Domingo, Dezembro 13, 2009
UP - ALTAMENTE:Título:
UpRealizador: Pete Docter
Ano: 2009

Ultimamente tenho ouvido tanta gente a dizer que
Up – Altamente é o melhor filme de animação de sempre e que poderá ser, inclusive, a primeira obra de animação a ser nomeada para o Óscar de melhor filme desde
Branca De Neve E Os Sete Anões, que me fez ficar desconfiado. Principalmente por duas razões: primeiro porque o ano passado estreou
Wall-E, um dos melhores desenhos-animados da história da sétima arte – e não me parece que a Pixar, por mais genial que seja, conseguisse duas obras-primas em tão pouco tempo; e segundo porque a sinopse – um velho rabugento e um miúdo escuteiro que vão em aventura numa casa suspensa por milhares de balões de hélio – não me parecia susceptível de dar um grande filme.
Mas como sou um céptico por natureza, daqueles que se rege pela máxima
ver para crer (e como, normalmente, me costumo enganar), lá fui comprar o dvd para tirar a prova dos nove. De facto, a história não é propriamente original, mas a animação também nunca se fez de grandes ideias inovadoras. Aliás, a Disney construiu o império com apenas uma ideia, muito simples por sinal: animais que falam. O truque aqui é que a Pixar sabe escrever histórias inteligentes. E para a toda as idades; são filmes adultos, mas que agradam igualmente às crianças, comportando uma (ou várias) mensagem moralmente valiosa.
A sinopse é então simples, mas não é tão bidimensional quanto parece à partida. O velho é rabugento, mas não apenas porque todos os velhos são rabugentos. É que a montagem musical inicial – um dos melhores pedaços de cinema de sempre, com uma palete de sentimentos abismal, que nos faz ir às lágrimas um par de vezes e sorrir estupidamente outras tantas – mostra-nos a história daquele senhor que se tornou amargo pela recente viuvez e por nunca ter cumprido o seu sonho (e da sua esposa) de embarcar em aventuras exploratórias como as do seu herói de infância, Charles Muntz.
A aventura é então, simultaneamente, um escape do velho perante a ameaça do ocaso da vida e o derradeiro cumprir do seu objectivo de vida. Por arrasto, vem um miúdo escuteiro, que funciona como sidekick e comic-relief (é ainda acrescentada à história outros companheiros, dois animais que falam, ou não estivesse a Pixar agora junta à Disney), mas que faz
Up – Altamente rimar com dois temas valiosos: a diferença de gerações e, sobretudo, os rituais de crescimento e envelhecimento. No fundo, é um filme sobre a vida e o passar do tempo, que tem a patine de um cinema de outros tempos (onde não falta a banda-sonora clássica em vez das theme-songs da banda da moda).
Up – Altamente é extremamente adulto e sensível (facilmente confundível com depressivo, por vezes) e com uma palete de sentimentos bem aberta e diversificada. Faz-nos rir, mas não devido a gags ou piadas simples, antes devido ao realismo das situações. A animação também não é propriamente realista – nem podia, com uma história tão irrealista –, mas as expressões das personagens são do mais humano que há. Daqui em diante, os executivos deviam começar a pensar em contratar um boneco em desenho-animado do que gente como o Keanu Reeves, para evitar terem estátuas sem expressão facial a representar.
Mas não nos podemos esquecer que
Up – Altamente é um filme de animação e, como tal, um produto de entretenimento. E os seus autores, especialistas na matéria, sabem-no melhor que ninguém e, por isso, transformam-no às tantas num filme de aventuras, herdeiro das matinés domingueiras de (
Sky Captain E O Mundo De Amanhã é um primo afastado), com sequências de tirar o fôlego, situações radicais e um confronto bélico com o tal Charles Muntz e um batalhão bélico de cães falantes.
Apesar da diferença de estilos,
Up – Altamente nunca perde o pé e consegue ser extremamente equilibrado. Não é melhor que
Wall-E, que é mais filme, mas merece vários elogios de todas as partes. Principalmente, por conseguir ser um filme de animação tão adulto – uma tarefa complicada esta de nos fazer pensar na vida com desenhos-animados. Experimentem pensar na vossa vida a comer um McRoyal Deluxe, vai fazer-vos bem.
Posted by: dermot @
11:46 PM
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