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Royale With Cheese | ||
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PONTO DE MIRA:
Título: Vantage Point Realizador: Pete Travis Ano: 2008 ![]() Segundo os números norte-americanos, desde o 11 de Setembro que já morreram mais de 4500 inocentes em todo o Mundo, devido ao terrorismo. É uma situação complicada, mas Hollywood esfrega as mãos de contente, aproveitando esta paranóia terrorista para pincelar todos os seus filmes de acção, desde o mais comprometido thriller político ao mais inocente filme-catástrofe de monstros. Até que o desconhecido Pete Travis decidiu fazer qualquer coisa pelo tema e arriscou em pegar no touro pelos cornos. Eis Ponto De Mira, the ultimate movie about terrorism, que começa em plena praça central de Salamanca (que saudades da noite da cidade espanhola...), onde se preparara uma cimeira histórica anti-terrorismo, onde o presidente norte-americano (William Hurt) vai assinar uns acordos de paz com o resto do Mundo, oriente incluído. Cá fora, os habituais protestantes anti-capitalismo, lá dentro a euforia normal de quem está prestes a presenciar um momento histórico. Até que dois tiros abatem o líder norte-americano, uma bomba detona algures e uma outra rebenta em plena praça. Estão lançados os dados! Ponto De Mira começa muito bem e, com o atentado, há suspense e tensão por todos os lados. Temos a adrenalina a mil mas, no entanto, em vez de continuar em busca dos culpados, Pete Travis faz o inesperado e regressa atrás. Não uma, mas oito vezes, repetindo os acontecimentos sob o ponto de vista dos vários intervenientes: o do próprio presidente, o do seu guarda-costas pessoal (Dennis Quaid), o da produtora de televisão que faz a cobertura do evento (Sigourney Weaver), a do turista que filma tudo (Forest Whitaker) e mais três secundários menos importantes. O resultado é uma espécie de Memento em formato mosaico, em que cada releitura dada vai acrescentando novos dados ao caso, como um gigante mcguffin desconstruído. Não é uma coisa fácil de se fazer e dá muito trabalho, mas Pete Travis consgeue safar-se bem, sem buracos no argumento e conseguido controlar os timings, manipulando assim o suspense e a tensão ao longo do filme. Este gadget argumentativo corria o risco de se tornar aborrecido ao fim de duas ou três vezes, por colocar o espectador sempre a ver a mesma cena (se bem que de pontos de vista distintos), mas o realizador consegue ultrapassar este obstáculo, ao ir imprimindo novos dados a um ritmo regular de policial urbano (24 a dar cartas), que faz com que cada visionamento seja fundamental para o avançar e o descortinar da intriga. Infelizmente, Ponto De Mira tem um daqueles finais que estraga um filme. Depois de tudo isto resultar, dando um nó no final das pontas soltas, Pete Travis parece ter ficado sem ideias e remata tudo com o fim mais corny de que há memória. No final, o que interessa é o entretenimento e isso é garantido - até porque nunca ninguém se preocupa em dar os motivos paras aquela intriga internacional e, verdade seja dita, também não interessa a ninguém querer saber -, mas destruir um plano gigantesco daqueles com a simples ideia de que os terroristas também têm coração, é quase ofensivo para o espectador. Por isso, das duas uma: se for uma pessoa que facilmente se ofende, então o final fará com que o Double Cheeseburger seja a ementa adequada; se, por contrário, precisa de muito mais do que uma simples muleta dramática para se sentir atingido na sua integridade, então não se irá arrepnder com o Le Big Mac. ![]() Quinta-feira, Janeiro 29, 2009 MILK: Título: Milk Realizador: Gus Van Sant Ano: 2008 ![]() Não é por acaso que Milk é um dos filmes mais aguardados deste ano que agora começa. São várias as razões: porque é a concretização de um projecto de longa data do realizador Gus Van Sant; porque é um filme sobre Harvey Milk, o primeiro homossexual assumido a ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos; porque tem criado uma enorme onda de polémica, especialmente porque mostra muitos homens a darem beijinhos na boca de outros homens; e, finalmente, porque é um dos favoritos à corrida dos Oscares. Milk é então um bio-pic tresmalhado de documentário, com excertos de imagens reais, seguindo uma tendência que marcou o cinema internacional no ano passado (vide filmes como A Turma ou Fome, por exemplo). Começa no exacto momento em que Harvey Milk celebra 40 anos - 40 anos e ainda não fiz nada de que me possa orgulhar - e termina com o assassinato deste, às mãos de Dan White (interpretado