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Royale With Cheese | ||
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PRECIOUS:
Título: Precious: Based on the Novel Push by Sapphire Realizador: Lee Daniels Ano: 2009 ![]() Existem filme que, mesmo antes de os vermos, já sabemos o que são. Precious é uma dessas obras que dispensam apresentações. Basta olharmos para a ficha técnica: realizado por Lee Daniels, o maior produtor preto de Hollywood (responsável pelo oscarizado Monster's Ball - Depois Do Ódio), produzido pela Oprah e com papéis secundários atribuídos a gente como Lenny Kravitz ou Mariah Carey. Com tudo isto, quem estava à espera de outra coisa que não um dramalhão de faca e alguidar, ambientado no Bronx ou no Harlem, sobre a miserável realidade da comunidade afro-americana norte-americana, é porque não estava bom da cabeça. Precious é o nome da personagem de Gabourey Sidibe, uma jovem de 16 anos do Harlem, obesa, violada recorrentemente pelo pai e vítima de violência da mãe (Mo'Nique), que é transferida para uma escola especial depois de engravidar pela segunda vez. É lá que conhece a professora Rain (Paula Patton), que vai ajudar a endireitar-lhe a vida. Precious começa assim por se parecer com Mentes Perigosas, mas Lee Daniels não se mostra satisfeito apenas com aquelas tragédias e aumenta a colecção. Eu sei que estou sempre a dizer isto, mas desta vez é que é. Teresa Villaverde arranjou competição à altura. Para quando um filme com a Ana Moreira em que ela será também obesa (no seu caso é mais fácil anoréctica), pobre, iliterada, violada pelo pai, mãe adolescente, mãe de uma filha mongolóide, vítima de violência por parte da sua mãe e seropositiva? Bem-vindos então ao super-drama de faca e alguidar Precious. Quando sair a edição em dvd, é provável que traga como extra uma caixa de lenços de papel para as senhoras. Contudo, Lee Daniels assume a parada e atira-se à bronca de caras. E, apesar de ser ténue a linha que separa o drama do melodrama lacrimoso versão telenovela, Precious anda sempre ali na corda bamba sem descambar. E a isto, Lee Daniels junta-lhe meia dúzia de truques com a câmara, mais umas cores dessaturadas e uns planos mais tremidos, o que fazem dele mais do que um simples tarefeiro de Hollywood. Lee Daniels atira-nos areia para os olhos e nós deixamos. Nós não, a Academia que o nomeia para oscares. Portanto, Precious é feito apenas das interpretações de Gabourey Sidibe, a estreante jovem obesa, e Mo'Nique, que ganhou mesmo o Oscar para melhor actriz secundária. E se a primeira ainda damos um desconto (corremos o risco de estarmos apenas a ser simpáticos por ela ser obesa), Mo'Nique é um monstro sem sentimentos, daqueles que acabam por ser mais perturbadores que os serial killers dos slashers por serem muito mais reais. Kathy Bates já tem concorrência à altura. Precious é um filme mais ou menos certinho, que acaba por ter mais tempo de antena por ter as ajudas certas (aposto que um filme da Raquel Freire produzido pela Oprah também iria ter nomeações ao Oscar). E é melhor não falar dos buracos de argumento, porque senão o McChicken vinha por aí abaixo. ![]() Quinta-feira, Abril 29, 2010 MATOU A FAMÍLIA E FOI AO CINEMA: Título: Matou A Família E Foi Ao Cinema Realizador: Júlio Bressane Ano: 1969 ![]() Anda eu a ler umas coisas sobre o cinema marginal brasileiro - subgénero do cinema novo (o equivalente brasileiro à nouvelle vague), mas ainda mais radical -, quando dei de caras com este Matou A Família E Foi Ao Cinema. O que me chamou a atenção não foram as críticas positivas, que o tomam como o maior exemplo de cinema marginal, mas sim o facto de ter um título que podia muito bem ser a manchete de capa do Correio da Manhã. Por isso, toca a ver no que é que isto dá. Matou A Família E Foi Ao Cinema foi realizado em 12 dias por Júlio Bressane, que na altura tinha apenas 23 anos. Filmado a preto e branco, com som directo que é mais ruído do que outra coisa, muitos planos desfocados e a maioria dos actores dignos de um casting de um filme porno dos maus. Quanto à história é uma espécie de filme-mosaico (que abre com a tal peça de um jovem que degola os pais, aparentemente sem razão, e depois vai calmamente ao cinema), de histórias normalmente trágicas, sem relação entre elas, mas com os mesmos actores (nunca se percebe se são ou não as mesmas personagens) e que insinua levemente que estamos a ver um filme dentro do filme (o filme que o jovem vai ver ao cinema pode ser (ou não) uma das histórias paralelas). Mais do que experimentalismo, Matou A Família E Foi Ao Cinema é todo ele niilismo. Atirando a cartilha de Como fazer cinema às urtigas, Júlio Bressane ensaia um cinema