Segunda-feira, Novembro 28, 2011
publicado originalmente no Mescla SonoraMEIO METRO DE PEDRA:Título:
Meio Metro De PedraRealizador: Eduardo Morais
Ano: 2011

Tal como aqueles rapazes que provaram ser possível fazer um excelente filme de guerra utilizando apenas a boa vontade dos amigos e 27 euros, Eduardo Morais realizou um documentário independente sobre a história do rock'n'roll em Portugal:
Meio Metro De Pedra. É claramente um trabalho de amor, mas é também algo que fazia falta no panorama musical nacional.
Primeiro, para acabar com aquele mito de que o Rui Veloso é o pai do rock português. Pai nos anos 80? Quer dizer que não houve rock durante três décadas em Portugal? A Velha Senhora era um regime opressor, mas também não exageremos. Por isso,
Meio Metro De Pedra monta a verdadeira história do rock português, passando por todos os nomes incontornáveis. Desde o pai Joaquim Costa aos mitos dos anos 60, Victor Gomes e Daniel Bacelar, até aos fenómenos dos anos 90 - Tédio Boys e Baton Rouge -, não esquecendo outros que foram fundamentais para o rock português, como a Bee Keeper, normalmente esquecida quando se conta esta história.
Neste relato apenas um reparo: a ausência dos anos 70. Eduardo Morais começa a história nos anos 60 e chega ali na mudança de década e explica que os grupos acabaram praticamente todos, devido ao ltramar e ao serviço militar obrigatório. Depois salta automaticamente para 1978 e para os Aqui D'el Rock. Eu sei que não houve rock'n'roll a sério nos anos 70, encurralado entre o prog, o stoner e o sinfónico (e nesta altura Portugal chegou mesmo a estar na vanguarda), mas uma referência, nem que fosse meramente por alto, ao que se passou entretanto (e falar dos Xarhanga, por exemplo, não ofendia) fazia todo o sentido.
Meio Metro De Pedra é um documentário de cabeças falantes, apenas ilustrado com imgens de arquivo. Enquanto objecto cinematográfico é algo preguiçoso, se bem que os planos dos entrevistados são todos exemplares (e respira Jim Jarmusch por todos os lados, ele que também é grande adepto desta contracultura mais subterrânea); mas os convidados são os certos e estão lá todos: Luís Futre (da Bee Keeper) e Edgar Raposo (da Groovie Records), Adolfo Luxúria Canibal, Victor Gomes, Madalena Iglésias, Daniel Bacelar, etc etc etc. Estão lá todos!
Meio Metro De Pedra conta ainda com uma estrutura assente no conceito de um programa de rádio. Há um narrador (a quem nunca se vê a cara), sentado numa régie por trás da mesa de mistura, que introduz as várias décadas sobre as quais o documentário se debruça. Lembramo-nos logo de
Os Selvagens Da Noite. Contudo é uma oportunidade que podia ter sido mais explorada, já que as suas intervenções são telegráficas e cada vez mais espaçadas. McRoyal Deluxe sem dúvida nenhuma, pelo trabalho de sapa e por alguém ter a coragem de desvendar o embuste que são os Babies: uma banda com um acordeão, uma viola de caixa, um contrabaixo e um piano não podia ser uma banda rock. Desculpa José Cid, gosto de ti, mas não és a mãe do rock português.
Posted by: dermot @
9:45 AM
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