Quarta-feira, Dezembro 21, 2011
50/50:Título:
50/50Realizador: Jonathan Levine
Ano: 2011

Existem temas que são tabu e com os quais não se deve gozar. Não se brinca com Deus, porque senão ele castiga; não se brinca com os ciganos, porque são um povo que sofreu muito; e não se brinca com doenças, como a sida ou o cancro, porque nunca se sabe o dia de amanhã e não vá o diabo tece-las, if you know what I mean. Ou então não. Gozemos com a religião, mesmo que sejamos banidos ou censurados; gozemos com os ciganos, mesmo que levemos uma carga de porrada a seguir; e gozemos à vontade com a sida e o cancro, porque a vida são dois dias.
50/50, baseado livremente na experiência pessoal do argumentista, Will Reiser, é a história de um jovem na flor da idade (Joseph Gordon-Levitt) que descobre ter uma forma rara de cancro na coluna. Com a ajuda da sua namorada traidora (Bryce Dallas *suspiro* Howard), uma psicológa recém-formada (Anna Kendrick), a mãe-galinha (Anjelica Huston) e, claro, o seu melhor amigo (Seth Rogen), Gordon-Levitt vai provar que umas gargalhadas são a melhor forma de vencer as circusntâncias.
Contra todos os púdicos e facilmente ofendidos, Jonathan Levine assina um filme descontraído sobre o cancro, mostrando que se pode falar a brincar da doença sem ter que se cair na lamechiche ultra-realista de ver doentes a perecer em melodramas esprimidos ao máximo (olá
Filadélfia). Aliás, por vezes, ver a Fátima Lopes ou a Júlia Pinheiro é bem mais pornográfico e sensacionalista que isto. Por isso,
50/50 é a versão positiva de se encarar uma doença grave.
50/50 é um bromance, baseado levemente na fórmula da comédia cunhada por Judd Apatow (chick flick para gajos), em que a amizade é o mais importante para ultrapassar as dificuldades. Claro que a temática vai envolver sexo (com a dupla Gordon-Levitt/Rogen a aproveitarem-se da situação do primeiro para facturarem), cultura pop e outras temáticas masculinas, de forma circunstacial e casual, evitando gags humorísticos de humor duvidoso.
É certo que, sem ser nada de especial (há muitas partes que parecem descaradamente que tiveram problemas no momento de edição e que muita película foi cortada à bruta), ajuda imenso ter num filme actores a sério. Gordon-Levitt, já estabelecido como actor à séria (porque a comédia continua a ser vista como um género menor), volta ao género onde se deu a conhecer (com o genial
Terceiro Calhau A Contar Do Sol); Seth Rogen mantém-se igual a si próprio (o que, mesmo gostando muito dele, já começa a ser maçador e irritante); Anjelica Huston dá um toque de classe e credibilidade; e Bryce Dallas Howard, bem, bastava andar de um lado para o outro sem falar que já ficaríamos satisfeitos. Apesar do tom divertido,
50/50 consegue ainda ser terno e comovente, com um tour de force na ponta final que bate qualquer tearjerker movie aos pontos. Só por isso, o McBacon já está mais do que justificado.
Posted by: dermot @
11:15 AM
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