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Royale With Cheese | ||
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Título: Drag Me To Hell Realizador: Sam Raimi Ano: 2009 ![]() Sam Raimi sempre foi um dos realizadores mais bem-amados do circuito underground. Especialmente graças à triologia Evil Dead, Raimi (a par de Peter Jackson) era um dos últimos bastiões de um cinema de acção e fantástico descomprometido e desformatado das fórmulas de Hollywood. Contudo, ao ser recrutado pelo sistema para realizar a triologia do Homem-Aranha, Raimi acabou por ser acusado pelos fãs daquilo que costuma acontecer às bandas quando começam a ter muito sucesso: de se ter vendido à indústria e de se ter tornado comercial. De nada lhe valeu que os dois primeiros tomos do Homem-Aranha fossem dois belíssimos exemplares de filmes de super-heróis. Por isso, este novo Até Ao Inferno parece ser a forma de Sam Raimi garangtir aos seus fãs que continua a ser o mesmo, assinando um pequeno trabalho económico de série-b. Desprezando os efeitos megalómanos e cingindo-se a um CGI discreto e eficaz, Raimi constrói um filme de terror económico, servindo-se das ferramentas mais antigas do género: as sombras (Nosferatu, O Vampiro é sempre uma referência neste campo), os ruídos sinistros e o vento. Até Ao Inferno é a história de Christine (Alison Lohman), uma bancária que é amaldiçoada por uma velha cigana a quem recusa um novo empréstimo para pagar a casa. Marquês de Sade iria adorar esta personagem: uma miúda bonita e boazinha, nascida em berço de palha, mas ambiciosa e trabalhadora o suficiente para subir a pulso na vida e que, apesar de seguir todos os princípios cristãos, acaba por ser castigada impiedosamente pela providência. Amaldiçoada pelo maligno demónio Lamia, que quer a sua alma, Até Ao Inferno começa por remeter para O Exorcista, mas à maneira de Raimi. Ou seja, com humor negro, gore gratuito e algum absurdo pelo meio. Não há aqui ninguém a lutar contra a própria mão possuída, mas Christine a lutar contra a cigana no interior do seu automóvel é o melhor duelo do ano cinematográfico. Especialmente quando a velha fica sem dentes e desata a morder Christine. Sam Raimi é Sam Raimi em Até Ao Inferno, filme que não procura salvar o cinema, mas apenas provar que o realizador não esqueceu as suas origens. E o politicamente incorrecto está por todo o lado, seja no final infeliz, seja em profanações de cadáveres ou velhinhas decepadas à pazada. Fica só a faltar o cameo da praxe de sua iminência, Bruce Campbell, para que o McRoyal Deluxe fosse perfeito. ![]() Terça-feira, Dezembro 28, 2010 TOP 5: Como é tradição aqui neste imodesto antro cinematográfico, aproveitamos esta altura do ano para deixarmos também as nossas escolhas. Mas, ao contrário dos demais, começamos sempre pelos piores. Este ano há assim o TOP 5 DOS PIORES FILMES DE 2010 PARA O DERMOT e para o TRASH, cujas escolhas vão permitir comprovar como há incoerência, falta de bom senso e até de bom gosto por estes lados. 5º Lugar: Machete ![]() Quando faço esta lista outros anos, guardo sempre um lugar para um filme destes. E o que é um filme destes? É um filme em que, não sendo propriamente mau, é uma grande desilusão. Por vezes (como neste caso), a culpa é nossa por depositarmos tantas expectativas no filme. Num ano que foi especialmente bom para o cinema xunga, Machete trazia as expectativas em alta, como um festim de bom mau cinema, mas Robert Rodriguez volta a não conseguir controlar tanta megalomania. E Danny Trejo sozinho não faz milagres. ..::crítica opinativa aqui::.. As Ervas Daninas ![]() Alain Resnais já foi grande, mas agora parece viver de créditos passados. Formalmente, As Ervas Daninas é um uau, mas no conteúdo é um enorme balde de bullshit, cheio de simbolismo, non-sense e, inevitavelmente, pretensiosismo. E a última cena, saída do nada, em que uma criança pergunta à mãe "Quando for gato posso comer croquetes?", faz-nos ter diarreia mental. ..::crítica opinativa aqui::.. Comer Amar Orar ![]() Literatura de supermercado já é mau, adaptada ao cinema então é mais feio do que cuspir na sopa. Comer Amar Orar é um episódio de O Sexo E A Cidade esticado por duas horas (que mais parecem quatro ou cinco), um chick flick para mulheres de meia-idade se esquecerem por cinco minutos que têm que ir fazer o jantar ao marido se não quiserem ficar com um olho à Belenenses. ..::crítica opinativa aqui::.. Alice No País Das Maravilhas ![]() A minha teoria para o Tim Burton é que faz um filme bom e um filme mau de cada vez. É assim desde o remake de O Planeta Dos Macacos e, como Sweeney Todd - O Terrível Barbeiro de Fleet Street tinha sido giro, não espera grande coisa deste Alice No País Das Maravilhas. No entanto, este é pior do que pensava. Burton acomoda-se, repete as suas pisadas e amolece sob o jugo da Disney (a mesma que o dispensou há anos atrás por o considerar demasiado negro para as crianças), criando uma versão alternativa do conto de Lewis Caroll, que tem mais de As Crónicas De Nárnia do que de surrealismo e trips com ácidos. ..::crítica opinativa aqui::.. A Religiosa Portuguesa ![]() Não, não é embirração. O topo desta lista de piores do ano volta a ser ocupado por um filme português, pela quarta vez consecutiva. Que vos querem que diga? Ver A Religiosa Portuguesa é como ver a relva a crescer, só que em menos interessante. ..::crítica opinativa aqui::.. OS PIORES DO TRASH 5º Lugar Comer Amar Orar ![]() Não é, necessariamente, um filme de merda. O problema é que não é um filme, porque não acontece nada do principio ao fim. Julia Roberts, com cara de quem tem de cagar com alguma brevidade, vai andando entre Itália, Índia e Indonésia, a conhecer umas pessoas, a fazer umas coisas, mas nada de relevante. Ou seja, quase tão interessante como ver um BBC Vida Selvagem sobre um humano com crise de meia idade. 4º Lugar Green Zone: Combate Pela Verdade ![]() Matt Damon volta a fazer o papel de Bourne, mas desta vez no Iraque. Ou seja, mais um filme de acção sobre o Iraque com quilos e quilos de areia e já nada de interessante para contar sobre o não descobrimento das armas de destruição em massa. Foi tão mau que, apesar de o ter visto há poucos meses, já não me lembro muito bem o que diabo se passa todo o filme. 