Sábado, Setembro 12, 2009
VENENO CURA:Título:
Veneno CuraRealizador: Raquel Freire
Ano: 2007

Quando Raquel Freire lançou
Rasganço, em 2001, a crítica e a malta de Coimbra (especialmente) não lhe perdoaram tamanha xunguice-pop-romântica sobre a tradição académica coimbrense. Por isso, confesso que não estava já à espera de a ver com um novo filme, após sete anos sem fazer nada.
Devido a esta conjuntura, acabei por ir com curiosidade ver
Veneno Cura. Este começa com uma senhora (Sofia Marques) que, ao dar banho à sua filha bebé, tem um acidente muito estúpido e a menina morre dentro de um balde de água a ferver. Depois de se tentar suicidar, é encarcerada numa cela, sem nada que possa utilizar para se matar, à espera de julgamento. E a partir daqui, nada mais faz sentido.
Pouco depois há um advogado (Miguel Moreira) nomeado pelo Estado para a defender, que por acaso até é o Mourinho do Direito em Portugal, e que a viola(!) sempre que a vai visitar à cela ou a outro sítio qualquer, sob o pretexto de a querer salvar(!!). Esse mesmo advogado parece ser uma personagem diferente ao mesmo tempo que vai comendo a irmã gémea na piscina(!!!). Esta (Sandra Rosado) tem uma doença terminal e, antes de se suicidar na banheira, vemo-la por um bar de strip, onde é a imperatriz do sítio(!!!!), que parece o
Tebas, de Rodrigo Areias, num misto de neo-realismo-barroco-xunga e mau cinema. Também nesse bar de strip há outros irmãos, um ex obcecado e outras personagens difusas.
Tudo isto é apresentado em modo sequencial que eu ia apelidar de telenovela, mas emendo: é mais em formato anúncio de televisão. