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Royale With Cheese | ||
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CHOKE – ASFIXIA:
Título: Choke Realizador: Clark Gregg Ano: 2008 ![]() Chuck Palahniuk é o único escritor contemporâneo de quem eu posso dizer que realmente gosto. É certo que, por um lado, o problema é meu, porque tenho um ideal romântico da persona do escritor que já não se adequa aos nossos tempos e, por isso, ver gente como o José Luís Peixoto (um tipo da nossa idade, igual a nós e de piercings) não me convence muito. No entanto, Palahniuk consegue corporizar tudo aquilo que é o espírito da sociedade contemporânea e, visto que o faz como ninguém, acaba por ser o meu escritor vivo favorito. Depois do sucesso de Clube De Combate, Palahniuk regressa ao cinema, desta vez com a adaptação de Choke – Asfixia por Clark Gregg, uma estória cujos protagonistas são como todos os seus protagonistas: inadaptados de uma sociedade imperfeita que preza a perfeição e que, no fundo, acabam por ser as pessoas normais no meio da (aparente) normalidade. Aqui, especificamente, falamos de Victor (Sam Rockwell), um viciado em sexo, que, devido a uma infância digamos pouco normal com uma mãe drogada/fugitiva (genial Anjelica Huston), acaba por reprimir as suas emoções e exprimi-las em sexo desenfreado e indiscriminado com estranhos. Agora, num processo auto-redentário, Victor irá colocar tudo em pratos limpos, com o seu melhor amigo, a sua mãe doente e consigo próprio. Apesar de partilhar o ambiente urbano-maníaco-depressivo de Clube De Combate, Choke – Asfixia é muito mais descontraído, com um humor descomplexado, politicamente incorrecto (o sexo está sempre presente, em todas as formas e feitios e faz muita comédia screwball roer-se de inveja) e negro, bastante negro. Aliado a isto, a desconstrução dos temas habituais: as paranóias minúsculas e insignificantes da sociedade moderna. Palahniuk domina de tal forma estas temáticas, que dá-se ao luxo de jogar com uma variação crística, em que Victor é, alegadamente, fruto de uma inseminação artificial com o prepúcio sagrado de Jesus Cristo(!), levando-nos a crer numa coisa que sabemos à partida que é mentira. Neste capítulo faz lembrar The Favour, The Watch And The Very Big Fish, em que Jeff Goldblum era um Cristo milagreiro fruto do ocaso, em que toda a gente acreditava excepto o próprio. Conseguindo colocar todos os pontos nos is, com mais ou menos dificuldades, Choke – Asfixia fecha o círculo no final, com uns créditos saborosos. Não é propriamente um Clube De Combate, mas Choke – Asfixia é, sem sombra para dúvidas, um Chuck Palahniuk. E este é o melhor adjectivo que se pode dar ao filme e ao seu realizador. Melhor ainda que um McRoyal Deluxe. ![]()
Posted by: dermot @
10:38 AM Segunda-feira, Março 23, 2009 I AM SAM - A FORÇA DO AMOR: Título: I Am Sam Realizador: Jessie Nelson Ano: 2001 ![]() É incrível como os Beatles servem para tudo, quer seja como pretexto para musicais manhosos e desmiolados (olá Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, olá Across The Universe), quer seja para preencher os buracos de um drama lacrimejante como este I Am Sam - A Força Do Amor. No entanto, mais incrível ainda é a forma como conseguiram fazer querer que este filme era minimamente aceitável apenas recorrendo a meia dúzia de acessórios vistosos. Estes assecórios são: um par de estrelas de Hollywood de créditos firmados (Sean Penn e Michelle Pfeiffer), uma teen-star (ainda) debutante com muito jeito para a representação (Dakota Fanning), uma banda-sonora única e exclusivamente com temas dos Beatles interpretados por pessoal famoso e com crédito junto da crítica (mas que, afinal, nem é assim tão boa como nos querem fazer querer) e, claro, uma excelente campanha de marketing. Tudo isto bem trabalhadinho manipulou na perfeição a opinião pública, tendo direito inclusive a uma menção nos Oscares desse ano. Bem, também devo