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Royale With Cheese | ||
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DEIXA-ME ENTRAR:
Título: Låt Den Rätte Komma In Realizador: Tomas Alfredson Ano: 2008 ![]() O vampirismo também andam na moda. Muito graças ao novo fenómeno juvenil, que já chegou ao cinema com Crepúsculo (e que eu tenho que ver para me poder integrar e comentar), os vampiros voltaram a ganhar tempo de antena. Mas desta vez a luxúria e o deboche ficaram guardados na gaveta; os vampiros são agora jovens marginais, minorias escorraçadas pela sociedade e ostracizados por não se inserirem na normalidade. Deixa-me Entrar, filme sueco que tem feito furor pelos festivais do fantástico e realizado por um tipo que, há pouco tempo, realizou uma curta dedicada ao nosso cherne (o senhor Durão Barroso, claro está), insere-se nesta vaga: adolescentes vampiros marginalizados, pequenos outsiders cuja sua condição não é uma forma de vingança e de escape, mas antes o resultado de uma doença de que querem fugir. Já não são os vampiros de Anne Rice, pequenos adolescentes românticos assustados com a puberdade; são jovens postos de parte pela sociedade, emos que encontram conforto junto dos seus iguais. Claro que isto é mais teoria do que prática. De forma mais pragmática, Deixa-me Entrar é sobre Oskar (Kåre Hedebrant), um puto solitário vítima de bullying na escola, com uma fome escondida de vingança. Mas como isto não é realizado pelo Larry Clark, Oskar não vai sacar de uma arma e assassinar toda a gente. Vai antes ganhar forças com uma amiga nova, que se muda para o apartamento ao lado do seu e que só pode sair à noite. Ela é Eli (Lina Leandersson), alimenta-se do sangue dos outros e também não tem amigos, mas porque é uma vampira. No fundo, os dois miúdos são as faces da mesma moeda: dois jovens marginalizados pela sociedade por serem diferentes. Deixa-me Entrar tem vampiros a morder pescoços, vampiros a incinerarem-se com a luz do sol (espectacular cena) e algumas cenas gráficas (extremamente bem filmadas, há que dizer), mas extravaza muito mais o simples filme de género. Porque o vampirismo é apenas um pretexto para aprofundar aquela relação a dois, entre Oskar e Eli, num drama de escola adolescente e num ritual de crescimento e passagem. Só que com dentes afiados e uma necessidade urgente de beber sangue humano. Ambientado nos subúrbios de Estocolmo e filmado com uma sobriedade glaciar, Deixa-me Entrar é um drama gelado, com uma fotografia exemplar e herdeiro da tradição de Ingmar Bergman. Supreende a mistura de estilos, mas se pensarmos bem faz todo o sentido: que sítio mais indicado para um vampiro viver do que um país nórdico, onde os dias solarengos rareiam? Além disso, termina com uma das cenas mais geniais (e brutais) do cinema de terror recente. Chamam-lhe o melhor filme fantástico com crianças como protagonistas desde O Labirinto do Fauno, mas eu prefiro chamar-lhe o Tubarão, mas com vampiros em vez de tubarões. Ou então, simplesmente, um Mcroyal Deluxe. PURPLE RAIN: Título: Purple Rain Realizador: Albert Magnoli Ano: 1984 ![]() No último post falámos do Michael Jackson, por isso nada mais natural do que falar agora daquele que foi o seu grande rival pelo trono da pop, durante os anos 80 - Prince. A diferença entre os dois foi apenas uma (e muito simples, por sinal): Prince sempre foi muito melhor. Ainda hoje, o Prince podia dar cinco de avanço ao Michael Jackson, que ainda ganhava por capote. Enquanto documento histórico da cultura popular contemporânea, Purple Rain é um documento fundamental, que estabeleceu uns 75 por cento do conceito que foram os anos 80: a música, mas também a moda, os penteados e o estilo. Musicalmente, Purple Rain é igualmente importante, já que criou o que conhecemos hoje como o som de Minneapolis e lançou as bases para tudo o que é r&b/funk/hip-hop que ouvimos hoje em dia. Sem Purple Rain não havia Timbalands, Justin Timberlakes, Neptunes, Outkasts, Alicia Keys, ou Rhiannas (e a lista continua, continua....). Enquanto filme, bem... Purple Rain é uma bizarria kitsch, uma daquelas anormalidades que de tão má se torna boa. Como referi, Purple Rain criou um estilo muito próprio. Se fosse possível agarrar nos anos 80, amachuca-los numa bola e enfia-la num dvd, o resultado seria este. Purple Rain, Prince, o realizador Albert Magnoli e, especialmente, a responsável pelo guarda-roupa, Marie France, criaram um monstro que cresceu e superou o próprio mestre, ao misturarem o estilo gótico, com o kitsch e a andrógenia. Rendas, cabedal e plástico techtronic dão ao filme uma aura de noir-xunga, ambientado em bares-disco manhosos de neons e becos escuros e fumarentos. Apesar de ser uma espécie de bio-pic, Purple Rain não é, literalmente, sobre a vida de Prince. Ele é Kidd, o líder dos seus The Revolution, banda que luta com os seus rivais, os The Time, por um lugar ao sol, no lendário clube First Avenue (que foi onde Prince se estreou). Paralelamente, desenrola-se um sub-enredo com Apollonia (Apollonia Kotero), uma aspirante a cantora, que chega à cidade para tentar a sua sorte. Obviamente que vai ser disputada por ambas as bandas, mas apesar de levar chapadões do Prince em quase todas as cenas, ela escolhe-o no final. Comparado com isto, a misoginia do Zé do Caixão parece uma comédia romântica da Julia Roberts. Prince tem então que lidar com o facto de o público não entender a sua música e lutar contra o destino, que o está a torná-lo igualzinho ao seu pai, que também espanca diariamente a mulher (é verdade, Prince vive ainda com os seus pais, algo perfeitamente normal numa estrela rock). Por isso, vai compôr uma super-música que, no final, vai unir toda a gente, redimir os erros da malta e lavar os pecados pela pia abaixo. A sorte de Purple Rain é que a música é realmente boa e, no final, quase que conseguimos esquecer a inexistência de um argumento coerente, a mensagem moral pointless e o aspecto kitsch de todo o filme. Quem costuma ver a VH1, já viu quase o filme todo, uma vez que os telediscos das músicas da banda-sonora são os pedaços do filme: Purple Rain, When Doves Cry ou Let's Go