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Royale With Cheese | ||
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ZACK E MIRI FAZEM UM PORNO:
Título: Zack And Miri Make A Porn Realizador: Kevin Smith Ano: 2008 ![]() Desde que comecei a (tentar/fazer) filmes, já quase todos os meus amigos (especialmente os pelintras, os desempregados, os fura-vidas e/ou os mais pervertidos) vieram falar comigo com uma ideia genial para enriquecermos: fazer um filme pornográfico. Por isso, aproveito este espaço público para informar todos os outros que ainda não o fizeram e estão a pensar propor-me o mesmo: isso não vai acontecer! Não é que eu não gostasse de realizar o primeiro filme porno português com um argumento, mas dá mais trabalho do parece para valer a pena. Enfim, adiante. Zack (Seth Rogen) e Miri ((Elizabeth Banks), amigos de infância e companheiros de casa, tiveram essa mesma ideia (que aceitaram sem grandes discussões), quando estavam estavam desesperados, sem dinheiro para pagar as milhentas contas pendentes. Assim, arranjaram uma câmara digital compacta, convidaram dois amigos para os ajudarem na tarefa e convocaram meia dúzia de actores porno (alguns deles verdadeiros, como Traci Lords ou Katie Morgan) para fazerem Swallow my cockuccino. Claro que, pelo meio, a queca que dão para o filme vai transformar a amizade de vinte anos em amor e num final feliz lamechas, em que só falta a Julia Roberts, a Meg Ryan, o Richard Gere ou os três ao mesmo tempo. Kevin Smith (que parece andar fora de forma desde Dogma) convocou para Zack E Miri Fazem Um Porno alguma da família Appatow, gente que tem transformado (para bem) a comédia norte-americana. No entanto, aquela que parecia a combinação perfeita não tem, propriamente, o resultado desejado, até porque o filme dá um passo atrás na sofisticação da comédia screwball, que atingiu os limites assim que passou da segunda sequela do American Pie e que tem vindo a recuperar terreno lentamente. Zack E Miri Fazem Um Porno, que é um daqueles filmes que o título e a sinopse são o mesmo, fala de sexo e era impossível fugir à temática. No entanto, Kevin Smith estica a corda e mete as personagens a falar de sexo a toda a hora, naquele seu estilo desbocado e com a palavra fuck em todas as frases, o que se torna cansativo e pouco engraçado porque: a) não há personagens secundárias que dêem interesse a um argumento tão plano (os secundários são demasiado secundários e Bubbles, a estrela porno que faz bolhinhas de sabão com a xirita, nem sequer tem possibilidade de executar a sua proeza); e b) não há diálogos propriamente engraçados (muitos deles parecem mesmo forçados e estão longe dos diálogos escorreitos e descomprometidos de Kevin Smith) ou gags que façam rir (nem sorrir). Zack E Miri Fazem Um Porno é uma comédia romântica lamechas das piores, das de domingo à tarde, mas que, como roda à volta do sexo, pretende ser irreverente, alternativa e/ou engraçada. Costumo dizer que os filmes do Appatow são chick flicks para gajos (definição cunhada pela Sara), mas Zack E Miri Fazem Um Porno redifine todo este conceito e dá-lhe sentido. Nunca pensei despachar um filme do Kevin Smith com um Happy Meal, nem tão pouco um filme que tem o Hey, dos Pixies, na banda-sonora. ![]() Quinta-feira, Maio 28, 2009 SINGULARIDADES DE UMA RAPARIGA LOIRA: Título: Singularidades De Uma Rapariga Loira Realizador: Manoel de Oliveira Ano: 2009 ![]() Manoel de Oliveira está mais activo do que nunca. Aos cem anos, o mítico realizador portuense vai a todas: ele é filmes históricos, ele é adaptações de peças de teatro, ele é sequelas não oficiais de Buñueis... E agora é a adaptação do conto homónimo de Eça de Queirós, Singularidades De Uma Rapariga Loira, uma espécie de mini-filme que parece confrontar mais uma vez aquela mentira que, de tanto se dizer se tornou verdade, de que os seus filmes são todos estopadas de várias horas de duração. Singularidades De Uma Rapariga Loira começa no interior de um alfa-pendular a caminho do Algarve, onde Macário(Ricardo Trêpa) puxa conversa com a senhora que viaja sentada ao seu lado. De repente, como em todos os filmes que se passam dentro de um comboio, sentimos uma ténue esperança de que aquilo possa ser algo na onda do clássico hitchcockiano, A Desaparecida (vénias), mas não podíamos estar mais enganados. Afinal, Trêpa só quer desabafar e contar a sua história amorosa desafortunada com uma rapariga loira (Catarina Wallenstein), em regime de flashback. Comecemos pelo melhor do filme, porque depois será sempre a descer. Singularidades De Uma Rapariga Loira tem a melhor fotografia da obra recente de Oliveira, cada vez mais familiarizado com o digital, sempre sem comprometer os seus enquadramentos mais abertos, de meio-corpo ou corpo inteiro e, de preferência, centrados (se bem que ainda há uns zooms amadores, que são mais soluços do que outra coisa). Também particularmente original é um momento em que Oliveira substitui a banda-sonora por uma declamação de poesia. Nunca ninguém tinha pensado nisso e apetece perguntar "e porque não?". Ao contrário de Cristóvão Colombo – O Enigma, Oliveira não caiu no erro de fazer um filme de época com (sem?) baixo orçamento, preferindo adapta-lo à modernidade. No entanto, nem se deu ao trabalho de o actualizar, importando directamente o texto do livro de Eça. Não é nada de novo no seu trabalho anterior, baste lembrar as démarches semelhantes de Amor De Perdição ou O Quinto Império, mas ter em pleno século XXI um rapagão a ir para o exílio em Cabo Verde porque o seu tutor não lhe dá permissão para casar, ou ver uma bela moçoila à espera que o seu noivo arranje um dote considerável para começar a namorar, não lembra nem ao diabo. Depois tem o outro problema do costume: os actores. É sabido que o ancião realizador não acredita na direcção de actores, mas macacos me mordam, ter pessoas a declamar textos não é nem cinema nem teatro. Por mais trabalho que o avô lhe dê, Trêpa não é actor nem aqui nem na lua e ter as pessoas que encontra na rua a desempenharem-se a si próprios com a mesma habilidade da inexpressão facial da Lili Caneças arruína qualquer filme. Mais confrangedor que a cena no Círculo Eça de Queirós, em que um senhor da casa faz uma visita guiada ao edifício, só mesmo a cena com o padre em Cristóvão Colombo – O Enigma. É que Rogério Samora e Miguel Guilherme não conseguem fazer milagres em aparições pouco maiores que um cameo. Chegado ao fim, Singularidades De Uma Rapariga Loira termina como terminava A Criança: sem mais para dizer, a câmara desliga-se e o genérico passa. No entanto, enquanto que no filme francês já não havia mais nada para dizer, aqui ficamos com a sensação de que ainda havia qualquer coisa para se ver. Não sei se já alguém antes utilizou esta descrição, mas Singularidades De Uma Rapariga Loira é um Oliveira ligeiro. E discreto. Assim na onda de um Double Cheeseburger. ![]()
Posted by: dermot @
11:51 PM Quarta-feira, Maio 27, 2009 UM AMOR DE PERDIÇÃO: Título: Um Amor De Perdição Realizador: Mário Barroso Ano: 2008 ![]() Amor de Perdição é o nosso Romeu e Julieta, o equivalente português do clássico maior do amor proibido, ou seja, em versão melodramática em vez de trágica, ou não estivessemos a falar do título mais emblemático da obra de Camilo Castelo Branco, o rei da novela. Para vermos o impacto que o livro tem, basta vermos que existem três adaptações cinematográficas em Portugal (para não falar de outra brasileira). E tendo em conta a triste dimensão da nossa produção cinematográfica, acho que fica tudo dito. No entanto, nesta variação moderna de Mário Barroso de Amor de Perdição, o que aqui interessa não é o amor proibido entre dois jovens, mas sim a obsessão passional de Simão (Tomás Alves) por Teresa (Ana Moreira sempre com a sua cara de atormentada, como se toda a gente lhe fizesse mal), que vai levar à sua auto-destruição. O próprio Mário Barroso descreveu na perfeição Um Amor De Perdição com uma só frase: é uma espécie de Romeu e Julieta, mas sem Julieta. Então com o que ficamos? Ficamos com Simão, um jovem rebelde, impulsivo, amoral e que dita as suas próprias regras. Podia ser um rebelde sem causa, mas faz mais lembrar O Capacete Dourado (atenção, não é um elogio) pela dimensão dramática desproporcionada que emprega nas suas atitudes. Simão é ainda bem parecido e tem uma aura à sua volta que atrai as mulheres à sua volta numa atracção para o abismo, como acontece com as moscas e aquelas luzes azuis dos cafés. No entanto, são todas tão bidimensionais que aquilo é tudo muito ridículo e pouco credível, principalmente Catarina Wallenstein, irreconhecível depois da excelente prestação em Lobos (tal como costumamos a engolir aquela obsessão amorosa de dois jovens que nunca se viram, nunca falaram, nunca nada). Apesar de ser uma variação moderna da história de Camilo Castelo Branco, Um Amor De Perdição faz um jogo curioso, cruzando o aristocrata mundo burguês lisboeta, que tanto pertence aos dias de hoje como podia pertencer ao início do século passado, com a realidade que identificamos nas ruas, no Cais de Sodré, ou na avenida 24 de Julho. No entanto, o filme tem esse tal problema de credibilidade, que faz com que, com o passar do tempo, as atitudes e os diálogos começam a não encaixar com as acções e as imagens nem à lei da bala. Além disso, existe uma perturbadora tensão sexual em todo o filme. E das mais variadas estirpes. Uma da smelhores coisas que o filme tem é uma fala da narradora, que diz às tantas qualquer coisa do género, a nossa família não vive junta, vivemos ao lado uns dos outros. Contudo, Mário Barroso dá-nos sempre a entender que a mãe (Ana Padrão) vive mais em cima do filho mais novo (Rafael Morais, outro secundário que por lá anda sem razão aparente) do que ao seu lado. Mais perturbadora é a relação pedofriendly entre Simão e a irmã mais nova (Patrícia Franco). Ou a sexualidade sugerida entre esta e o criaod da casa (William Brandão). A que não disfarça mesmo nada é a que Catarina Wallenstein tenta esconder de Simão. Curiosamente, no meio de toda esta líbido entornada, a única que não existe é entre o casal que despoleta todo o filme. Pormenores... Nem se consegue identificar muito bem o que falha em Um Amor De Perdição, mas parece sempre que foram usadas duas medidas diferentes na composição do argumento e do resto do filme. No entanto, há coisas bem piores por aí e bem menos inofensivas. Vale por isso um Double Cheeseburger. ![]() Segunda-feira, Maio 25, 2009 CADILLAC RECORDS: Título: Cadillac Records Realizador: Darnell Martin Ano: 2008 ![]() A Chess Records foi uma das mais importantes editoras da história da música discográfica. Além disso, foi determinante e, arrisco-me a dizer, decisiva para aquilo que hoje conhecemos como o rock'n'roll. A sua contribuição só pode ser comparada à Sun Records, mas com a vantagem de ser sido uma percursora e não tanto uma oportunista. Por isso, se a Motown merece um filme (caso não tenham percebido estou a falar de Dreamgirls), a Chess Records também merece. Além disso, havia ainda como pretexto a entrada de Little Walter no Rock'n'Roll Hall of Fame, em Março do ano passado. Para quem não sabe, Little Walter, um dos nomes maiores da Chess, foi uma espécie de Jimi Hendrix da harmónica. Mas como o seu nome não é suficientemente conhecido para dar azo a um bio-pic (pelo menos um rentável), o mais fácil era mesmo um filme sobre a editora. Cadillac Records junta assim uma constelação de estrelas no elenco: Adrien Brody é Leonard Chess (inexplicavelmente, o seu irmão é omitido da história), o criador da editora; Jeffrey