Quinta-feira, Outubro 15, 2009
Publicado originalmente na TakeTAKING WOODSTOCK:Título:
Taking WoodstockRealizador: Ang Lee
Ano: 2009

Ang Lee é o David Bowie do cinema. È que não é apenas um realizador versátil, capaz de mudar de género ou estilo a cada filme; é um verdadeiro realizador camaleão, que muda de pele de trabalho para trabalho, que por sua vez são cada vez mais improváveis e que, no fim, consegue safar-se em todos com igual destreza. Duvido que alguém conseguisse fazer tão bem um filme de wi-fu, um de super-heróis, um sobre cowboys gays e um sobre Woodstock.
Depois de ter revisitado uma das impressões digitais do cinema norte-americano, em
O Segredo De Brokeback Mountain, Ang Lee voltou a mergulhar na América profunda para fazer um filme sobre o mítico festival de Woodstock, que, em 1969, marcou uma década de paz e amor, contra-cultura, hippies, rock'n'roll e drogas. E mais uma vez, fá-lo como se fosse um americano de gema, absorvendo a sua identidade como se fosse um Douglas Sirk hippie.
O filme até faz sentido, uma vez que celebrámos recentemente 30 anos de festival, mas
Taking Woodstock não é nem um documentário, nem uma reconstituição. Então o que é? È uma espécie de fábula, sobre Jake Teichberg (Henry Goodman), um adolescente que, ao tentar salvar da bancarrota o resort caquético da sua família, contacta Michael Lang (Jonathan Groff), o mentor de Woodstock, para que ele instale o festival no quintal da sua casa. Depois, o resto é história: o festival recebe, durante três dias, o número astronómico de 500 mil espectadores, a organização vê-se obrigada a abrir as portas a tanta gente, os autócnes de Bethel rendem-se às evidências e acolhem aqueles jovens todos e, de repente, a história do rock'n'roll e de toda uma geração fica irremediavelmente marcada.
Mais do que um filme sobre Woodstock (que está lá, omnipresente, mas nunca o vemos, é sempre um som de fundo ou um mar de gente que nos impede de alcançar o palco),
Taking Woodstock é uma fábula familiar, sobre um jovem, a sua família disfuncional (fantástica Imelda Staunton, em modo velha rabugenta) e os seus problemas tabus (homossexualidade ao de cima), numa espécie de
Quase Famosos, mas sem a componente on the road. No entanto, onde
Taking Woodstock é verdadeiramente feliz, é ao captar o espírito do festival, da geração hippi e da contracultura. E no meio disto, tem a mais realista cena de tripar com ácido que o cinema já viu!
Filme mais de bonecos do que de personagens (Michael Lang, por exemplo, que nós conhecemos bem, é uma caricatura),
Taking Woodstock é divertido porque tem bonecos bastante engraçados. No final, há ainda tempo para o feelgood movie e nós recordamos
Uma Família À Beira De Um Ataque De Nervos, na forma como aquela família se reencontra consigo mesma. O filme entretém, faz-nos rir, comove-nos e transporta-nos para o interior de Woodstock, algo que, às vezes, até é mais difícil acontecer com o documentário de quatro horas e planos truncados. Vale, na boa, um Le Big Mac.
Posted by: dermot @
7:31 PM
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