3º Lugar Scott Pilgrim Contra O Mundo ![]() Nem é tanto pelo filme em si que, apesar de ser mau, não é dos piores, mas já não há paciência para este Michael Cera a fazer o papel do coitadinho que vive no caralho mais velho dos Estados Unidos profundos e que passa o filme todo a pensar em relações e palermices do género. Teve piada uma ou duas vezes, mas agora podem despachar este e mete-lo a vender o rabo. 2º Lugar Soldados Da Fortuna ![]() Conseguiram estragar um dos pilares da minha infância com este remake de merda! Aquele preto não é o BA, o Liam Neeson não é o Anibal Smith e por aí em diante. Além disso, a história é apalhaçada e teve mau performance nas bilheteiras. O bom da coisa é que pelo menos não fazem o 2 tão cedo. 1º Lugar Dia E Noite ![]() Simplesmente ridiculo....o Tom Cruise com o seu 1,45 m a fazer trepolias e a matar toda a gente, acompanhado de uma Cameron Diaz que já teve muito melhores dias e que essencialmente faz o papel de loura burra tesuda para o esgalhamento da pequenada. Um filme tão acéfalo que doi e para mim o pior do ano. TAKE - CINEMA MAGAZINE: ![]() Página Oficial BAÚ DO TRASH: AND SOON THE DRAKNESS: Título: And Soon The Darkness Realizador: Marcos Efron Ano: 2010 ![]() Que maneira mais peculiar de festejar o natal aqui no Baú do Trash do que um terrorzinho passado nas pampas! Tenho que admitir que tudo o que tem que ver com snuff, tráfico humano e derivados me tem interessado bastante dentro do género do terror. Desde 8MM até Hostel, ou mesmo o menos conhecido mas bastante mais interessante Passageiros Da Noite, que tenho procurado dentro destes dois géneros, que também nos tem dado coisas altamente nojentas, como Turistas. Resta-me fazer uma menção honrosa a um filme que vi faz alguns meses, nesse circuito obscuro que é a pirataria na net, de seu nome, Srpski Film (A Serbian Movie), que parece que estreia em Janeiro no Reino Unido e que tem, entre outras coisas agradáveis, a violação de um recém-nascido. Deixo para um próximo review. Ora, desde início que este filme me pareceu ser mais estilo "mau" do que outra coisa, mas mesmo assim decidi meter a merda a correr no plasma da sala. Temos então duas meninas bem tesudas (Amber Heart e Odette Yustman) a andarem de bicicleta pela Argentina com o ar de americanas tontas relaxadas. Decidem parar numa cidade fronteiriça entre a Argentina e o Paraguai. Saem à noite para um bar estilo barraca-de-venda-de-bifanas-em-clube-de-futebol-da-província, vestidas num estilo "estavas mesmo a pedi-las". Uma das raparigas mete-se com o Ricky Martin (mas sem ser em maricas) lá do burgo. O Ricky Martin torna-se agressivo. Afinal há um outro americano e uma história de desaparecimentos de miúdas na região. As gajas perdem o autocarro para Buenos Aires, uma delas desaparece, gente corrupta, tiros, mortes, tentativa de venda para escravatura sexual, happy ending, perdemos hora e meia das nossas vidas. Ou seja, concluindo e resumindo, o filme não é mau se tivermos nascido ontem e nunca vimos nada do género. Se não estamos perante uma cópia de uma cópia de outros filmes que, já de si, são meras cópias. Amber Heart e Odette Yustman são plain and simple, óptimas para fazermos um pause, sacarmos do nabo e chicotearmos o dolphin, mas como actrizes são más que dói. A primeira claramente do estilo, "eu sou uma actriz a sério, mas só me metem nestes filmes de cagalhão" e a outra à espera que a FHM note que ela exista para depois se casar com um velho milionário e ficar a fazer de dondoca o resto da vida Karl Urban foi claramente fazer um biscate neste filme, no papel de americano tonto e ex-marine que anda à procura da sua namorada, desaparecida na região há uns tempos. A única personagem que se aproveita é Cesar Vianco, no papel de polícia corrupto que tem cara de ser amigo, mas esconde uma malévola personalidade (5 estrelas para ele, que andava perdido a fazer as Chiquititas e outras produções venezuelanas). Claramente, a época das produções gloriosas deste género passou e isto agora deve ser tudo Caixinha de 500 paus e direct-to-dvd. ![]() Sábado, Dezembro 25, 2010 CORAÇÃO DE GELO: Título: Herz Aus Glas Realizador: Werner Herzog Ano: 1976 ![]() Apesar de ter o mesmo título, o Heart of Glass de Blondie nada tem a ver com o de Werner Herzog. O do realizador alemão é um dos seus mais importantes filmes do seu período formal, enquanto que o da banda de Debbie Harry é apenas mais um single na sua carreira nostálgica. Coração De Gelo recua no tempo até à Bavária medieval, onde uma aldeia famosa pela sua indústria do vidro cai no desespero e no deus-dará depois de ter morrido o último soprador de vidro que sabia o segredo do vidro vermelho, o vidro rubi. E que tem isso, perguntam vocês? Isso é o descalabro da aldeia. Porquê? Porque sim. Herzog filmou todo o filme com os actores sob hipnose, o que dá a Coração De Gelo umas representações algo... peculiares. Ao pé de Coração De Gelo, os diálogos teatrais do cinema português parecem o método Sstanislavski. No meio de tanta interpretação ridícula, Coração De Gelo começa, perigosamente, a parecer uma comédia negra obscura. Coração De Gelo é uma história de cancioneiro popular medieval que comporta todas as características da obra de Herzog, especialmente a temática do eu alienado e a desobediência civil perante leis que não são as dele. Mas tudo isto é demasiado profundo, soterrado por camadas e camadas de maus actores. Além disso, ao ritmo extremamente lento do filme, Herzog acrescenta umas sequências intermináveis e land art, num romantismo à Terence Mallick, que neste contexto fazem de Coração De Gelo uma obra complicada de se aguentar. Como experiência conceptual, Coração De Gelo é extremamente interessante e misterioso, mas como objecto cinematográfico é complicado pedir-se mais do que um Happy Meal. ![]()
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10:43 AM Sexta-feira, Dezembro 24, 2010 O ESTRANHO MUNDO DE JACK: Título: The Nightmare Before Christmas Realizador: Henry Selick Ano: 1993 ![]() Quando se fala de O Estranho Mundo De Jack, raramente se fala de Henry Seleck. É verdade que Tim Burton escreveu o poema que deu azo ao argumento, criou as personagens e produziu o filme, mas Henry Seleck é um craque no stop motion e merece algum crédito. Até porque o seu James E O Pêssego Gigante é um belo filme. Apesar de não ter sido o realizador, O Estranho Mundo De Jack tem Tim Burton escrito por todo o lado. O filme, que é um passo em frente da curta Vincent, respira aquele ambiente gótico e surreal-pop que se tornou imagem de marca de Burton, numa espécie de conto de fadas demente. Não é por acaso que a Disney rejeitou inicialmente distribuir o filme, por o considerar demasiado negro para as crianças. Tim Burton é, portanto, a versão negra da magia da Disney. Animado em stop motion, O Estranho Mundo De Jack conta a história de Jack Skellington (Chris Sarandon), o rei da noite das bruxas na Terra do Halloween. No entanto, certo dia, cansado de tanta abóbora, assombração e trick or treat, Skellington descobre a Terra do Natal e fica apaixonado pela quadra, decidindo raptar o Pai Natal e organizando a sua própria quadra natalícia. Já vimos algo parecido, quando os marcianos raptaram o Pai Natal, em Santa Claus Conquers The Martians, mas sem esta magia, integridade e, especialmente, espírito natalício. Este é um dos grandes trundos de O Estranho Mundo De Jack. Apesar de ser ambientado num mundo de halloween, o filme capta a verdadeira essência do Natal, aquela que trespassa os filmes de Capra ou o clássico conto de Charles Dickens e que, infelizmente, deixou de estar presente nos novos filmes de Natal, vulgo Harry Potters e comédias do Tim Allen. Até porque como filme de animação, O Estranho Mundo De Jack peca por um argumento algo esquemático, com personagens mancas e relacionamentos que parecem ficar a meio. O Estranho Mundo De Jack tem ainda uma bela componente musical, assinada pelo grande Danny Elfman (que aqui também canta). Ao longo da sua carreira, Tim Burton viria a dissecar O Estranho Mundo De Jack em dois dos seus filmes: o musical Sweeney Todd - O Terrível Barbeiro De Fleet Street e a animação gótica em stop motion, A Noiva Cadáver. Portanto, em época natalícia, é sempre bom recordar os bons filmes de Natal, especialmente antes que dê Sozinho Em Casa na televisão. E enquanto não falarmos de A Vida De Brian, este é o melhor filme de Natal de sempre: Le Big Mac.