admitir que estou a exagerar. I Am Sam - A Força Do Amor não é um filme assim tão mau. Tem as suas falhas, é um pouco ingénuo e monocórdico, mas já vi bem pior e a pagar. No entanto, uma coisa é certa: este é o filme mais mal filmado de sempre! E aqui não é eufemismo, é mesmo literal. É que I Am Sam - A Força Do Amor é todo filmado como um gigantesco ataque epiléptico, uns planos fugidios que teimam em descair para os cantos não se percebe porquê e, pior que tudo, zoom outs e zoom ins constantes sem qualquer sentido, que, para além de uma enorme dor de cabeça, irritam sobremaneira. Todo o filme parece um programa do Curto-Circuito, filho da televisão em movimento do João Baião e do Big Show Sic, cujas lembranças mais ténues fazem-me logo querer espetar um pau nos olhos. É que para além de ser mais feio do que cuspir na sopa, não se percebe o porquê da opção de incutir tanto ritmo e movimento a um filme que é metade drama familiar, metade filme de tribunal, sobre um pai autista (Sean Penn é o Sam do título) que trava uma batalha legal pela custódia da filha (Dakota Fanning), ajudado pela advogada de sucesso e sem tempo para a família (Michelle Pfeiffer). Tudo isto até parecia muito bem, se I Am Sam - A Força Do Amor não fosse tão preto no branco, que faz com que pareça uma variação do Três Homens E Um Bebé, mas com um deficiente no lugar dos homens. E não, não estou nada a ser insensível. Além disso, I Am Sam - A Força Do Amor tem um problema de linearidade. Não se percebe se foram cenas que ficaram no chão do estúdio de edição, mas tendo em conta as falhas na construção das personagens, tudo leva a crer que foi mesmo falta de jeito da realizadora, a estreante Jessie Nelson - que também nunca mais fez nada, será coincidência? Por fim, uma palavra de apreço ao grande Sean Penn, a fazer maravilhosamente de autista. No entanto, o filme começa a ser tão entediante que chega ali a meio e entra em piloto automático. Ou então é o facto de estar sempre a imitar o Dustin Hoffman em Rain Man - Encontro De Irmãos. Até a roupa é a mesma... Mais olhos que barriga - é assim a descrição de I Am Sam - A Força Do Amor. E o Double Cheeseburger paga, essencialmente, os tais acessórios de que falei no primeiro parágrafo deste texto e não o seu conteúdo. ![]() Domingo, Março 22, 2009 WRISTCUTTERS: A LOVE STORY: Título: Wristcutters: A Love Story Realizador: Goran Dukic Ano: 2006 ![]() Segundo A Divina Comédia, de Dante, o inferno é um espaço consituído por nove círculos, estando o sexto reservado a, entre outros, quem se suicidou. Segundo a descrição do poeta italiano, que viajou pelo inferno e pelo purgatório até ao paraíso, os violentos contra si mesmos são transformados em árvores como castigo. Ou seja, o inferno de Dante não podia ser mais diferente do de Goran Dukic, em Wristcutters: A Love Story, filme que, inexplicavelmente, passa pelo nosso país directamente para dvd, enquanto que carradas e carradas de lixo continuam a entupir as salas de cinema. Em Wristcutters, as pessoas que se suicidam vão parar a um inferno que é uma reprodução igualzinha das coisas sem graça do nosso mundo. É como um enorme planeta de subúrbios, com fábricas, poluição e gente cinzentona, onde não há sorrisos, flores, pássaros a cantar e felicidade. É nesse cenário deprimente que vai parar Zia depois de cortar os pulsos (Patrick Fugit, que eu não via desde o meu fetiche Quase Famosos), Eugene (Shea Whigham a emular Eugene Hütz, o vocalista dos Gogol Bordello, banda incluída na banda-sonora e num cameo) e Mikal (Shannyn *suspiro* Sossamon), que está ali por um (aparente) engano técnico. Apesar de estarem condenados áquela vida pasmacenta, com medo de se suicidarem não vá irem parar a outro sítio ainda mais deprimente, os três vão embarcar num road-movie com objectivos distintos, mas com um fim comum: arrependerem-se da última decisão que tomaram quando eram vivos e darem um sentido às suas existências miseráveis. Claro