estética e formalmente novo e original. Com a liberdade orgânica do cinema de Jodorowsky (existem também uns pozinhos de surrealismo), Matou A Família E Foi Ao Cinema detona todas as convenções narrativas, viola à bruta outras tantas convenções de edição e mistura com igual à-vontade cenas de uma violência gráfica austera (como um Michael Haneke ou um Gaspar Noé primitivo) com cenas de uma quotidiano mundano brutal (olá João César Monteiro). Há ainda uns interlúdios musicais e algumas cenas de dança que, aparentemente, servem sobretudo para dar tempo de antena à música popular brasileira (Roberto Carlos na fase boa, Mário Reis ou a nossa Carmen Miranda). Filme pouco convencional, é demasiada diarreira mental para o meu gosto. A favor tem, felizmente, o facto de só ter uma hora de duração. E é assim, tão subjectivamente, que eu justifico os meus Cheeseburgers. Bem mais interessante parece ser o remake de 1991, em formato sexploitation. ![]() Segunda-feira, Abril 26, 2010 A RESSACA: Título: The Hangover Realizador: Todd Phillips Ano: 2009 ![]() Na Bíblia, mais precisamente em João 8:7, Jesus disse, e passo a citar: "Aquele que nunca apanhou uma tolada daquelas que no dia seguinte não se lembra de nada, seja o primeiro que atire uma pedra". Depois pediu uma cola de litro ao balcão e foi vegetar o resto da tarde para o sofá, em frente à televisão. Foi uma bebedeira dessas, de caixão à cova, que o grupo de amigo de A Ressaca apanhou na despedida de solteiro de Doug (Justin Bartha). E na manhã seguinte acordaram com a suite do hotel em Las Vegas de pantanas, com um bebé na dispensa(!), um tigre na casa-de-banho(!!) e o noivo desaparecido(!!!). Bem-vindos ao remake de Onde Tá O Carro, Meu?, mas com um noivo em vez de um automóvel. O realizador Todd Phillips volta a um tema que lhe é querido e que cristalizou em Sem Regras: o do grupo de melhores amigos que embarca numa viagem, não necessariamente no sentido literal da coisa (aqui o alcatrão simbólico do road movie dá lugar a Las Vegas, o recreio da América), marcando um ritual de crescimento naquela fase da vida em que deixamos de ser jovens, mas ainda não estamos preparados para tal. E é isto que distingue o humor screwball de A Ressaca do de American Pie - A Primeira Vez: enquanto este último é descaradamente dirigido aos adolescentes com as hormonas aos saltos, A Ressaca é dirigido aos jovens adultos, com piadas mais maduras. O que não quer dizer que seja necessariamente melhor. Há um ditado na América que diz: o que acontece em Vegas fica em Vegas. Isto existe porque Las Vegas é uma cidade onde vale tudo. Às leis mais liberais do jogo, do álcool ou do amor, junta-se uma autêntica cidade de brincar, onde tudo é irreal. Por isso, quando o grupo de amigos começa a tentar reconstruir o que fizeram na noite anterior, numa não muito vulgar estrutura narrativa de trás para a frente, os episódios que se sucedem são super-aleatórios. E quanto mais a aleatoriedade mais interessantes são. Não é bem um homem bêbado a cantar o Carmina Burana no chuveiro enquanto fuma, mas é, por exemplo, um inesperado Mike Tyson a curtir Phil Collins. Também o grupo de amigos é suficientemente esteriotipado para facilitar as gags e poder experimentar diferentes tipos de humor: há o rebelde e marialva Phil (Bradley Cooper); há o submisso e loser (Stu); e, claro, há o freak, Alan (Zach Galifianakis). Resumindo e baralhando: A Ressaca tem uma boa ideia, situações curiosas e um conjunto de personagens divertidas. Então qual é o problema? O problema é não ter um pingo de piada. As situações não têm graça, os actores não são engraçados e a personagem de Zach Galifianakis, que devia ser uma daquelas personagens que ganham os filmes e que valem rip-offs e tudo, não só não tem graça, como é irritante. A Ressaca não é engraçada, é só estúpida. Já dizia a minha avó que mais vale cair em graça do que ser engraçado. Nem uma coisa, nem outra: apenas um Double Cheeseburger. ![]() Quinta-feira, Abril 22, 2010 CRANK - VENENO NO SANGUE: Título: Crank Realizador: Mark Neveldine & Brian Taylor Ano: 2006 ![]() Andava eu a deambular por um daqueles fóruns da net em que só se aprendem mom jokes e se criam (e perpetuam até à exaustão) novos memes (chupista inside), quando apanho um vídeo de uma cena de um filme daquelas capazes de nos gelar o sangue. A cena em causa era o Jason Statham a comer uma gaja boa por trâs no meio de uma multidão de chinocas(!), que vibravam de mãos no ar como se estivessem a ver o Benfica a espetar três no Porto no final da Taça da Liga(!!). Uma pequena explicação acompanhava a cena: Statham tinha uma droga no sangue e quinava se baixasse os níveis de adrenalina. Logo, toca