Sexta-feira, Dezembro 10, 2010
MACHETE: Título:
MacheteRealizador: Robert Rodriguez
Ano: 2010

Quando, em 2007, vimos os trailers falsos que Tarantino e Rodriguez haviam encomendado aos amigos para encher o intervalo de
Grindhouse, foi impossível não soltar uma gotinha ao ver
Machete. Quer dizer, todos eram particularmente curiosos (o de
Eli Roth, porventura, era o mais desinteressante), mas
Machete era, sem sombra de dúvidas, o mais estimulante.
Agora, 3 anos depois,
Machete é transformado em longa-metragem e termina a glorificação de Danny Trejo, ex-condenado com antiga predilecção por drogaria diversa, com tatuagens de gajas nuas pelo corpo todo, cicatrizes e cara marcada a cinzel pelas agruras da vida, que parecia condenado a ser eternamente um simples acessório de cinema de segunda categoria. Trejo é o novo
Al Leong, eterno secundário para papéis esteriotipados de capangas e sempre o primeiro a morrer, mas que teve a sorte de ter um amigo que lhe desse (o devido) tempo de antena.
Danny Trejo é então Machete, personagem que já tinha sido ensaiada em
Desperado ou na série
Spy Kids: um badass de poucas falas e com jeito para facas. A novidade é que, desta vez, Machete não é o vilão, mas sim o (anti)herói, um daqueles polícias que, por teimar por operar pelos seus próprios meios sem obedecer a ordens superiores, acaba por pagar por isso com o próprio corpo. Agora, caido no anonimato, é traído num esquema político para assassinar um senador de direita (Robert De Niro) e terá que provar a sua inocência caçando os maus todos pelas próprias mãos.
Se Trejo faz de herói pela primeira vez, a Steven Seagal acontece precisamente o oposto, ao fazer de vilão pela primeira vez na carreira (carreira essa que estava em suspenso desde
Duro De Matar, em 2002). Saegal, gordo que nem um texugo, é uma sombra de si próprio e no duelo final com Trejo - o momento mais aguardado de
Machete -, é uma desilusão de tão frouxo que é. Felizmente, Seagal não perde o combate, preferindo antes morrer(!). Ao contrário de Chuck Norris, derrotado uma vez por Bruce Lee, Steven Seagal continua invicto, algo apenas igualado pelo inegualável Tarzan Taborda. Entretanto, regressando a
Machete, mais feliz é a recuperação de Don Johnson, enquanto ranger texano racista, de raybans de aviador espelhados - símbolo máximo da malvadez extrema.
Mais do que cinema de série b,
Machete emula os filmes straight-to-video, ideais para se verem com o cérebro desligado enquanto se cura uma ressaca num domingo à tarde. Por isso, no meio de tanto gore gratuito e mamas à mostra (Machete saca as tipas todas, de Jessica Alba a Michelle Rodriguez, passando inclusive por Lindsay Lohan), não se percebe o porquê de tanto sunb-enredo, personagens secundárias e coisas para dizer. Tal como em
Era Uma Vez No México, Rodriguez não consegue coreografar tanta tralha, perdendo-se em palermices apatetadas. Lindsay Lohan, por exemplo, é apenas uma anedota dentro da endota, fazendo (e rindo de si própria): uma puta drogada e mimada.
Machete vale então pelos momentos em que é mais simples e genuíno: Danny Trejo em formato iconográfico, apenas abrindo a boca para lançar pérolas a porcos (
Machete don't text é one-liner clássica instantânea); Cheech Marin em padre sanguinário (i God have mercy, I don't /i a rivalizar com
I kick ass for the lord, de
Dellamorte Dellamore); mortes imaginativas (bungee jumpin com intestinos grossos ftw); e extras inesperados (Nimrod Antal em cameo que costumava ser de Quentin Tarantino). Tudo o resto é excessivo, até mesmo para mim. Ah, e falta uma banda-sonora que chame a atenção. Machete é uma desilusão chamada Double Cheeseburger.
Posted by: dermot @
12:31 AM
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