que tudo isto é embrulhado no leitmotif habitual, o amor, que neste caso é bem assumido e escarrapachado no subtítulo e tudo. Wristcutters é um filme que passa ao lado de quase tudo o que estamos habituados a ver e, por isso, difícil de catalogar. Goran Dukic dá-lhe um ar pesadão e denso, tirando da nossa cabeça qualquer ideia de suicídio, não vá aquilo ser verdade e a gente ir parar a um sítio assim. Já vimos ambientes fantasmáticos semelhantes, em filmes como Northfork ou Enterrado Na Areia, mas nunca com estes laivos de comédia negra (olá manos Coen) e um lado burlesco, dado pela presença balcânica de Eugene e da sua música, que faz lembrar um filme do Kusturica encharcado em valium. Para verem como o filme é surreal, desvendo alguns elementos, que certamente lhe farão depsertar a curiosidade. Por exemplo, o que pensará se eu lhe disser que o carro onde os três amigos vão embarcar na sua aventura tem um buraco negro debaixo do banco do pendura? Sim, um buraco negro daqueles que engolem coisas e tal. E depois se eu disser que tem o Tom Waits, mais uma vez uma personagem mais elevada (estou-me a lembrar da sua presença como oráculo em Dominó), como dono de um parque de campismo de milagres em busca do seu cão perdido? Pois é, Wristcutters roça a perfeição sem precisar de dizer muito. Só é pena é o final, um daqueles que é capaz de arruinar por completo um filme, encostando-se à muleta mais preguiçosa de todas: uma variação daquela coisa que é o ah e tal, isto é tudo muito esquisito e agora para o explicarmos vamos dizer que foi tudo um sonho. È como nos espetarem os dedos nos olhos e nós deixarmos. Malditos! Troco o Royale With Cheese pelo Le Big Mac, se faz favor. ![]() Quinta-feira, Março 19, 2009 Lembram-se de uma rubrica inaugurada aqui há muito tempo atrás, chamada Royale With Cheese Apresenta, que poucas vezes foi usada? Pois bem, nada melhor do que reactivá-la num momento em que as actualizações deste tasco andam a um ritmo devagar devagarinho (falta de tempo apenas, não se assustem). E que rubrica é esta, perguntam o leitor que anda há pouco tempo nestas coisas. É onde eu convido um blogger de quem gosto (e que não tenha nada a ver com cinema) a escrever algo no meu blogue. No fundo, serve para duas coisas: para pôr alguém fluente no português a escrever sobre um tema que não costume escrever (pelo menos publicamente); e dar a conhecer alguns dos melhores blogues da nossa praça (ou pelo menos aqueles que eu gosto de ler regularmente). Ora bem... ...ROYALE WITH CHEESE APRESENTA: A MOMENTARY LAPSE OF REASON O A Momentary Lapse Of Reason é um verdadeiro blogue, daqueles que servem de diário para o dia-a-dia das pessoas, neste caso da Jubylee. É mantido com actualiadade, inteligência e a espiritualidade suficiente para o querermos visitar amiúde, sem receios de estarmos a invadir a privacidade de alguém. Não se pode dizer que o cinema seja um tema estranho ao blogue, mas não desta forma. ...1 seca, 1 momento de prazer... e assim se resumem as duas últimas noites, as quais passei numa sala de cinema. É o que dá ir a todas as ante-estreias a que se mete a mão. Ontem desloquei-me de propósito a um extremo de Lisboa para ir ver um filme que eu já sabia que não ia ser nada de jeito. Mas já sabem como é: a esperança é a última a morrer! E assim fui eu, esperançosa de ver um filme que, pelo menos, me entretivesse durante no mínimo uma hora e meia. O filme é baseado numa graphic novel de Will Eisner, tendo sido adaptado para o grande ecrã por Frank Miller, que também realizou. E o nome desta obra execrável (bom, se calhar estou a exagerar...) é The Spirit. Protagonizado pelo relativamente desconhecido actor, Gabriel Macht (a primeira vez que eu o vi foi num episódio da série Sex and the City... era um modelizer, lembram-se?), o filme conta (ou pelo menos há uma tentativa, mas não muito esforçada) a história de Spirit, o protector de Central City. Incapaz de ser