a comer gajas em público para aumentar a pica(!!!). C'um cacete, exclamei de mim para mim próprio, que tamanha xungaria é esta e como é que nunca a vi? Uma breve pesquisa e descobri que se chamava Crank - Veneno No Sangue. E, coincidência, não é que tinha o filme aqui à mão, na pilha dos dvds que saem como oferta dos jornais que compro. Foi então com as expectativas em baixo que fui buscá-lo, uma vez que um filme que sai com o Record e que tem o Jason Statham como protagonista não agoira nada de bom. No entanto, Crank - Veneno No Sangue deve mais ao bom cinema xunga dos saudosos anos 80 do que ao lixo pirotécnico que é o cinema pipoca de hoje em dia. E começamos a perceber isso quando o filme arranca logo a meio, como se entrássemos num comboio em alta velocidade em plena viagem, dispensando qualquer tipo de argumento acessório: Statham, que mais tarde vimos a perceber que é um assassino a soldo freelancer, acorda envenenado por um mafioso qualquer. Crank - Veneno No Sangue é como Speed - Perigo Em Alta Velocidade, mas com Jason Statham em vez de um autocarro: se parar morre. Por isso, vale tudo o que lhe permita manter a adrenalina a cem enquanto procura a derradeira vingança, seja pinar em público, seja coca a rodos, seja injecções de epinefrina. Uma verdadeira apologia de drogas, que nos mostra outra vez que Crank - Veneno No Sangue tem qualquer coisa de especial. Mistura entre o ritmo alucinante de Die Hard: A Vingança e a violência estilizada e cool de um Shoot'Em Up - Atirar A Matar, Crank - Veneno No Sangue colecciona efeitos e truques cinematográficos, como se Tony Scott tivesse andado a ver o Assassinos Natos. Tudo isso enquanto os realizadores parece que injectaram o mesmo veneno nos operadores de câmara, que fazem a televisão em movimento do Curto Circuito e dos programas da MTV parecerem filmes do Manoel de Oliveira. Contudo, todo este espalhafato visual acaba por funcionar perante o ritmo imparável do filme (que, apesar de toda a matança e destruição, não tem uma única explosão(!)). Só é pena a história experimentar uma espécie de cambalhota final, tentando dar alguma surpresa ao espectador, quando não era mesmo nada necessário (até proque não há nenhuma história). Em compensação, Crank - Veneno No Sangue redime-se com o final politicamente incorrecto num filme pipoca - ou seja, sem um final feliz, em que o herói morre (ups, spoilers). Pelo menos aparentemente, uma vez que há uma sequela. Até lá sou homem para associar isto a um McRoyal Deluxe. ![]() CRANK 2 - ALTA VOLTAGEM: Título: Crank 2: High Voltage Realizador: Mark Neveldine & Brian Taylor Ano: 2009 ![]() Crank – Veneno No Sangue terminava de forma simples. Jason Statham caía de um helicóptero e estatelava-se ao comprido no asfalto. Mas esperem aí; se o herói morreu, como é que há uma sequela? Os realizadores Mark Neveldine e Brian Taylor deram-nos a resposta logo a abrir o filme, uma vez que Crank – Alta Voltagem começa exactamente onde o antecessor terminou: Jason Stathom caiu de um helicóptero mas não morreu. E se isto é possível, então a partir daqui vale tudo. Se Crank – Veneno No Sangue já era um filme de acção para se ver de cérebro desligado, então o irrealismo da sequela bate todos os recordes, colocando Crank – Alta Voltagem num nível cartunesco. E para verem que aqui vale tudo, basta apontar uma cena em que Statham combate o seu nemesis num combate mano-a-mano, transformando-se em bonecos gigantes de fatos de borracha e num cenário de maquetas tipo Portugal dos Pequeninos, remetendo para uma daquelas destruições dos filmes do Godzilla ou, pior ainda, para os Power Rangers. E até as personagens que morreram no primeiro filme regressam. Basta dizer que são... irmãos gémeos(!). Ah, é verdade... e lembram-se de eu falar de uma cena de Crank – Veneno No Sangue em que Statham comia a namorada por trás no meio de Chinatown, enquanto dezenas de chineses aplaudiam? Pois em Crank – Alta Voltagem Statham come-a no meio de um hipódromo, em directo para a televisão nacional, enquanto experimenta todas as posições do kama-sutra. Kinky stuff! Crank – Alta Voltagem atira definitivamente com o politicamente correcto às urtigas. Aqui há um estranho fascínio pelo porno soft-core, com cameos de várias estrelas porno, misoginia com fartura, muita pele à mostra de forma gratuita, imaginário à Russ Meyer e strippers, bitches e quengas em cada esquina. E muito gore antifamiliar e sensacionalismo gratuito lembrando os exploitation dos anos 70. No entanto, esqueçam a xungaria cool de Tarantino ou Robert Rodriguez. Crank – Alta Voltagem é o primeiro filme xunga típico do século XXI. Crank – Veneno No Sangue tinha um ritmo alucinante. E apesar de