Crazy, por exemplo. O resto é preenchido com penteados maus, fatiotas ainda piores e representações ao nível de um teatro de escola. Tão mau que se torna bom. Felizmente existem as actuações de Prince para salvar o McBacon. ![]() Sábado, Junho 27, 2009 RIP: ![]() 1958 - 2009 Quer queiramos quer não ou quer gostemos muito, pouco ou assim assim da sua música, é certo que não conseguimos ficar indiferentes à morte do proclamado rei da pop, sua Majestade, Michael Jackson. E, como tal, é inevitável que escrevamos qualquer coisa sobre ele. Porque o Michael Jackson está inscrito na nossa memória colectiva, um ícone da cultura pop (não só musical) e um ídolo intergeracional. Poderá ter pouco a ver com cinema, mas tem alguma coisa. E nem estou a falar daquela coisa que é O Passageiro Da Lua (isso sim, de cinema não tem nada). Estou antes a falar dos seus telediscos, que sempre foram demasiado ambiciosos para a convenção formatada que a MTV nos impinge. Por isso, a minha homenagem é o TOP 5 DOS TELEDISCOS DO MICHAEL JACKSON. Porque há uma parte dele que irá durar para sempre. O nariz... Black Or White, de John Landis (1991) Black Or White não é tão ambicioso quanto o outro teledisco realizado por John Landis (ver primeiro lugar), mas é outro marco da indústria, principalmente pelos efeitos-especiais utilizados (nomeadamente o CGI inovador do final). Quanto ao vídeo em si, começa com uma introdução com o Macaulay Culkin, Tess Harper e o George Wendt. Quanto à música, é uma rockalhada como Beat it, mas com um riff melhor (mesmo que reminiscente de Hurts So Good, de John Mellencamp) e um guitarrista melhor (Slash em vez de Eddie Van Halen). 4º Lugar Ghosts, de Stan Winston (1997) Nesta altura, quando a sua carreira estava já a queimar os últimos cartuchos, Michael Jackson tentou o seu golpe audiovisual mais ambicioso de todos: um teledisco-média-metragem de quarenta minutos, com algumas das músicas do History e do Blood on the Dance Floor. Espécie de rip-off do Thriller, Ghosts é um filme de terror com criancinhas e mortos-vivos, dois elementos bem presentes na vida de Jackson. Foi realizado pelo desconhecido Stan Winston, conta com uma participação do então desconhecido Mos Def e foi exibido no cinema na primeira parte de Maldição. 3º Lugar They Don't Care About Us, de Spike Lee (1995) A música é uma treta, mas é a mais controversa de sempre de Michael Jackson. E o vídeo também ajudou. Tudo começou com a letra, jew me, sue me, everybody do me, kick me, kike me, don't you black or white me. Acusações de anti-semitismo e Michael Jackson censurou a própria música (mariquinhas). Depois veio o teledisco: Spike Lee levou Jackson para o Rio de Janeiro, para a favela de Santa Marta, uma das mais perigosas do Brasil. Os habitantes ficaram radiantes (tanto que até lhe vão construir agora uma estátua) e o traficante lá do sítio deu autorização para filmar num piscar de olhos. As autoridades brasileiras é que não acharam grande piada e tentaram demover as intenções do cantor, com medo de má publicidade para a candidatura aos Jogos Olímpicos. No fim, acabaram por montar um sistema de segurança gigante, só comparável aos das visitas do Papa e acabaram todos felizes para sempre. 2º Lugar Bad, de Martin Scorcese (1987) A versão completa tem 18 minutos, dez a mais do que estamos habituados a ver na VH1. Por esta altura, Michael Jackson já era o Rei da Pop e a sua parceria com o Quincy Jones era uma espécie de galinha de ovos de ouro. Prince recusou participar num dueto nesta música, mas mesmo assim transformou-se num dos seus maiores êxitos. A história é sobre um tipo das ruas, um miúdo de um bairro problemático que contorna a vida de delinquente, mas um jovem Wesley Snipes e a sua gangue vão azucrinar-lhe a cabeça. Realizado por Martin Scorcese, metade a preto-e-branco metade a cores (Feiticeiro De Oz sempre!), conta ainda com a Roberta Flack e deu direito a esta paródia, filmada no mesmo sítio e que é absolutamente brilhante. 1º Lugar Thriller, de John Landis (1983) É incontornavelmente o melhor e o mais conhecido teledisco de Michael Jackson. E a sua estreia em 1983 foi um verdadeiro acontecimento na indústria. Mais do que um teledisco, é um mini-filme, de catorze minutos ao todo, escritos e realizados por John Landis e, apesar de ter sido o mais caro na altura, continua a ser um dos mais rentáveis da história. Aliás, o filme tentou mesmo a nomeação aos Oscares e, para isso, estreou em cinema, abrindo uma reposição do Fantasia. Enquanto que Ghosts é um tributo aos filmes de terror de monstros, Thriller homenageia os filmes de zombies. E vou esquivar-me a mencionar qualquer referência ao vídeo, porque são tantas que não consigo escolher a melhor. Quinta-feira, Junho 25, 2009 NO LIMITE DO AMOR: Título: The Edge Of Love Realizador: John Maybury Ano: 2008 ![]() Dylan Thomas, nascido no País de Gales em 1914 e falecido precocemente com apenas 39 anos, devido ao comportamento alcoólico pouco (nada?) moderado, foi um dos maiores poetas da língua de Shakespeare e, no geral, do Mundo. O autor de palavras tão perfeitas como And death shall have no dominion é ainda um ícone da cultura pop, aparecendo na capa do Sgt. Pepper's, dos Beatles, ou influenciando o baptismo artístico de Robert Zimmerman, vulgo Bob Dylan. Tudo isto era matéria para um filme biográfico e No Limite Do Amor só estranhou pela demora. Confirmo: Dylan Thomans, interpretado por Matthew Rhys, é mesmo uma das personagens de No Limite do Amor. No entanto, de bio-pic, o filme tem... bem, não tem nada, digamos. É antes um filme sobre uma determinada fase da vida do escritor (começando no final da segundo guerra mundial, quando escrevia textos de propaganda para os ingleses, e indo um pouco mais além, até ao seu regresso ao País de Gales natal), com principal incidência sobre a pouco convencional (estranha) relação de Dylan Thomas com a sua mulher, Caitlin MacNamara (Sienna Miller, que parece cada vez mais a Courtney Love, sempre a fazer de si própria: bêbada, drogada e/ou puta), a sua amiga de infância, Vera Philips (Keira Knightley), e o marido desta, William Kilick (Cillian Murphy). É desenhado