morto por uma qualquer bala ou faca, Spirit ajuda a polícia a combater o crime que se abate na cidade - o seu grande amor, diz ele logo de início - e mais particularmente o chefe do crime, Octopus (mais uma vez Samuel L. Jackson a fazer de: Samuel L. Jackson sob o nome de Octopus), também ele igualmente invencível. Era suposto este Octopus ser o nemésis de Spirit, mas ao tentarem passar essa ideia durante os primeiros dez minutos de filme, deixou que o entendimento dessa relação fosse um bocado precário. Depois temos as meninas. O senhor Spirit tem um jeito muito peculiar com as mulheres - sinceramente não consegui perceber como... Ele é Eva Mendes (Sand Saref), ele é Sarah Paulson, ele é Jaime King...Enfim, todas elas caem a seus pés. Mas a química... para mim é tudo seco e as actrizes deixam um pouco a desejar, especialmente Eva Mendes, que aqui só mostra mesmo corpo (os cinco euros e vinte cêntimos têm de se justificar não é verdade?). Gostei, no entanto, de Sarah Paulson. Teve um boa interpretação, sem grandes exageros. De notar também a actriz que faz de Sand Saref jovem (Seychelle Gabriel). Além de tudo isto não encontrei fluidez no filme e por vezes os cortes entre as cenas eram tão abruptos que parecia que faltava ali qualquer coisa no meio. Frank Miller tentou manter o grafismo de Sin City, mas de forma mais atenuada, mas isso não bastou para fazer deste filme algo memorável. Assim é mais um desperdício de dinheiro dos estúdios norte-americanos, com o qual se podia ter feito alguma coisa melhor e do meu tempo (mais uma banhada... isto tem-se andado a tornar um hábito...). Ah! É verdade... A Scarlet Johanson também entra neste filme (deu para perceber que se ela não entrasse ficava igual?). Enfim... sempre deu para mudar de ares e ir ver a flora que habita o Colombo. Entretanto, nem era para ir ver filme nenhum hoje (tinha convites para o filme The Unborn), mas sinceramente, filmes de terror não são o meu estilo e era longe - ainda que o nome de Gary Oldman me tentasse um bocadinho) até que me arranjaram um convite ontem para ir ver a ante-estreia de Marley and Me. Eu, por acaso, já tinha visto o trailer e fiquei com a sensação de que aquilo era mais uma comédia romântica sensaborona, com um cão - bonito e querido, por sinal. Mas eu até gosto de comédias românticas e pronto, eu não me vou abaixo com uma banhada, por isso lá fui. Posso-vos dizer que de comédia romântica típica este filme não tem nada. Se for para classificar, entraria mais para uma comédia melodramática, mas com um cão no centro. Marley and Me é o último filme de David Frankel, um realizador mais habituado às lides televisivas (realizou episódios, entre outras séries, de Sex and the City, Band of Brothers, Entourage, From the Earth to the Moon), mas que já nos deu um belo filme chamado The Devil Wears Prada. Marley and Me baseia-se num livro que está integrado numa onda recente de histórias que têm como protagonista um ser da espécie canina. Neste caso, no livro homonónimo escrito por John Grogan. Este é também o protagonista do filme, sendo interpretado por Owen Wilson. Josh Grogan após se casar com Jennifer e se assentar na vida, acha que, antes de ter um filho devem ter um cão e assim surge na sua vida Marley, o cão que escolheram de entre uma ninhada de uma cadela abandonada, a preço de saldo! Mal sabiam eles que aquele pequenito e muito querido Labrador lhes ia dar uma reviravolta na casa e na sua vida até ao fim da sua vida. Apesar de Marley não ser o objecto principal da história é ele que a faz mover e nós quase nem nos apercebemos disso. Assim como ele se entranhou na família de Grogan assim ele se entranha em nós durante aquelas duas horas. E sim, chorei! Eu sou uma chorona no cinema e o final é mesmo de puxar à lágrima. Mas é só mesmo o final, porque antes temos cenas completamente hilariantes e brilhantes! Este é talvez um filme de domingo à tarde, mas continua a ser obrigatório. Eu recomendo! Terça-feira, Março 17, 2009 TAKE - CINEMA MAGAZINE: ![]() Página Oficial