Statham já não ter aqui a tal substância no sangue que o matava se descesse os níveis de adrenalina, Crank – Alta Voltagem tem o dobro do ritmo. O dobro disse eu? O triplo, queria dizer. É de cortar o fôlego! Statham agora não tem coração. Foi-lhe removido numa cirurgia. Tem antes um coração mecânico. Mas está a ficar sem bateria e, por isso, precisa de apanhar uns choques para não deixar que ele páre de bater. E os truques com a câmara, os efeitos trepidantes e a música esquizofrénica do Mike Patton (que confessou ter sentido o mesmo fascínio que eu quando viu o primeiro filme) deixam-nos literalmente cansados no final. Franchising de culto, Crank – Alta Voltagem pode ser também encarado como documento revelador da era em que vivemos: uma era de informação supersónica, consumível, efémera e altamente descartável. Que giro, é exactamente a descrição de ambos os filmes. E isso é mau. Negativo: é antes um Le Big Mac. ![]() Terça-feira, Abril 13, 2010 O COMBOIO DOS MORTOS: Título: The Midnight Meat Train Realizador: Ryûhei Kitamura Ano: 2008 ![]() Vinnie Jones passou quinze anos a construir uma reputação de caceteiro, ao serviço de clubes ingleses do meio da tabela, como o Wimbledon (que sequer já nem aparece na tabela da Premier League). Depois, quando pendurou as chuteiras, dedicou-se ao cinema e a perpetuar, vezes sem conta, essa sua imagem de durão insensível (leia-se actor inexpressivo), em filmes para público pouco exigente. No entanto, diga-se de passagem que nada tenho contra Vinnie Jones. Mas também não tenho propriamente nada a favor. Digamos que a nossa relação é de indiferença. Este O Comboio Dos Mortos é um filme baseado num conto de Clive Barker (o autor da saga Hellraiser), um daqueles mestres do horror que sempre se preocupou mais em usar o género como metáfora e parábola da nossa sociedade. Por sua vez, também o realizador Ryûhei Kitamura, que temos em bem melhor consideração que Vinnie Jones, sempre foi um tipo com uns gostos um pouco rebuscados. Basta ver o que ele fez naquilo que ficou conhecido como o projecto duelo. Em 2002, Yukihiko Tsutsumi e Ryuhei Kitamura fizeram uma aposta: numa semana, ambos realizariam um filme com um conceito comum - duas pessoas, um local, um duelo, um vencedo - e o que recebesse melhores críticas era o vencedor.. 2LDK, de Tsutsumi, é sobre duas roomates que se torturam até à morte fartas de viverem uma com a outra; e Aragami, de Kitamura, é um duelo entre um samurai e um shaolin cósmico(!) com poderes sobrenaturais(!!). Por isso, Ryuhei Kitamura a adaptar Clive Barker já deixava antever um qualquer mindblowing-movie. O Comboio Dos Mortos não é, portanto, um tradicional filme de terror, nem tão pouco um slasher como a sinopse podia prever, quando fala de um Vinnie Jones talhante que mata e desfaz pessoas como se de gado se tratassem, nas últimas carreiras do metro. O Comboio Dos Mortos tem ascendência sobrenatural, com umas criaturas que aparecem no fim e não sabemos quem - como muita das coisas mal explicadas do filme. Essas coisas mal explicadas que, na maior parte das vezes, no cinema oriental de terror são esquisitices de olhos em bico, naturais de uma tradição e cultura ancestral com crenças bem distintas das nossas, aqui são só buracos de argumento. E buracões enormes! Buracaralhões! E para não falar em zero de credibilidade. Ora vejamos. Bradley Cooper é a peça central do filme: um fotógrafo com aspirações artísticas que, depois de consultar uma curadora pseudo-intelectual toda esteriotipada (só lhe faltava ser francesa), fica a saber que às suas fotos falta autenticidade. Assim, vai para o metro e fotografa o tal talhante, minutos antes de este assassinar uma modelo famosa. Coincidência do caraças! Mas são estas coincidências que fazem os filmes acontecer. No entanto, no dia seguinte, Bradley Cooper vai tirar mais fotos na rua e volta a encontrar o talhante. E, depois de uns zooms às fotos à la CSI, reconhece-o pelo desenho do anel(!). Coincidência do caraças! Mas estas coincidências já são apenas argumentos mal escritos. Mas depois nada faz propriamente sentido em O Comboio Dos Mortos. Cooper ganha logo uma obsessão pelo talhante e começa a segui-lo, até descobrir que este mata pessoas no último metro do dia. Depois fica tão pertubado que ao agarrar na máquina fotográfica fica tão afectado que não consegue usa-la. E depois é apanhado em flagrante pelo talhante que, em vez de o matar, esfola-lhe apenas o peito(!). Paralelemante, a sua namorada também fica paranóica com tudo aquilo e vai tentar descobrir por ela própria o que se passa. Tudo isto nuns meros três ou quatro dias! Ah, e sem falar que, lá para o meio, Cooper come à força a namorada à