por Josh Brolin que, de repente, agora está em todas). Pelo meio, o relato da sua carreira enquanto mártir dos activistas gays, com principal enfoque na vertente política, descurando um pouco a parte pessoal (há lá uma parte em que James Franco cai do céu no argumento). Pessoalmente, uma dramatização assim como um Nixon, por exemplo, não tinha sido nada má. Ao contrário de filmes como Gerry ou Elephant, Milk é um filme mais convencional. Com uma reconstituição de época irrepreensível (com a ajuda das tais imagens reais de arquivo) e um guarda-roupa a preceito, Van Sant filma como nos anos 70, de cores queimadas e grão na imagem. De início, enquanto Harvey Milk é um hippie inspirado pela contracultura, Van Sant dá uns toques arty com piada ao filme, mas há medida que este vai entrando na máquina do sistema, o filme torna-se cada vez mais normal. Opcção propositada ou não nunca saberemos. Com um leque de secundários notável (Emile Hirsch é mesmo actor, Jess Franco também e Josh Brolin está aí para as curvas), Sean Penn é, no entanto, um senhor. O filme podia ser só uma hora a olharmos para Penn, cheio de maneirismos abichanados, o jeito de rir do verdadeiro Harvey Milk e a enrolar-se com outros homens. Se o Oscar de melhor actor lhe escapar, será única e exclusivamente por já ter um em casa. Entretanto, chego ao fim desta prosa e não falei da polémica despoletada pelo filme. Se calhar porque não há nada para dizer. Ah, há sim. Mas não é sobre isso. McRoyal Deluxe. ![]() Sábado, Janeiro 24, 2009 ASSALTO À 13ª ESQUADRA: Título: Assault On Precinct 13 Realizador: Jean-François Richet Ano: 2005 Em 1976, John Carpenter dava-se a conhecer ao Mundo com um filme de baixo orçamento, chamado Assalto À 13ª Esquadra, que iria redefinir todo o cinema de acção durante as duas décadas seguintes. No fundo, o filme era apenas um ovo de Colombo, uma ideia tão simpes que leva toda a gente a pensar isto também eu fazia. O que está aqui em causa é que foi Carpenter que a fez. Porque, às vezes, as coisas mais óbvias são aquelas que ficam para se fazer em último. Assalto À 13ª Esquadra (o original) é, então uma variação da estrutura clássica de Rio Bravo: a do forte sitiado, em que os bons estão cercados pelos maus e têm que sobreviver com todas as armas disponíveis. Carpenter actualizou a história ao século XX e à paranóia urbana, abrindo caminho para mil e uns spin-offs. Quanto a Assalto À 13ª Esquadra (o novo), é um remake do original, mas que nem se esforça por lhe dar um toque de actualidade. Nem sequer uma pinga de paranóia anti-terrorista, que é possível encontrar em 90% dos filmes de acção pós-11 de Setembro. Assalto À 13ª Esquadra limita-se a ser um filme de acção de entretenimento, quanto mais descomprometido melhor. Não é propriamente mau, mas é a diferença entre os filmes que fazem a diferença e os que são apenas mais um. Resumindo, eis a história: em véspera de ano novo, na zona industrial de Detroit (uma cidade bastante criminosa para quem se lembra de Robocop), a esquadra 13 está prestes a encerrar portas. No entanto, na sua última noite de actividade vai receber um autocarro cheio de reclusos para pernoitar, depois de ter sido apanhado desprevenido por um nevão. Nada de especial se entre os bandidos não estivesse o rei do crime local, Bishop (Laurence Fishburne), que vai ser perseguido até à morte até de madrugada. Enquanto que em Carpenter, a esquadra era atacada por bandidos cruéis em busca de vingança, Jean-François Richet dá-lhe um toque mais inteligente e opera uma espécie de intriga escondida que não adianta nada à história. Jean-François Richet tenta recriar a violência primitiva e quase silenciosa do filme original e, praticamente, consegue, salvo algumas excepções tipicamente hollywoodescas. No entanto, adianta-se em prólogos desnecessários e o final é estupidamente cheesy. Tão cheesy que não resisto ao spoiler. É que depois de uma noite inteira sitiados na esquadra, os heróis lembram-se que, afinal, há um túnel que os leva dali para fora... A única coisa melhor neste Assalto À 13ª Esquadra que no original são os actores. Ethan Hawke, mesmo a precisar de dinheiro para a renda, é um bom actor, Maria Bello é bonita todos os dias, Laurence Fishburne é um típico muthafucka badass e Gabriel Byrne dá o toque série-b à coisa. Todos juntos proporcionam melhores doses de suspense e tensão, típico das alianças polícias/bandidos que se celebram por necessidade de sobrevivência e que é um dos pratos fortes do filme. Não é propriamente mau, mas ninguém se vai lembrar de Assalto À Esquadra 13 muitas vezes. Mesmo assim, vale um McChicken porque estou bem disposto. ![]()