Posted by: dermot @
10:35 PM Domingo, Março 08, 2009 MAMMA MIA: Título: Mamma Mia! Realizador: Phyllida Lloyd Ano: 2008 ![]() E o filme mais visto de 2008 foi: Mamma Mia. Não ganhou nenhum Oscar nem nenhum crítico (com boa ou má vontade) o elogiou, mas, no entanto, toda a gente o viu, quer de livre vontade, quer obrigado, quer tenham vergonha de o admitir ou não. Eu não tenho vergonha de confessar que o vi, até porque toda a gente sabe que gosto de musicais e porque estou bastante seguro da minha masculinidade. No entanto, devo admitir que a ideia de Mamma Mia é das mais parvas de sempre: uma adaptação dum musical com as músicas dos ABBA. Devo ainda confessar outra coisa que me surpreendeu. É que nunca me tinha apercebido que as letras das músicas dos ABBA são todas sobre tipas interesseiras à procura de gajos com dinheiro, de pila, ou dos dois ao mesmo tempo. Mas a música pop não devia ser sobre coisas felizes e bem intencionadas, como mundos idílicos onde tudo é perfeito, as gomas nascem nas árvores e o céu está sempre cheio de arco-irís? Seja como for, Mamma Mia reflecte na perfeição essas duas componentes da música dos ABBA: em primeiro lugar é um feelgood movie por excelência, cheia de canções alegres, ambientado nuam ilha mediterrânica onde está sempre sol, com praia por todo o lado, pessoas bonitas, álcool e confetis a caírem (só faltam mesmo as drogas para a festa perfeita); em segundo lugar, (o que se assemelha à) história é um espelho do deboche das letras dos ABBA, onde as personagens só pensam em sexo e todo o filme é uma enorme mensagem subliminar sobre cobrição (hetero e homossexual). Claro que tudo isto é embrulhado na estrutura musical, onde todas as pessoas desatam a cantar sem motivo aparente, em coreografias muito bem ensaiadas, realçando os momentos dramáticos do argumento. É como Across The Universe, mas com as músicas do ABBA em vez dos Beatles; e é como Brilhantina, mas com personagens mais cotas (se bem que tudo aquilo é um enorme romance juvenil). No fundo, (aquilo a que chamam de) história resume-se a: Sophie (Amanda Seyfried) vai-se casar mas não sabe quem é o pai. Assim, convida para o copo de água os seus três pais possíveis, uma vez que a sua mãe (Meryl Streep) é uma hippie velha que andou a cobrir ao desvario e não sabe quem a emprenhou. Já muita sorte tem ela de a miúda não ter nascido a ladrar... Claro que os três pais são, pertinentemente, bastante esteriotipados: Stellan Skarsgård é o hippie envelhecido, Colin Firth é o tipo certinho e Pierce Brosnan é... bem, é Pierce Brosnan, o playboy. Também pertinentemente há duas amigas da mãe, igualmente esteriotipadas: Christine Baranski, a divorciada em série, e Julie Walters, a eremita. É uma mistura entre a figura das mulheres emancipadas e independentes de O Sexo E A Cidade com... a música dos ABBA. Temos então um argumento que dá para meia hora de filme, mais meia-hora de músicas dos ABBA (bons arranjos e divertidas coreografias). Fica a faltar uma meia-hora de filme em que a realizadora, Phyllida Lloyd, vê-se à rasca para encher chouriços. Temos então meia-hora de chover no molhado, em que nada desenvolve, até terminar tudo numa assustadora festa à chuva, em que os homens se despem todos em tronco nu e fica uma etsranha tensão homossexual no ar. Creepy ending... Nada contra musicais, nada contra os ABBA, nada contra o Pierce Brosnan a cantar (se bem que às vezes faça apetecer querer espetar um pau afiado nos ouvidos), nada contra silly movies. Mamma Mia é mesmo fraaquinho e só entretém nos primeiros trinta minutos. Para aguentar o resto é preciso ser mesmo muito fã da banda sueca. E mesmos esses tenho dúvidas que consigam comer mais que um Double Cheeseburger. ![]()
Posted by: dermot @