Posted by: dermot @
10:56 AM Terça-feira, Dezembro 21, 2010 BAÚ DO TRASH: SAW 3D - O CAPÍTULO FINAL: Título: Saw 3D Realizador: Kevin Greutert Ano: 2010 ![]() Há dias na vida de um cinéfilo de filmes de merda em que uma réstia de esperança ténue aparece quando vemos um título que acaba num número despropositado, como Sexta-Feira 13 parte 26, e que, apesar dos últimos 24 terem sido merda que vai ficando mais fedorenta à medida que o número aumenta, temos tendência em considerar o visionamento de mais este épico. Como todos os que chegam a números despropositados, Saw - Enigma Mortal teve um bom primeiro filme, em que uma ideia interessante foi criada e a carnificina e o gore ajudaram. Depois os produtores sedomitas de Hollywood decidiram tornar uma coisa que devia ter acabado ali num franchise que rendesse milhões e num mauzão que apesar de morto há 14 filmes atrás, ainda continua a ter discípulos e a espalhar armadilhas. A ajudar à festa existe ainda esta nova peste do cinema, chamada 3D. No outro dia, fui com uma "amiga" ao cinema ver outra banha da cobra, chamada Megamind, e, quando lá cheguei, óbvio que a versão original em inglês só estava disponível em sessões às 3 da manhã no Cine 222 e sem o inexistente 3D. Lá paguei mais uns eurecos pelos óculos e fiquei a fazer de José Cid, alem de que, para beijar a gaja com aqueles óculos de massa, é necessario fazer contorcionismo chinês! Isto tudo para quê? Para vermos meia duzia de merdices em 3D. Para quê? É engraçado ver um videoclip de 5 minutos em 3D como eu vi em 1992, na Eurodisney, mas mais que isso... Mas vamo lá a Saw 3D - Capítulo Final. Jigsaw volta a atacar, desta vez em tudo o que era personagens dos antigos filmes. Lembram-se de todas as pontas soltas dos outros seis filmes da série? Nunca quiseram saber o que era feito daquele fulano tal? Não? Eu também não! Mas agora têem essa oportinudade. Isto é, ver os mortos a ganharem vida e os vivos a morrerem com mais uma lição de moral pelo meio. Aliás, sempre achei engraçado que o objectivo deste assassino fosse fazer com que as pessoas que não aproveitassem a vida passassem por uma experiência traumática para começarem a aproveitá-la. Mas à medida que os filmes foram passando, quase bastava um gajo ter feito chichi fora da sanita para que aparecesse um gajo mascarado de porco para o meter numa daquelas engenhocas mortais. A história central, para resumir de maneira bastante leviana, é a de um gajo que se entitula survivor do Jigsaw, e que ganha a vida na TV e com livros à custa disso e que vai acabar por aprender a sua lição da pior maneira possível, por ser uma pessoa má! Pelo meio há mais um colhão de histórias sobre o polícia do Saw 33e a mulher do Jigsaw que aparece no Saw 14 e ainda de um artista que aparece no primeiro Saw. Até o Jigsaw aparece nos inúmeros flashbacks. Ou seja, o actor Tobin Bell, cada vez que necessita de uns trocos, vai fazer umas cenas para a sequela. Então e o 3D? Epá, isto no cinema só se não tivesse que pagar. Logo vi a opção que sai pela banda larga no laptop e não vi o 3D porque, sinceramente, também não me parece que fosse necessario. Até porque, para ver que as pessoas ficam desmembradas, não tenho que ter a ilusão óptica de que o sangue me está a vir para cima. Leva com mais uma Hamburga de Choco porque o filme é, efectivamente, um belo bocejo e até as formas de matar deixaram de ser imaginativas. ![]() Segunda-feira, Dezembro 20, 2010 DRÁCULA DE BRAM STOKER: Título: Dracula Realizador: Francis Ford Copolla Ano: 1992 Desde que os vampiros começaram a usar penteados emo e passaram a ser atormentados pela música dos My Bloody Valentine que o tema deixou de ter interesse. O último bastião de dignidade e bom-senso dessas infames criaturas mortas-viva continua a ser, portanto, a adaptação livre de Drácula De Bram Stoker, o responsável pelo desenvolvimento moderno desse mito literário. Drácula De Bram Stoker marcou o princípio do fim de Francis Ford Copolla. A partir daí aconteceu à sua carreira o mesmo que aconteceu ao Columbia ao reentrar na atmosfera - começou a desintegrar-se. Por isso, quer se queira quer não é impossível não sentir algo de requiem no filme, que acaba por ser bastante conveniente para o seu ambiente. Copolla adaptou com grande pompa e circunstância o romance de Bram Stoker, publicado pela primeira vez em 1897, que daria origem ao famoso conde Drácula, sugador de sangue. Homenagenado o cinema de terror do início do século XX - e, inevitavelmente, o incontornável Drácula de Bela Lugosi -, Copolla dispensou qualquer efeito-especial digital e importou uma mise-en-scene e uma direcção de actores quase teatral. Drácula De Bram Stoker tem assim uma atmosfera romântica e gótica, especialmente enquanto a história se centra na sua Transilvânia natal, que mais tarde iria ser estilizada por Tim Burton. E, apesar de ser um filme de terror, é uma história de amor, ou não fosse o Drácula o maior símbolo de deboche, luxúria e sensualidade que existe. O conde Drácula (Gary Oldman) é uma alma imortal que amaldiçoou Deus, acusando-o de ser responsável pelo suicídio da sua amada. Agora, caminha errante pelo Mundo, a procura do amor, numa colecção interminável de mulheres (que inclui uma novinha Monica Bellucci). O conde orquestra então um plano maléovolo e desata a comprar propriedades em Londres (tal como Lex Luthor, mais um vilão a atormentar o mundo com diabólicos planos imobiliários) e Keanu Reeves (mais uma vez a fazer o mesmo que faz um pé-de-cabra) é enviado à Roménia para fechar os negócios. Mal sabia ele que lhe ia acontecer o mesmo que lhe aconteceu com o demónio em pessoa em O Advogado Do Diabo. Na Transilvânia, Drácula De Bram Stoker é um dos melhores filmes de sempre. Um ambiente sombrio, Gary Oldman com um pentado à princesa Leia e efeitos-especiais analógicos transmitem uma inesperada encenação perturbadora. E Copolla vai ainda mais longe que F.W. Murnau e Max Schreck e faz da sombra do Drácula uma personagem com vida própria. Depois a acção muda-se para Londres, o Drácula apaixona-se pela noiva de Reeves (Winona Ryder) e o filme começa a amolecer. Mas antes que se transformasse num chick flick vitoriano (olá Orgulho E Preconceito), Copolla introduz Van Helsing na intriga, saído duma matiné de tarde de domingo,com um