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11:36 AM Quinta-feira, Janeiro 22, 2009 JCVD: Título: JCVD Realizador: Mabrouk El Mechri Ano: 2008 ![]() Jean-Claude Van Damme está a ficar velho. Já tem quase 50 anos, está a ficar careca e a sua carreira bateu no fundo há já um bom par de anos. Por isso, estava na hora de fazer, urgentemente, alguma coisa à sua vida. E essa coisa chamou-se JCVD, uma one million dollar ideia - um filme em que faz de si próprio, auto-parodiando-se. Basicamente, é o primeiro filme de Van Damme em que não lhe matam ninguém próximo e ele tem que se vingar. Van Damme faz então de Van Damme, a antiga estrela do cinema de acção que anda a fazer filmes a metro, que esteve metido nas drogas, que está mal de finanças e que acaba de perder a custódia da sua filha em tribunal. A última réstia de esperança é a sua Bélgica natal, onde continua com crédito suficiente para tentar relançar a sua carreira. No entanto, uma ida ao banco vai alterar muita coisa. No habitual caso do sítio errado há hora errada, Van Damme fica refém de um assalto ao banco, acabando por ter de dar a cara pelos assaltantes. JCVD podia ser feito de muitas formas, mas Mabrouk El Mechri opta pela mais inesperada: uma espécie de mockumentário, em que a vida real se mistura com a ficção, como se fosse um documentário do mockumentário. Nesta experiência metafísica, pulvilhada de apontamentos artísticos, JCVD tem ainda mão de mestre numa remessa de travellings e long-shots que se prendem à cara do actor belga ao longo de complicadas sequências. O filme tem dois momentos cinematográficos brutais. O primeiro é a cena em que Van Damme fala com o próprio espectador num monólogo confindencial que rebenta qualquer convenção artística e vale o filme por si só; e o segundo é a sequência de abertura, um travelling que acompanha Van Damme nas rodagens em mais um dos seus filmes de porrada, despachando exércitos inteiros só com as mãos num único take. Tudo isto é sempre filmado com aqueles ocres embaciados, típicos do cinema holandês/belga, numa fotografia bem polidinha. JCVD é ainda uma experiência metafísica, uma farsa redentora que serve para Van Damme exorcizar os seus fantasmas, gozando consigo próprio. E há muita coisa para gozar com Van Damme: a famosa entrevista do aware, o facto de saber falar tão bem inglês quanto o Mário Soares fala francês, a rivalidade com o outro actor(?) de acção, Steven Seagal, ou a relação com John Woo, que é vista de maneira desigual por orientais e ocidentais. Esquecida fica apenas a cena no Brasil, em que ficou com uma erecção em directo. Contudo, a cena mais fantástica disto tudo é que.. afinal, Van Damme é um actor do caraças e não só faz tudo isto parecer real, como ficamos convencidos de que a sua carreira ao lado foi culpa da má sorte e dos agentes. JCVD poderia muito bem reabilitar Van Damme para reinventar uma segunda metade de carreira. No entanto, ao pesquisar no imdb, descobri que um dos próximos projectos do belga será uma terceira sequela do Máquinas De Guerra. Fail! Sem ser propriamente um Le Big Mac, JCVD vale-o nem que seja por ser o primeiro filme de Van Damme sem ser de acção. ![]()
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10:23 AM Terça-feira, Janeiro 20, 2009 A LOJINHA DOS HORRORES: Título: Little Shop Of Horrors Realizador: Frank Oz Ano: 1986 ![]() Os anos 80 foram do caraças! Em que outra década seria possível um filme como A Lojinha Dos Horrores, um remake do clássico do cinema de terror de série B de Roger Corman e uma adaptação do musical da Broadway? Só mesmo numa década em que a noção de ridículo esteve sempre dormente. Eu sei que, nos anos 70, também fizeram uma coisa bizarra semelhante, chamada Festival Rocky De Terror, mas caramba, aqui ninguém andava a meter-se nas drogas. Vamos por partes. Em 1960, Roger Corman assinou então A Pequena Loja Dos Horrores, filme feito em dois dias, sobre uma planta carnívora mutante, onde aparecia o Jack Nicholson novinho. Inesperadamente, tornou-se num filme de culto (no verdadeiro sentido da palavra) e, em 1982, alguém se lembrou de o transformar num musical-rock da Broadway(!). Mais uma vez, a coisa foi um sucesso (as pessoas já andavam cansadas de ver sempre Festival Rocky De Terror, supra-sumo do género) e, quatro anos depois, Frank Oz transformou-o num dos mais irreais filmes de sempre. A Lojinha Dos Horrores é então um musical-rock de terror que, obviamente, não é para levar a sério. É uma farsa assumida acerca de uma planta extraterrestre