan -,O Panda Do Kung Fu 2 monta uma aventura que se delicia consigo própria (e connosco): coregrafias ambiciosas, desfrutando de toda a liberdade da animação digital, cenários coloridos e detalhados e uma dinâmica com as personagens fluída e escorreita. E nós vamo-nos lembrando de Bruce Lee e de Os Jovens Heróis De Shaolin, enquanto salivamos de nostlagia. Gags divertidos, Jack Black num underacting saudável, Jean-Claude Van Damme num excelente toque cinematográfico (e com o seu mestre crocolido a fazer a espargata, o seu movimento de marca) e um equilíbri entre acção e comédia, fazen desta uma sequela competente, que prolonga o folclore de O Panda Do Kung Fu 2 numa saga que vale a pena parar para ver sem reservas. Só era escusado insistir tanto no melodrama, confundindo terarjerker com maturidade. Um redondo McBacon e venha de lá a trilogia. ![]() Terça-feira, Outubro 04, 2011 4 COPAS: Título: 4 Copas Realizador: Manuel Mozos Ano: 2008 ![]() O cinema português sempre gostou de jovens rebeldes sem causa, simplificando a coisa com a expressão cunhada por James Dean, se bem que ele tinha mais razões para se rebelar do que a maoria dos seus sucessores. E Manuel Mozos até tem na sua obra um dos mais destacados desses eemplares, Xavier, com Pedro Hestnes Ferreira, cara do hedonismo juvenil português, como protagonista. 4 Copas começa por se parecer com mais um capítulo nesta saga de rebeldes sem causa. Rita Martins é a adolescente em causa. Chateia-se com os namorados porque os homens são todos iguais, trabalha no salão de beleza da sua madrasta com enfado porque tem que se sustentar e anda por aí aos tombos. Até que descobre que a sua mãe nova (Margarida Marinho a fazer de cabra enjoada, outra vez), uma ex-jogadora compulsiva, anda a pôr os cornos ao pai (Joâo Lagarto, um banana que é figurante no seu próprio filme). Com requintes de malvadez cirúrgica, Rita Martins aproxima-se do amante da madrasta (Filipe Duarte), sem sabermos bem quais as suas reais intenções. E por momentos pensamos estar a ver uma variação daquela pérola escondida, que é Musta Jää, em que Rita Martins orquestra uma vingança gélida, daquelas que as mulheres tanto gostam. Mas afinal não, 4 Copas é só mais um filme português. À medida que se aproxima do final, as personagens ganham cada vez menos atenção por parte de Mozos, em situações aleatórias e cenas cada vez mais curtinhas, até à irrisão total. Apesar da boa ideia inicial, 4 Copas afunda-se numa amplitude televisiva, com uma noção cinematográfica que se limita, muitas vezes, às cabeças falantes, e até ao final inconsequente, que busca desesperadamente o fim feliz não se percebe bem porquê. 4 Copas é uma boa ideia desperdiçada e dois ou três tiros nos pés. Felizmente não existem as cenas sensacionalistas de sexo nem asneiras a povoar gratuitamente as falas das personagens. Vale um Double Cheeseburger. ![]() Sábado, Outubro 01, 2011 FRENÉTICO: Título: Frantic Realizador: Roman Polanski Ano: 1988 ![]() Depois de ter assentado um pouco a poeira da sua acusação de ter violado uma menor, Roman Polanski continuou a marcar pontos com mulheres mais jovens. E, na década de 80, aumentou o seu palmarés com Emmanuelle Seigner, com quem iria casar depois. E, tal como Sharon Tate, Polanski começou a trablhar com ela: primeiro em Frenético, o regresso do mestre à sua boa forma, depois da desilusão Piratas; e depois, quatro anos mais tarde, em Lua De Mel, Lua De Fel, onde a pôs a fazer de femme fatale. Frenético é a história do médico Richard Walker, um Harrison Ford no papel que se sente mais confortável: o de leading man, com aquele toque clássico que faz dele um dos actores de maior sucesso da história de Hollywood. Ford vai a França com a sua esposa para um congresso de medicina, mas, ao sair do banho no seu quarto de hotel, descobre que a sua mulher desapareceu sem deixar rasto. Eis Polanski a repetir O Inquilino. Nesse, o próprio Polanski era um imigrante nos Estados Unidos, representado-se a si próprio; aqui, Ford é um estranho numa terra estranha, com Polanski a fazer mais uma vez com que os espectadores percebessem como é que é ser um estrangeiro noutra terra. Harrison Ford vai então embarcar numa aventura para descobrir o paradeiro da esposa, mas com mais calma e classe, não como o desesperado e nervoso Richard Kimble, de O Fugitivo, sempre a tentar descobrir o assassino da mulher. Aliás, o ritmo do filme, apesar de inquietante, pouco ou nada condiz com o título, tendo inclusive levado Ford a dizer, em entrevista, que o filme se devia ter chamado "moderadamente perturbado". Roman Polanski não se riu. Frenético será, quiçá, o filme de Polanski em que ele mais se aproximou de Alfed Hitchcock, num thriller envolvente, ue vai levantando aos poucos e poucos o véu do mistério. Mas tem um extra ineperado, que é a inclusão a meio do filme da jovem Emmanuelle Seigner, com um ar distante e igualmente enigmático, não muito esperta, mas determinada. Além disso, Polanski utiliza-a para insistir em mais um confronto no filme: Seigner, com as suas roupas e maquilhagem, simboliza o new-wave e o pós-modernismo (lado a lado com Grace Jones, cuja I've Seen That Face Before, está por todo o lado - quase como em 1988), em contraste com a Paris romântica e old school a que estamos habituados a ver no cinema. E a cereja no topo do bolo é a cena memorável em que um envergonhado Ford e uma desinibida Seigner dançam a música de Grace Jones num cabaret cheio de monhés velhos e ricos, cujo fabuloso mundo do youtube nos permite disponibilizar em baixo (atenção ao minuto 1:06 do vídeo). O mistério de Frenético termina depois de mais uma bela cena nos telhados de Paris e um tiroteio seco demais para um thriller destes. Mas quando Ford reencontra a esposa e a tela escurece, não deixamos de nos sentir um pouco desconfortáveis, depois de toda a tensão sexual destilada pelo norte-americano e a jovem Emmanuelle Seigner. É pelas coisas que escreve sempre nas entrelinhas que gostamos de Polanski. E Frenético é um dos seus McRoyal Deluxes mais subvalorizados. |
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