Anthony Hopkins que vem dinamitar por completo o protocolo e roubar para o si o resto de Drácula De Bram Stoker. E como os Royale With Cheese se vêem também nos pormenores, o que dizer do toque de génio de ter Tom Waits no elenco e Lux Interior (sua excelência, o falecido vocalista dos Cramps) a fazer os urros do próprio conde Drácula. ![]() Sábado, Dezembro 18, 2010 UMA CURTA POR DIA NÃO SABE O BEM QUE LHE FAZIA: Se referir o nome de Bert Haanstra, provavelmente, não lhe dirá muita coisa. Mas seu eu disser que Bert Haanstra foi o primeiro realizador holandês a ganhar um Oscar, o atento leitor continuará na mesma, mas pelo menos terá absorvido mais uma trvialidade que, certamente, nunca lhe irá fazer falta na vida. Haanstra assinou a curta-metragem Glas, premiada pela Academia em 1958. Esta é um mini-documentário sobre a indústria do vidro, num registo mudo e estritamente documental, mas com uma carga cinemática esmagadora. Com uma componente estética acima da média, Haanstra limita ainda o espectador ao simples acto de ouvir, orquestrando toda a curta ao som de uma banda-sonora contínua do pianista Pim Jacobs, fazendo desta curta um olhar irónico e comparativo entre a realidade manual e a mecânica.
Posted by: dermot @
10:30 AM Quinta-feira, Dezembro 16, 2010 SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO: Título: Scott Pilgrim Vs The World Realizador: Edgar Wright Ano: 2010 ![]() Depois de um par de filmes sensacionais em Inglaterra - e algo subvalorizados -, que em Portugal tiveram em comum o facto de receberem uma tradução no mínimo ridícula e de terem passado mais ou menos despercebidos (olá Zombie Party - Uma Noite... De Morte, olá Hot Fuzz - Esquadrão De Província), Edgar Wright foi para os Estados Unidos e fez o filme sensação destes últimos tempos (e dos próximos). Chama-se Scott Pilgrim Contra O Mundo e é a adaptação dos seis volumes da banda-desenhada homónima para o grande ecrã. O geek é o novo cool. É esta tendência deste virar de século, caso ainda não tenham reparado. Lembra-se daquele puto de óculos, marrão e viciado em ficção-científica que levava porrada de todos na escola? Agora é esse tipo de miúdos que são populares, que sacam as miúdas giras no liceu e de quem os bullys já nem se aproximam. Putos como Michael Cera, que agora são convocados para protagonistas em filmes de adolescentes, sobre paixões juvenis, cravejadas de referências de cultura popular (videojogos, televisão, música, cinema...). Cera é Scott Pilgrim, um universitário com a mania que é engatatão, uma antiga paixão que deixou marcas, um roomate gay e uma banda rock chamada Bob-Ombs (uma das milhentas referências à Nintendo). Até aqui tudo bem, o pior é quando conhece a miúda dos senhos sonhos, que para conquistar terá que derrotar os seus sete ex-namorados do Mal(!). O que começa por ser um teen-movie indie, com boa música (uma banda-sonora übbercool, com Beck (vénia) a encarnar os Sex Bob-Ombs num garage-blues à Black Keys (vénias, vénias)) e pormenores de motion graphics a piscarem aqui e ali, começa a deformar-se num híbrido cinematográfico não indentificado. Scott Pilgrim Contra O Mundo parece um cruzamento cartunesco de O Despertar Da Mente com Assassinos Natos, com sequências à sitcom onde não falta a theme-song de Seinfeld, combates mano-a-mano copycat do Soul Calibur e vilões a desfazerem-se em moedas, qual Super Mário Bros. Tudo num delírio visual e sonoro sem pausas para respirar (a influência nipónica que a BD original também tem), típico de uma era em que somos atacados por todos os lados e a cem à hora de informação e mais informação. Como se não bastasse toda esta frescura juvenil, mantendo-nos deliciados com todas aquelas novidades cinematográficas (lembram-se da primeira vez que viram Matrix?), Scott Pilgrim Contra O Mundo ainda tem outro trunfo: a música. Além da banda-sonora genial já referida de Beck (mas que também inclui Black Lips, Broken Social Screne ou Bob Dylan), o filme tem um tratamento sonoro viciante, que faz de cada cena em que os Sex Bob-Ombs tocam um teledisco de fazer inveja a Spike Jonze. E já para não falar dos créditos iniciais, que lembram as composições jazz das curtas de Norman McLaren. Adivinha-se vida longa a Scott Pilgrim Contra O Mundo, mas também se adivinha que seja facilmente odiado, uma vez que pode ser facilmente visto como entretenimento pueril e barroco para um público pouco exigente e incapaz em se concentrar num cinema linear e sem efeitos. Mas como aqui gostamos mais de circo do que de pão, preferimos estes Royale With Cheese a múmias poeirentas e raquíticas, muitas vezes confundidas com o tal de cinema de autot. ![]()
Posted by: dermot @
10:47 AM Quarta-feira, Dezembro 15, 2010 BAÚ DO TRASH: WALL STREET: O DINHEIRO NUNCA DORME: Título: Wall Street: Money Never Sleeps Realizador: Oliver Stone Ano: 2010 ![]() Para quem não sabe, eu tirei o curso de gestão e um mestrado em gestão internacional e trabalho já há uns anos na área financeira. E, como muitos que trabalham nesta área, o filme de culto é Wall Street, já que todos sonhamos fazer dinheiro com a mesma pinta do Gordon Gecko (Michael Douglas), sempre todo aperaltado, com as gajas, as limousines e a atitude de quem se está completamente a cagar para os outros, porque sabe que é superior a tudo. Ou seja, muitos de nós, mesmo sendo completamente heterossexuais, para sermos amigos do Gecko até aceitaríamos levar do Carlão em posições menos próprias. Claro que quando ouvi dizer que iam fazer o remake, a primeira coisa que me veio há ideia foi o orgasmo que ia ter no cinema no dia da ante-estreia. Mas esse sentimento rapidamente passou para um cepticismo que me fez enxovalhar o filme antes de o ver. Mesmo assim, obviamente, não resisti e meti-me numa sessão de intervalo de almoço, num cinema deserto, logo nos primeiros dias de estreia. Já tinha visto o trailer e sabia mais ou menos como a coisa ia correr devido à informação da Empire (para o cinéfilo que não conhece, é de longe a melhor revista de cinema do mercado) e a algumas críticas de amigos. O que eu não contava é que me decepcionasse tanto, tanto, tanto.... O filme inicia-se com Gecko já rugoso e com pouca pinta a sair da prisa, onde alguns prémios são dados aos fãs incondicionais da coisa, como o telefone mega gigante