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Royale With Cheese | ||
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PULP FICTION:
Título: Pulp Fiction Realizador: Quentin Tarantino Ano: 1994 ![]() Não é preciso ser-se um génio para adivinhar qual o meu filme favorito. Com um blogue chamado Royale With Cheese não consigo enganar ninguém. Por isso, sempre evitei escrever sobre Pulp Fiction. Tenho tanto para dizer sobre que não sei se terei paciência (leia-se jeito) para tudo. Mas que se lixe, hoje sinto-me temerário. E estive a rever o filme pela 5759ª vez. Pulp Fiction marcou a consagração de Quentin Tarantino como realizador maior, depois da promissora estreia cem Cães Danados. E tal como esse, Pulp Fiction prolonga e aperfeiçoa vários pormenores, muitos deles que iriam, inclusive, tornarem-se imagem de marca de Tarantino. Pulp Fiction é, portanto, uma revisitação aos filmes de gangsters, um neo-noir estilizado e cool, com violência gráfica tornada em coisa porreira. O filme é como um filtro da visão do próprio realizador, que absorve os símbolos de uma geração que tudo consome a velocidade supersónica, regurgitando-os num exercício de bricolage que os tornam novos e originais. No entanto, é curioso ver como, no meio de tantos piscares de olho à série-b e outros subgéneros de gosto duvidoso, a maior referência de todas é a Jean-Luc Godard, nomedamente a Bande À Part. A famosa cena de dança entre John Travolta e Uma Thurman é o exemplo mais flagrante, mas há mais, desde a forma de filmar e de colocar a câmara, aos truques meramente artísticos (como o quadrado que Uma Thurman desenha com as mãos, don't be a square). E depois há toda uma escola de cinema independente, daquele que filma o que mais ninguém filma. É isso que faz Tarantino ser tão cool: o tornar corriqueiro e quase vulgar um filme de gangsters, com assassinos a soldo e capangas executados a sangue frio. Os irmãos Coen ficaram aqui com o caminho desbravado para o seu sucesso. Por fim, Pulp Ficiton é ainda um filme de actores. Apesar da multiplicidade de histórias - é um filme-mosaico à Altman, mas com as várias histórias desarrumadas temporalmente (a influência de Godard outra vez) - , todas as personagens são tridimensionais e tornam-se pessoas reais, que parecemos conhecer há vários anos e com quem nos apetece ir tomar café depois do fim do filme. Para isto ajuda o argumento bem escrito, mas o rol de estrelas do elenco também contribui, obviamente: os intocáveis Bruce Willis, Harvey Keitel e Cristopher Walken; a nossa Maria de Medeiros a fazer aquilo que sabe fazer melhor - de puta parvinha; os fetiches Uma Thurman e Tim Roth; e, claro, o então desaparecido John Travolta, que Tarantino reabilitou para o cinema e até teve o descaramento de o pôr a dançar. Contudo, é Samuel L. Jackson o principal destaque, encarnando pela primeira vez o seu badass muthafucka reminiscente dos blaxploitation movies, a citar passagens bíblicas enquanto dispara sobre adolescentes traficantes. Fá-lo tão bem que ficamos sempre com a impressão que aquele é que é o seu verdadeiro eu e que Samuel L. Jackson é apenas uma personagem para as revistas cor-de-rosa. Tudo isto é embrulhado por Tarantino numa embalagem que ainda contém a melhor banda-sonora não-original de sempre, à base de surf e sixties-beat, eternizando o Misirlou do Dick *vénia* Dale, e alguns dos melhores diálogos que a sétima arte já pariu, nomeadamenter aquele que dá nome a este imodesto antro cinematográfico: Vincent - And you know what they call a Quarter Pounder with Cheese in Paris? Jules - They don't call it a Quarter Pounder with Cheese? Vincent - No, they got the metric system there, they wouldn't know what the fuck a Quarter Pounder is. Jules - What'd they call it? Vincent - They call it Royale with Cheese. ![]()
