Terça-feira, Dezembro 13, 2011
COLD WEATHER:Título:
Cold WeatherRealizador: Aaron Katz
Ano: 2010
Cold Weather convida-nos para um jantar de família, mas atrasamo-nos e, quando lá chegamos, já ele vai a meio. Felizmente ainda vamos a tempo de saber tudo o que necessitamos. Doug (Cris Lankenau) e ail (Trieste Kelly Dunn) são irmãos que voltam à cidade natal para partilharem um apartamento. Ele é um romântico, que deixou o curso de ciências forenses e agora tem um emprego noturno numa fábrica de gelo (vê-se logo quando, mais à frente, lhe perguntam se ele queria ser como um dos detectives do CSI e ele responde que não, que preferia o Sherlock Holmes); e ela, mais pragmática, trabalha num escritório, fazendo aquilo que se faz nos escritórios.
Ora então bem-vindos ao mundo dos cinzentões, um mundo de subúrbios, carros familiares para o passeio dos tristes ao domingo e gente miserável tentando ser menos infeliz. Obviamente, não é um mundo tão desolador quanto o de
Wristcutters: A Love Story, mas não deixa de ser triste. E à equação juntam-se mais dois peões: a ex-namorada de Doug (Robyn Rikoon), na cidade temporariamente para uma formação; e o novo amigo-colega de trabalho de Doug (Raúl Castillo), um tipo sem grandes aspirações na vida.
Cold Weather podia ser um filme dos irmãos Coen, desde as suas personagens idiotas e excêntricas (um dj de música latina refundida dos 60s ou um fã número 1 do Sherlock Holmes), até à forma de filmar (um ritmo descompassado, acompanhando o ritmo próprio daquela gente, que se deixa empurrar pela vida). Mas, a meio,
Cold Weather dá uma pirueta. O estilo mantém-se, mas o género altera-se, transformando-se num filme de mistérios. Afinal; Doug queria ser o Sherlock Holmes e o seu amigo-colega é um fã recém-convertido. Elementar, meu caro Watson.
Mas
Cold Weather é um mistério a um ritmo muito particular. Esperamos no carro minutos a fio, numa vigília, enquanto o suspeto não dá sinais de vida; paramos pelo caminho para comparar o jantar no supermercado (ou um cachimbo, para ajudar a pensar, como fazia Sherlock Holmes); ou aguardamos no exterior que a biblioteca abra. Enquanto isso, Doug vai redescobrindo a sua vocação profissional e restabelecendo o seu vínculo emocional com a irmã, no filme sobre relações mais out the box dos últimos tempos.
Infelizmente,
Cold Weather termina antes de chegar ao fim, hipotecando qualquer hipótese deser algo mais do que um McBacon. Lamentável, já que poderia ser mais uma pequena pérola mumblecore (o tal novo género do cinema independente norte-americano, low cost e do iy yourself) a preço de ocasião - e com um cartaz delicioso.
Posted by: dermot @
10:00 AM
|