11:31 PM Sábado, Março 07, 2009 ZOMBIES STRIPPERS: Título: Zombie Strippers! Realizador: Jay Lee Ano: 2008 ![]() Uma das vantagens do projecto Grindhouse foi ter legitimado o cinema mau. De repente, o cinema xunga passou a ser o novo cool. Obviamente que um filme chamado Zombies Strippers nunca iria passar despercebido por este imodesto tasco, mas nunca um straight-to-video xungoso teria tanta atenção se tivesse sido feito há uns aninhos atrás. Quando vemos um filme de zombies onde os próprios protagonistas sabem que estão a lidar com zombies, devemos desconfiar (nos flicks do género, nunca é pronunciada a palavra z). E quando, num filme de zombies, vemos zombies a falarem que não seja para chamarem mais paramédicos (referência a O Regresso Dos Mortos-Vivos, caso não estejam a perceber do que estou a falar), então devemos duvidar do que estamos ver. No entanto, Zombies Strippers tem, num elenco cheio de estrelas porno, a raínha do porno, Jenna Jameson e mr. Freddy Krueger himself, Robert Englund e, por isso, sentimo-nos na obrigação de lhe dar o benefício da dúvida. Devo confessar que Zombies Strippers me deixou um sentimento estranho. É que, por um lado, fez-me detestar o facto de ser um filme de baixo (sem?) orçamento, filmado em digital, verdadeiramente série-z, com uma edição desastrosa e demasiado tempos mortos. Mas por outro, é um filme mais inteligente do que parece, com alguma subversão, one-liners divertidas e um tema apelativo. A conclusão a que chego é que Zombies Strippers é um bom filme, mas mal feito. Mas vamos ao que interessa: Zombies Strippers passa-se num futuro em que George Bush, no seu quarto mandato consecutivo, desenvolve um vírus para ressuscitar os mortos, de forma a alimentar as suas guerras pelo mundo fora. Depois de uma matança inicial bastante gratuita e com um cgi manhoso, o vírus vai atacar um bar de strip (Aberto Até De Madrugada anyone?), transformando as strippers em super-strippers, degladiando-se entre si pela fama e por mais carne masculina. Não é só os zombies que Robert Englund vai guardando na cave que faz lembrar Morte Cerebral. Obviamente que o humor exagerado e absurdo deste último é a principal referência, deste zombie-flick destrambolhado, cheio de referências importantes, desde o mestre do absurdo Eugène Ionesco, deonde a história é baseada, a Nietszche. Além disso, tem ainda umas críticas nada disfarçadas aos republicanos, à NRA, ao conservadorismo da igreja, ou à parvoíce patriótica dos americanos. O problema é que é tudo mais ou menos mal feito e misturado com demasiadas partes aborrecidas e uma edição que nos faz esquecer o que estamos a ver. Mais giro que as mamas de Jenna Jameson (que continua em forma, garanto-vos) e das suas amigas (filme mais machista e com mais testosterona do ano), é a cena em que esta luta mano-a-mano com outra stripper pelo lugar de estrela do espectáculo para deleite do público masculino, num duelo que inclui arrancar pele, rodopiar no varão a alta velocidade e atirar bolas enfiadas na xirita, tal e qual o truque da Winona Rider em South Park. Agora que olho para trás, fico espantado comigo próprio como é que consegui escrever tanto acerca dum filme que se resume a duas palavras: zombies e mamas. Termino por isso com a escolha do McChicken, realçando que a escolha é sobrevalorizada pelo facto de o filme se chamar Zombies Strippers, como é óbvio. ![]() Terça-feira, Março 03, 2009 VICKY CRISTINA BARCELONA: Título: Vicky Cristina Barcelona Realizador: Woody Allen Ano: 2008 ![]() Qual Oscar, qual Globo de Ouro, qual quê! Vicky Cristina Barcelona irá ficar para sempre conhecido como o filme de Woody Allen em que Scarlett Johansson e Penélope Cruz se beijaram. Aliás, foi apenas por isso que o filme ganhou tantos prémios. Falando mais a sério, o que é certo é que, desde que abandonou Manhattan, o interesse em Woody Allen foi renovado. Os ingredientes continuam a ser os mesmos, mas bastou um invólucro diferente (neste caso, os cenários europeus) para a crítica voltar a empolgar-se com o cinema do neurótico realizador