carnívora que quer dominar o Mundo, que subverte tudo e todos num final não oficial delicioso, em que uma planta gigante destrói uma cidade. No entanto, essa versão causou críticas e o realizador alterou para o habitual final feliz e o espectador ficou a perder. Um incêndio destruiu todas as cópias e agora, quem quiser ver esse final alternativo no maravilhoso mundo do youtube, só a preto e branco. Rick Moranis é então Seymour Krelborn, o coitadinho desajeitado que interpreta em todos os seus filmes, o trabalhador de uma florista em Skid Row que encontra uma planta carnívora de outro planeta que se parece com uma pila. Quando a começa a alimentar com sangue, esta cresce, começa a falar à preto (com a voz de Levi Stubbs, dos Four Tops (vénia)) e exigir mais e mais sangue - feed me. Seymour começa então a arranjar-lhe cadáveres, até porque na equação está a mulher da sua vida, a irritante Ellen Greene. De entre todas as bizarrias, destaca-se Steve Martin, no papél do rebelde-dentista-sádico Orin Scrivello, novamente a estrelar num musical esquisito depois de Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band. Bill Murray, Cristopher Guest e James Belushi também têm curtas aparições, dando uma perninha de amigo. No entanto, o grande destaque é mesmo a planta gigante, Audrey II, um fantoche gigante feito pelos responsáveis dos Marretas (ou não fosse Frank Oz um dos nomes mais importantes no legado de Jim Henson). Para terminar, menção à jukebox musical. Sem haver um tema que se cole verdadeiramente ao cérebro, A Lojinha Dos Horrores tem belos momentos (e um coro grego de stralettes à sixties), principalmente os que pertencem a Levi Stubbs. Filmado num cenário deliciosamente falso e pintado à mão, A Lojinha Dos Horrores é um noir colorido, em mais um paradoxo depois do musical de terror. Sem ser tão esquisito quanto Festival Rocky De Terror, A Lojinha Dos Horrores é um suculento McRoyal Deluxe. ![]() TAKE - CINEMA MAGAZINE: ![]() Página Oficial
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11:07 AM QUATRO NOITES COM ANNA: Título: Cztery Noce Z Anna Realizador: Jerzy Skolimowski Ano: 2008 ![]() Se o caro leitor, tal como eu, pensava que Jerzy Skolimowski já não tinha nada a provar, então está muito enganado. Vinte anos depois, o conceituado realizador polaco teve de voltar a fazer um filme menor, na sua língua Natal, para uns produtores com dinheiro verem que ele ainda sabia da poda e lhe financiarem o próximo filme. O trabalho chama-se Quatro Noites Com Anna e, apesar de ser um filme menor (menor como em pequena produção), não tem nada de ligeiro. Na província do norte da Polónia somos introduzidos a Leon (Artur Steranko), um homem solitário, com uma infância complicada e que divide a sua vida entre o trabalho no crematório do hospital local e os cuidados à sua avó acamada. Seguindo os concelhos desta última, Leon decide dar um rumo à sua vida e começa a dar-se com a enfermeira sua vizinha, Anna (Kinga Preis). O problema é que ela não sabe. Durante quatro noite, Leon vai entrar na sua casa durante a noite e fica a observa-la com olhos de tarado, enquanto lhe concerta o relógio de cuco, lhe pinta as unhas dos pés ou lava a loiça. O outro problema é que Leon e Anna têm já antecedentes, digamos, duvidosos... Basicamente, é mais ou menos o mesmo que Amélie Poulain fazia ao seu vizinho. No entanto, Quatro Noites Com Anna é uma versão dark de O Fabuloso Destino De Amélie. Em vez do universo colorido e luminoso de Jeunet, temos um mundo de sombras, noite, chuva, lama e música carregada. Aliás, esse é o grande trunfo visual do filme. Em Quatro Noites Com Anna tudo é feio e bruto. As pessoas são rudes, as casas despidas, o tempo está sempre mau e até Anna, a personagem feminina principal, não é nenhuma top-model, é uma mulher perfeitamente normal, roliça e que podia muito bem ser a nossa vizinha do rés do chão. Jerzy Skolimowski dá ainda o seu toque pessoal ao filme, com uma linha narrativa pouco convencional, uma vez que se diverte a fragmentá-la e a contaminar a linha narrativa com pequenos flashbacks, bem pertinentes, que nos vão dando umas luzes sobre o comportamento do protagonista. Tudo isto é marinado num suspense que nos lembra, constantemente, Alfred Hitchcock. Muito mais que o voyeur perturbador de A Vítima Do Medo, Quatro Noites Com Anna tem a ver com o voyeur obsessivo de Psico. É um filme denso e pesado, mas o jeito desengonçado com que Leon dá atenção a Anna enquanto esta dorme dá-lhe uma candura inesperada. No fundo, Quatro Noites Com Anna não é mais do que uma bonita história de amor, estragada por um encontro furtuito em que, claramente, os intervenientes estavam no local errado na hora errada. Isso e porque as mulheres são cruéis. Penso que com este McRoyal Deluxe, Jerzy Skolimowski conseguiu convecer os produtores a darem-lhe o dinheiro para o próximo filme. ![]()
