Segunda-feira, Dezembro 26, 2011
THIRST - ESTE É O MEU SANGUE:Título:
BakjwiRealizador: Chan-wook Park
Ano: 2009

Depois das ondas do mini-fenómeno que foi o hype do cinema coreano aqui há um par de anos se ter espraiado na praia, podemos sentar-nos calmamente na areia e ver o que ficou da rebentação. E o que ficou tem um nome: Chan-wook Park. O realizador prova que é mesmo o Godard da Coreia do Sul. E com
Thirst - Este É O Meu Sangue, mostra que há vida para lá da sua trilogia da vingança.
A saga
Crepúsculo arruinou com os vampiros. Trouxe-os para o mainstreem e abixanou-os forte e feito. Mas quando temíamos que tudo tivesse perdido, eis que dois imprevistos filmes, provenientes dos mais inesperados sítios, vieram em auxílio da vampiragem. Primeiro foi
Deixa-Me Entrar, filme sueco de um tal Tomas Alfredson; e depois
Thirst - Este É O Meu Sangue, de Chan-wook Park. Afinal, há esperança no género.
Contudo,
Thirst - Este É O Meu Sangue não reivente propriamente o género, até porque não é o típico filme de vampiros, é mais uma variação. É que Sang-hyeon (Kang-ho Song) não é um vampiro tradicional; é antes um padre com dúvidas quanto à sua vocação, que se voluntaria para cobaia humana de um vírus mortal em África, que uma mutação qualquer o transforma em algo semelhante a um vampiro. De um ápice, Chan-wook Park aproveita esta degeneração para se alargar numa reflexão sobre a consanguinidade, qual Dostoievski, ao mesmo tempo que a religião e o cinema de terror dão as mãos como não o faziam desde
O Exorcista.
Como bom coreano que é, em Chan-wook Park nada é linear nem aparente à primeira vista. O realizador deambula por estilos, mas o à-vontade com que se move faz com que
Thirst - Este É O Meu Sangue não se atrapalhe. O seu cinema é algo estilizado (um vampiro-padre de batina tem sempre estilo), mas de um formalismo sério e cuidado. E é aqui que vai desenrolando o seu filme de vampiros, com um gore-realista de jactos de sangue que não envergonha nenhuma anime, e com uma dimensão existencialista, ou não fosse SHSHSHHSHS uma variação moral de
Entrevista Com O Vampiro, aqui com a agravante de o vampiro ser padre: como resistir ao pecado de matar?
Como se isto não fosse já suficiente para manter o filme de pé, Park ensaia ainda uma história de amor possessiva com contornos de romantismo impossível. E, de repente, o vampirismo volta a ser sinónimo de volúpia e deboche, com
Thirst - Este É O Meu Sangue a rimar com eortismo e, consequentemente, com
O Império Dos Sentidos. E agora é o hentai e os seus mil e um fetiches que não saiem daqui defraudados. Park é um realizador a seguir de perto, não se esqueçam. E
Thirst - Este É O Meu Sangue é filme a merecer Le Big Mac.
Posted by: dermot @
9:59 AM
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