norte-americano. É como aquelas adaptações de séries televisivas ao cinema: são episódios um pouco mais alargados em que apenas acrescentam uma personagem secundária nova para nos convencer a pagar por aquilo que podemos ver todas as semanas de graça. A ressalva aqui é que até o pior filme de Woody Allen é melhor do que a maioria dos filmes que estreiam por aí. Depois de Londres, agora temos Barcelona. E tal como nos filmes anteriores, Woody Allen não se furta a fazer o roteiro cultural da cidade, aqui um pouco mais convencional que a arte moderna de Match Point (é impossível contornar Gaudí, eu sei). No entanto, Vicky Cristina Barcelona é o menos convencional filme do mestre dos últimos anos, começando logo pelo facto de não haver uma personagem que seja uma projecção da personalidade do realizador (ou pelo menos, de forma declarada, uma vez que a insegurança de Scarlett Johansson tem algo de Allen). Além disso, utiliza pela primeira vez um narrador, opcção que pode ser entendida como preguiça narrativa, principalmente quando utilizada num filme ligeiro. O curioso é que Vicky Cristina Barcelona não é tão light quanto possa parecer ao início, quando as duas amigas americanas, Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson), vão passar férias a Barcelona e conhecem o despreocupado pintor Juan Antonio Gonzalo (Javier Bardem sempre com a camisa aberta). Vicky é pragmática, terra-a-terra e convencional, enquanto que Vicky tem uma atracção pelo abismo e pela aventura. No entanto, o charme mediterrânico de Bardem é tanto que consegue levar as duas para a cama. Eis então Woody Allen a prestar tributo aos triângulos amorosos de Jules E Jim, abordando um tema que lhe é querido, mas desta vez de forma mais arrojada: a disfuncionalidade e a problemática do amor. Contudo, ao contrário do filme de Truffaut, por exemplo, o equilíbrio deste triângulo é bambo, uma vez que soa sempre a espertalhão e a pretensioso - 'bora falar de sexo de forma descomplexada e a crítica vai-se passar com a coragem. Por isso, Woody Allen troca a forma geométirca e constrói um quadrado romântico, inserindo a ex-mulher psicótica, Maria Elena (Penélope Cruz). Penélope Cruz ganhou o Oscar para melhor actriz secundária, mas a sua actuação não é nada de outro mundo. O seu maior condão é dar mesmo a consistência que faltava a Vicky Crisitna Barcelona até então, conferindo-lhe os últimos pozinhos que necessitava para um filme sobre todas as formas de amor: o mais convencional, de compromisso e formatação aquilo que a sociedade convencionou de uma relação normal (um casamento, filhos, a carreira...), incarnado por Vicky; o mais liberal, no limiar da relação amor/ódio, incarnado por Maria Elena; e aquele que fica entre estes dois, incarnado por Cristina, seja ele qual for. Tudo isto com Penélope Cruz e Scarlett Johansson a curtirem pelo meio. Yeah! Confesso que estava cansado quando vi o filme e, por isso, necessito de o ver outra vez para ter a certeza das minhas conclusões. No entanto, também é verdade que não fiquei com vontade para o fazer em breve e isot pode querer dizer alguma coisa. Sem ser propriamente genial, Vicky Cristina Barcelona está ao nível do que Woody Allen costuma fazer regularmente na sua carreira: o McBacon. ![]()
Posted by: dermot @
11:57 PM Domingo, Março 01, 2009 TOP 5: Por vezes, o Royale With Cheese cansa-se de andar sempre a ditar as novas tendências e decide embarcar nas modinhas que se falam. Por isso, visto que toda a gente anda a falar do Mickey Rourke e de O Wrestler, o Royale With Cheese decidiu também falar do tema, mas à sua maneira, com o TOP 5 DOS MELHORES FILMES COM LUTADORES DE WRESTLING: The Rock em Doom - Sobrevivência ![]() De todos os nomes que poderiam estar nesta lista, The Rock foi aquele que mais levou a sério a sua passagem da luta-livre para a sétima arte. Levou-a tão a sério, que desistiu mesmo dos ringues para se dedicar a tempo inteiro à representação. E, verdade seja dita, até nem se safa muito mal. No entanto, obviamente que a maioria dos papéis que consegue é a fazer de si próprio, ou seja, de saco-de-músculos. Em Doom - Sobreviência, The Rock não só estraga o filme como uma verdadeira insituição dos jogos de computador. No entanto, fica para sempre a sequência à la videogame, onde é reproduzido o estilo first-person shooter do jogo e ficamos a ver o filme através dos olhos de The Rock, enquanto este despacha uma mão-cheia de zombies do espaço. 