Wright é Muddy Waters, bluesman maior e imagem de marca da Chess; Cedric the Entertainer é Willie Dixon, baixista de respeito e compositor de quase tudo o que é blues conhecido; Mos Def é Chuck Berry, pai do riff; e Beyoncé é Etta James, diva do r&b, quando o r&b ainda era uma coisa boa. Ah, e Beyoncé é também produtora executiva, que pôs carcanhol no filme. Com tanta cara conhecida, só não houve foi mesmo dinheiro para contratar úm realizador. Assim, tiveram que contratar um tipo chamado Darnell Martin para fazer o filme e este espalhou-se ao comprido. E nem sequer vou falar da insensatez histórica do filme, que pouco ou nada acerta e que muito inventa a favor do desenvolvimento dramático das personagens. Primeiro, porque Cadillac Records parece um telefilme, em que a história é planificada em duas dimensões, em que cada música é um pretetxo para uma montage em que se aproveita logo para um salto temporal, onde só faltam os cliffhangers à espera de um intervalo estratégico. E depois porque a história quase que se limita a uma sucessão de acontecimentos, alguns mesmo descontextualizados, que nos deixam uma sensação de vazio e que, para quem não está familiarizado com o blues, deixa escapar muita coisa nas entrelinhas. É certo que, esceptuando o Muddy Waters de Jeffrey Wright, todas as personagens estão assustadoramente parecidas (Mos Def então é Chuck Berry sem tirar nem pôr), mas a construção narrativa delas é tão manca que parecem caricaturas. Por um lado até é giro e dá um carácter mítico aquelas lendas da música (Howlin' Wolf, por exemplo, é uma espécie de lobo mau encarnado, com a garganta inflamada em vez de voz de bagaço), mas por outro vai tirando credibilidade ao filme, aos poucos e poucos. Depois, quando Cadillac Records já vai em velocidade de cruzeiro, eis que surge Beyoncé com uma cabeleira foleira a fazer de Etta James e o filme passa a ser sobre ela, uma vez que foi quem meteu o dinheiro. Nada contra, mas depois de apenas duas músicas do Muddy Waters, uma do Little Walter e meia dúzia de segundos do Chuck Berry, acaba por ser uma seca ter que ver três músicas inteiras da Etta James em cerca de vinte minutos (sem disprimor para as suas músicas, claro). E isto para não dizer que o Bo Diddley nem sequer tem direito a cameo, como têm os Rolling Stones. Cadillac Records é um desperdício de talentos e uma oportunidade perdida para se contar uma grande história. Felizmente, os belos momentos musicais valem o serão, que assim não é tempo perdido. Mas é algo do género de um Cheeseburger. ![]()
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12:50 PM Sexta-feira, Maio 22, 2009 TAKE - CINEMA MAGAZINE: ![]() Página Oficial Domingo, Maio 17, 2009 ESPECIAL X-MEN: X-MEN: Título: X-Men Realizador: Bryan Singer Ano: 2000 ![]() Os X-Men são um dos maiores trunfos do mundo da Marvel e, por isso, esteve vários anos há espera do momento certo para saltar para o grande ecrã. No fundo, esse momento chegou quando se conjugou dois factores decisivos: o desenvolvimento do CGI até níveis aceitáveis, que permitissem criar aquele mundo fantástico de forma credível; e o advento do boom das adaptações cinematográficas dos livros de banda-desenhada. E assim evitou-se arrastar o grupo de super-heróis mutantes pela vergonha, como aconteceu com o Quarteto Fantástico, em 1994. Os X-Men chegaram então ao cinema pela mão de um rol de então ilustres desconhecidos: Halle Berry ainda não tinha ganho o Oscar, Hugh Jackman era um novato e James Marsden... bem, James Marsden continua sem passar da cepa torta. Quanto a Bryan Singer, continuava a ser apenas o tipo que fez Os Suspeitos Do Costume, tentando rasgar de vez o rótulo de promissor. Os primeiros filmes destas sagas têm sempre um papel complicado: o de introduzir as personagens. Especialmente quando está em causa um colectivo tão grande e variado quanto