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11:09 PM Quinta-feira, Março 25, 2010 ANTICRISTO: Título: Antichrist Realizador: Lars Von Trier Ano: 2009 ![]() Lars Von Trier anda com uma depressão desgraçada e, como não a consegue curar, parece querer deprimir-nos a todos. Porque para si fazer filme é o equivalente a cortar os pulsos. Isto enquanto continua a esgravatar na miséria humana e na maldade do Homem, fechando com este Anticristo o tríptico sobre o tema. No entanto, enquanto que em Dogville e Manderlay essa maldade era uma coisa genérica, aqui é algo exclusivo das mulheres. Resumindo: Von Trier está deprimido e culpa todas as mulheres do mundo por isso (mesmo que ensaie um tímido pedido de desculpas no último plano do filme). Mas já lá vamos. Von Trier devia ter nascido português. O cinema nacional iria ser o habitat perfeito para a sua colecção de desgraças. Aliás, o início de Anticristo faz lembrar o início de Veneno Cura. Mas em bom, claro. Correcção, em muito bom. A preto e branco, em câmara lenta e ao som de uma ária operática, Charlotte Gainsbourg e Willem Daofe descuidam-se a fazer amor e não dão pelo filho bebé dar uma queda fatal. De repente e em poucos segundos o filme está inundado de toda a dor do mundo. E a transbordar por fora. A sorte do casal é que Dafoe é psiquiatra e vai “tratar” o luto, a dor e a angústia (o título dos capítulos em que Anticristo está dividido) da esposa. E pela psicanálise Dafoe descobre que o cerne do trauma está na cabana no meio do mato, onde mãe e filho estiveram nas férias do verão. Eis então ambos de malas aviadas para uma temporada isolados no bosque para enfrentarem juntos esses medos. No fundo, Dafoe já tinha feito isto, quando foi para o meio do deserto resistir às tentações do Mal (olá A Última Tentação De Cristo), ou não fosse este bosque chamado, pertinentemente, de Éden. A sua racionalidade vai, previsivelmente, esbater então numa série de simbolismos satânicos, acontecimentos mefistófilos e imagens surreais. Anticristo parece ser um profundo drama familiar, sobre relações matrimoniais, mas o cruzamento de atmosferas faz com que o filme se transforme em algo assombrosamente poderoso: por um lado há o realismo cru e visceral, filmado pelas regras do Dogma à la carte (não ao tripé!) e editado como nouvelle vague (não saltar o eixo? o que é isso?). Essa aproximação hiper-realista faz de Anticristo o primeiro filme a ter sexo explícito que eu não abomino e compreendo, uma vez que faz do sexo um sentimento e um instinto primário. Por outro lado há o sobrenatural, com muito de A Semente Do Diabo, mas mais denso, cheio de drones no ar e uma metamorfose da natureza em algo maligno e perturbador. Anticristo concentra num só filme toda a demência de Kenneth Anger, Edmund E. Merhige e Alejandro Jodorowsky. Palavra de apreço aos actores, porque este acaba por ser um filme só deles: não têm nome, são só Ele e Ela, e os fugazes figurantes aparecem com a cara censurada. Palavra de apreço ainda aos actores, porque este acaba por ser um filme de actores e diálogos. E, tanto Charlotte Gainsbourg como Willem Dafoe, atiraram-se de corpo e alma (literalmente) a Anticristo, dando o corpo ao manifesto, num filme que é só deles: não têm nome, são só Ele e Ela, e os fugazes figurantes aparecem sempre com a cara censurada. Anticristo é um filme extenuante. Absorve-nos física e psicologicamente, dá-nos murros no estômago a toda a hora e faz de “perturbador” uma palavra simpática: há animais semi-partidos, raposas auto-dilaceradas, ejaculações de sangue ou clítoris desfeitos. No final, algumas coisas até podem não fazer grande sentido (presunção e arty são adjectivos facilmente aplicáveis), mas a cabeça de Von Trier também já não o deve fazer totalmente. Mas raramente experimentou algo assim, ainda para mais ao nível de um Le Big Mac. ![]() Segunda-feira, Março 22, 2010 A MAIS LOUCA ODISSEIA NO ESPAÇO: Título: Spaceballs Realizador: Mel Brooks Ano: 1987 ![]() Antes de haver Epic Movies, Date Movies ou Superhero Movies já existiam filmes que parodiavam outros filmes, mas que não eram autênticos pedaços de lixo. Os mais famosos terão sido os do ZAZ style (as iniciais de David Zucker, Jim Abrahams e Jerry Zucker, responsáveis por filmes como Aeroplano, Ultra Secreto ou Aonde Pára A Polícia, que depois deram origem a uma série de filmes cuja tradução em Portugal começava sempre por Aonde pára o/a), mas o grande percursor foi o ímpar Mel Brooks (sai uma vénia encarpada com saída à rectaguarda). Depois de ter desbaratado os filmes de cowboys (olá Balbúrdia No Oeste), os filmes de terror (olá Frankenstein Júnior) e o cinema mudo (olá A Última Loucura), Mel Brooks decidiu parodiar a ficção-científica, nomeadamente a saga Guerra Das Estrelas, com a benção de George Lucas. No entanto, também há referências bem particulares a Alien - O Oitavo Passageiro, Star Trek ou O Homem Que Veio Do Futuro. O resultado chama-se A Mais Louca Odisseia No Espaço. A diferença entre este(s) filme(s) de Mel