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10:43 AM Quinta-feira, Janeiro 15, 2009 AMOR OU CONSEQUÊNCIA: Título: Jeux D'Enfants Realizador: Yann Samuell Ano: 2003 ![]() Ao aconselhar Em Paris a uma companheira de armas, recebi de volta a recomendação de Amor Ou Consequência, um filme que na altura me passou despercebido. Tal como Em Paris, Amor Ou Consequência é um filme que marca a ferro e fogo a nova vaga do cinema francês (uma nouvelle vague renovada), lançada pelos dados de O Fabuloso Destino De Amélie. E tal como Em Paris (ou mesmo Amélie), Amor Ou Consequência é um daqueles filmes deliciosos, que apesar da sua profundidade, parecem tratar dos assuntos à superfície A diferença entre a maioria dos feelgood movies e um filme como este, é que não é necessário ver com o cérebro desligado para gostar. Amor Ou Consequência é extremamente simbólico e quase uma metáfora, uma história de amor com tanto de trágico de Romeu E Julieta (a sua estrutura é a de uma tragédia pós-moderna, em três actos mais prólogo), como de The Fountain - O Último Capítulo. Mas não tão esquisito. Começamos por conhecer Julien (Guillaume Canet) quando este é uma criança de oito anos, com uma paixão imensa pelo jogo. No entanto, como os casinos não permitem a entrada a menores, o petiz vai embarcar no jogo mais perigoso e excitante de todos: o de verdade ou consequência. E como para jogar a isso é preciso uma segunda pessoa, eis a bela Sophie (Marion Cotillard) metida ao barulho. A relação de ambos vai desenvolver-se por mais oito décadas e terá sempre o jogo como dínamo que faz a lenha da amizade (e do amor) queimar, numa intenção de amor/ódio (literalmente). A primeira parte de Amor Ou Consequência é divertidíssima. Ter dois gaiatos a fazerem as piores alarvidades possíveis, só porque o são desafiados a fazer, é genial. No entanto, Yann Samuell dá uma ajudinha, com a mise en scene cuidadosamente estudada, os toques arty e as cores a saltarem para fora do ecrã. A nouvelle vague está viva e de saúde! Depois, os dois crescem e discutem por uma razão bem estúpida. A adolescência é uma trampa e nós sentimos que não vamos acabar por gostar do filme. Mas para o último terço, Amor Ou Consequência volta a encarrilhar nos eixos, Yann Samuell recupera a vitalidade por trás da câmara e o filme termina em alta! Filme que é uma palete de sentimentos, Amor Ou Consequência é daqueles que nos faz ficar com um sorriso parvo na cara muitas horas depois de terminarmos de o ver. Dá tempo de irmos comprar um McRoyal Deluxe, saboreá-lo calmamente e fazer a digestão com um belo passeio sob as estrelas. ![]() Quarta-feira, Janeiro 14, 2009 O ESTRANHO CASO DE BENJAMIN BUTTON: Título: The Curious Case Of Benjamin Button Realizador: David Fincher Ano: 2008 ![]() Um dos mais irritantes mails em cadeia que nós revebemos quase todos os dias (e aproveito este espaço público para apelar aos meu amigos: párem de me enviar este tipo de mensagens!), é um que, normalmente, aparece atribuído a Charlie Chaplin e diz que a vida devia ser ao contrário: nascíamos velhos, crescíamos a trabalhar, tínhamos a adolescência para gozar a reforma e morríamos num orgasmo. Como David Fincher não é, certamente, bombardeado com esta lenga-lenga semanalmente, decidiu fazer um filme baseado num conto parecido de F. Scott Fitzgerald. O filme chama-se O Estranho Caso De Benjamin Button e o nome no título diz respeito a Brad Pitt, um tipo que nasce em circunstâncias especiais, uma vez que vem ao Mundo como um homem de 80 anos, destinado a viver de trás para a frente e a ver morrer todos os que ama, enquantoi fica cada vez mais novo, mais novo, mais novo... até que puff! O Estranho Caso De Benjamin Button é um épico sobre a vida às arrecuas de Benjamin, ao longo de oito décadas de História, uma espécie de O Mundo A Seus Pés (sempre o clássico de Welles a influenciar meio mundo de cinema), tresmalhado de Uma Segunda Juventude. A história é ainda contada em formato flashback, narrada por uma Cate Blanchett velha e a sua filha, num processo de redenção familiar que traz resquícios de Quando Viste O Teu Pai Pela Última Vez, mas sem ser tão comovente. O tom simbólico e algo onírico que utiliza - o relógio que anda para trás no início do filme ou o tornado que atinge a cidade no