um quadrado amoroso, nem sempre consumado, mas entregue às mulheres, que são os dínamos do filme. No Limite Do Amor é um exercício de estilo bem pretensioso de John Maybury, que tem a mesma atitude de quem instala pela primeira vez o photoshop e quer usar todos os efeitos do programa no primeiro trabalho gráfico que faz. Maybury não utiliza os efeitos visuais de um Tony Scott, mas experimenta tudo o que se lembra. No Limite Do Amor começa como um produto saído da época clássica de Hollywood, mas com as cores polidas e brilhantes em vez do patine do preto e branco; depois, tem umas pinceladas arty, uns tiques de cinema europeu e o porte do cinema britânico, com enquadramentos pouco convencionais ou travellings arrojados, mas injustificados. No Limite Do Amor mistura inúmeras formas de filmar, umas boas outras más (um bombardeamento filmado como o início do Irreversível ou uma cena de amor desfocada são rebuçados estragados para o nosso cérebro), mas, no geral, poucas combinam entre si. É como vestir um casaco da alta costura italiana com uns calções do Coronal Tapioca: ambos podem ser muito giros isoladamente, mas juntos vão-lhe dar um ar ridículo. Quando vejo filmes como No Limite Do Amor, só consigo lembrar-me disto. E estou sempre há espera que alguém diga condensation. Tudo demasiado pretensioso e a fazer muito pouco sentido na maior parte das vezes. Eu até acredito que, no fundo, está uma história enterrada, com um excelente ponto de vista, mas eu é que não tenho uma pá para escavar tanto. Por isso, a ideia que me ficou foi: uma primeira parte verdadeiramente pointless, por entre o subsolo londrino em plena segunda guerra mundial, com um quadrado amoroso que tenta ser um Os Sonhadores, mas com a mesma credibilidade de um par de fedelhos adolescentes; e uma segunda parte ligeiramente melhor, mais violenta e caótica, que vai explorando as fases mais sensacionalistas da relação, violentando o nosso espírito com tanta incoerência argumentativa (e adolescente). Da vida de Dylan Thomas, No Limite Do Amor tem muito pouco. Alguns dos seus poemas estão lá, é certo, recitados em vez da banda-sonora, mas se não tivessem era igual. E quanto ao trabalho de John Maybury, que não liga necessariamente a linhas temporais coerentes, descrevo-o numa palavra: pfff! Por isso, o meu Happy Meal tem muito em consideração a boa memória de Dylan Thomas. ![]()
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12:02 AM Terça-feira, Junho 23, 2009 EM BRUGES: Título: In Bruges Realizador: Martin McDonagh Ano: 2008 ![]() Anda um novo género cinematográfico na cidade e está na moda: o euro-trip de acção (vide Busca Implacável). Basicamente, consiste em pegar em actores americanos e/ou ingleses conhecidos e levá-los para uma cidade europeia (não-inglesa, claro, e quanto mais improvável, melhor, para lhe dar um ar exótico), para um filme de acção. Sempre se fez isso quando se queria um cinema erudito, mas agora estendeu-se o conceito às massas. O euro-trip de acção é um cinema de autor para os amantes de blockbusters. Em Bruges leva então Colin Farrell e Brendan Gleeson para uns dias na cidade belga de Bruges, durante a época natalícia. Os dois são assassinos a soldo e depois de um trabalho que não correu propriamente como devia, vão-se refugiar numa pequena cidade europeia enquanto a poeira assenta em Londres. Até ao fim, a coisa vai azedar e, sem querer revelar em demasia, digamos que o filme se transforma num Mr. E Mrs. Smith (ou melhor, nos Assassinos), até rematar tudo numa espécie daqueles thrillers-mosaico do Guy Ritchie. A sinopse não engana: Em Bruges é um buddy-movie com todos os ingredientes. Um par de protagonistas suficientemente diferentes para terem pequenos feudos, diálogos escorreitos e divertidos, a palavra fuck repetida até à exaustão e, claro, até um caso amoroso para melhorar as vistas e apimentar a história. Só faltam mesmo as explosões, mas há tiros e um bodycount de meia-dúzia. O inesperado é que, tudo isto, parece um pastiche colado por cima de um ambiente de cinema de autor, filmado com ponderação, que pára para ver as vistas (a parte do euro-trip) e dá tempos aos actores para desenvolverem os traumas das suas personagens. A mistura de estilos é tão díspar que, por vezes, parece que estamos a ver um filme anacrónico, algo como se o Antonioni fizesse um remake do Armageddon, por exemplo. E, como bónus, o argumento é particularmente bem esgalhado, dando-lhe uma dimensão existencial mais profunda do que parece à primeira vista, misturando orgias, arraiais de droga e piadas machistas, com simbolismos boschianos, uma parábola divertida e igualmente pertinente com anões (que salvam sempre qualquer filme) e mensagens morais de redenção (a nomeação para o Oscar de melhor argumento não foi por acaso). Em Bruges, que é uma estreia inspirada de Martin McDonagh, tem tudo no sítio como um filme fresco e inteligente, que ainda fserve para continuar a mostar a cépticos como eu que Colin Farrell é mesmo um bom actor, se bem que a sua cara de parvo continue a fazer com que reaja hostilmente a todos os filmes em que participa. Mas como podem ver, sou uma pessoa justa e é por isso que escolho o McRoyal Deluxe para classificar Em Bruges. ![]() TAKE - CINEMA MAGAZINE: ![]() Página Oficial