canzana sobre o balcão do café(!), numa situação que não percebemos o que quer dizer. São demasiado momentos what the fuck para nos deixar sãos. O que safa O Comboio Dos Mortos é mesmo o festim gore. Ryûhei Kitamura não é um mero artesão de filmes de terror e dá um cunho bastante pessoal e artístico às cenas de matança, com travellings arriscados e planos subjectivos de cabeças decepadas. Além disso, surpreende tanto grafismo naquelas chacinas quando o cinema de terror anda tão mainstream e quase evita mostrar sangue para apelar a serões com toda a família. Contudo, não deixa de ser pena que 90 por cento do sangue do filme seja em CGI. Porque chafurdar em baldes e baldes de sangue de porco é um coisa. E chafurdar em sangue digital é outra completamente diferente. Resumindo e baralhando: com este Happy Meal, Ryûhei Kitamura quase que arruina por completo o crédito ganho neste imodesto tasco cinéfilo por ter sido o primeiro tipo a filmar zombies com os olhos em bico (alguém mencionou Versus - A Ressurreição?). ![]()
Posted by: dermot @
11:57 PM Segunda-feira, Abril 12, 2010 20,13 - PURGATÓRIO: Título: 20,13 - Purgatório Realizador: Joaquim Leitão Ano: 2006 ![]() Joaquim Leitão parece ser o único realizador a lembrar-se que nós, portugueses, também temos um Vietname, cheio de fantasmas, que podia ser muito mais aproveitado pelo cinema. Em 2006, depois de Inferno, Leitão voltou aos traumas do Ultramar, com 20,13 - Purgatório. Apesar de o enredo ser confinado apenas a um quartel de tropas portuguesas em Moçambique, mas que na verdade é ali no Montijo, há acção suficiente em 20,13 - Purgatório para o apelidar de verdadeiro filme de guerra. E, arrisco-me a dizer, tem mesmas as melhores cenas de trincheiras do cinema nacional, lembrando os clássicos pré-Samuel Fuller. E, pasme-se, até tem explosões. E não são aqueles fogachos típicos do cinema português. É verdade que não são propriamente explosões de nos encher de orgulho, mas são explosões bem respeitáveis. Estamos então na véspera de Natal, com todo o simbolismo e sentimentos que este dia traz ao de cima, e Joaquim Leitão compõe um ramalhete bem diversificado naquele quartel: um pelotão liderado por um capitão (Adriano Carvalho) com um segredo escondido; um alferes (Marco D'Almeida) leal, mas anti-colonização e anti-regime; um prisioneiro de guerra (Carlos Monteiro) com informações importantes, que faz desconfir que os seus companheiros o vão tentar resgatar mais cedo ou mais tarde; soldados com um pico a azedo (Angélico) ou com problemas de saias em casa (Dinarte de Freitas); a mulher do médico (Carla Chambel) com o pito aos saltos; e até a esposa do capitão (Maya Booth), que aparece de surpresa para passar a consoada. Temos então uma panela de pressão aonde Joaquim Leitão junta todos os condimentos possíveis. Há as tensões familiares, há as tensões amorosas e há as tensões sociais, típicas da época, porque filme sobre o Ultramar sem se mencionar a velha senhora não era filme sobre o Ultramar. Depois, coloca a tampa e deixa marinar. Há um ataque eminente ao quartel, mas a tensão no ar é de se cortar à faca e isso é bem mais importante. De repente, lembramo-nos de Doze Homens Em Fúria: vários homens fechados num espaço e a tensão entre eles a subir até ao vermelho! No entanto, começam a aparecer mortos com mensagens bíblicas anexadas e 20,13 - Purgatório transforma-se, inesperadamente, num whodunnit. E lá se vai a tensão toda, dissipando-se por entre os dedos. E o problema nem é dos actores nem das suas personagens (apesar de haver lá gente tão respeitável quanto o Angélico ou o Quimbé); é do argumento e do motivo que faz todo o filme girar: a homossexualidade. No meio de todas aquelas relações cruzadas, tudo acontece por causa dum par de larilas no quartel. E, chegado ao fim, não conseguimos deixar de nos sentir defraudados. Tanto barulho para uma coisinha daquelas. Mas já deviamos ter adivinhado quando vemos o grande clímax do filme é um momento musical, com Charla Chambel e (claro) Angélico a estrelarem. Depois de um bonito momento à anúncio do azeite Galo, ao som do Menina dos olhos tristes, do grande Zeca Afonso, os dois interpretam Ele e ela, saltando tensões homoeróticas por todo o lado e nós ficamos tipo elá, o que se passou aqui?, não era este o filme que estava a ver. 20,13 - Purgatório é um filme bem construído, que consegue fugir aos habituais diálogos teatrais do cinema nacional, tem momentos de acção autênticos, tensão no ar, boas representações e uma construção de personagens ambiciosas. Só é pena Joaquim Leitão ter apostado tudo no cavalo errado. A homossexualidade era o tema menos interessante de todas aquelas subtemáticas cruzadas. E assim