Brooks e as actuais paródias a filmes que se fazem é que A Mais Louca Odisseia No Espaço não se limita a ser uma sequência de cenas aleatórias que recriam de forma brega as cenas mais famosas de outros filmes. Por mais surreal (leia-se parvo) que seja, A Mais Louca Odisseia No Espaço tem um argumento próprio, tem personagens próprias e tem uma intriga própria. E as paródias aos outros filmes surgem inseridos nesta trama, em que o terrível Dark Helmet (Rick Moranis é um minúsculo Darth Vader com um capacete gigante) tenta roubar toda a atmosfera do planeta Druida. O humor metade absurdo metade escatológico de A Mais Louca Odisseia No Espaço é a imagem de marca do próprio Brooks. Satirizando o género, Brooks desconstrói os clichês da ficção-científica que, ao serem expostos ao ridículo, são desmascarados e servem de pretexto para fazer uma piada. E são muitas as cenas míticas do filme: um cameo de John Hurt a ter um chestburster num bar (oh no, not again, lamenta) de um alien que abala fazendo sapateado(!); o Jabba the Hut transformado numa pizza gigante, ou não fosse Pizza The Hut; o duelo de sabres de luz entre Dark Helmet e o herói, Lone Starr (Bill Pullman); os maus a descobrirem o planeta onde os bons estavam escondidos ao alugarem o próprio filme e a rebobinarem-no para a frente; ou a perseguição de naves, mais rápidas que a velocidade da luz - em velocidade caricata(!). Com um elenco de estrelas, desde um novinho Bill Pullman ao saudoso John Candy, passando pela voz de Joan Rivers na robot Dot Matrix - Mel Brooks interpreta ainda duas personagens distintas, o presidente Skroob, chefe do Dark Helmet, e o mestre Yogurt, referência a Yoda -, A Mais Louca Odisseia No Espaço é uma das mais brilhantes (leia-se hilariante) sátiras da história do cinema e o último grande filme de Brooks - um McBacon inteirinho. Desde aí foi sempre a descer, basta ver a recente série animada que produziu sobre A Mais Louca Odisseia No Espaço, com uma animação feita em flash digna de um site de humor erótico. ![]()
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12:31 PM Quinta-feira, Março 18, 2010 ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS: Título: Alice In Wonderland Realizador: Tim Burton Ano: 2010 ![]() É curioso constatar que o Tim Burton anda a sofrer do mesmo mal da Disney, que agora lhe produz os filmes: depois de anos a fabricar magia, com um tipo de filmes muito especial, que acabaram por criar o seu próprio estilo, ambos cairam numa armadilha traiçoeira: a dos seus próprios filmes, mantendo-se encurralados na própria fórmula que inventaram. É então um Tim Burton em piloto automático, a percorrer as suas próprias pegadas, o que encontramos nesta sua adaptação de Alice No País Das Maravilhas. Um Tim Burton que descobriu a fórmula mágica que lhe permitiu construir uma reputação inatacável, que tanto seduz as massas como a crítica mais exigente, a saber: uma fábula com toques de surrealismo sobre inadaptados, um ambiente meio gótico-meio expressionismo alemão e o Johnny Depp a fazer de freak, com uma personagem qualquer louca. Isto para não falar da teoria (elaborada por mim, atenção) que diz que, nos últimos anos, Tim Burton alterna um bom com um mau filme. E como gostei do último... As expectativas para Alice No País Das Maravilhas eram altíssimas. Primeiro porque Tim Burton atingiu aquele ponto na carreira que, seja o que for que faça, os fãs vão engolir sem pestanejar. Nem que seja um filme de três horas, sem imagem e com sons de cães a ladrar por cima. E depois porque o clássico de Lewis Carroll tem Tim Burton escrito por todo o lado - uma história infantil surrealista que mais não é do que uma grande trip alucinogénia e psicadélica disfarçada e subversiva. Contudo, Tim Burton confessou que não gosta muito dos livros de Lewis Carroll, porque é uma história onde uma miúdinha vai para um mundo esquisito e limita-se a conhecer pessoas e seres cada vez mais esquisitos. Assim, deu-lhe uma missão: pô-la crescida (Mia Wasikowska), à beira de um casamento cozinhado pelos pais, e atira-a de regresso ao País das Maravilhas, onde havia estado há treze anos atrás. No entanto, desta vez ela é a choosen one, a quem o oráculo destina o feito de acabar com o reino de tirania da Princesa Vermelha (Helena Bonham Carter). E, de repente, Alice No País Das Maravilhas goes As Crónicas De Nárnia. Esta versão de Alice No País Das Maravilhas