os X-Men. Por isso, Singer teve de perder uma hora de filme para os apresentar e desenvolver (com demasiadas coincidências no argumento, ressalve-se), deixando a acção propriamente dita para a meia-hora final. O que, para um filme de acção, nem sempre é muito tolerável. Para primeira aventura, os X-Men enfrentam logo o seu principal inimigo, Magneto (Ian McKellen), o líder dos mutantes maus, que inventa uma máquina para transformar todos os humanos em mutantes. A premissa parece simpes - mutante extermina humanos -, mas no fundo é bem mais complexa que isso. Primeiro, porque ecoa no outro extermínio (o do Holocausto), deonde Magneto sobreviveu quando era pequeno; e segundo, porque retrata os mutantes como uma minoria oprimida, que precisa de se assumir que, quer queiramos quer não, ecoa na homossexualidade assumida de Bryan Singer (e que, aliás, voltou ao tema em Super-Homem: O Regresso). Além disso, apesar de a história ser sobre a tentativa de Magneto destruir os humanos, X-Men acaba por se centrar principalmente na personagem de Wolverine (Hugh Jackaman). Afinal, a escolha foi óbvia, ou não fosse a personagem mais carismática do grupo. Não é por acaso que deu azo a um spin-off/prequela, não é? É ele o dínamo do filme, apesar de no centro da intriga estar Rogue (Anna Paquin), que deixou de ser uma mulher com força sobre-humana para passar a ser uma adolescente insegura. Aliás, foi a única mudança que Singer fez à história original, fundindo duas personagens numa só por motivos dramáticos. Digamos que não resultou lá muito bem, não só porque a personagem é pouco credível, como Anna Paquin foi um erro de casting. E por falar em erro de casting, quem diria que Halle Berry iria conseguiria alguma vez ganhar um Oscar? É certo que os diálogos não ajudam (que raio de fala é sabes que acontece a um sapo quando é atingido por um raio? Exactamente o mesmo que acontece ao resto das coisas?), mas Halle Berry anda ali apenas a arrastar-se, com umas lentes de contacto opacas e calças de cabedal bem justas, desperdiçando uma personagem forte como Tempestade. Menos sorte teve o Homem-de-Gelo, por exemplo, que é reduzido a um adolescente secundário. Triste sina para um X-Men fundador. Não é propriamente excitante, mas X-Men cumpre aquilo a que se dispõe com os mínimos exigíveis: introduz as personagens, oa temas e prepara o terreno para a sequela. Nada mau para um primeiro tomo começar por um McBacon. ![]() X-MEN 2: Título: X2 Realizador: Bryan Singer Ano: 2003 ![]() Depois do trabalho de sapa em X-Men, Bryan Singer ficou com o caminho totalmente livre para a sequela e com todas as condições para fazer o seu trabalho de forma descansada: os personagens estavam apresentados e as sementes para o desenvolvimento da intriga estavam lançadas. Por isso, X-Men 2 não tinha nenhuma desculpa para falhar. Os mutantes de Singer são uma minoria silenciosa e oprimida e aqui, em X-Men 2, o cenário não é diferente. No entanto, a guerra fria entre humanos e mutantes do primeiro filme ganha aqui uma ligeira variação: entra em cena um tipo novo (Brian Cox) que quer acabar com os mutantes e, antes que a coisa se descontrole, a balança é equilibrada com a aliança entre os X-Men e Magneto. Ou seja, mantem-se a premissa, apenas variam os lados da barricada, de forma honesta e eficaz. Wolverine (um Hugh Jackman cada vez mais confortável no papel) continua a ser a estrela da companhia, em busca das suas origens recalcadas, mas já não é tanto o dínamo que fazia as coisas girar em X-Men. Jean Grey (Famke Janssen), por exemplo, ganha igual destaque, lançando pistas para a sequela e para a sua mutação em Fénix (os fãs da série sabem do que estou a falar). Felizmente, Rogue desaparece de cena, relegada para um papel secundário num romance adolescente com o Homem-de-Gelo (Shawn Ashmore). Quanto ao rebuçado de X-Men 2, chama-se Kurt Wagner (Alan Cumming), um mutante com o poder de se teleportar, jeito para as artes marciais e sotaque alemão carregado. Ao contrário de X-Men, X-Men 2 já se parece mais com um filme de acção (a cena inicial é particularmente genial, com Kurt Wagner a invadir a Casa Branca e a tentar assassinar o presidente norte-americano em grande estilo), mas mesmo assim, perde-se em demasiada ficção-científica. Ele é máquinas para detectar mutantes, ele é máquinas para detectar humanos, ele é alucinações para prender mutantes a eleminar mutantes através de máquinas... No entanto, a invenção mais patete de Singer neste tomo, depois da máquina radioactiva que mutava humanos no primeiro filme da saga, são umas gotinhas na nuca dos mutantes que lhes controla a mente(!). É certo que X-Men 2 perde demasiado tempo nestes rodriguinhos de CGI e maquinaria pesada, mas é igualmente verdade que não perde tempo em assuntos secundários, dando igual importância ao desenvolvimento das personagens e à acção propriamente dita. Chamam-lhe o melhor filme de super-heróis, mas eu chamo-lhe o melhor McBacon de super-heróis. ![]() X-MEN 3 - O CONFRONTO FINAL: Título: X-Men: The Last Stand Realizador: Brett Ratner Ano: 2006 ![]() Apesar de não ter podido completar a triologia, Bryan Singer pôde sentir-se descansado e com a consicência tranquila de quem fez o seu trabalho bem feito, quando abandonou a saga X-Men. Quanto ao seu sucessor, Breet Ratner, foi como se lhe saísse a sorte grande, apanhando o franchise com a papinha já toda feita. Por isso, em toda esta equação, quem ficou mais a perder foi mesmo o público, que viram o seu grupo de super-heróis mutantes favorito entregue a um tarefeiro de Hollywood. Se alguém ainda tinha minimamente a esperança que X-Men 3 - O Confronto Final pudesse ser, simplesmente, uma história de acção que opusesse os X-Men a um qualquer vilão, em hora e meia de pancada, então deve-se ter arrependido rapidamente. É que este terceiro tomo fecha a triologia com mais degrau avançado na guerra entre humanos e mutantes, desta vez com a criação de uma cura para os mutantes por parte do pai de Anjo (Ben Foster), um dos novos personagens do filme, que acaba por ter tanto protagonismo quanto o Balboa teve no plantel do Benfica esta época. O outro extra é Hank McCoy (Kelsey Grammer), o peludo Besta, que substitui Kurt Wagner, desparecido sem deixar rasto desde o último episódio. No meio disto, Wolverine deixa, finalmente, de procurar as suas origens e ganha um estatuto cada vez mais forte no seio do grupo, enquanto que Tempestade aumenta o protagonismo que lhe faltou nos dois filmes anteriores. Isto de ser a Halle Berry tem as suas vantagens e dá para fazer estas birras. Só é pena é que, por ser a Halle Berry, baste andar a exibir os seus novos penteados para receber o cheque no fim do mês. Entretanto, o sub-enredo de X-Men 3 - O Confronto Final tem a ver com a ascensão de Fénix, como havia ficado patente no episódio antecessor. No entanto, esta é uma história com tanto para se dizer, que fica sempre a impressão que apenas é tocada à superfície. X-Men 3 - O Confronto Final volta a abusar do CGI, não para grandes sequências de acção, mas para satisfazer a opulência caprichosa de sequências megalómanas, que remata tudo com um filme-catástrofe, muleta essencial para quem quer impressionar grandes públicos. O pior é que embrulha este pacote com muita música triunfal e demasiadas bandeiras defraldadas ao vento, num patriotismo que era desnecessário, como Bryan Singer provou nos dois primeiros filmes. O grande motivo de interesse de X-Men 3 - O Confronto Final é mesmo a coragem que tem em fazer mudanças profundas na história, matando várias personagens importantes sem grande pudor. Infelizmente, logo a seguir, o final dá-nos duas cenas que deixa outra vez tudo em aberto, mas aqui o problema já não é de Brett Ratner, mas