Segunda-feira, Junho 07, 2010
26. FESTRÓIA:
Dia 2O Festróia continua igual a si próprio: a maioria dos filmes continua a ter presente os seus realizadores, que o apresentam, respondem a perguntas e se mostram disponíveis para a confraternização. Isso é um dos principais pontos que fazem com este seja um festival especial.
Homem e a Natureza - CARTAS AO PADRE JACOB:Título:
Postia Pappi JaakobilleRealizador: Klaus Härö
Ano: 2009

Leila (Kaarina Hazard) é uma mulher assustadoramente parecida com a Kathy Bates, de
Misery - O Capítulo Final, que foi condenada a prisão perpétua por ter morto um homem. No entanto, o padre Jacob (Heikki Nousiainen), que vive cego e sozinho num presbitério enorme, intercede em seu favor, pede que a perdoem e contrata-a para sua ajudante. O padre Jacob recebe dezenas de cartaz por dia de fiéis a pedirem-lhe ajuda e necessita de alguém que as leia e responda por ele. No fundo, o padre Jacob tem demasiado bom coração, o que deve ser para compensar a sua falta de jeito para fazer de cego.
Mas como seria de esperar Leila tem também mau feitio e vai fazer daquilo um frete. Começa a jogar as cartas fora para não ter que as ler todas, espanta o carteiro e limita ao mínimo o seu relacionamente com o padre. Este, em contrapartida, vê naquele ritual diário a sua razão de continuar a respirar neste mundo, enquanto vai convertendo Leila até à catarse emocional final.
Cartas Ao Padre Jacob é, portanto, um filme de dois actores, duas personagens opostas que se relacionam até acabarem por estreitar laços de forma demasiado íntima. É um
Miss Daisy ao contrário.
Representante finlandês ao Oscar de melhor estrangeiro do último ano,
Cartas Ao Padre Jacob é, como todo o cinema nórdico, de uma precisão milimétrica e fria. Além disso, faz-se apenas de dois actores (ao todo, existem mais três actores no filme todo), que descarnam
Cartas Ao Padre Jacob de tudo o que é acessório, até ficarem a esgravatar no seu âmago. E que é, simultaneamente, as nossas entranhas mais emocionais. Como ferramentas para esta tarefa, o realizador Klaus Härö utiliza uma fotografia exemplar, da gélida Finlândia rural, também comum no cinema nórdico.
Cartas Ao Padre Jacob é uma pérola e, por ser tão bom, incomoda-me bastante um buraco no argumento que anda lá pelo meio, visto que não há razão nenhuma para deixarem de chegar cartas ao padre Jacob de um dia para o outro. Se conseguirem ultrapassar this major flaw, não se vão arrepender do Le Big Mac.
Cinema Português - A RELIGIOSA PORTUGUESA:Título:
A Religiosa Portuguesa
Realizador: Eugéne Green
Ano: 2009
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Houve uma vez que fiquei fechado no quarto sem querer e, impossibilitado de sair, fiquei a ver a tinta da parede a secar. Foram três horas da minha vida perdidas, mas mesmo assim não foram tão más como as que passei a ver
A Religiosa Portuguesa. É incomcebível que este filme exista. Das duas uma: ou alguém algures conseguiu dividir por zero e o mundo, antes de entrar em colapso, criou este objecto; ou então alguém abriu um portal para um dimensão alternativa, onde tudo é uma versão disforme da nossa, e sacou cá para fora o filme. São as únicas explicações plausíveis que encontro para explicar A Religiosa Portuguesa. Ou então é uma piada. Sim, só pode ser isso, uma piada.
A Religiosa Portuguesa é uma produção nacional realizada pelo francês Eugéne Green que, apaixonado por Lisboa, decidiu adaptar o clássico
Lettres Portugaises, de Gabriel-Joseph Guilleragues. No entanto, ao contrário de Wim Wenders (olá
Viagem A Lisboa), A Religiosa Portuguesa soa mais a insulto do que a homenagem. Eugéne Green enamora-se por todos os clichés do cinema nacional, aqueles que têm levado o público a divorciar-se dos seus filmes, e abusa numa coisa irreal de planos tão demorados que chegam a ser em câmara lenta, diálogos teatrais lidos directamente de uma folha de papel e movimentos tão mecanizados que tudo é falso e pouco natural.
O filme inicia-se com uma franco-portuguesa (Leonor Baldaque) a registar-se num hotel e a explicar que está em Lisboa para fazer um filme. O senhor do check-in pergunta-lhe
então e quando chegam os actores?. Infelizmente estes nunca chegam. Tirando o frete da Beatriz Batarda, tudo o resto está ao nível das peças da paróquia da aldeia alentejana do meu pai. Leonor Baldaque então é impressionante, passando o filme todo rigida que nem um bacalhau seco e os olhos super-arregalados, que nos deixam perturbados a partir de certo ponto.
Além disso, Eugéne Green ([início do modo ironia]ele próprio um actor de exceoção[/fim do modo ironia]) filma os diálogos de forma nunca vista - com grandes planos frontais dos actores, a olharem directamente para a câmara, como se estivessem a apresentar o telejornal. Quanto ao filme em si é uma sequência de cenas sem cabimento, prestações confrangedoras, postais ilustrados de Lisboa e um cameo do Camané e da Aldina Duarte, que não têm culpa nenhuma de os terem posto numa coisa destas.
Qual petição para a redução do número de deputados qual quê! Façam mas é uma petição contra coisas destas. Já há uns anos Portugal tinha dado dinheiro para produzir um filme igualmente mau,
Animal, mas que não era tão péssimo. Eu confesso que não aguentei até ao fim. Mas mesmo assim não tenho problemas nenhuns em clamar por um Pão Com Manteiga. Ou então em passar fome.
Posted by: dermot @
9:36 AM
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