ficamos a salivar por mais, porque tinhamos fome e deram-nos um McChicken. ![]() O OLHO: Título: The Eye Realizador: David Moreau & Xavier Palud Ano: 2008 ![]() O cinema sempre viveu de fases e o cinema de terror não é excepção. E, normalmente, essas fases são esprimidas até ao tutano pelo mercado, para depois serem votadas ao abandono durante muitos anos. Até serem recuperadas de novo e o ciclo repetir-se. Ultimamente tivemos os inócuos teen-slashers, o revival dos exploitations ou o actual flagelo dos filmes de vampiros. No entanto, a mais irritante de todas foi, sem dúvida, a do terror asiático. E nem foi pelos filmes, porque eu até gosto daquelas histórias fantasmagóricas, com crianças chinesas muito pálidas e cabelo escorrido à frente da cara. O problema foi a vaga de remakes que Hollywood realizou de todos os filmes que tiveram o mínimo de sucesso lá do outro lado onde o sol se põe. O Olho é um desses filmes que, como os seus primos, seguiu uma fórmula muito básica: remake de um filme chinês minimamente engraçado (olá Visão De Morte), assinado pelo realizador de um filme de terror de sucesso europeu (neste caso a dupla David Moreau e Xavier Palud, responsáveis por Eles, o filme que despoletou toda a recente nouvelle vague de terror francesa). Aconteceu o mesmo com Eric Vallete, Oliver Hirschbiegel ou Alexandre Aja. Contudo, O Olho é do pior que esta vaga de remakes asiáticos teve. E sejamos sinceros: Eles também não era nada de especial. Debrucemo-nos por um instante sobre a estória do filme: O Olho é a história de Jessica Alba, uma cega violinista que, apesar de ter uma percepção sensorial bem melhor que a do Demolidor, faz um transplante de córneas para voltar a ver. No entanto, para além de uma nova visão, Jessica Alba ganha a habilidade de ver os mortos. Só é pena não ganhar capacidades de representação... A ideia é tão irreal que podia ser interessante: uma pessoa faz um transplante de olhos e começa a matar pessoas à parva. Quanto vai investigar, descobre que o dador era um assassino e, a única forma de parar de matar, é arrancar comas mãos os próprios olhos das órbitas. A ideia é tão boa que eu aposto que já foi usada num filme qualquer. Mas O Olho não. O Olho quer ser mais inteligente que um série-b e entra num labirinto de enredos mal explicados e demasiado forçados. Jessica Alba vê fantasmas, mas também vê a dadora dos olhos que morreu, que por sua vez também via fantasmas, que por sua vez a tenta avisar de fantasmas que também via e que quer que ela evite que morram para poder descansar em paz... Confusos? Eu também. A história não interessa a ninguém. Por duas razões: porque os orientais estão mais habituados a estas coisas do terror psicológicos e das histórias mindblowing. E porque O Olho sofre de hollywoodização aguda, ou seja, não consegue evitar todos os clichés do género (inclusive um fantasma dum puto chinês), o happy ending e a lamechiche final metida a martelo. E depois tem aquele problema gigante chamado Jessica Alba. Alguém precisa aconselha-la urgentemente a procurar outro trabalho. Porque quando já não conseguir pagar os seus papeis com o corpo, vai precisar de uma fonte de rendimento que lhe ponha comidinha no prato. O Olho é, portanto, uma desilusão. Ainda por cima, a premissa inicial lembra tanta coisa boa, de O Sexto Sentido a Os Olhos Sem Rosto. No entanto, falta-lhe subtileza, tensão e suspense para podermos falar sequer de terror psicológico. E a Jessica Alba nem sequer mostra as mamas. O Olho não serve mesmo para nada. Nem sei como é que lhe dou um Happy Meal. ![]() Terça-feira, Abril 06, 2010 UM HOMEM SINGULAR: Título: A Single Man Realizador: Tom Ford Ano: 2009 ![]() Sempre houve um estranho fascínio entre o mundo da música e o do cinema. Por alguma obscura razão, músico que é músico sempre quis ser actor (e o oposto também acontece, há que ressalvar). No entanto, a maior parte das vezes essa mudança de vocação não corre bem. Ora, sejamos sinceros, eu se quiser ser sapateiro, não é por querer muito que chego lá e começo logo a pôr capas novas como se não houvesse amanhã. No entanto, o que Um Homem Singular vem inaugurar (e que nós esperamos que seja caso único e não inspire mais casos) é a uma nova relação: cinema e moda. Tom Ford é um reputado estilista e agora decidiu fazer um filme. Lembro-me que há uns anos, quando as top models estavam na moda, a Cindy Crawford tentou fazer um também. E a coisa é tão má que ela quase nem mostra as mamas dela. Mas não misturemos Um Homem Singular com Presa Fácil. É que o filme de Tom Ford é bem mais... artístico. Principalmente porque o realizador teve uma ideia bem clara quando ao aspecto estético do filme. E a fotografia