é, afinal, um filme de aventuras de fantasia juvenil - e dos pobres, em que tudo o que vemos parece termos a sensação de já o ter visto em qualquer lado. Só que num páís esquisito. Enquanto vamos encontrando seres cada vez mais esquisitos, ao longo de uma narrativa tão chapa quatro que até mete impressão como é que foi Tim Burton que a escreveu. Além disso, quando Alice regressa à realidade e encontramos paralelismos entre o seu mundo e o das Maravilhas, só nos lembramos de O Sítio Das Coisas Selvagens, onde um miúdo também se refugia num mundo de fantasia para resolver os seus problemas do mundo real. E no meio de tanta previsibilidade até a banda-sonora do Denny Elfman sai menosprezada. Depois as outras pedras de toque da cinematografia de Tim Burton também não são nada de especial. Continua a haver uns pingos daqueles cenários retorcidos, importados directamente do expressionismo alemaõ e de O Gabinete Do Dr. Caligari, mas 90 por cento é masturbação digital, filmado quase exclusivamente em ecrã verde. Até as personagens são manipuladas a computador, como a cabeçuda Helena Bonham Carter (a melhor personagem do filme, diga-se). E a personagem de Johnny Depp, um Chapeleiro Louco com mais predominância na história do que nos livros de Carroll, limita-se a ser mais do mesmo, numa mistura entre o Willy Wonka e o Beetlejuice. Mas o que mais irrita em Alice No País Das Maravilhas é a cena final, em que depois de Alice derrotar todos e tudo voltar à paz e harmonia dos finais felizes da Disney, Johnny Depp tem um momento de dança completamente random. Não sei se era uma tentativa de homenagear o recém-falecido Michael Jackson, mas o certo é que é um tipo de cena tão aleatório quanto as que estamos habituados a ver em filmes como o Epic Movie. Alice No País Das Maravilhas é, em última instância, just enjoyable, é certo. Mas isso vindo de quem, durante muitos anos, não soube fazer maus filmes é muito pouco. Assim se justifica o Double Cheeseburger. ![]()
Posted by: dermot @
11:14 PM TOP 5: (...)falo-vos também de Los Cronocrimenes, um filme espanhol independente de parcos meios, mas de infinita criatividade. Um exemplo de tenacidade e sucesso para os brochistas portugueses do ICAM-dependentes, que em vez de andarem aí a carpir lamúrias como um bom bando de putinhas que são, podiam criar um argumento que se adapte ao magros fundos que o governo lhes atira. in Cinema Xunga, 4 de Março de 2010 O Pedro, do Cinema Xunga, é literalmente o maior. Se o mundo fosse um local justo, já lhe tinham dado um espaço na televisão logo a seguir aos comentário do Marcelo. E se um dia um extraterrestre descer à Terra e perguntar o que é o cinema, devemos chamar o Pedro para lhe explicar. Além disso, é um bacano, porque depois de ler a genialidade desse parágrafo que reproduzi aí em cima, mandei-lhe um mail a dizer pá, posto isto, só me deixas uma alternativa: desafiar-te para uma lista dos melhores filmes de baixo orçamento. E se não aceitares vai-te nascer uma nespereira no cu. Não foi bem assim, mas a ideia foi esta. E ele respondeu-me logo a dizer sim senhores e, um dia depois, já tinha na minha caixa de email o TOP 10 DOS FILMES LOW BUDGET: ![]() No Céu Tudo É Perfeito, de David Lynch (1976) Filmado a preto e branco, minimalista e sob uma desconfortável e constante banda sonora industrial, é uma verdadeira orgia de surrealismo. David Lynch fez a festa com meia dúzia de tostões e os cinéfilos mundiais à procura de novas sensações e conceitos adoraram. Vi este filme em Coimbra, no tempo das salas de cinema majestosas acompanhado por sete pessoas que no final do filme eram só três. Foi a primeira vez que vi um homem assumir a paternidade de um frango assado. E talvez tenha sido também a última. 9º Lugar ![]() Mad Max - As Motos Da Morte, de George Miller (1979) Um filme australiano intemporal e super-clássico, com um Mel Gibson diferente daquele que nos viola as TVs todas as tarde de sábado e domingo com filmes de humedecer vaginas a cinquentonas. Antes de Mel Gibson andar por aí bêbedo a distribuir bofetada a tudo o que é judeu. Antes de Mel Gibson ter sequer barba. Com um sotaque tão denso que teve que ser dobrado para estrear nos States. Baixo orçamento, grande força de vontade. Delicioso. 