ou o clip. Estamos no meio da crise financeira e a filha de Gecko, que nós nem sabiamos que existia, é casada com um broker de Wall Street, com bom coração e com tendência a apaneleirar-se por um negócio de energias renováveis, mas que não quer saber do pai, devido a uma história do irmão com as drogas e mais meia dúzia de merdas para encher chouriços. Rapidamente chegamos ao momento áureo do filme, que é o discurso de Gordon Gecko sobre a situação ecónomica - greed is good! - a uma plateia de universitários. Depois segue-se converseta da bolsa e de merdas económicas, um banco vai à falência, Gecko continua a ser um grande filho da puta, mais converseta sobre falências e crash bolsistas, filha volta a confiar no pai, pai engana a filha, final feliz, mau na cadeia, tudo acaba bem. Ora, conseguiram fazer de um clássico de minha infância uma prequela manhosa de um filme em que metade daquela malta andou apenas a picar o ponto para receber o cheque. Shia Lebouf é um puto irritante que parece formatado mais para filmes de terror de terceira ou séries de matiné da TVI; Carey Mulligan, que faz de filha de Gecko, peca por não ser tesuda; Susan Sarandon é a mãe de Shia, que faz de viciada em comprar casas e de fumadora desnaturada; e o mau da fita, talvez o melhor do filme, mesmo assim não faz ninguem borrar a cueca. Michael Douglas ainda tem uns toques do antigo Gecko, mas não é a mesma coisa. Queria mais, muito mais, mas só deu para isto. Se calhar foi das expectativas, mas apanha apenas uma Hamburga de Choco. ![]() Terça-feira, Dezembro 14, 2010 PIRANHA 3D: Título: Piranha 3D Realizador: Alexandre Aja Ano: 2010 ![]() O filme Piranha, de 1978, e a sua sequela três anos depois, são autênticas instituições do bom mau cinema. Tanto o primeiro, realizado por Joe Dante, especialista neste tipo de filmes, como o segundo, assinado por um estreante James Cameron (que não gosta muito de falar nisso), inscreveram o seu nome na cultura popular, dando azo a remakes, telefilmes e séries de televisão. E agora, quase trinta anos depois, em pleno proliferar de remakes, spin-offs, sequelas e prequelas, eis uma nova revisita ao clássico de Dante. Piranha 3D é a história de milhares de piranhas pré-históricas (e, consequentemente, ferozes e mortais) que são libertadas por uma fenda subterrânea aberta por um terramoto, num lago de um lugarejo balnear, onde se junta uma multidão de adolescentes em férias de Verão e uma equipa de filmagem de um filme porno. Como dá para ver, sofisticação não é coisa que se possa esperar. Por isso, algo a mais do que (muitas) tipas descascadas e (ainda mais) sangue seria uma surpresa, coisa que o realizador Alexandre Aja nem se dá ao trabalho de tentar. Aja, que parece ter ido para Hollywood tirar uma especialização em remakes de terror, experimenta a fórmula que o seu colega do Splat Pack, Eli Roth, aprimorou no díptico Hostel. Começa por apresentar as personagens num longo início de jovens com as hormonas aos saltos, em festas que incluem álcool, drogas e mamas; depois há trinta/quarenta minutos de autêntico (e literal) banho de sangue; e termina com final feliz e uma piada slapstick a rematar, que, estranhamente, aparece no trailer promocional. Portanto, o grande trunfo é a tal matança do porco, onde uma multidão de jovens ao banho é selvaticamente dilacerada por um cardume de piranhas em CGI. Depois de um início em suspense, que lembra inevitavelmente o terror aquático de O Tubarão, Piranha 3D atira o argumento às urtigas e diverte-se numa chacina sem igual desde o gore excessivo de Morte Cerebral, com jerricans de sangue e um conjunto de morte gráficas imaginativas de fazerem inveja a uma série inteira de Sexta-Feira 13 ou Pesadelo Em Elm Street. James Cameron dizia que filmes como Piranha 3D só davam mau nome ao 3D, enquanto que a maioria da crítica cinematográfica dita séria limitou-se a ignorar simplesmente o filme. Mas para quem está à espera apenas de entretenimento desmiolado, humor negro e gore a rodos, Piranha 3D é o Le Big Mac perfeito e não desilude. E quanto à tecnologia 3D, justifica-se? Claro que não, não traz nada de novo ao filme, mas há meia dúzia de planos que saem potenciados e um vómito atirado contra a câmara que parece tocar na nossa cara. ![]() AZTEC REX: Título: Tyrannosaurus Azteca Realizador: Brian Trenchard-Smith Ano: 2007 ![]() Desde que as portas deste imodesto tasco foram abertas ao público da blogosfera cinéfila nacional, já por aqui escrevi sobre muitos filmes. Filmes de todo o género, filmes bons, filmes maus, filmes assim assim... Não tive pachorra para os contar, mas certamente já vão em algumas centenas. No entanto, foram precisos seis anos para, pela primeira vez, escrever sobre um filme que não vi(!). Então se não vi, porque é que estou a escrever sobre ele? Bem, a verdade é que vi um bocadinho, mas foram apenas vinte minutos. No entanto, foram vinte minutos de uma grandeza tão grande que não consigo deixar de escrever umas linhas. O filme chama-se Aztec Rex e logo pelo título se adivinha que coisa boa deve vir dali. Estava a dar a altas horas da noite há poucos dias atrás quando cheguei a casa e, antes de me deixar de dormir, consegui ver vinte minutos do melhor conjunto de imagens que estes olhos que a terra há de comer já viram. Apanhei então um grupo de conquistadores espanhóis no meio de uma tribo de aztecas, vestidos com um guarda-roupa que gritava série-z por todo o lado e a viverem num decór de cartão e esferovite com baixo orçamento escrito por todo o lado. Como previa, o líder dos espanhóis era Hérman Córtes, o espanhol que levou ao declínio do império azteca. Adivinhava-se, portanto, um épico de segunda categoria sobre os civilizados espanhóis contra os selvagens latinos. Faltava ver então por quem é que o filme torcia. Mas não é que, para meu espanto, por entre meia dúzia de diálogos fajutos em inglês (porque os aztecas falavam inglês, claro) e uma tipa descascada (que o IMDB diz ser Dichen Lachman), aparece um... tiranossauro rex(!). De repente, a minha mente de um nó, como se algures alguém tivesse dividido por zero. Com uma simples cena, Aztec Rex tornava-se no meu filme favorito de todo o sempre. Aquela conjunção de elementos na mesma cena era tão improvável e aleatório que se enchia de uma grandeza