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12:50 PM Sexta-feira, Junho 19, 2009 OS RUTLES - ALL YOU NEED IS CASH: Título: The Rutles - All You Need Is Cash Realizador: Eric Idle & Gary Weis Ano: 1978 ![]() É sabido que há dois tipos de pessoas no Mundo, as que gostam dos Beatles e as que gostam dos Rolling Stones. E é sabido que estes dois tipos de pessoas não se misturam. No entanto, até as pessoas que gostam dos Stones reconhecem que os Beatles foram uma banda do cacete (experiência própria, pois claro). A sua importância para a música anglo-saxónica e para a própria cultura pop é tão marcante que basta vermos a quantidade de filmes, documentários e rip-offs que o cinema e a televisão já lhes prestaram. E quando falo de rip-offs dos Beatles no cinema (e na televisão), nem sequer estou a falar dos The Be Sharps, mas sim dos The Rutles, a banda criada pelo Monty Phyton Eric Idle num sketch da sua série Rutland Weekend Television e que deu origem ao telefilme Os Rutles - All You Need Is Cash, a sequela Os Rutles - Can't Buy Me Lunch e um par de discos. Tudo baseado na vida e obra dos Beatles, pilhado e revisto alarvemente, com grandes doses de ironia e humor absurdo. Os Rutles - All You Need Is Cash não é uma paródia como Walk Hard, mas sim como This Is Spinal Tap: um mockumentário rock. No entanto, enquanto que este último baseava-se amplamente no universo da música anglo-saxónica para construir o maior esteriótipo de sempre do rock, os Rutles baseiam-se unica e simplesmente nos Beatles, numa espécie de biografia veloz, da ascensão à queda, ilustrado por arquétipos. Tudo começa nos bares de Liverpool, mas em vez do Cave, temos o Cavern; depois passa-se fugazmente por Hamburgo, directamente para uma invasão mediática à América, onde dão o primeiro concerto de estádio, no Che Stadium (homenagem a Che Guevara), há umas citações mal-entendidas de serem more famous than Rod (Stewart), uma queda pelo psicadelismo do chá(!) e até um fascínio pelos poderes místicos de um vidente do interior rural inglês(!!) - quem conhecver as referências, percebe os meus pontos de exclamação. O humor de Os Rutles - All You Need Is Cash é tão Monty Phyton, que a banda até tocou numa convenção do grupo de humoristas ingleses, em 1994. A vida dos Beatles é então trespassada pela fina ironia de Idle, em que o equivalente ao George Harrison é um indiano que não tem uma fala sequer no filme, a equivalente a Yoko Ono é a filha de Hitler e a equivalente de Linda McCartney é a filha de Mick Jagger. Aliás, esta é a maior graça do filme: apesar de tudo aquilo ser uma invenção desmedida, o mockumentário conta com a participação de algumas personalidades famosas a fazerem de si mesmo. Bill Murray e Paul Simon, por exemplo, mas Mick Jagger é o exemplo mais delicioso, a dizer coisas como vimos os Rutles a correrem todos contentes por aí e pensámos que devia ser fácil e que também conseguíamos fazer o mesmo. Tal como This Is Spinal Tap, Os Rutles - All You Need Is Cash é igualmente fantástico. Não é tão alargado como este (também é um telefilme), mas é bem mais divertido (também é menos sério). E tem uma jukebox de canções, pilhadas descaradamente das dos Beatles, que são tão boas ou melhores. Não é coincidência serem ambos um Royale With Cheese: Rob Reiner sempre disse que os Rutles foram a sua principal inspiração para os Spinal Tap. ![]() Segunda-feira, Junho 15, 2009 KOPPS: Título: Kopps Realizador: Josef Fares Ano: 2003 ![]() Os internautas mais ferrenhos, daqueles que frequentam diariamente os fóruns de discussão mais refundidos da net e que conhecem os memês do momento ou que usam expressões como facepalm, farst ou p0wned, já devem conhecer este Kopps - nem que seja pelo vídeo que o maravilhoso mundo do youtube permite disponibilizar no final desta prosa. Apesar de nunca ter visto a luz do dia em Portugal, este filme sueco tem um certo culto na internet, especialmente devido a um par de cenas que funcionam, isolada e visualmente, muito bem. Quanto a vocês não sei, mas pelo menos a mim esses vídeos enganaram-me. É que Kopps é um filme bastante normal. Uma comédia ligeira sobre os quatro polícias de uma esquadra de uma aldeia pacata da Suécia, onde há mais de um ano que não ocorre um crime. A vida lá é tão pacata que o dia-a-dia dos polícias prende-se com jogos de hóquei nas traseiras da esquadra, jogos de póquer com umas velhotas batoteiras, ou lanches de morados na roulote da esquina. É tudo tão monótono que a administração central decide encerrar a esquadra. E para não perderem os seus empregos, os polícias vão encenar uma onda de crimes, perpetuados por um grupo terrorista de ninjas armados, responsáveis por crimes tão terríveis quanto sujarem propriedade alheia, fazerem uns grafitis em paredes privadas, ou - imagine-se - roubarem salsichas de churrasco da mercearia local. Com quatro personagens bem caricaturadas - onde se destaca Torkel Petersson, cuja paixão pela acção policial faz lembrar o Tackleberry da Academia De Polícia -, Kopps tem um humor contido bastante inglês, que prefere usar o seu comportamento em vez de gags para fazer rir. Além disso, o realizador Josef Fares embrulha as cenas de acção num invólucro à blockbuster, ilustrando as mais pacatas cenas com planos vertiginosos, explosões desnecessárias e efeitos à Matrix. Kopps é uma variação mais contida de Hot Fuzz - Esquadrão De Província (vénia), com a paródia policial já mencionada da série Academia De Polícia. Quando se falam em filmes nórdicos pensamos em dramas gelados, tragédias familiares esculpidas em blocos de gelo e outras coisas pesadonas à Bergman, não em comédias ligeiras, inteligentes e luminosas. No entanto, nada disto impede que Kopps seja um filme de domingo à tarde, que, no entanto, sabe utilizar os clichets do género, para não se esgotar neles e valer-lhe um McChicken um pouco acima da média. Domingo, Junho 14, 2009 ALMOÇO DE 15 DE AGOSTO: Título: Pranzo Di Ferragosto Realizador: Gianni Di Gregorio Ano: 2008 ![]() Normalmente, no cinema, os homens de meia idade que encontramos ainda a viver com as suas mães têm uma vida de algum tipo disfuncional. Das duas uma: ou são ainda virgens, com dificuldades em socialiar, sob a asa protectora da mãe; ou são homens solitários e igualmente ostracizados pelo mau feitio da progenitora, acabando por terem que descarregar as frustrações sob terceiros, em atitudes menos aconselháveis. A excepção que confirma a regra parece ser este Almoço De 15 De Agosto: Giovanni (Gianni Di Gregorio) é um homem de meia-idade, aparentemente normal, que vive num apartamento em Roma com a sua mãe, mais velha que a história (Valeria De Franciscis, que parece aquela velha do Doidos Por Mary). Os dois parecem viver felizes, salvo um pormenor: as dificuldades financeiras. Também nunca ficamos a saber quais são as suas causas (há muitas coisas no filme que nunca são ditas), mas também não é coisa que importe verdadeiramente. O que sabemos é que isso vai fazer com que, directa ou indirectamente, Giovanni