Segunda-feira, Novembro 15, 2010
COMER ORAR AMAR:Título:
Eat Pray LoveRealizador: Ryan Murphy
Ano: 2010

Confesso que ao fim de cinco minutos de
Comer Orar Amar, fiz uma pausa para confirmar se estava mesmo a ver o filme certo. Uma mulher moderna (Julia Roberts), escritora de profissão, viaja pelo Mundo enquanto conversa com o espectador em modo narrador. Não é, mas parece um episódio de
Sexo E A Cidade em versão one-woman-show.
Julia Roberts é então uma escritora de literatura de supermercado, infeliz com a sua vida actual. Assim, pede o divórcio ao marido e liberta-se dos grilhões do matrimónio, tirando um ano da sua vida inteirinho para si, planeando uma viagem purificadora pela Itália, pela Índia e pelo Bali. O que têm estas três localidades a verem umas com as outras? Absolutamente nada excepto uma conjugação muito forçada de ocorrências do argumento, mas servem que nem ginjas para dar um colorido exótico e diferente a
Comer Orar Amar.
Comer Orar Amar é o típico filme de gajas, ideal para mulheres em crise de meia-idade, que vão olhar para a história e identificarem as suas próprias vidas cinzentonas, cujo déspota do marido, além de nunca baixar a tampa da sanita, não as deixam viver com liberdade suficiente. Assim, vão suspirar enquanto vêem Julia Roberts em cenários exóticos, a estoirar as suas poupanças e a engatar gajos mais novos a torto e a direito, pensando para os seus botões: “podia muito bem ser eu”.
E que mal tem isto? Absolutamente nenhum. Isto se
Comer Orar Amar não se estendesse por umas intermináveis duas horas e tal, que fazem dele o
Ben Hur dos chick flicks. Acabasse ali a meio e não seria acusado de chover no molhado. Por isso,
Comer Orar Amar ganha visibilidade mesmo é pelo regresso de Julia Roberts. É certo que o cinema precisava do seu retorno, nem que fosse para emparelhar uma das mais famosas namoradinhas da América com um dos novos galãs da sétima arte, Javier Bardem. Curiosamente, é com a entrada deste em cena que o filme começa a perder interesse até à irrelevância total. Bardem, a fazer de brasileiro (
son peligrosas las meninas), parece sofrer do mesmo síndrome que Penélope Cruz; os filmes que faz fora de Espanha são sempre treta.
Então porque um Cheeseburger tão inflado? Porque o Neil Young está na banda-sonora.
Posted by: dermot @
10:41 AM
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