sim da própria Marvel, que está sempre a matar e a ressuscitar os seus personagens. X-Men 3 - O Confronto Final é o mais fraco dos três, mas não muito, apenas um McChicken. ![]() QUARENTENA: Título: Quarantine Realizador: John Erick Dowdle Ano: 2008 ![]() É impressionante a avidez com que Hollywood pilha as filmografias de outros países em busca de bons filmes de terror (e às vezes de outros géneros) para fazer remakes. Tudo isto acontece pela fome de dinheiro dos grandes estúdios (porquê experimentar um filme novo, se sabemos que aquele já funcionou noutro lado?), mas sobretudo porque os americanos são preguiçosos de mais para verem um filme legendado (se quiser ler um filme, arranjo um livro e não um dvd, lê-se amiúde nos fóruns da especialidade). No entanto, no caso deste Quarentena, isto chega a a ser assustador: em menos de um ano, foi refeito o espanhol [Rec], alto sucesso de terror europeu e limpa-festivais, em versão praticamente igual. Quando opinei sobre [Rec] aqui neste humilde tasco (podem clicar aqui, caso não se recordem), apostei que este remake não iria ser nem metade bom do que é o original. Não o fiz apenas devido ao meu mau feitio; fi-lo porque todos sabemos o que a casa gasta. E além disso, o trailer de Quarentena revelava o twist final do filme, o que punha o gráfico no vermelho no campo do ridículo. Mas eis uma grande novidade: o remake não é nada mau. Antes pelo contrário. Caso não saibam, Quarentena é a história de dois jornalistas (a pivot Angela Vidal (Jennifer Carpenter, que precisava de umas mamas um pouco maiores para rivalizar com a espanhola Manuel *suspiro* Velasco) e o cameraman Scott (Steve Harris)), que vão acompanhar um quartel de bombeiros para uma peça televisiva. Uma chamada de emergência leva-os até um prédio igualzinho ao de [Rec], mas onde vive uma comunidade ainda mais multicultural, onde vão encontrar uma velhota que ataca todos à dentada. Daí até a um virus que deixa toda a gente semelhante a zombies é um salto. E daí até ao governo selar o edifício à espera que todos morram é um pulo. Quarentena surge na tradição de O Projecto Blair Witch, filmes em que somos mais uma das personagens, filmado na primeira pessoa como um mockuemntário de terror. Por isso, o terror e o suspense tornam-se mais realistas e, por mais que estejamos preparados, acabamos sempre por entrar no espírito do filme. Por acaso, em comparação com [Rec], Quarentena ganha aqui pontos: o cameraman não é tão apático quanto o seu homónimo espanhol, que se mantinha calado e mudo, sem mexer uma palha apara ajudar toda aquela gente que morria aos seus pés; aqui, Scott mata mesmo uma tipa com a própria câmara, esfrangalhando-lhe a cara numa massa de sangue, qual Irreversível. How cool is that? É claro que Quarentena é um pouco mais descritivo que [Rec]. É a natureza norte-americana e não se consegue evitar. Mas, surpreendentemente, o filme mantém o mesmo caracter pessimista e algo niilista do original, não caindo da inevitável tentação do final feliz ou promover algum romance ridículo (neste ponto, quase que vacilavam). Aliás, na parte final, Quarentena apaga mesmo qualquer explicação, deixando tudo em aberto. Funciona tão bem quanto [Rec], apenas não tem o bónus de serem os portugueses os responsáveis pelo princípio do fim do Mundo. É certo que Quarentena não traz nada de novo num Mundo em que já havia [Rec], mas também não era esse o seu propósito. O seu objectivo era apenas actualizar o filme espanhol para o universo dos americanos preguiçosos demais para lerem umas legendas. E conseguiu-o, sem ser propriamente genial, mas atingindo o essencial: assusta (mesmo para quem viu [Rec]), trabalha bem o suspense e a tensão e, sobretudo, entretém. Não tenho pejo nenhum em reconhecer que errei na minha previsão e de dar-lhe um McBacon. ![]() |
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