remate - conferem-lhe ainda um tom fabulástico. Por isso, O Estranho Caso De Benjamin Button tem algo de O Grande Peixe. Mas se Tim Burton até era um realizador de quem esperássemos tal tipo de filme, David Fincher seria a última escolha. Quem diria que o príncipe das trevas iria realizar um filme com um tom tão claro e, mais imprevisível ainda, sobre o amor. O Estranho Caso De Benjamin Button é o Forrest Gump de Fincher, mas é umt rabalho mais complicado. Enquanto este ambientava-se num quadro histórico sobejamente conhecido, onde apenas Forrest era o elemento novo, aqui Benjamin constrói peça a peça 80 anos de vida. Por isso, o filme é tão longo e nem sempre com a mesma consistência - a parte velha de Brad Pitt é mais interessante que a parte nova -, tendo ainda um início aos atropelões. O problema de O Estranho Caso de Benjamin Button, em comparação com O Grande Peixe ou Forrest Gump, é que ao contrário dos personagens destes, a vida de Benjamin é deveras desinteressante. Aparte de ter nascido velho, não lhe aconteceu assim mais nada de especial. Ele é mais um filme de actores e ter dois com a classe de Pitt e Blanchett é meio caminho andando. É quase uma tour de force de ambos que, com caracterizações brutais, vão envelhencendo enquanto o outro rejuvenesce. Brad Pitt então até mete raiva, porque fica igualzinho a quando era um puto no Duas Vidas E Um Rio. Sem ser propriamente genial nem de longe o melhor trabalho de Fincher, O Estranho Caso De Benjamin Button é um filme em tons épicos, com momentos memoráveis suficientes para ser recordado amiúde pelos melhores motivos. Mas não passa muito além do McBacon, garanto-vos. ![]()
Posted by: dermot @
11:45 PM Segunda-feira, Janeiro 12, 2009 TOP 10: Antes que estejamos quase em 2010, deixem-me lá despachar isto, que anda aqui pendente a arrastar-se. Falo, obviamente, do TOP 10 DOS MELHORES FILMES DE 2008. Até porque serve para animar isto, que tem andado um pouco abandonado. Haverá Sangue ![]() É assim que se vê quando um realizador é bom. Com um argumento algo esburacado, Paul Thomas Anderson consegue fazer um filme digno de figurar nesta lista. É certo que Daniel Day-Lewis é metade do filme (mais de metade?), mas este é uma espécie de O Mundo A Seus Pés do século XXI. ..::..crítica opinatina aqui..::.. 9º Lugar Nevoeiro Misterioso Apesar do final ser das coisas mais frustrantes que a sétima arte já pariu, esta é uma das melhores adaptações do mestre Stephen King e o filme mais sobrevalorizado do ano. Primo afastado de O Nevoeiro, mas com polvos e lagostas gigantes em vez de piratas-fantasmas. ..::..crítica opinatina aqui..::.. 8º Lugar Aquele Querido Mês De Agosto ![]() Não sei se nas listas dos melhores do ano que costumo fazer já inclui algum filme português, mas como não me recordo e não me apetece ir conferir, vou partir do pressuposto que não e que Aquele Querido Mês De Agosto é o primeiro previlegiado do género. Música pimba, Portugal profundo e bailarico à portuguesa. ..::..crítica opinatina aqui..::.. 7º Lugar Quando Viste O Teu Pai Pela Última Vez? Quem não chorou a ver este filme, das duas uma: ou não tem coração ou está morto por dentro. O Grande Peixe versão melodramática e em bom. ..::..crítica opinatina aqui..::.. 6º Lugar (ex-aequo) [REC] & Missão De Código: Cloverfield ![]() São filhos da mesma mãe, mas de pais diferentes. Ambos são filmes de monstros à la O Projecto Blair Witch, mas nquanto que [REC] vale pela vitalidade, surpresa e baixo orçamento, Missão de Código: Cloverfield vale pela megalomania, pela inovação e por ser um filme que não se esgota à primeira. ..::..crítica opinatina aqui e aqui..::.. 5º Lugar Wall-E ![]() Se o Mundo fosse um local justo, Wall-E estaria no topo desta lista. Mas como eu nem para mim sou bom... ..::..crítica opinatina aqui..::.. 4º Lugar O Caveleiro Das Trevas ![]() Podia ter ficado conhecido apenas como o filme póstumo de Heath Ledger, mas é muito mais que isso. Batman goes Heat - Cidade Sob Pressão ou como fazer´a melhor adaptação de super-heróis de sempre- ..::..crítica opinatina aqui..::.. 3º Lugar O Orfanato ![]() Veio com o selo de Guillermo Del Toro como produtor, mas não necessitava dele para vingar por si só. Era o grande favorito ao Fantasporto, mas perdeu injustamente (para outro filme que até está aqui nesta lista, curiosamente). O Orfanato, história de fantasmas psicológica e creepy, merece este pódio como poucos o merecem. ..::..crítica opinatina aqui..::.. 