espectacular e inegualável: conquistadores espanhóis, guerreiros aztecas e um tiranossauro rex. Durante os vinte minutos que consegui manter os olhos abertos, percebi que Cortés estava preso pelos aztecas e que, para o libertar, o resto dos espanhóis comprometera-se a matar o dinossauro, recebendo em troca a libertação do seu líder. No entanto, uma rápida pesquisa pelo google faz com que me fustigue com uma chibatinha por não o ter visto do início. É que a sinopse é ainda mais espectacular. Afinal, Aztec Rex não é o filme anacrónico e gratuitamente aleatório que eu pensava que era, porque a existência de um tiranossauro na América do Sul em pleno século XVI tem uma explicação lógica: acossados pelo invasor espanhól, os aztecas invocaram um dinossauro para os proteger. Mas depois perderam o controlo e precisaram de ser salvos por Cortés. Que depois acabou com eles, segundo nos relatam os livros de História. Ironias do destino. Não vi muita coisa de Aztec Rex, mas antes de adormecer ainda tive tempo para ver uma cena bestial, em que um tipo adormece, vem o dinossauro, come-lhe uma perna, vai-se embora(!) e... ele só dá por isso quando acorda no dia seguinte(!!). Tudo isto é genial, principalmente quando o tiranossauro é feito num cgi tão mau que até o meu gato conseguia ver os pixeis do bicho. Enfim, não vi muito de Aztec Rex, mas aztecas e tiranossauros rex é uma combinação obrigatória que me fizeram vir aqui deixar dois thumbs up inevitáveis. A não perder! ![]()
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12:58 AM Domingo, Dezembro 12, 2010 GRU - O MALDISPOSTO: Títul: Despicable Me Realizador: Pierre Coffin & Chris Renaud Ano: 2010 ![]() Há uma nova companhia de desenhos-animados na cidade. Chama-se Illumination Entertainment, pertence à Universal, e chegou com Pixar escrito por todo o lado. Não é por mal e até se compreende que o faça. Afinal, a Pixar é a nova raínha da animação, mesmo que o legado da Disney seja imortal e esteja para sempre presente, mesmo que seja nas entrelinhas. Tecnicamente, Gru - O Maldispoto comprova que a Illumination Entertainment está ao nível da Pixar, fazendo questão de mostrar, em planos com pompa e circunstância, o quão confortável está na manipulação digital, com água, gelo ou outra coisa qualquer que exija um nível de pormenorização de chinês. E a nível narrativo, estará Gru - O Maldisposto a concorrer com a Pixar na primeira divisão dos desenhos-animados? Gru - O Maldisposto é um desenho-animado adulto para crianças, sobre um vilão desprezível, Gru (voz de Steve Carell), que vê o seu lugar ameaçado por um novo vilão na cidade, Vector (voz de Jason Segel). A solução é preparar um golpe inegualável - roubar a lua - e consolidar o seu estatuto, mas quando três miudinhas orfãs entram na sua vida, Gru vai descobrir que também tem um coração. O resto é previsível. Gru amolece, a moral conforta e o epílogo confiurma que tudo ficou bem para sempre. É aqui que está a influência Disney, com o seu estilo Mary Poppins, em que as crianças são o melhor do mundo. Mas Gru - O Maldisposto não se fica pelos clichés, apesar da maioria dos gags serem roubados pelos Mínimos, o exército obediente de Gru, pilhado descaradamente aos aliens de Toy Story. O outro aspecto positivo de Gru - O Maldisposto passa pelos seus bonecos, que ganham vida para lá dos actores que lhes dão voz. Por exemplo, o próprio Gru relembra-nos muito mais o Nicolau Breyner que lhe dá voz na versão portuguesa do que o Steve Carell do original, mesmo quando vemos a versão original. Sem trazer nada de novo ao mundo da animação, Gru - O Maldisposto tem o condão de não ser apenas mais uma inscrição na cronologia dos desenhos-animados. E faz-nos sorrir e sentir bem connosco mesmos, o que é (muit) mais do que a maioria dos filmes se possa orgulhar de conseguir. A Illumination Entertainment estreia-se assim com um McRoyal Deluxe. ![]()
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10:14 AM Sexta-feira, Dezembro 10, 2010 BAÚ DO TRASH: EASY A: Título: Easy A Realizador: Will Gluck Ano: 2010 ![]() Algures aí no mundo da blogosfera/revistas de cinema inglesas/gente idiota como eu que escreve sobre cinema, sem perceber nada do assunto, encontrei uma critica sobre este Easy A, em que o filme era classificado como sendo o melhor do género da última decada (a teen comedy/filme sobre puberdade), só mesmo a par de 10 Coisas Que Odeio Em Ti. Quem já me conhece, sabe que um dos meus guilty pleasures (e aqui volto a referir que não tenho medo de admiti-lo) é este sub-género que proliferou sobretudo nos gloriosos anos 80. Só para referir alguns que são transversais, temos Regresso À Escola, O Clube, 16 Primaveras, A Garota Do Vestido Cor-de-rosa ou O Primeiro Ano Do Resto Das Nossas Vidas. Tu que estás a ler isto, quer sejas um intelectualóide do Bloco de Esquerda que pensa que o Ingmar Bergman com as suas secas dramáticas em sueco é Deus, quer tu sejas o cromo que leva a namorada a ver o Velocidade Furiosa e depois é pinar no Renault 5 até achar petróleo, vê estes que vais gostar, prometo! Talvez devido a esta critica que li, comecei a ver o filme com demasiadas expectativas e isso faz com que o meu julgamento, provavelmente, esteja a denegrir demasiado o filme. Mas vamos lá a isto. Estamos então na típica escola americana, com um pequeno twist que já tem aparecido em vários filmes do género nos últimos anos - além do clã dos jogadores da bola, das cheerleaders, dos geeks, dos rappers e dos góticos, há o clã dos católicos fanáticos. Olive (Emma Stone) é uma miúda average na escola, ou seja, ninguém a conhece, mas também ninguém a trata mal. Depois de alguma conversa da treta sobre perder a virgindade, a rapariga é ouvida na casa de banho por uma das fanáticas católicas, que rapidamente espalha o rumor que a miúda é uma putéfila do pior. Claro que isto é apenas o início e apesar de todos lhe começarem a chamar rameira, ela gosta da atenção e, além disso, como tem bom coração, começa a aceitar dizer que os losers dormiram com ela, para que estes deixem de ser saco de enfardamento na escola. Ao mesmo tempo, na aula de inglês, os alunos estão a ler a Scarlet Letter e Olive, para tornar as coisas ainda mais dramáticas, começa a usar um A de adultério na lapela. A coisa vai evoluindo com os clichés normais, do professor porreiro, os pais hippies, a amiga falsa, o gajo por quem estamos eternamente apaixonados, o counselour e etc, até chegarmos ao final feliz com direito a musiquinha estilo "save the world, get the girl, pass math". Não é uma obra prima, também não é mau que dói, mas para mim acabou por ser apenas mais um filme. Não o vejo como o melhor da década, apesar de ser o primeiro a incorporar as redes sociais e a transferência rápida da informação como um ponto central. A miúda é engraçadinho/semi-tesuda, mas parece estar a fazer um frete o filme todo. Depois temos um cast de semi-estrelas de Hollywood que cumprem e uma outra parte de rapaziada Morangos Com Açúcar/Gossip Girl, que não sabem melhor do que aquilo. Enfim, já vi pior e paguei. Leva cheesburger. ![]()