8º Lugar ![]() El Maricahi, de Robert Rodriguez (1992) Pistolas de água pintadas, personagens criados na hora por transeuntes colaboradores e a cabeça fervilhante de Roberto Rodriguez serviram para criar o primeiro blockbuster feito com menos de dez mil dólares da História do cinema, usados na sua quase totalidade em filme 16mm. Semi-blockbuster, vá! O certo é que El Mariachi é um filme de acção de referência, que vem reforçar a teoria de que muito fogo de artifício só vem adicionar distracção e ruído num bom filme. 7º Lugar ![]() Ninja Das Caldas, de Hugo Guerra (2002) O sucesso de um filme só pode ser medido de uma maneira: a relação entre aquilo que se pretende e aquilo que se alcança. Sendo assim, Ninja das Caldas é um absoluto vencedor. Divertimento contagiante de amigos que se distraem a fazer umas filmagens com uma câmara VHS (ou similar), uma versão (talvez pirata) do Adobe Premiere e uma cópia do Rave Ejay. Mais do que low budget, este é um filme "no budget". A arte está na maneira como os criadores do imortal Ninja das Caldas conseguiram transformar a orientação do filme com um imenso sentido de humor. Uma solução airosa e divertida para cada contrariedade de produção. Um marco do cinema das Caldas da Raínha, que a partir de 2002 se tornou a terra dos caralhos de barro e dos ninjas. 6º Lugar ![]() Los Cronocrimenes, de Nacho Vigalondo (2007) Parafraseando-me a mim próprio: "Os cenários são simples, uma casa de campo e umas instalações secundárias, luz natural. Paisagens naturais, um argumento genial e a capacidade de criar um colosso a partir do quase zero absoluto." 5º Lugar ![]() Pi, de Darren Aronofsky (1998) Darren Aronofsky cria uma inquietante viagem à mente de um cientista que acredita ter descoberto uma formula que lhe permite decifrar padrões da realidade e antever o futuro, a ténue diferença entre o génio e o louco (e um berbequim). Preto e branco fortemente granulado. Mais uma vez com o orçamento a ir direitinho na sua quase totalidade para filme e revelação. A alimentação da equipa foi fornecida pela Sra. Aronofsky, mamã galinha do realizador. 4º Lugar ![]() Last Of The Living, de Logan McMillan (2008) Parafraseando-me novamente a mim próprio: "21 anos depois de Bad Taste de Peter Jackson, eis que nos chega mais uma pérola do cinema de terror neozelandês ultra-low budget. Com um orçamento de cinco dígitos apenas, Last of the Living compensa em sentido de humor e frescura o que lhe falta em meios. E voilá, estamos perante uma nova estirpe de filme de zombies, o filme “quase sem zombies”." 3º Lugar ![]() A Noite Dos Mortos-Vivos, de Sam Raimi (1981) Um fim de semana na floresta acaba em horrenda carnificina sob a batuta de Sam Raimi. Bruce Campbell é apresentado ao mundo na pele do mais improvável herói da história do celulóide: Ash! Um engenhoso trabalho de câmara e um uso cuidado da estética fez deste filme um clássico intemporal que muitas vezes revejo em ataques de nostalgia. E quem diz A Noite Dos Mortos-Vivos diz A Morte Chega De Madrugada que é um misto de remake com sequela mantendo-se bastante contido no orçamento. 2º Lugar ![]() A primeira webpage que fiz foi para um projecto de curso. Do tempo em que fazer uma webpage era como construir um motor de propulsão capaz de escapar à gravidade da Terra para fora da atmosfera terrestre. Entre outras coisas, essa webpage prestava homenagem a três filmes de Peter Jackson que ainda hoje venero quase religiosamente: Carne Humana Precisa-se, Feebles, Os Terríveis e Morte Cerebral. A indústria viu mérito neste genial artesão do celulóide, um mago a gerir orçamentos, e passou-lhe para as mãos a responsabilidade do maior projecto alguma vez feito até à altura, O Senhor Dos Anéis (que é uma granda seca, diga-se de passagem...). 1º Lugar ![]() Clerks, de Kevin Smith (1994) Clerks não é apenas o meu filme low budget preferido, é também um dos meus filmes preferidos. Kevin Smith inicia assim a sua carreira com aquele que é o seu melhor filme. Clerks fala-nos de dois jovens enfiados em McEmpregos que divagam todo o santo dia de uma parafernália de assuntos filosóficos, desde a cultura pop (Guerra Das Estrelas com fartura), vida e morte até ao sexo oral e definição de infidelidade conjugal. Filmado quase inteiramente num quiosque de um amigo, Clerks é um filme fortemente baseado em diálogos. Pela primeira vez temos o orgulho de conhecer Jay and Silent Bob, esses mestres da pop culture stoner. O argumento deste filme é também leitura obrigatória para qualquer cinéfilo que se preze. Voltarei a ele um dia destes. Segunda-feira, Março 