é o seu maior trunfo: uma imagem limpa, estilizada e com um balanço cromático perfeito, que mistura cenas com as cores dessaturadas com cenas com cores saturadas, entremeadas com o preto e branco e uma mise-en-scene cuidada. Este aspecto - e a reconstituição perfeita de época, uma vez que o filme se passa nos anos 60 - dá-lhe um ar de cinema europeu misturado com o colorido melodrama dos subúrbios de Douglas Sirk. Colin Firth, num fantástico e expressivo papel (passa a maior parte do tempo a interpretar apenas com os olhos), é então um professor homossexual que perdeu o seu namorado num acidente de viação. Por isso, apesar de ter tudo - um bom emprego, um bom carro e uma casa modernista das que aparecem nas revistas de arquitectura -, questiona o sentido da vida e carrega consigo um revólver, que só não consegue usar ou por cobardia ou por valentia (eis a dicotomia do suicídio, essa eterna discussão). É que agora nada lhe faz sentido: primeiro porque avida tirou-lhe o que mais amava; depois, porque está numa crise de meia-idade e já não vai para novo; além disso, olha para os jovens e não se identifica com a nva geração; e, para piorar tudo, o Mundo parece estar a caminhar para o armagedão completo, com a crise de Cuba e a guerra fria. Por isso, anseia ardemente por restabelecer qualquer contacto humano que lhe volte a dar fé na sua vida e na da própria existência humana. E se com a sua amiga Julianne Moore a coisa não resulta muito bem (divorciada, de meia-idade, depressiva e entregue à bebida), com o seu aluno Nicholas Hoult (jovem, fresco, minimamente esperto e com tendências gay) a coisa vai mais bem encaminhada. Um Homem Singular é um filme bastante pessoal, daqueles que resulta muito bem em livro, e existencialista. E depois tem uma parte que parece O Clube Dos Poetas Mortos versão homo-erótico. Tom Ford sublinha estas partes com umas sequências de flashbacks onde privilegia toda a sua vertente arty, cheios de grandes planos, macros, jump cuts e outras pretensões artísticas. O filme é, por isso, de um certo pseudo-intelectualismo, o qual a sua sobriedade nem sempre consegue esconder. E o final desonesto que nos atira para cima não ajuda. O que não significa que seja tudo mau em Um Homem Singular. Aliás, um McChicken não é nada mau. ![]()
Posted by: dermot @
11:01 PM Domingo, Abril 04, 2010 ULTRA SECRETO: Título: Top Secret! Realizador: David Zucker, Jim Abrahams & Jerry Zucker Ano: 1984 ![]() Normalmente, um verdadeiro apreciador das coisas nunca gosta daquilo do que os outros gostam. Se for na música, só gosta das bandas que ninguém conhece e, quando conversa com os outros dois tipos que a conhecem, apenas gosta do álbum que eles não gostam. E, se por acaso, essa banda se torna conhecida, o verdadeiro apreciador só gosta dos álbuns iniciais, antes da banda se ter tornado uma vendida. Eu sou um verdadeiro apreciador. E, por isso, quando me falam dos ZAZ (as comédias de David Zucker, Jim Abrahams e Jerry Zucker) eu digo sempre que a minha favorita não é nenhuma da triologia Aonde Pára A Polícia, nem sequer o Aeroplano (I am serious. And don't call me Shirley). É sim o Ultra Secreto, comédia que foi mais ou menos um fiasco de bilheteira, mas que é de partir o caco a rir. O humor do ZAZ é único e antes de se ter esgotado teve momentos brilhantes. Ultra Secreto foi quase o ponto caramelo de um humor que é uma fusão entre o slapstick e o humor absurdo exagerado até ao nonsense. Melhor que isso só a série Polícias À Parte, que foi precocemente cancelada ao sexto episódio, mas que continua a ser das melhores coisinhas que a televisão já viu até hoje. Ultra Secreto é tão nonsense que faz sentido, como estátuas gigantes de pombos, com homens sentados nas suas cabeças, ou vacas calçadas com botas de borracha. Mas os Monthy Python são os reis do absurdo e do nonsense, exclama o intrépido leitor. É verdade, mas apesar de ser igualmente um humor inteligente, Ultra Secreto não tem problema nenhum em ser brega, com piadas escatológicas e sexuais. Por isso, está mais perto de Mel Brooks do que dos Mothy Python, se bem que o nível e o low-profile com que o mantém se assemelha mais ao humor britânico. Quanto à história em si é uma paródia aos filmes de espionagem da Segunda Guerra Mundial, numa Alemanha historicamente nada fiável, que organiza o maior festival cultural de sempre para atrair as atenções do mundo enquanto rebenta com os submarinos da Nato no estreito de Gibraltar. Os Estados Unidos enviam para o festival o seu maior ícone, o rock'n'roller Nick Rivers (debutante Val Kilmer, a fazer corar de vergonha qualquer imitador do Elvis), que vai acabar envolvido com a Resistência francesa e o tipo do A