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12:24 PM MACHETE: Título: Machete Realizador: Robert Rodriguez Ano: 2010 ![]() Quando, em 2007, vimos os trailers falsos que Tarantino e Rodriguez haviam encomendado aos amigos para encher o intervalo de Grindhouse, foi impossível não soltar uma gotinha ao ver Machete. Quer dizer, todos eram particularmente curiosos (o de Eli Roth, porventura, era o mais desinteressante), mas Machete era, sem sombra de dúvidas, o mais estimulante. Agora, 3 anos depois, Machete é transformado em longa-metragem e termina a glorificação de Danny Trejo, ex-condenado com antiga predilecção por drogaria diversa, com tatuagens de gajas nuas pelo corpo todo, cicatrizes e cara marcada a cinzel pelas agruras da vida, que parecia condenado a ser eternamente um simples acessório de cinema de segunda categoria. Trejo é o novo Al Leong, eterno secundário para papéis esteriotipados de capangas e sempre o primeiro a morrer, mas que teve a sorte de ter um amigo que lhe desse (o devido) tempo de antena. Danny Trejo é então Machete, personagem que já tinha sido ensaiada em Desperado ou na série Spy Kids: um badass de poucas falas e com jeito para facas. A novidade é que, desta vez, Machete não é o vilão, mas sim o (anti)herói, um daqueles polícias que, por teimar por operar pelos seus próprios meios sem obedecer a ordens superiores, acaba por pagar por isso com o próprio corpo. Agora, caido no anonimato, é traído num esquema político para assassinar um senador de direita (Robert De Niro) e terá que provar a sua inocência caçando os maus todos pelas próprias mãos. Se Trejo faz de herói pela primeira vez, a Steven Seagal acontece precisamente o oposto, ao fazer de vilão pela primeira vez na carreira (carreira essa que estava em suspenso desde Duro De Matar, em 2002). Saegal, gordo que nem um texugo, é uma sombra de si próprio e no duelo final com Trejo - o momento mais aguardado de Machete -, é uma desilusão de tão frouxo que é. Felizmente, Seagal não perde o combate, preferindo antes morrer(!). Ao contrário de Chuck Norris, derrotado uma vez por Bruce Lee, Steven Seagal continua invicto, algo apenas igualado pelo inegualável Tarzan Taborda. Entretanto, regressando a Machete, mais feliz é a recuperação de Don Johnson, enquanto ranger texano racista, de raybans de aviador espelhados - símbolo máximo da malvadez extrema. Mais do que cinema de série b, Machete emula os filmes straight-to-video, ideais para se verem com o cérebro desligado enquanto se cura uma ressaca num domingo à tarde. Por isso, no meio de tanto gore gratuito e mamas à mostra (Machete saca as tipas todas, de Jessica Alba a Michelle Rodriguez, passando inclusive por Lindsay Lohan), não se percebe o porquê de tanto sunb-enredo, personagens secundárias e coisas para dizer. Tal como em Era Uma Vez No México, Rodriguez não consegue coreografar tanta tralha, perdendo-se em palermices apatetadas. Lindsay Lohan, por exemplo, é apenas uma anedota dentro da endota, fazendo (e rindo de si própria): uma puta drogada e mimada. Machete vale então pelos momentos em que é mais simples e genuíno: Danny Trejo em formato iconográfico, apenas abrindo a boca para lançar pérolas a porcos (Machete don't text é one-liner clássica instantânea); Cheech Marin em padre sanguinário (i God have mercy, I don't /i a rivalizar com I kick ass for the lord, de Dellamorte Dellamore); mortes imaginativas (bungee jumpin com intestinos grossos ftw); e extras inesperados (Nimrod Antal em cameo que costumava ser de Quentin Tarantino). Tudo o resto é excessivo, até mesmo para mim. Ah, e falta uma banda-sonora que chame a atenção. Machete é uma desilusão chamada Double Cheeseburger. ![]()
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12:31 AM Domingo, Dezembro 05, 2010 RUÍDOS DO ALÉM: Título: White Noise Realizador: Geoffrey Sax Ano: 2005 ![]() Ruídos Do Além abre com uma citação de Thomas Edison, na tentativa de passar por erudito, e depois apresenta uma inscrição onde explica o que é o EVP (iniciais para Fenómeno de Voz Gravada, processo que consiste em escutar as conversas dos mortos gravando a estática de um rádio mal sintonizado), deixando o alerta: esta é uma tendência crescente. Fail! Tirando Ruídos Do Além, nunca vi nada nem ninguém a falar de EVP. Talvez porque, como o próprio filme, o EVP é uma bela treta. Michael Keaton é um arquitecto casado com uma escritora famosa (Chandra West) que, aparentemente, escorregou e caiu de uma ravina enquanto mudava o pneu furado do carro. A causa da morte já é ridícula, mas mais etúpido é ter ficado um sapato estrategicamente caído no topo do penhasco. Aliás, muitos filmes ganham pontos pelos pormenores, mas em Ruídos Do Além acontece precisamente o contrário, como o arquitecto famoso que risca com a lapiseira como se estivesse a fazer cócegas ao papel, não usa capacete na obra e faz desenho técnico no balcão da cozinha. Enfim, MichAel Keaton fica viúvo e começa a receber mensagens da mulher pelo leitor de cassetes d cozinha. Mas quem é que ainda usa leitor de cassetes? Eis mais uma razão para o insucesso de Ruídos Do Além. Para além de ninguém querer saber de EVP, quem é que ainda tem rádios analógicos em casa? Se tivessem feito o filme com leitores de mp3, os miúdos ainda eram capazes de experimentar aquilo em casa e transformar o EVP numa nova moda, como o realizador Geoffrey Sax tinha esperança. Mesmo assim, ainda houve quem achasse que valesse a pena arriscar uma segunda vez e pagou uma sequela... Ruídos