Terça-feira, Novembro 22, 2011
THE WOMAN:Título:
The WomanRealizador: Lucky McKee
Ano: 2011

O princío de
The Woman faz temer o pior. Num interlúdio pouco claro, é-nos dado a conhecer uma mulher selvagem (Pollyanna McIntosh sem uma única fala (pelo menos numa língua de gente) durante todo o filme, fazendo lembrar, por exemplo, Natasha Henstridge em
Espécie Mortal), aparentemente criada por lobos, que vive algures no meio do mato a matar animais com as próprias mãos. Contudo, há um nome no filme que nos dá alento para continuarmos a ver até ao fim: Jack Ketchum, o escrito "mais assustador da América", que faz a palavra crueldade adquirir novo significado. Ketchum é uma espécie de mistura entre Stephen King e Cormac McCarthy. Mas em mais mau.
A mulher selvagem de que se fala vai então ser capturada por um advogado de sucesso, Chris Cleek (Sean Bridgers), que a prenda na cave da sua vivenda nuns subúrbios quaisquer na América. Contudo, se pensa que estamos perante uma releitura de
Nell, desengane-se. Sim, Chris e a sua família vão reeduca-la segundo os conceitos de civilização humana, mas à sua maneira. É que tudo naquela família é uma máscara, que esconde uma das mais disfuncionais famílias do cinema: o pai é um misógino wife-beater violento e hipócrita; o filho é um bully que segue as pisadas do pai; a mulher é uma passiva sem opinião em nada; e a filha é uma anti-social que reprime todas as suas emoções refugiando-se na sua própria zona pessoal. Há ainda outra filha, mas essa é demasiado nova para ter perdido já a sua inocência.
Com uma família assim, é normal que a mulher acabe por ser violada, espancada e alvo de outras brutalidades. Lembramo-nos imediatamente de outra obra de Ketchum, adaptada também ao cinema:
The Girl Next Door, baseada na história verídica de uma tia e filhos e prenderam e torturaram uma sobrinha na cave de casa. Contudo,
The Woman nunca cai na tentação fácil de descambar num torture-porn. Lucky McKee mostra aqui porque nunca foi anexado ao splat pack: um realismo seco e cruél, que torna tudo muito mais realista e, por isso, mais assustador e (sobretudo) perturbador.
Mas o trunfo de
The Woman não tem nada a ver com a mulher selvagem, já que esta é apenas um pretexto para montar todo o filme. Aliás, não é por acaso que é sempre mencionada simplesmente como
a mulher, assim mesmo, como um artigo definido. Essa
mulher é uma metáfora feminista e anti-misógina, servindo-se da violência para fazer um manifesto anti-violência (paradoxal, eu sei). Mas já sabemos que Ketchum não é um tipo normal, que tenha as ideias propriamente arranjadas, e
The Woman tem um final completamente selvagem e nas antípodas do politicamente correcto.
Apesar de algum exagero no fim,
The Woman é um dos mais perturbadores filmes que vai encotnrar em 2011. E para apimentar as expectativas, posso dizer-lhe que traz consigo a polémica de muitos espectadores que abandonaram as salas de cinema enojados e/ou chocados com tamanha demência. Pode ser marketing comercial, mas perante filmes tão inóquos quanto
Actividade Paranormal, que fazem o mesmo,
The Woman vale um super-McRoyal Deluxe vezes dois.
Posted by: dermot @
4:00 PM
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