Domingo, Dezembro 18, 2011
DUAS MULHERES:Título:
Duas MulheresRealizador: João Mário Grilo
Ano: 2009

O caso que vai parar um dia, por acaso, ao consultório da psicóloga Joana Amorim (Beatriz Batarda) nas urgências do hospital podia figurar em qualquer episódio do
Dr. House: Mónica (Débora Monteiro), uma jovem aparentemente saudável, ia na auto-estrada a conduzir descansadamente e teve um ataque de pânico. Uau, isso é... extremamente banal. Contudo, para o realizador João Mário Grilo isso é o suficiente para a psicóloga desenvolver uma obsessão por aquela jovem voluptuosa com pouco jeito para a representação.
Ao que consta, a obsessão da médica pela sua fugaz paciente deve-se ao facto de ver nela um reflexo de si própria, do que poderia ter sido, caso não tivesse casado com um yuppie director de uma multinacional (Virgílio Castelo). Mas isso só sabemos porque diz na sinopse, já que, no filme, tudo fica por dizer. É como o primeiro encontro entre Batarda e Débora Monteiro: a primeira examina a segunda por momentos e percebe logo que ela é uma acompanhante de luxo. Como? Não sabemos. Ou por percepção extra-sensorial ou, mais uma vez, por qualquer coisa que não apareceu no filme.
Aliás, ficamos sempre com a sensação de que o melhor do filme é o que fica por dizer. João Mário Grilo, excelente teórico mas nem por isso soberbo executante, limita-se a enquadrar os planos, numa mise-en-scene irrepreensível, mas depois não há uma química entre as cenas, com os actores ou, simplesmente, entre as imagens que estamos a ver e a história a ser contada. O mesmo se passa com os actores, num ritmo teatral de tão contidos que estão.
Duas Mulheres procura ser um thriller cerebral e gélido, mas só consegue ser asséptico e aónimo, num cinema cheio de espaços residuais e silêncios forçados. Exemplo: Mónica vai ao consultório da psicóloga e fala com a recepcionista: a doutora está? Está ocupada, pode esperar ou voltar mais tarde. Eu espero, minha senhora. Não me chame senhora, eu não sou casada!!! Oi? Estas linhas estavam mesmo no argumento? Há outros exemplos como este e a maioria envolvem José Pinto, o mordomo/jardineiro/criado/assassino privado(!) que encerra o filme com um final idiota que mais não é do que um enorme plothole.
Como qualquer filme português que se preze,
Duas Mulheres conta ainda com Nicolau Breyner, um ricaço da alta roda que dá uma festarola na sua mansão e convida para actuar... a Romana. O Donald Trump tem a Liza Minnelli nas suas festas privadas, a máfia tinha o Tony Bennet e o Frank Sinatra e o Nicolau Breyner tem a Romana. Parece-me legítimo. Mas melhor do que o cameo da afilhada da Ágata, é o seu momento
happy birthday mr. President, em que canta os parabéns a Nicolau. Priceless.
Duas Mulheres ainda ensaia algumas cenas de lesbianice, em que Beatriz Batarda e Débora Monteiro se tocam como se fossem estátuas renascentistas, num filme em que João Mário Grilo parece querer ser rebelde à força. De thriller psicológico há pouco e havia ali qualquer coisa de
O Delfim versão-grande cidade que parecia prometedor. Assim, é só um desolador Pão Com Manteiga.
Posted by: dermot @
3:28 PM
|