Do Além lá vai avançando, a bem ou a mal, de forma ligeira e sem grandes trapalhices. Esteticamente, Sax até se safa bem, com uma fotografia estilizada e urbana. Mas depois, aos aproximar-se do fim, deve ter-se lembrado de que seria necessária uma história para o filme. E assim, às três pancadas, lá se inventa um serial killer, que segue as ordens de três fantasmas que nunca chegamos a saber quem são ou o que querem. E como se isso não fosse já suficientemente ridículo, embrulha-se tudo num twist espertalhão: o assassino é um figurante que surge numa das cenas iniciais do filme de que ninguém já se lembra porque... só apareceu numa cena inicial do filme. E assim se arruina o pouco crédito que restava deste Double Cheeseburger. ![]() Quinta-feira, Dezembro 02, 2010 BAÚ DO TRASH: Título: Que Se Mueran Los Feos Realizador: Nacho G. Velilla Ano: 2010 ![]() Depois de uma sexta-feira em que a quantidade consumida de alcóol dava para encher o depósito do automóvel, a manhã seguinte não costuma ser dos meus melhores momentos. A miúda com o nome margem sul, que ainda se encontra estendida ao nosso lado, já não parece um clone suburbado da Lindsay Lohan, mas sim uma ex-Big Brother que amanhece com a pele toda fodida, provavelmente devido ao consumo interrupto de ghb e outros derivados. Tento não a acordar, mas a dor de cabeça faz com que nem me consiga levantar e o meu movimento brusco em busca do telemóvel fá-la despertar com a pergunta "Ainda estás com o mastro em pé?". Sem grande pompa indico-lhe que é altura de eu ir à rua comprar pão e que, se ela quiser, a levo a casa. A miúda prefere ficar e eu não tenho coragem de lhe dizer que não, porque nem me lembro do nome dela. Telefono para as pizzas e meto o computador no colo enquanto ela tenta mordiscar-me o pescoço. Digo-lhe que, para acompanhar a comida, tinha de haver um filmezito, já que eu dali nem me levantava. Ela começa a sugerir uma qualquer comédia romântica e eu quero mesmo é que ela saia de casa. Faço a vontade e meto uma, mas em espanhol, que é para ver se a miúda vai à vida... Grande erro, a avó dela era galega. Que tormento. Que Se Mueran Los Feos é um filmezito que um colega meu espanhol me tinha sugerido, não como bom filme, mas para a ressaca. Eliseo é um campónio com cabeça de ovo, que nunca fez amor com mais do que a sua mão e um pão de ló feito pela tia. Aliás, o filme inicia-se com este personagem a entrar num café onde havia combinado uma blind date, mas quando a dita cuja o vê manda-o passear. E ainda lhe enche a cara com gás pimenta. Ele lá volta para a aldeiola perdida no meio de Espanha entre vacas, ovelhas e o seu grupo de amigos de infÂncia (exclusivamente composto por pessoas disfuncionais) e passado uns dias decide que é altura de seguir a sua carreira de músico e rumar à cidade. Mas, quando já estava dentro do autocarro a caminho de Madrid, a sua mãe é atropelada e ele fica a tomar conta da quinta com o tio, que está com uma doença mortal qualquer. Passados mais uns dias aparece a sua cunhada vinda sabe se lá de onde e nasce o grande amor. Depois, a partir daqui ,é a historia do costume, com enganos, desenganos, final feliz com toda a gente a aplaudir e a cantar e um sentimento de deja vu. Nada de novo nesta comédia que, ao fim de tudo, não passa de uma cópia das suas irmãs americanas. No entanto, há que dizer que sempre achei que as comédias espanholas sempre tiveram mais piada, sobretudo devido ao exagero da linguagem e à única que faz este filme ter a nota que lhe atribuo, que são os sidekicks e as personagens secundárias, qual delas a mais idiota e ridícula. Não é uma obra prima, longe disso, é apenas a tipica comédia de verão para namorados, ela tentando amolecer o seu homem para que quando cheguem a casa ele não exiga logo que ela se meta de quatro, ele com a ideia que ela fica mais sentimental e que hoje à noite é que a vai conseguir convencer a engolir, valendo a pena o sacrificio daqueles 90 minutos. Apanha com um Happy Meal e já não vai nada mal. ![]() Quarta-feira, Dezembro 01, 2010 NAS NUVENS: Título: Up In The Air Realizador: Jason Reitman Ano: 2009 ![]() Às vezes há filmes assim, em que, intencionalmente ou não, o actor protagonista dá por ele a fazer de si próprio. E o filme ganha um novo nível de galvanização. Aconteceu, por exemplo, com o lutador à procura da glória perdida de Mickey Rourke, em O Wrestler; com o ricaço alcoólico e mulherengo de Charlie Sheen, em Dois Homens E Meio; ou com o peludo Benicio Del Toro, em O Lobisomem. E aconteceu com George Clooney, em Nas Nuvens. Clooney faz então de si próprio: um playboy engatatão, bon-vivant e com medo do compromisso. A novidade é que aqui tem uma profissão pouco usual - é contratado pelas empresas para despedir pessoal. É um bom profissional (o melhor?) e isso dá-lhe muito dinheiro, mas obriga-o também a viver quase literalmente em aeroportos, aviões e hotéis. Mas ele não se importa. Nas Nuvens é a típica história indie sobre relações (Jason Reitman é o realizador de Juno, não esquecer), em que Clooney, depois de uns desenvolvimento pouco importantes para este texto, vai conhecer duas mulheres bem distintas: Vera Farmiga, que é uma versão sua com vagina, e Anna Kendrick, o oposto romântico e idealista da sua visão pragmática e racional de encarar o mundo (como o Dr. House se teria dado bem com este George Clooney). Desenrolando-se de forma ligeira e com um espírito de feelgood movie, Nas Nuvens vai levando Clooney e as suas parceiras por episódios mais ou menos mundanos - a vida como ela é, frase-cliché deste (semi)novo cinema indie -, que o vão fazer repensar a sua vida e colocar em causa os seus ideais. E, no final, desembomca num anti-clímax inesperado, mas que não se dá mal com a atmosfera do filme. Filme simpático e honesto, Nas Nuvens tem ainda breves interlúdios com umas fantásticas imagens aéreas. No entanto, vale especialmente por ter Clooney as Clooney. Reitman afirmou que o papel fora pensado para si, mas que se isso não tivsse sido possível que teria convidado Steve Martin e isso iria fazer por ele o que Lost In Translation - O Amor É Um Lugar Estranho fez por Bill Murray. Talvez essa opção tivesse valido um risco maior do que um confortável McBacon. ![]() |
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