Domingo, Agosto 07, 2011
SUPER 8:
Título:
Super 8
Realizador: J.J. Abrams
Ano: 2011
Super 8, o primeiro filme com material original de J.J. Abrams, tem sido vendido aos quatro ventos como um exercício de nostalgia aos filmes de Steven Spielberg dos anos 80 (o Spielberg realizador, mas também o produtor). Será Super8 assim tão redutor? Não, nem por isso, mas o filme é uma homenagem tão forte que é impossível fugir às evidências.
Aliás, o esqueleto de
Super 8 parece ter sido construído segundo o método frankenstein, isso é, a partir de peças de trabalhos do Spielberg inicial (no fundo, aquele que realmente interessa, o que fazia filmes que marcaram uma época, antes de ter amadurecido após aquele filme-charneira que foi
A Lista De Schindler). Ora vejamos:
Super 8 é a aventura de um grupo juvenil de amigos (
Os Goonies, check), ambientado nos subúrbios americanos no final dos anos 70 (
ET - O Extraterrestre, check), em que o descarrilamento de um misterioso comboio militar liberta uma criatura alienígena, mais benigna do que maligna (
Encontros Imediatos Do Terceiro Grau, check).
Super 8 tem Steven Spielberg escrito em todo o lado, mas não é só. Tem também a marca do próprio J.J. Abrams, nomeadamento no filme de monstros que é (e não é apenas pela semelhança entre esta criatura e a de
Nome De Código: Cloverfield), que sugere mais do que mostra (espera aí, um filme de monstros "sem" monstro também é herança de Spielberg -
O Tubarão, check). Todas estas referências não são mais do que um jogo de espelhos, que nós até não estranhamos, já que Abrams é o correspondente a Spielberg do século XXI: um cineasta que, mais do que autor, é um de nós, um nerd educado pela televisão e pela cultura pop, que actualiza os géneros clássicos à actualidade com uma fé inabalável no poder das imagens.
Podemos, portanto, começar por lamentar a opção de Abrams em recuar a acção aos anos 70. Teria sido muito mais estimulante se
Super 8 se situasse nestes anos 00. Mas compreende-se a ideia e segue-se a trama com interesse: o suspense e o paranormal, o herói colectivo suficientemente eclético, o núcleo familiar fragmentado como pathos (olá Spielberg outra vez) e um bicho meio-alien meio-godzilla com pinta. Infelizmente,
Super 8 tem um remate final frouxo, que maìs um bocadinho e nem passava a linha de golo, que cheira a deja vu que trasanda e se limita à muleta sentimental sem se esforçar um bocadinho.
Contudo, para compensar, J.J. Abrams redime-se com um rebuçado para os olhos, já durante os créditos finais - a projecção em 8 milímetros do filme dentro do filme, que os gaiatos vão rodando ao longo de todo
Super 8, em mais uma homenagem sentida, desta vez aos horror movies clássicos, de Romero a Corman. Super8 pode não ser um épico familiar que vá ficar na memória colectiva da maioria, mas é um mui honrado McRoyal Deluxe no palmarés de um também mui honrado J.J. Abrams.
Posted by: dermot @
9:03 AM
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