15, 2010 TONY: Título: Tony Realizador: Gerard Johnson Ano: 2009 A diferença entre nós, portugueses, e os estrangeiros é que, enquanto temos um país espectacular, com um clima quase tropical e potencialidades fantásticas e passamos a vida a queixar-nos, eles lá fora têem, maioritariamente, países de merda e não deixam de fazer coisas boas por isso. No cinema, por exemplo, encontramos essa nossa estranha obsessão pelas desgraças e pelos coitadinhos, levando as tragédias da rua para a nossa casa. Lá fora o cinema é sinónimo de entretenimento. Não, não estou mal-disposto nem a vida me corre mal. Mas a justificação para esta minha introdução tão pessimista sobre nós, portugueses, e o nosso cinema é simples. É que acabei de ver Tony, um filme inglês de baixo orçamento que podia ser muito bem português: um filme de subúrbios, com aquele charme industrial decandente, sobre um homem solitário. A diferença é que enquanto um realizador português o iria colocar a coleccionar tragédias, Gerard Johnson fê-lo um serial killer. Eis a prova de como uma minúsucula alteração pode fazer toda a diferença. Apresentamos então Tony (Peter Ferdinando), um daqueles freeks que, na escola, são sempre os preferidos para alvo de bullying. Tony vive sozinho nos subúrbios ingleses, é tímido, não tem emprego nem amigos e, por isso, passa a vida desesperadamente à procura de contacto humano, de casas de putas a bares gays. Com uma estranha obsessão por cinema de acção manhoso, Tony vai matando quem lhe bate à porta, fazendo assim novos amigos, que depois vai despedaçando em pedaços que atira ao rio para que ninguém ache os corpos. Evocando Henry: A Sombra de Um Assassino, Tony tira aquela radiografia a um homem normal, que tem a particularidade de matar pessoas como quem descasca batatas para o jantar, como que a alertar-nos para a banalidade da maldade. No entanto, aquilo que podia ser uma boa ideia tem vários problemas, os quais passo a enumerar, não por comodidade na articulação do meu raciocínio, mas mesmo por preguiça. Ora vamos lá a isso. Primeiro, Tony é um mar de má filmagem, com algumas boas ideias à deriva num enorme oceano de planos de escola. Gerard Johnson nunca consegue manter um estilo uniforme e mantem-se indeciso entre o hiper-realismo da câmara ao ombro (sempre a tremer em demasia) e uns planos subjectivos de gosto duvidoso. Depois, sem ser particularmente bom actor, Peter Ferdidando (com um bigodinho à adereço dos Gato Fedorento) não consegue disfarçar a prestação confrangedora de alguns secundários, como o carocho que coxeia e fala com a boca de lado, como um actor dos Malucos Do Riso. E, por fim, o principal problema deles todos e que, por acaso, até é o da maioria dos filmes portugueses: Tony não tem argumento. Eu sei que a intenção era fazer uma coisa seca e crua, mostrando que o quotidiano do nosso vizinho pode ser uma coisa perturbadora, mas a partir dos vinte minutos, Tony é apenas uma série de matanças de gente aleatória que vai parar à casa do protagonista. Até um fiscal lá vai ver se ele tem licença para ter televisão. Mas isto existe mesmo na Inglaterra? Com uma enfadonha banda-sonora cheia de pianolas dos The The, Tony deixa-nos apenas uma boa ideia para um filme sobre um tipo obcecado por maus filmes de acção em vhs, que cite não só o Rambo, mas também o Dolph Lundgren ou o Wesley Snipes. Para aqui s mesmo um Double Cheeseburger. ![]()
Posted by: dermot @
11:24 PM TAKE - CINEMA MAGAZINE: ![]() Página Oficial
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11:32 AM Terça-feira, Março 09, 2010 FISH TANK: Título: Fish Tank Realizador: Andrea Arnold Ano: 2009 ![]() Uma pessoa consegue ir ao Porto durante o Fantasporto e, apesar de não ter tempo para isso, consegue tirar um bocadinho para ir a um par de sessões. Vê umas cenas manhosas que não interessam nem ao menino Jesus, uma sessão de curtas de animação e, aborrecido por não poder ver nada de especial, aposta tudo na sessão dos premiados. E consegue ir ver Fish Tank, o vencedor do prémio da semana dos realizadores e, pela sinopse, filme promissor. Afinal não tem sequer uma pinga de sangue! Que raio, um fim-de-semana no Fantasporto e não consigo ver um filme de fantástico! Quem diria que íamos estar no Fantasporto a ver um simples filme sobre pessoas, pessoas comuns como o nosso vizinho do primeiro direito ou a nossa irmã, numa história de relações e da vida. Eu sei