2º Lugar Antes Que O Diabo Saiba Que Morreste ![]() Sidney Lumet pode não ser tão velho quanto Manoel de Oliveira, mas cada mau filme dele valem uns cinco dos do português. Depois de ter sido recuperado em 2005, com o Oscar de Carreira, Lumet assina aqui um dos seus mais brilhantes trabalhos. Com um filme à la Tarantino, é uma espécie de rip-off do Memento em formato mosaico. ..::..crítica opinatina aqui..::.. 1º Lugar O Assassínio De Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford ![]() Western metafísico arraçado de Terence Mallick. Brad Pitt e Casey Affleck. Nick Cave a fazer a banda-sonora e a dar um passo de dança num breve cameo. Razões mais do que suficientes para o melhor filme do ano. ..::..crítica opinatina aqui..::.. Quinta-feira, Janeiro 08, 2009 CORREIO DE RISCO 3: Título: Transporter 3 Realizador: Olivier Megaton Ano: 2008 ![]() Vi o primeiro Correio De Risco recomendado por um amigo. Desde esse dia, a nossa amizade nunca mais foi a mesma (estou a brincar, deixei foi de lhe pedir filmes emprestados, claro). Depois, ainda caí no risco de ver Correio De Risco 2 numa das incontáveis reposições nas tardes de fim-de-semana da TVI e fiquei fascinado como é que ainda conseguia ser pior. Não satisfeito, consegui cair no erro de ainda ir ver este terceiro tomo. E como diz a sabedoria popular, à primeira todos caem, à segunda só distraídos e à terceira apenas os parvos... Jason Statham volta a encarnar o seu Frank Martin, uma espécie de James Bond dos carros. Ele é o melhor na sua profissão, um transportador de encomendas para os mais importantes negócios obscuros. E, por mais que diga que já se retirou, o realizador Olivier Megaton e o produtor/argumentista Luc Besson (o Jerry Bruckheimer europeu) vão arranjar uma maneira de completar a triologia. O argumento envolve uma intriga internacional com a Ucrânia, uma tipa raptada e uma espécie de twist lá para o meio. Ah, é verdade, e umas engenhocas explosivas que lhe dão um ar de Saw - Enigma Mortal, o filme da moda (Besson não brinca em serviço). Filmes como este são para se ver com o cérebro desligado e afundado em pipocas. No entanto, mesmo assim, Correio De Risco 3 consegue passar ao lado. E para começar, pela brutal diferença de ritmo que tem para com os seus antecessores. E nem estou a falar da edição das cenas de acção, seguindo a recente tradição de retalhar as sequências em mil e um frames de milésimos de segundo, que nos deixa sem perceber nada e com uma enorme dor de cabeça. Estou a falar da forma com que o filme se arrasta pesadamente nas partes (supostamente) dramáticas, fazendo-nos aborrecer de morte. Um dos upgrades neste filme da série foi inserir um elemento feminino à intriga. Afinal de contas, até o mais duro dos duros precisa de amor. E a escolhida foi a desconhecida Natalya Rudakova, uma bela russa descoberta na rua e que, apesar de pouco jeito para a representação, é das melhores coisas do filme (suspiro). No entanto, a sua personagem é ainda mais instável que o próprio filme. Primeiro, começa por ser uma miúda com a rabuja, que não fala com ninguém. E como é que Jason Statham quebra o gelo? Com a frase não gostas de salsicha?. A partir daí ficam amigos. Até que esta encontra uma pastilha que sobrou de uma festa em Ibiza e, em dois minutos, transforma-se numa ninfomaníaca irritante que não se cala mais. Infelizmente, ninguém consegue dar-lhe um tiro até terminar o filme... Se Correio De Risco 2 era um filme extremamente machista (a culpa é de Amber Valletta, que passa o filme todo em trajes menores fetichistas), Correio De Risco 3 é o completo oposto, com Statham a passar mais tempo em tronco nu do que vestido. O que se mantém é a confusão entre estilo e paletes de filtros e cores saturadas e o irrealismo idiota, mas divertido das situações, se bem que aqui há uma perseguição entre um BMW e uma... BMX(!). No entanto, mais do que parecer mau, Correio De Risco 3 parece que goza connosco, com os clichés mais básicos de todos: uns barris cheios de um conteúdo tóxico, cujos vapores provovam, instantaneamente, uma varicela mortal; carros que explodem quando caem de ribanceiras; e os vilões sempre armados com uma faca na bota. Continuo sem perceber quem é que, no seu perfeito juízo, continua a dar dinheiro para fazer um Correio De Risco 3 depois dos desastres que foram os dois anteriores. O meu Happy Meal explica-se da seguinte forma: um pontinho para o filme, um pontinho para a Natalya Rudakova (suspiro) e um pontinho para o facto de, lá pelo meio, haver inesperadamente no meio de tanta música eletrónica europeia manhosa, um tema dos Stooges e outro da Holly Golightly. Se tiver coragem, pode ler algo sobre o primeiro filme da série aqui.
