Quarta-feira, Dezembro 14, 2011
MELANCOLIA:Título:
MelancholiaRealizador: Lars Von Trier
Ano: 2011

Já não é cool gostar de Lars Von Trier. Mas verdade seja dita que tem sido o próprio a arranjar lenha para se queirmar. Basta ver como se enterrou na última edição de Cannes, onde apresentou
Melancolia, tecendo loas a Hitler e confessando-se nazi. Resultado: expulso para todo o sempre do festival. Em poucos anos, Von Trier passou de paixão platónica da cinefilia a realizador maldito.
Não deixa de ser curioso que o mesmo realizador que em tempo subscreveu o Dogma 95 - manifesto que protelava um retorno do cinema às suas origens mais básicas, contra todo o artificialismo da sétima arte - esteja agora ligado a um cinema barroco. Basta ver o prólogo de
Melancolia - tal como tinha sido o de
Anticristo também -, uma sequência em super-slow-motion impressionista e romântica, recriando pinturas de Everett Millais ou Pieter Breugel, num resumo simbolista e onírico das dua shoras e tal de filme em que estamos prestes a embarcar.
Essas duas horas e tal de
Melancolia estão divididas em duas partes, cada uma dedicada a uma de duas irmãs: Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg. Na primeira parte seguimos Dunst no dia do seu casamento, numa boda luxuosa arruinada pelas dúvidas de última hora que a assaltam (e que a levam a sexo com convidados ou a mijar(!) no relvado). E é aqui que Von Trier é mais genuíno, sempre com a câmara ao ombro, como nos tempos do Dogma (daí as comparações inevitáveis com
A Festa), captando as angústias de Dunst, mas também de todo o circo que a rodeia.
Quanto à segunda parte, fica-se mais em Gainsbourg, numa variante de filme-catástrofe. Enquanto um planeta azul ameaça chocar com a Terra, Charlotte Gainsbourg procura enfrentar a fatalidade, num espelho da depressão do próprio Von Trier, que limita-se a ir morrendo aos poucachinhos. E nós, que já temos os nossos próprios problemas, não temos pciência para aturar as neuroses dos outros.
Melancolia é uma versão depressiva do
perigoso Anticristo, cuja segunda parte revela aquilo que o filme anterior pelo menos não tinha: falta de ideias. Von Trier ainda tenta ser provocador, com alguma violência animal gratuita (olá
Manderlay), mas não consegue causar mais danos do que um soporífero. Pelo menos aqui evita o rótulo de misógino, que lhe tem sido colado nos últimos tempos. E apesar de não levar nenhuma das suas actrizes ao limite, Kirsten Dunst (que venceu iclusive o prémio de melhor actriz em Cannes) trasnforma-se aqui em mulherzinha. Pelo menos, já não vai ficar condenada a ser a sucessora da Cameron Diaz...
Eu até gostei de
Anticristo e fui dos poucos a defende-lo e
Melancolia não é tão mau quanto isso. Mas daqui a uns anos, quando se recuperar a filmografia deste autor maldito, este Double Cheeseburger será um dos últimos ao vir à tona.
Posted by: dermot @
12:56 PM
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