Sexta-feira, Agosto 19, 2011
ALUCINAÇÃO:
Título:
Kaboom
Realizador: Gregg Araki
Ano: 2010
Esqueçam David Lynch, esqueçam Alejandro Jodorowsky, esqueçam Luís Buñuel, esqueçam Kenneth Anger, esqueçam tudo o que seja realizador surrealista, experimentalista ou qualquer outra coisa acabada em ista.
Kaboom bate aos pontos qualquer filme destes tipos em termos de esquisitice. Principalmente, se não soubermos ao que vamos. É certo que Gregg Araki já tinha lançado uns pozinhos extraterrestres sobre uma história de pedofilia e recordações recalcadas, no seu anterior (e fabuloso)
Mysterious Skin, mas
Kaboom é muito mais à frente.
Imagine um teen movie com humor e escatologia suficiente para ser comparado a
American Pie - A Primeira Vez, mas com sexo a mais tipo
Shortbus. No entanto, como estamos a falar de Greeg Araki, o João Pedro Rodrigues americano, esse sexo é maioritariamente homossexual, esticando-se por orgias, ménages, lésbicas e gays. Agora, preencham os espaços em branco com I) teorias da conspiração e sociedades secretas à
De Olhos Bem Fechados II) alucinações perturbadoras com gente com máscaras de animais à
Donnie Darko III) psicadelismo colorido e a piscar por todo o lado, como uma versão em imagem real de
Paprika IV) elementos (aparentemente) aleatórios, como ex-namoradas psicóticas com poderes sobrenaturais (principalmente na arte de lamber carpetes).
Tudo isto faz sentido? Absolutamente nenhum, especialmente se estiver colado com cuspo, como o argumento de
Kaboom. O nível de irrealidade da mistura de géneros tão distintos até já deu frutos interessantes em experiências antigas (alguém mencionou
Save The Green Planet!), mas o nível de demência dos orientais presta-se de forma muito mais sincera a isto. Nas mãos de um americano tímido como Araki,
Kaboom é apenas uma caldeirada de assuntos abordados ao de leve, que nunca chegam a fazer sentido juntos. Vindo do homem que já nos deu
Mysterious Skin, não deixa de ser um decepcionante Cheeseburger.
Posted by: dermot @
11:29 AM
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