Sexta-feira, Março 11, 2011
O TURISTA:Título:
The TouristRealizador: Florian Henckel von Donnersmarck
Ano: 2010

Durante a sua infame apresentação da gala dos Globos de Ouro deste ano, Rick Gervais gracejou que, a única razão porque
O Turista tinha recebido nomeações, era porque a imprensa estrangeira de Hollywood queria ter a possibilidade de estar junto a Angelina Joli e Johnny Depp. Eu ri-me. It's funny 'cause it's true, right?
De facto, não há muito mais que possa justificar a existência de
O Turista, o remake de um filme francês de há cinco anos (!), que nem sequer teve muito sucesso(!!), que não seja o juntar de dois sex symbols em Veneza. Aliás, a própria Angelina Jolie confessou que a única razão que a levou a aceitar fazer o filme foi a possibilidade de passar uns dias em Veneza.
E, afinal de contas, que tal é a prestação do protagonista do filme, Veneza? Miserável e digna de uma framboesa dourada. O realizador, Florian Henckel von Donnersmarck, filma
O Turista em Vezena, mas tanto poderia ser lá como em Freixo de Espada à Cinta, em que, exceptuando uns passeios pelos canais a cidade italiana, tudo é demasiado anónimo.
Aliás, este é o adjectivo perfeito para descrever
O Turista: anónimo. Para von Doonersmarck, chapa feita é chapa ganha, nunca conseguindo criar texturas num filme sem qualquer chama, que se limita a consumir a si próprios. Mas que filme é este? É um thriller de espionagem, em que a Interpol e um mafioso russo tentam apanhar um tipo que é mais procurdo que a Carmen San Diego. O isco é a sua namorada, Angelina Jolie, mas Johnny Depp, um ordinário turista americano, vai ser confundido com o tal tipo e vai envolver-se na intriga contra a sua vontade.
O Turista podia ser duas coisas: ou um thriller de espiões à antiga, com classe e glamour; ou um thriller de espiões high tech, à Jason Bourne ou James Bond. Mas
O Turista não é nenhum dos doias, porque von Donnersmarck pensa que glamour é aquilo que viu em
O Sexo E A Cidade e limita-se a pôr Angelina Jolie a desfilar com vestidos de alta costura e a manecionar grandes marcas; e porque von Donnersmarck não consegue criar nenhuma amiguidade nem suspense naquelas dúvidas em relação à identidade dos personagens, caminhando a passos largos para um final previsível.
A única justificação para
O Turista existir é, portanto, ver no mesmo ecrã Jolie e Depp- É mais ou menos como
Mr & Mrs Smith. Só que nesse, enquanto havia química entre o casal, servindo-se da tradição screwball. aqui isso é nulo e apenas Depp dá um ar da sua graça. E de quando em vez. Ou melhor, quando consegue disfarçar o frete. Filmes como
O Turista existem às centenas e, normalmente, vêm acamaradados a Cheeseburgers.
Posted by: dermot @
11:11 AM
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