que estava na secção da semana dos realizadores - secção essa que tem a pertinente designação de Manoel de Oliveira - e que um filme que ganhou um BAFTA dificilmente teria monstros ou zombies, mas será que sou só eu que continuo a associar que tudo o que passa no Fantas devia ter tripas à mostra ou raios laser? Acho que o festival só tinha a ganhar se mudasse o nome para Festival Internacional do Porto ou algo do género. Mas vamos então a Fish Tank, um filme dos subúrbios ingleses sobre a família de Mia (fantástica estreante Katie Jarvis). Ela é uma adolescente rebelde, do género das de Treze - Inocência Perdida, daquelas que já foi expulsa da escola precocemente, é mal-criada, diz palavrões e uma maria-rapaz que se envolve em brigas com toda a gente. É certo que a educação em casa não ajuda, onde o seu núcleo familiar inclui uma mãe que só quer apanhar umas pielas, sair com os amigos e dar umas quecas com o namorado novo, mas a principal razão para que Mia seja assim é falta de porrada. Umas chapadas na cara sempre que chamasse a mãe de puta e nem sequer havia pano para filme. Só há uma coisa que parece interessar a Mia: dançar hip-hop. E apesar de não ser propriamente boa, incute um compromisso e uma dedicação à causa que nós conseguimos sentir o quão importante aquilo é para ela. Depois aparece na história o novo namorado da mãe, Connor (Michael Fassbender), com quem Mia vai começar a dar-se. E por dar-se, quero dizer foder. E pronto, o resto é o típico drama familiar, filmado de câmara à mão com aquele neo-realismo muito europeu, fotografia expressiva e aspecto de produção independente. Arrasta-se um pouco no final, mas vê-se bem apesar da (apenas aparente) falta de história. Um interessante McBacon, potenciado ainda pela música de Bobby Womack (vénias). ![]() Segunda-feira, Março 08, 2010 Ontem foi a noite mais longa do ano da indústria cinematográfica. E, se nas edições anteriores este simpático tasco cinéfilo mais ou menos a despreza, este ano ainda pior, uma vez que não gostei particularmente de nenhum dos dois favoritos ao galardão máximo. Por isso, nada como recordar a segunda noite mais longa do ano cinematográfico, a dos Razzies. ![]() PIOR FILME Transformers: Retaliação Previsível. Michael Bay a fazer concorrência a Uwe Boll à descarada. PIOR REALIZADOR Michael Bay, por Transformers: Retaliação PIOR ARGUMENTO Transformers: Retaliação PIOR ACTOR Jonas Brothers, em Jonas Brothers - O Concerto 3D Coitados, nem sequer prestam para a música, quanto mais para o cinema. PIOR ACTRIZ Sandra Bullock, em All About Steve Pois é, é por momentos como este que os Razzies, neste momento, interessam muito mais do que os Oscares - especialmente num ano em que a cerimónia estava condenada ao politicamente correcto, com dois apresentadores conservadores. Sandra Bullock, seguindo o exemplo de Halle Berry, surgiu na cerimónia e aceitou o prémio, com enorme fair-play (apesar de dizer que se não gostaram do filme foi porque não o perceberam). E ontem ganhou o Oscar. Pior e melhor actriz no mesmo ano, priceless. Se forem ao perfil do Royale With Cheese no facebook podem ver o discurso de Sandra Bullock, via youtube. Fantástica esta interactividade entre redes sociais, não é? PIOR DUPLA Sandra Bullock e Bradley Cooper, em All About Steve Ehm... PIOR ACTRIZ SECUNDÁRIA Siena Miller, em GI JOE: O Ataque Dos Cobra Mais uma habitué destes prémios. PIOR ACTOR SECUNDÁRIO Billy Ray Cyrus, em Hannah Montana: O Filme PIOR REMAKE Land Of The Lost Nem sei o que é isto. PIOR FILME DA DÉCADA Terra - Campo De Batalha O cientologia a contribuir para a nossa boa-disposição desde sempre. Obrigado Ron Hubbard. PIOR ACTOR DA DÉCADA Eddie Murphy PIOR ACTRIZ DA DÉCADA Paris Hilton
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11:47 AM Terça-feira, Março 02, 2010 MEU NOME É BRUCE: Título: My Name Is Bruce Realizador: Bruce Campbell Ano: 2007 ![]() Eu sei que superlativo facilmente e que isso afecta um pouco a minha credibilidade. No entanto, podem acreditar em mim quando vos digo que o Bruce Campbell é o maior! Venerado pelo seu desempenho über-cool na trologia Evil Dead, Bruce Campbell estabeleceu-se como actor de culto de filmes série-b, quando mais recentes mais manhosos são. Intercalado com isso, vai dando uma perninha em participações e cameos bem esgalhados, do Homem-aranha à Xena, A Princesa GUerreira. O seu crédito é tanto junto dos fãs que, por