tenha de armar-se em baby-sitter de velhinhos e passar o fim-de-semana do feriado do 15 de Agosto a cuidar de mais três velhotas (Marina Cacciotti, Maria Calì e Grazia Cesarini Sforza). Almoço De 15 De Agosto é um pequeno (apenas 75 minutos), simpático, descontraído e ligeiro filme de baixo orçamento. Se conhecermos as suas condicionantes, até somos capazes de simpatizar com ele. É que Almoço De 15 De Agosto é filmado por Gianni Di Gregorio quase sem orçamento (por isso é que ele próprio é o actor principal, não havia dinheiro para pagar a um), recorrendo a actrizes não profissionais recrutadas da sua família ou de lares romanos e ambientado no seu próprio apartamento, onde passou a juventude. Percebemos que é um trabalho muito pessoal, que serviu para exorcizar algum fantasma ou rematar algum capítulo mal fechado da sua vida. Mas o espectador não tem que saber disto para ver o filme. E, se não o souber, todo este fim-de-semana de Agosto vai ter muito pouco para recordar. Pequeno filme familiar, filmado à mão de forma artesanal, Almoço De 15 De Agosto capta o espírito italiano, mas falta-lhe um pouco mais daquele caos felliniano para apimentar as relações complicadas daquele homem com as suas colegas da terceira idade. Há birras, velhotas com personalidade difícil e, apostamos, muito old-people-smell, mas falta-lhe aquela química e cumplicidade que as crónicas de costumes de Fellini (ou mesmo Woody Allen) têm. Depois, o filme termina a meio. E a segunda parte que falta (que, ainda por cima, devia ser a parte boa, visto que esta não o é) deixa o final em aberto, sem nunca percebermos se aquele homem passou a gostar, realmente, da companhia das velhas para quem não tinha muita paciência, ou se gosta apenas das regalias económicas que elas lhe trazem. Almoço De 15 De Agosto é um filme económico, sem grandes respostas, mas também sem levantar muitas questões. Já senti correntes de ar menos inofensivas que ele. E aproveito o título do filme, para fazer o trocadilho: o que estas velhotas almoçaram no feriado do 15 de Agosto foi uma receita caseira de Double Cheeseburgers. ![]()
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11:12 PM Quinta-feira, Junho 11, 2009 RELIGULOUS - QUE O CÉU NOS AJUDE: Título: Religulous Realizador: Larry Charles Ano: 2008 ![]() Pode-se dizer que Bill Maher é já uma lenda viva da stand-up comedy americana. E se há adjectivo capaz de descrever o seu humor é pragmatimo; mais do que um analista político incisivo e escorreito, Bill Maher é um observador atento das coisas que o rodeiam, tornando o tema mais complexo acessível ao mais básico ouvinte. Além disso, um dos seus cavalos de batalha tem sido a religião: Maher é um crítico confesso de todas as religiões, que encara como um obstáculo ao desenvolvimento e progresso do Homem. Esta breve introdução serve para contextualizar e perceber o que se espera deste Religulous - Que O Céu Nos Ajude, espécie de documentário realizador por Larry Charles, o mesmo tipo de Borat, onde partindo dessa opinião muito pessoal, Maher vai confrontar uma mão cheia de pessoa relacionadas com as várias religiões espalhadas pelo Mundo com algumas questões que acha pertinente. Chamo-lhe espécie de documentário, porque é o que mais perto Religulous - Que O Céu Nos Ajude se assemelha. Um pouco à semelhança dos documentários pop de Michael Moore, Maher é parcial, manipulador e comanda o destino do filme a seu bel-prazer. No entanto, é igualmente provocador, divertido e incoveniente, não poupando desde as mais sérias religiões, até à mais surreal (onde só ficou mesmo a faltar a do Maradona). Em Religulous - Que O Céu Nos Ajude podemos então ver Bill Maher a perguntar a um cristão como é que ele acredita em cobras que falam, a um mórmone como é que Jesus veio pregar para o Nevada depois de ressuscitado, ou a um muçulmano porque é que ele quer matar todos os que têm uma opinião diferente da sua. Além disso, há um tipo que tem uma religião na Holanda, que consiste em fumar erva, e que tem a maior moca de sempre que não diz duas frases seguidas. A moca é tão grande que o seu cabelo pega fogo durante a entrevista e ele não dá por nada. Em Religulous - Que O Céu Nos Ajude não se pretende tirar conclusões, nem desmontar o que quer que seja. Nem tão pouco criticar ou louvar esta ou aquela religião (e vice-versa). Bill Maher é apenas um tipo honesto, ilustrando o seu ponto de vista com umas entrevistas bem ácidas, não tendo vergonha em desancar em quem o merece (como no Vaticano, depois de o expulsarem de lá). Por isso é que era dispensável aquela montage final, com Maher a querer-nos convencer por palavras (e imagens) do que o filme diz durante hora e meia, como uma necessidade de se justificar perante a plateia. Não tem muito de cinema propriamente dito e, como documentário, é uma afronta, mas Religulous - Que O Céu Nos Ajude é mais divertido que 95 por cento das comédias que apanhamos. E porque compartilho da maioria dos pontos de vista de Maher, não me importo nada em lhe dar um Le Big Mac. ![]() Quarta-feira, Junho 10, 2009 ESPECIAL EXTERMINADOR IMPLACÁVEL EXTERMINADOR IMPLACÁVEL: Título: Terminator Realizador: James Cameron Ano: 1984 ![]() Há cerca de 25 anos, estreava um aparentemente inofensivo filme de ficção-científica série-b, realizado pelo mesmo tipo do trash Piranha 2 e com o culturista austríaco de nome esquisito que fizera de Conan. Escrevi "aparentemente" porque, como hoje é óbvio, Exterminador Implacável foi bem mais que isso: mostrou que James Cameron era um realizador a sério, consolidou definitivamente a carreira de Arnold Schwarzenegger para além do simples saco de músculos e, mais importante que tudo, revolucionou o género, criando uma das mais rentáveis séries da ficção-científica. Exterminador Implacável começa no futuro pós-apocalíptico de maquetes de cartão e robots em stop motion de 2029, onde as máquinas assumiram vontade própria e ordenaram a extinção da raça humana. Os sobreviventes organizaram-se numa resistência liderada por John Connor e agora lutam em guerras com armas laser. Até que as máquinas têm uma ideia genial: enviam um exterminador (um