Posted by: dermot @
11:38 AM Sábado, Janeiro 03, 2009 TOP 5: Afinal, a tradição ainda é o que era. Pode é demorar um pouco mais do que o habitual... Mas se este ano eu até me esqueci do meu próprio aniversário, o que é que vos levava a crer que este (já habitual) TOP 5 DOS PIORES FILMES DE 2008 chegasse antes de terminar o ano? Como diz a sabedoria popular, mais vale tarde do que nunca. E podem parar com os emails a perguntar por isto, ok? O Segredo De Um Cuscuz ![]() É quando vejo filmes como este que me convenço de que não percebo mesmo nada de cinema. É que depois de ler tantas críticas a louvarem o filme, fui vê-lo e achei precisamente o oposto de tudo aquilo que elas diziam. O cinema verdade tem muito que se lhe diga, mas em 90% dos casos continuo a achar que aquela coisa de demorar os planos é apenas uma má questão de timing... ..::..crítica opinativa aqui..::.. 4º Lugar Uma Segunda Juventude ![]() Obviamente que este não é um mau filme. Aliás, realizadores como Francis Ford Coppola só fazem um mau filme por carreira e este já o fez em 1996 - chama-se Jack. No entanto, uma desilusão deste tamanho não pode deixar de figurar nesta lista de piores do ano. Coppola armou-se aos cucos e, com uma premissa bastante interessante, fingiu ser o David Lynch, com um trip-movie surreal em moldes de um cinema de antigamente e um argumento fraquinho. Felizmente, parece que o próximo filme do David Fincher vai mostrar o que é que esta premissa permite fazer. ..::..crítica opinativa aqui..::.. 3º Lugar Daqui P'ra Frente ![]() Infelizmente, os títulos nacionais continuam a figurar, ano após ano, nestas minhas listas dos piores do ano. Eu tento perceber, a sério, mas consigo. Este é um autêntico catálogo dos maus clichets do cinema português (só faltam os diálogos teatrais), em que até o genérico final é maus, com uma animação manhosa no after effects em que se esqueceram de colocar som. ..::..crítica opinativa aqui..::.. 2º Lugar O Dia Em Que A Terra Parou ![]() Este filme podia até nem estar nesta lista (ou pelo menos neste lugar) se não fosse um remake da obra-prima com o mesmo nome datada de 1951 e assinada por Robert Wise. Scott Derrickson actualizou este clássico da ficção-científica aos dias de hoje, trocando a tensão da Guerra Fria pelas tretas new age do ambientalismo, trocando o robot Gort por um gigante em CGI, trocando Klaatu pelo rei da inexpressão, Keanu Reeves e rematando tudo com uma praga de bicinhos comilões que desfazem o Mundo. ..::..crítica opinativa aqui..::.. 1º Lugar Entre Os Dedos Tal como o ano passado, o grande vencedor do balde de lata de 2008 é... um filme português. E, tal como no ano passado, vence sem espinhas, a milhas da concorrência. É que, para além de ser um mau filme, Entre Os Dedos é uma desilusão gigantesca, porque eu tinha uma esperança enorme no Tiago Guedes e no Frederico Serra. Quem diria que, depois do Coisa Ruim, iriam fazer um compêndio de mau cinema nacional, com toda a pretensão possível, um preto e branco preguiçoso e maus actores? ..::..crítica opinativa aqui..::..
Posted by: dermot @
11:24 PM |
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