Lagoa Azul(!) e salvar o dia. Aliás, se Ultra Secreto tivesse mesmo o Elvis verdadeiro no papél principal, ninguém dizia que isto era uma paródia, mas sim um normal filme do Elvis, tão ingénua e pateta é a história. A diferença é que os filmes do Elvis não têm tipos a falar alemão com sotaques ridículos, cavalos cantantes, mashups das músicas dos Beach Boys com letras sobre o tiro aos pratos ou franceses chamados Latrine, Deja Vu, Avant Garde, Croissant, Souffle e Escargot. Ultra Secreto é uma das melhores comédias de sempre: as piadas saem com uma cadência de metralhadora, nunca se tornam datadas e fazem-nos rir mesmo à milésima visualização. E, além disso, consegue ter um mínimo de argumento sem ser apenas um sucedâneo de gags disconexos. Vale um Royale With Cheese inteirinho. ![]() Sábado, Abril 03, 2010 BEM-VINDO À ZOMBIELAND: Título: Zombieland Realizador: Ruben Fleischer Ano: 2009 ![]() Só a abertura de Bem-vindo À Zombieland é uma daquelas que ganha logo o resto do filme. Tudo começa com um grande plano da bandeira dos Estados Unidos e o hino a dar por trás. Contudo, este começa a desafinar e, quando o plano abre, o cenário está todo devastado. E na direcção da câmara corre um zombie, a cuspir baldes de sangue sem razão aparente. Mas o melhor é o genérico que arranca logo a seguir, numa sequência de cenas de zombies a perseguir cidadãos nas mais variadas situações, ao som dos Metallica, quando ainda compunham músicas que nos faziam querer ser do metal: From Whom The Bells Tolls. E aqui não resisto a abrir um aparte e revelar já que o climax do filme se faz com os Black Keys e os créditos finais com os Raconteurs. E na banda-sonora ainda há Howlin Rain, Velvet Underground ou Hank Williams. Mas há melhor bom gosto do que este? Bem-vindo À Zombieland não é o típico filme de zombies, como devem calcular. O realizador, Ruben Fleischer, confessou que a inspiração para o filme deve-se a Shaun Of The Dead, mas se não o dissesse nós adivinhávamos. Bem-vindo À Zombieland é uma paródia inteligente ao género e, apesar de os tratar memso por zombies e de os pôr a correr, desmonta de forma bem-disposta a maioria dos seus clichés. Por isso, Bem-vindo À Zombieland pode ser descrito como Shaun Of The Dead americano, apesar de se aproximar mais do mítico Wild Zero que do filme de Edgar Wright. Tudo porque se dedica mais à história de amor do que ao próprio zombie-flick. Columbus (Jesse Eisenberg assustadoramente semelhante a Michael Cera), um geek cheio de fobias, é a personagem central de um mundo tomado pelos zombies. Arrancamos no filme a meio deste mundo destruído e, se bem que há umas explicações (vagas, claro) para o que se passa lá no meio do filme, não é nada que prestemos atenção. Nem interessa! O que começa por intressar é a lista de regras que Columbus tem para sobreviver aos zombies, ou não fosse ele um paranóico-obsessivo (e com problemas de intestinos(!)). E esses mandamentos - que incluem usar sempre cinto de segurança ou uma boa preparação no jogging - vão aparecer regularmente em originais motion-graphics sempre que são colocadas em prática. Mas isto não é o Eu Sou A Lenda e Columbus não é o último humano são no mundo. Por isso, vai encontrar um companheiro de viagem, Tallahassee (Woody Harrelson), um cowboy com um gosto peculiar em matar zombies, conduzir carros grandes e manejar armas ainda maiores. Ambos são solitários e apercebem-se de uma situação irónica: agora que estão sozinhos no mundo, sentem falta das pessoas. Juntos vão-se complementar e, para dar mais condimento à coisa, é ainda inserido a componente romance, com as irmãs Wichita e Little Rock (Emma Stone e Abigail Breslin). Se não fossem os zombies, Bem-vindo À Zombieland era um simples feelgood movie da escola dos recentes filmes indie (olá Eu, Tu E Todos Os Que Conhecemos, olá Garden State), cheio de referências à cultura popular (incluindo um duelo de banjos à la Fim-de-semana Alucinante). Mas também se não tivesse zombies, Bem-vindo À Zombieland não tinha interesse nenhum. Ou seja, fica aqui provado que violência gráfica estilizada fica sempre bem em qualquer filme (e explosões de sangue à Takeshi Kitano também). No entanto, a cereja no topo do bolo é um cameo delicioso de Bill Murray a fazer dele próprio (ups, lá estou eu a abrir spoilers tarde demais). E se não fosse a merda do cancro, o Patrick Swayze também tinha tido um. Fala-se em sequela para 2011. Se o realizador, os argumentistas e o elenco se mantiver, cheira-me a franchising de sucesso para um Bem-vindo À Zombieland 5 ou 6. Para já começa com um Le Big Mac. Depois logo se vê. ![]()
Posted by: dermot @
11:52 AM |
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