robot-infiltrado, revestido por tecido vivo, que é, claro, Schwarzenegger) para uma década de má música e maus penteados (vulgo anos 80), com o objectivo de matar Sarah Connor (Linda Hamilton), a mãe de John Connor, muito antes de este ter ainda sido sequer gerado. Claro que os humanos respondem e enviam em seu auxílio Kyle Reese (Michael Biehn). É um conceito original, que foi apurado na triologia Regresso Ao Futuro: combater o futuro no presente, contribuindo decisivamente para o amanhã. Ou seja, assumindo de vez que o nosso destino somos nós que o fazemos, mesmo que esteja predistinado. É uma premissa filosófica e existencial que dava panos para mangas. Einstein iria gostar de a discutir. Exterminador Implacável começa por se destacar aqui. Mas não só; além de ser um filme sci-fi com cabeça, longe dos brainless filmes de série-b que James Cameron parecia estar destinado a fazer (Piranha 2 estigmatiza a carreira de qualquer um), é ainda uma fantástica obra de acção palpitante. Com reminiscências claras de John Carpenter (a banda sonora de sintetizadores manhosos lembra constantemente Nova Iorque 1997), Exterminador Implacável tem aquele ar minimalista de baixo orçamento, mas que lhe coloca os pés no chão. Exterminador Implacável nunca perde o ritmo, o suspense e, especialmente, o entretenimento. Linda Hamilton é uma teen com cabelo à Tina Turner, Michael Biehn dá uma intensidade inesperada à sua personagem, Bill Paxton iniciava aqui o seu invejável recorde pessoal de ser o único a ser morto por um exterminador, um alien e um predador e, claro, Arnie ascende à imortalidade: uma verdadeira máquina de matar impiedosa, de sotaque maquinal (e ridículo), que massacra uma esquadra cheia de polícias com uma ak47 numa mão e uma shotgun na outra. Para a posterioridade fica ainda o seu primeiro I'll be back, que se tornaria numa das imagens de marca. Foi também o primeiro Le Big Mac da carreira de James Cameron. ![]() EXTERMINADOR IMPLACÁVEL 2 - O DIA DO JULGAMENTO FINAL: Título: Terminator 2: Judgment Day Realizador: James Cameron Ano: 1991 ![]() Lembro-me como se fosse hoje do dia em que vi Exterminador Implacável 2. Foi no tempo em que os filmes demoravam uma eternidade a chegar aos clubes de vídeo e em que ainda não havia internet para os descarregar. Durante umas duas semanas, passava todos os dias à saída da escola pelo clube de vídeo aqui do bairro para o tentar alugar, mas as seis (seis, um recorde na altura!) cassetes estavam sempre indisponíveis. Até que, numa bela tarde de sábado, ei-lo! Ainda hoje tenho uma cópia que fiz quando ele passou na RTP a altas horas da noite e que tem a fita toda gasta, tantas foram as vezes que o vi. Não sei se quando fez Exterminador Implacável, James Cameron já estava a contar com a sequela, mas se não o estava devo tirar-lhe o chapéu, porque Exterminador Implacável 2 encaixa no antecessor como duas peças de lego. Tudo parece ter sido pensado ao pormenor, não ficam fios pendurados, nem buracos por tapar. A única coisa que pode levantar dúvidas é como é que o T-1000 viajou no tempo, se não dá para o fazer com matéria morta. Mas James Cameron tinha um novo efeito-especial à disposição e não o ia deixar de usar, não é? (além disso, acredito que o T-1000 também é revestido por uma camada muito fina de tecido vivo). Mas afinal de contas, o que é o T-1000? Ora bem, é um novo modelo de exterminadores, feitos de metal líquido e que, por isso, lhes permitem assumir qualquer forma, seja ele o vizinho do lado ou um cinzeiro para oferecer no dia do pai. Com as feições de um então desconhecido Robert Patrick - o tipo com mais cara de mau de sempre e que irá ficar para sempre marcado a esse papel, mesmo que, anos mais tarde, tenha andado a substituit o Mulder -, o T-1000 foi enviado para o passado para matar John Connor (debutante Edward Furlong que, como a maioria das teen stars, desapareceu do mapa à medida que foi crescendo), o futuro líder da resistência humana na guerra contra as máquinas. Claro que o próprio John Connor, no futuro, também mandou alguém para o proteger: um exterminador reprogramado para o bem, o velhinho modelo T-800, que em 1984 havia tentado matar Sarah Connor, em Exterminador Implacável. A história repete-se nesta sequela, se bem que com outros intervenientes: Arnold Schwarzenegger passa para o outro lado da barricada, até porque o seu estatuto em Hollywood já era outro; o mau da fita ganha poderes ainda mais super, o que o tornam mais temível e, consequentemente, mais espectacular; e a vítima passa a ser um miúdo de dez anos que, como seria de esperar, mais incutir uma moralidade subjectiva ao filme. Apenas Linda Hamilton repete a presença, se bem que agora está mais chata, mais paranóica (isto de saber que o armagedão vai mesmo acontecer, sabendo inclusive a data certa, impede-a de saborear a vida e amar quem quer que seja) e mais masculina, como uma Ellen Ripley, mas com robots em vez de aliens. Exterminador Implacável 2 é a evolução natural do seu antecessor: a história dá o passo seguinte (os homens continuam a caminho da sua própria extinção, agora com mais pormenores sobre o que despoletou a guerra) e o ritmo, o suspense e o entretenimento passam ao nível seguinte. As perseguições mantêm-se excitantes (a banda-sonora leva um upgrade com os Guns n' Roses, banda do momento, mantendo a theme-song de sintetizadores manhosos), mas agora com mais aparato, explosões maiores, veículos maiores e tudo maior. E os efeitos-especiais são espectaculares, super inovadores à época e que ainda hoje nos convencem, com um robot liquefeito. Exterminador Implacável 2 é o exemplo perfeito do blockbuster de acção e de tudo o que ele deve representar, numa época em que o bodycount ainda era um factor de qualidade. O maior beneficiário de todo este projecto volta a ser Schwarzenegger, consolidando o seu estatuto de estrela, desta vez num robot que vai evoluindo e aprendendo com os humanos a sua especificidade, qual síndrome do Pinóquio. Por isso, torna-se espirituoso, com one-liners memoráveis - hasta la vista, baby -, tornando-se num dos maiores action-heros dos anos 90. Acho que já perceberam o