Segunda-feira, Maio 02, 2011
GREEN HORNET:Título:
The Green HornetRealizador: Michel Gondry
Ano: 2011

Não sei o que espanta mais nesta versão contemporânea de
Green Hornet, o clássico herói dos seriados radiofónicos dos anos 60. Se o facto de ser realizador por Michel Gondry, o sensível realizador da bricolage faça-você-mesmo, ou o facto de ter Seth Rogen, uma das estrelas da nova comédia norte-americana liderada por Judd Apatow, como protagonista. O que me leva a perguntar de mim para mim: mais uma vez, onde raio está o Kevin Smith? Mas por que é que o seu nome aparece ligado a todos os filmes de heróis e depois acaba por nunca realizar nenhum? Não era fixe ter um filme de super-heróis feito por alguém que percebe da poda? E não pode ser sempre
culpa dos produtores, ou pode?
Acho que nunca vi ou li nada do Green Hornet, apesar de me lembrar da série, muito parecida com o Batman do Adam West. No entanto, tenho dúvidas que o herói original seja minimamente parecido com a versão de Gondry. É que o realizador francês faz dele o arquétipo perfeito do anti-herói - um tipo trapalhão, gorducho e sem nenhum poder especial. No fundo, é o background perfeito para Seth Rogen. A ideia de Gondry até se percebe, numa tentativa de humanizar o herói (algo que está na moda no universo dos super-heróis, como já devem ter reparado), mas Green Hornet estica-a tanto que deixamos de estar a ver Green-Hornet-filme-de-heróis e passamos a Green-Hornet-chick-flick-para-gajos-à-Judd-Apatow. Quem é que quer um super-herói que não sabe fazer nada?
Seth Rogen é então Britt Reid, uma espécie de Paris Hilton da ficção, já que é o filho de um multimilionário com um império na comunicação social, que marca presença habitual nas primeiras páginas dos tablóides pelas suas festanças de meia-noite e pela extensa lista de conquistas. Contudo, quando o pai morre subitamente e Reid herda o seu negócio, vai ter um duro choque com a realidade. Assim, decide criar com Kato, o seu mecânico expert em gadgets e artes marciais (Jay Chou no papel que Bruce Lee imortalizou nos anos 60), uma dupla secreta de heróis e começar a fazer qualquer coisa de útil pela sua cidade, acabando por se meterem com o rei do crime local, um inseguro e divertidíssimo Christoph Waltz que, infelizmente, pouco tempo de antena tem.
A intriga já é frouxa, mas pior que isso é a realização de Gondry, realizador a que estamos habituados que nos dê uns quantos orgasmos visuais, com uma sensibilidade cinematográfica incomum. Em
Green Hornet, o realizador francês passa despercebido por detrás do buddy movie de acção e de tanto CGI, intervalado para as piadas de Seth Rogen e para as acrobacias de Jay Chou. E, no meio de tudo isto, um cameo metido a martelo de James Franco e um erro de casting que nos faz despertar violentamente para a realidade: ao escolher Cameron Diaz para o papel de gaja boa do flme, apercebemo-nos como ela está velha e feia (sad face).
Green Hornet não é um mau filme, apesar de uma componente existencialista ser o que menos esperamos de uma história de super-heróis (já nos basta o primeiro
Hulk, não é?), mas a verdade é que não há nada que nos prenda verdadeiramente a atenção durante as suas duas horas e tal. O herói não é cativante, a intriga não é apelativa e não há nada de verdadeiramente memorável. Talvez que seja um Double Cheeseburger que envelheça bem, mas só lhe irei voltar a pôr a vista em cima daqui a muito tempo. E de forma casual, de certeza, porque se depender de mim certamente não sairá da prateleira em muitos anos. Em contrapartida, a banda-sonora está no leitor de cds recorrentemente: White Stripes, Rolling Stones, Greenhornes...
Posted by: dermot @
10:43 AM
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