Sexta-feira, Março 04, 2011
SOMEWHERE - ALGURES:Título:
SomewhereRealizador: Sofia Coppola
Ano: 2010

E lá continua Sofia Coppola na sua série de filmes sobre jovens perdidos e desencontrados consigo próprios. No entanto, mais do que uma repetição da temática, o seu novo
Somewhere - Algures é uma imitação da fórmula por si própria criada e aprimorada no (sobrevalorizado)
Lost In Translation - O Amor É Um Lugar Estranho.
Em
Somewhere - Algures, esse jovem é Johnny Marco (Stephen Dorff), um actor de sucesso, cansado da sua vida à Charlie Sheen - viver em hotéis entre conferências de imprensa enfadonhas e estreias pomposas onde as pessoas estão mais interessadas no que as estrelas levam vestido do que no filme em si, festas à noite dia sim dia sim e sexo, muito sexo em casos de uma noite só, com strippers, estranhas e recém-conhecidas. A sua âncora com uma vida mais realizada e com algum sentido é a sua filha de 11 anos, a despreocupada Cleo (Elle Fanning, que é uma versão exacta e mais nova da sua irmã, Dakota), com quem passa alguns dias.
Diz-se por aí que
Somewhere - Algures é baseado na própria vida de Sofia Coppola, cuja infância se habituou a passar de hotel em hotel, acompanhando o pai em estreias de filmes, produções cinematográficas e entregas de prémios. Contudo, se estão à espera de um filme autobiográfico então podem tirar o cavalinho da chuva.
Somewhere - Algures é do mais generalista e anónimo de que a temática poderia conseguir.
Este é o filme mais europeu de Sofia Coppola (sempre Antonioni como influência predominante nesta coisa do cinema alheado), com uma filmagem reflexiva de planos imóveis que se prolongam para lá do tempo necessário e que não se preocupam em manter a acção em campo. No entanto, as referências estendem-se ainda ao cinema de Vicent Gallo (
Somewhere - Algures abre como
The Brown Bunny, com uma sequência interminável de um carro a dar voltas numa pista circular), sendo assim igualmente pedante e presunçoso.
Mas o principal problema de
Somewhere - Algures é repisar as suas próprias pegadas, nomeadamente as deixadas por
Lost In Translation - O Amor É Um Lugar Estranho. Encontramos, por exemplo, as personagens em situações absurdas de cerimónias públicas numa língua diferente, perdidas em hotéis sem nada para fazer e até numa cena de um banho desajeitado. Tudo isto afunilado para um final pointless e sem grande coisa a acrescentar ao que já tinha sido dito (ou deixado por dizer). Tão pointless quanto o cameo anónimo de Benicio Del Toro, por exemplo.
Por isso,
Somewhere - Algures é um Cheeseburger que serve para se ir ver se não tivermos nenhuma parede recentemente pintada em casa para a vermos a secar ou para, simplesmente, nos limitarmos a ouvir uma boa banda-sonora indie.
Posted by: dermot @
8:41 AM
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