veredito final: Royale With Cheese. ![]() EXTERMINADOR IMPLACÁVEL 3 - ASCENSÃO DAS MÁQUINAS: Título: Terminator 3: Rise Of The Machines Realizador: Jonathan Mostow Ano: 2003 ![]() Temos que dar o braço a torcer - se havia sequelas que fazia sentido, esta era a de Exterminador Implacável 3s. Porque John Connor continuava vivo e porque ninguém acreditava em James Cameron, quando ele dizia que o dia do julgamento final tinha sido prevenido. Por isso, era apenas uma questão de tempo até Arnold Schwarzenegger ceder e aceitar voltar ao papel. E nós sabíamos que ele iria ceder. Afinal de contas, Arnie é político... Por um lado até faz sentido. Arnie ia-se despedir do cinema, enverdando pelo seu novo futuro como governador da Califórnia e não havia melhor forma de dizer adeus do que um regresso ao título que lhe deu a maior projecção. Por isso, é impossível assistir a Exterminador Implacável 3s sem sermos atacados pela nostalgia. Todos sabíamos que seria praticamente impossível voltar a igualar um Exterminador Implacável 2, que roça a perfeição. No entanto, nós, admiradores confessos da série, apenas pedíamos que o seu bom nome não fosse arrastado pela lama. E a verdade é que não faltou muito para isso acontecer. John Connor é agora um jovem adulto e é Nick Stahl; e pela terceira vez, é enviado um robot do futuro para o exterminar, de forma a impedir que ele se venha a tornar o líder da resistência na guerra dos humanos contra as máquinas. E depois do poderoso T-1000, agora temos T-X. Principais inovações? T-X é um transmorfo e é uma mulher, numa espécie de mistura entre Espécie mortal e Robocop - a bela Kristanna Loken, que confunde falta de jeito para representar com inexpressividade. Depois, a história repete-se: Schwarzenegger regressa também do futuro para proteger John Connor e, desta vez já não há Sarah Connor, mas há Kate Brewster (Claire Danes), a futura senhora Connor. Exterminador Implacável 3s limita-se a ser uma enorme perseguição de hora e meia, um jogo do gato e do rato em que só interessa a destruição - e quanto maior for, melhor. O argumento é linear e só tem olhos para andar para a frente. Parece ter sido escrito por um miúdo de 13 anos e os principais acontecimentos regem-se todos pelas leis da coincidência: é o que se chama de unidade dos opostos e que, quando são demais, cheiram a barrete. Infelizmente, nem as cenas de acção convencem; os efeitos-especiais são demasiado artificiais e até os confrontos mano-a-mano entre os exterminadores quedam-se pela falta de reacção dos intervenientes. Vale pela nostalgia em ver recriados os míticos momentos dos anteriores filmes. Não temos o lendário I'll be back, mas temos um I'm back; temos um igual massacre de polícias; uma divertida variação da cena inicial do I want your boots, your clothes and your motorcycle; e até temos um spin-off de Comando, com Arnie a carregar um caixão em vez do tronco da árvore. Mas infelizmente, Exterminador Implacável 3s não é digno da sua série. Porque daqui só retiramos um mísero Cheeseburger. Maldito sejas, Jonathan Mostow, arruinaste um dos marcos da minha adolescência. ![]() EXTERMINADOR IMPLACÁVEL 4 - A SALVAÇÃO: Título: Terminator Salvation Realizador: McG Ano: 2009 ![]() Se Exterminador Implacável 3s serviu para alguma coisa, foi para rematar e colocar um ponto final da primeira fase da série. Agora, Exterminado Implacável 4 - A Salvação vem dar início a uma nova triologia, que faz reset com as anteriores, no que diz respeito à forma e ao estilo. Acabaram-se então as viagens ao passado. Exterminador Implacável 4 é agora, todo ele, futuro! E já não é o mesmo futuro de James Cameron. Em vez do pós-apocalipse urbano e acitadino, reminiscente de Carpenter, o que temos agora é um pós-apocalipse industrial, mais perto da falência urbana de Mad Max, mas com as cores baças e dessaturadas. Há uma ruptura com os filmes anteriores, até mesmo em alguns pormenores da história. Quando nos filmes anteriores (especialmente os do Cameron) tudo batia certo e encaixava uns nos outros, agora há lapsos temporais e máquinas feitas que ainda não deviam ter sido pensadas sequer que fazem os argumentistas esconderem-se por trás da justificação de que o space-time foi alterado nos filmes anteriores e, agora, tudo é possível. Claro que nada disto seria importante, se Exterminador Implacável 4 fosse um bom filme. Acho que já perceberam que não o é. Foi então arrumado o filme de ficção-científica na gaveta; o que temos agora é guerra! As máquinas já estão no poder, o holocausto nuclear já aconteceu e John Connor já é visto como o líder profético da resistência, se bem que ainda existem muitos cépticos. Estamos no futuro e McG (que raio de nome é este? E quem raio é este gajo?) leva-nos directamente para as trincheiras, como um Resgate Do Soldado Ryan com armas laser e robots gigantes. Inesperadamente (ou não), seu estilo de filmar, com flic-flacs de câmara, grandes planos frontais e uma edição à Kenneth Anger epiléptico, importado directamente do seu trabalho anterior como realizador de teledisco dos Korn (argh) e dos Offspring (argh), até acaba por ser interessante, dando alguma adrenalina ao filme. O pior é o resto. O argumento é todo ele linear e obedece a uma única linha estruturante: cinco minutos de história, uma cena de acção; mais cinco minutos de história, mais uma cena de acção com um exterminador maior; outros cinco minutos de história, outra cena de acção com outro exterminador maior; e por aí fora, até que no fim já existem exterminadores gigantes, que voam, gritam, cospem fogo e vendem bilhetes para a feira popular. Tudo isto para esticar um plano que se fazia em 15 minutos, mas que agora demora duas horas porque as máquinas ganharam o síndrome do vilão de James Bond: em vez de matarem os bons, preferem prendê-los, para mais tarde passarem quinze minutos a gabarem-se do seu plano perfeito, dando tempo que chegue a cavalaria. C'um caraças, então mas a Skynet, um computador que se emancipou sozinho, não é mais esperto que isto? Além disso, há ainda um grave problema de credibilidade. Eu sei que estamos a falar de uma série de filmes que falam de