Quinta-feira, Dezembro 29, 2011
BRONSON:Título:
BronsonRealizador: Nicolas Winding Refn
Ano: 2008

Michael Gordon Peterson, mais conhecido como Charles Bronson, ganhou o epíteto de "o criminoso mais violento do Reino Unido". Preso desde 1974 (com um período de liberdade de 69 dias pelo meio), Bronson já gastou milhões de libras ao estado britânico, que não sabe o que fazer com ele, excepto centenas de relatórios, livros e estudos sobre o seu comportamento. Bronson nunca matou ninguém, mas é um tipo super-violento e, pior do que tudo, compulsivo para andar à porrada, que esmurra qualquer pessoa sempre que pode. E quando lhe dão fruta, mais excitado fica para retribuir.
Bronson é o biopic possível sobre este estranho homem e um filme sobre
o melhor da loucura na sua espectacularidade absoluta, segundo as palavras do próprio ao realizador Nicolas Winding Refn (um dos cineastas do momento depois de outros dois filmes geniais,
Drive - Duplo Risco e
Valhalla Rising - Destino De Sangue). Daí que as comparações entre
Bronson e
Laranja Mecânica têm sido inevitáveis, se bem que com música manhosa dos anos 80 em vez de Bach (antes de
Drive - Risco Duplo, Refn já tinha transformado o parolo em cool). Contudo, as semelhanças entre ambos terminam para lá dessa apologia da violência.
Bronson lembra muito mais
Assassinos Natos e a sua relação com os media, por exemplo. Charles Bronson é um tipo com um ego maior que ele próprio, que só queria ser famoso (daí a escolha para pseudónimo de um actor de Hollywood, quando o seu manager dos tempos em que era lutador de rua lhe sugeriu que arranjasse um nome mais pomposo); e como não sabia cantar ou representar, decidiu apostar naquilo que sabia fazer melhor: ser violento! Daí essa estranha e promíscua relação entre violência, comunicação social, sensacionalismo e mediatismo.
Refn monta
Bronson de forma pouco usual. Recorre-se dos códigos de Hollywood, mas sai completamente dos molde. Primeiro, coloca a própria personagem de Charles Bronson (encarnado por um musculado, alterado e assombroso Tom Hardy, de bigodinho ridículo) enquanto narrador, conversando directamente com o espectador; e depois atira-o para a boca de cena de um palco, com assistência e tudo, onde ensaia a partir de um monólogo de um one-man-show a sua vida. Só quando tem que filmar cenas de pancadaria é que Refn as reconstitui. E aqui recorre a uma encenação coreografada, estilizando a violência ao máximo. Lembramo-nos novamente de
Assassinos Natos pela mistura de elementos estranhos ao filme, mas
Bronson não é um décimo da trip que é o filme de Oliver Stone.
É certo que tem um final que deixa a desejar, mas a realização inconformada de Nicolas Winding Refn e o papelão de Tom Hardy justificam quase a totalidade das dentadas num le Bic Mac bem generoso.
Posted by: dermot @
9:35 AM
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