4º Lugar Andre The Giant em A Princesa Prometida ![]() Em 1987, Andre The Giant - um dos míticos wrestlers da velha guarda - estava com tanto tempo livre a mais, devido à suspensão da WWF por faltar a um combate, que decidiu dar uma perninha na sétima arte. Como a maioria dos lutadores que tentam a mesma sorte, calhou-lhe o papel de... gigante, no clássico de Rob Reiner, A princesa Prometida. Mesmo sem se perceber nada do que dizia (o inglês não era propriamente o seu forte), a representação de Andre The Giant fica marcada por uma presença fortíssima, como o gigante de bom coração Fezzik. Claro que nenhuma representação bate o overacting the Andre The Giant assustado de morte pela cobra de Jake "The Snake" Roberts, mas não se pode ter tudo, não é? 3º Lugar Jesse "The Body" Ventura em Predador ![]() É certo que a concorrência em Predador era forte: havia Arnie na sua melhor forma, o preto que ganhou ao Rocky no primeiro filme da saga e um monstro invisível cheio de estilo. Mas mesmo assim, Jesse Ventura conseguiu o seu lugar ao sol, sempre com o seu estilo despreocupado, a mascar tabaco, a questionar a orientação sexual do resto dos seus companheiros -Bunch of slack-jawed faggots around here. This stuff’ll make you a Goddamned sexual Tyrannosaurus…just like me - e, mais importante que tudo, a carregar a mata sem dor, a mais linda arma de guerra de sempre. 2º Lugar Goldberg em Matança De Natal ![]() O breve prólogo que antecede os créditos deste Matança De Natal dá-nos logo uma ideia do que vamos encontrar (como se o título não fosse suficiente): num típico lar americano, uma hipócrita família (com cameos da Nanny e de James "Santino" Cann) prepara-se para a ceia de Natal. Eis que surge pela chaminé a simpática figura do Pai Natal. E depois de enfiar um biqueiro no caniche irritante e de empalar o pai na mesa do jantar, assiste-se a uma carnificina total. Matança De Natal é o melhor filme natalício de sempre, com o Pai Natal a esventrar pessoas indiscriminadamente como se não houvesse amanhã. Goldberg é o Pai Natal desta história, que destrói o espírito consumista da época á mesma velocidade que cavalga num búfalo de nariz vermelho. E como todos os wrestlers, não se furta a uma one-liner memorável: Who's your daddy? Father Christmas. 1º Lugar Roddy Piper em Eles Vivem ![]() E depois de Kurt Russell, houve Roddy Piper. John Carpenter, mestre do fantástico, descobriu no lutador de luta-livre o seu novo Bruce Campbell, um herói badass com as one-liners mais cool da história do cinema: I have come here to chew bubble gum and kick ass, and I’m all out of bubble gum. Roddy Piper passa o filme todo a matar extraterrestres de caçadeira em riste, além de ter a luta mais longa e mais gratuta de todos - seis minutos de murros e pontapés nos tomates, apenas porque o seu amigo não quer pôr uns óculos(!). Menção Honrosa Hulk Hogan em Rocky III ![]() Toda a gente se lembra dos desenhos animados do Hulk Hogan, que davam no Canal 1 na nossa infância. Pior ainda, toda a gente se lembra das dezenas de filmes manhosos que Hulk Hogan fez, incluindo um com os 3 Ninjas. Credo, qualquer coisa que o Hulk Hogan fizesse era um atestado de ignorância ao espectador. No entanto, Rocky III foi a excepção à regra, com Hogan a fazer um cameo como Thunderlips, o wrestler que luta contra o Stallone num combate de beneficiência, num verdadeiro duelo de testosterona. |
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