viagens no tempo e de robots assassinos, mas isto não nos faz ter que engolir tudo o que nos vendem. Especialmente planos rebuscados por antecipação, elaborados por máquinas, que, inteligentes ou não, são software programado pelo homem, com intuição maquinas e sistemática. E transplantes de coração!! O mais giro de Exterminador Implacável 4 até acaba por ser as referências que faz aos filmes anteriores: o I'll be back de Christian Bale, que se esqueceu de despir a capa (e o registo) do Batman; o You Could Be Mine, dos Guns n' Roses; e, claro, o cameo digital de Arnold Schwarzenegger, cuja curta aparição é bem mais assustadora que todos os exterminadores que aparecem anteriormente (especialmente aquele modelo de cobras aquáticas!). Quanto à história, é a mesma treta dos anteriores, só que agora o alvo é Kyle Reese (Anton Yelchin), que é ainda um adolescente, mas que todos sabemos que vai ser o pai de John Connor. Exterminador Implacável 4 tenta ainda dar uma de filme sério e sensível e, para isso, recorre às muletas todas. Enfia no argumento uma criança (Jadagrace), muda ainda por cima, que não chateia muito, mas que está sempre presente não se sabe bem como; há a novo senhora Connor (Bryce Dallas Howard), sempre bem lavadinha e maquilhada no meio daquele caos pós-apocalíptico e, pertinentemente, grávida; e há uma nova personagem, Marcus Wright (Sam Worthington), metade robot metade humano, que não convence ninguém. Em Exterminador Implacável 2, James Cameron punha o seu exterminador a chegar ao fim sensibilizado para a especificidade da raça humana devido ao seu contacto próximo com uma criança. Aqui, há um robot-homem que se apaixona por uma gaja boa à primeira vista. Sinal dos tempos... Infelizmente, o filme chega ao fim e John Connor sobrevive para mal dos nossos pecados. O que significa que vão haver mesmo mais dois filmes da série. Se isto continuar assim, o Cheeseburger será o ponto alto desta nova triologia. ![]()
Posted by: dermot @
12:28 PM Quinta-feira, Junho 04, 2009 RIP: ![]() 1936 - 2009 É uma daquelas mortes tão estúpidas que nos deixam revoltados. Agora que tinha voltado a ganhar credibilidade, com o sucesso de Kill Bill, David Carradine foi encontrado sem vida, com uma corda à volta do pescoço. Faz-me lembrar outro tipo que foi encontrado nas mesmas situações e que deu logo azo a teorias de práticas de auto-satisfação eróticas que correram mal (Michael Hutchence anyone?). Aqui, se calhar, até faz mais sentido, uma vez que Carradine se encontrava na Tailândia, autêntico paraíso sexual. Enfim, assunto para ser discutido nos tablóides. Aqui, em dignos e sérios antros cinematográficos, a discussãi erudita faz-se à volta dos filmes que ficam e da memória que permanece. David Carradine era uma espécie de versão sofisticada do Chuck Norris, que conseguiu uma carreira ímpar, em que tanto fazia um filme xunguíssimo que nunca vai ouvir falar na vida, como um filme do Bergman. Por isso, eis a homenagem e jeito de o TOP 5 DOS FILMES DE DAVID CARRADINE(exceptuando o Kill Bill, claro, que toda a gente sabe que é o melhor, e a série Kung-Fu, porque não é um filme): edit: afinal parece que a corda não foì bem à volta do pescoço... Na Corda Bamba (1990) ![]() A travessia no deserto que foi a sua carreira nos anos 90, em que participou em muito lixo, iniciou-se praticamente com Na Corda Bamba, típico action flick dos anos 90. Mel Gibson ainda estava nas boas graças do público, longe das polémicas anti-semita, e Goldie Hawn ainda tinha corpo para ser uma das namoradinhas da América. Assim, David Carradine foi o mau de serviço que os fez correr, correr e correr ainda mais um bocadinho, até à cena final no jardim zoológico que não deixa o filme cair no vazio do esquecimento. 4º Lugar Caminho Da Glória (1976) ![]() Não é que seja um bio-pic exactamente genial (é antes bastante competente), mas não deixa de ser um filme sobre Woody Guthrie, o rei da folk, o pai do Bob Dylan e o tipo que tinha um autocolante na viola com a mensagem this machine kills fascists. Ganhou dois Óscares e valeu a Carradine a nomeação para o Globo de Ouro de melhor actor 3º Lugar Death Race 2000 (1975) O remake deste filme é pior que o medo, mas o original é encantador. Com um cheirinho xunga especial e uma subversão de praticamente tudo o que é América profunda, David Carradine e Sylvester Stallone andam metidos num desporto muito popular num hipotético futuro próximo, que consiste em atropelar pessoas na rua para ganhar pontos. Before Carmaggedon, this was the real deal! 2º Lugar Os Cavaleiros Do Asfalto (1973) ![]() Este é um filme determinante na filmografia de Martin Scorcese: primeira incursão ao submundo da máfia nova-iorquina, tema recorrente do seu trabalho; primeira colaboração com De Niro, antigo actor fetiche do realizador; e trabalho muito grande Harvey Keitel, um dos actores fundamentais na evolução do método Stanislavsky que melhor soube envelhecer. Depois de já ter estado em Uma Mulher Na Rua, Carradine está em O Cavaleiro Do Asfalto também, a secundarizar toda esta lição de história do cinema. 1º Lugar McQuade, O Lobo Solitário (1983) ![]() Confesso que é o meu bom mau filme favorito! Aliás, deve ser mesmo um dos filmes que já vi mais vezes na minha vida, título apenas disputado com Regresso Ao Futuro. Lembro-me que, quando era gaiato, as cassetes vhs destes dois filmes já estavam mais do que gastas. Em McQuade, O Lobo Solitário tudo é perfeito: a atmosfera xunga do filme, a fazer rip-off aos westrn spaghettis; o carácter mítico de ter sido o primeiro filme em que Chuck Norris aparece de barba; a curiosidade de ser um spin-off de Walker, O Ranger Do Texas; e, claro, o duelo de titãs único entre Norris e Carradine, apenas igualado pelo de Norris contra Bruce Lee. E quem se pode esquecer desta cena, em que Chuck Norris corre em direcção de David Carradine enquanto se desvia das saraivadas de uzi deste, para lhe atirar uma granada e acabar com o filme em beleza? Não houvesse Kill Bill e McQuade, O Lobo Solitário era o melhor filme de sempre de David Carradine.
Posted by: dermot @
11:14 PM |
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