mais merdoso seja o filme que faça, eles vão sempre adorar. Mesmo que seja um filme de quatro horas sem argumento, em que Bruce Campbell só se limite a arrotar. Actualmente, para além desse crédito, Bruce Campbell deve ter também muito dinheiro. Só isso explica porque é que começou a realizar as suas próprias patetices, nas traseiras da sua herdade, com a participação dos amigos e com minúsculos orçamentos. Mas se pensarmos na cosia, até faz sentido: se Bruce Campbell sempre fez filmes série-b, porque é que agora iria realizar outra coisa? Meu Nome É Bruce é um género de comédia que parece ter vindo para ficar enste início de século: meta-comédias pós-modernas, em que os actores fazem de si próprios, dramatizando a sua própria persona. No entanto, ao contrário de Van Damme, em JCVD (para referir um dos mais recentes), Bruce Campbell faz tudo isto sem o levar a sério. Para começar, Bruce Campbell não faz de Bruce Campbell, mas sim do Bruce Campbell-actor. Ou seja, aquela personagem que passa para o exterior e que é fabricada pela opinião pública. Assim, Campbell é aqui uma estrela de cinema com a carreira a afundar-se num funil de filmes cada vez piores, canastrão e mulherengo, vivendo de um sucesso que apenas ainda existe na sua cabeça e na dos seus fãs mais hardocre (aqueles sem vida). Resumindo, podemos dizer que a sua existência é semelhante à de Charlie Sheen (que faz o mesmo em Dois Homens E Meio). É então que ficamos a conhecer a aldeia mineira de Gold Lick, parada no tempo desde a corrida ao ouro, que após libertar o temível demónio chinês padroeiro do tofu(!), convoca Bruce Campbell para os salvar, pensando estar a convocar o herói de A Morte Chega De Madrugada. Aparentemente é isto o argumento de Meu Nome É Bruce, porque rapidamente se dilui em referências à carreira do próprio Campbell, auto-críticas e auto-paródias, repetições dos clichés do cinema de série-b e rip-offs descarados de cenas marcantes da sua filmografia. Meu Nome É Bruce é um filme apenas para fãs de Bruce Campbell. No entanto, mesmo que o seja - eu sou! -, poderá não gostar. Eu não gosto cá muito. Só um Happy Meal. ![]() Segunda-feira, Março 01, 2010 AS MELHORES PIORES CENAS DE SEMPRE: Epísódio 5: o duelo mais improvável de sempre O mundo anda cada vez mais revolto e a Natureza mais agitada: tremores de terra no Haiti e no Chile, inundações na Madeira, tempestades em França e mau tempo por toda a Europa. Cada vez estou mais convencido que o Emmerich é que tem razão e que, daqui a dois anos, tudo isto... kaput (cara triste). No meio de todas estas catástrofes quem acabou por se safar de boa foi o Havai, depois das previsões do tsunami causado pelo sismo do Chile não se terem propriamente concretizado. No entanto, caso estivesse acontecido, essa catástrofe não seria nada comparada com a que recordo aqui. Uma catástrofe cinematográfica. Não, não falo do Surf Nazis Must Die. Nem sequer do Marés Vivas Havai. Estou a referir-me a Hard Ticket To Hawaii. Este filme pode não vos dizer nada, mas é um paraíso de más cenas de cinema. Daquelas cenas que de tão más que são se tornam boas. E depois, logo a seguir, más outra vez. São filmes como Hard Ticket To Hawaii que dão bom nome ao Ed Wood. O filme é um thriller policial nas praias do Havai, com diamantes, traficantes perigosos e um crocodilo mutante(!), mas como nada faz sentido, o melhor é mesmo ver algumas das cenas. Isoladamente, algumas delas tornaram-se verdadeiros mementos do youtube. Quem não conhece a famosa cena do skater a ser assassinado pelos bandidos com uma bazuca(!)? Mas a que ganha o prémio de o duelo mais improvável de sempre da história da sétima arte - e que o maravilhoso mundo do youtube permite disponibilizar em baixo - é aquela que mostra o quão competitivo pode ser o mundo dos frisbees. Sim, leram bem: frisbees. Tudo acontece quando um capanga dos maus (devidamente armado com a sua metradalhadora) desafia o polícia, em passeio pela praia, a uns lançamentos de frisbee. E não é que o polícia tem um frisbee artilhado com lâminas de barbear escondido? E quando atira ao mau, este explode em jorros de sangue. Sweeeet! Mas la pièce de résistance é o polícia a reagir com um yes, qual puto depois de ficar com os berlindes do amigo a jogar ao ganhas. Bem... sejamos sinceros: no fundo, no fundo, esta cena não é mais do que um rip-off desta. |
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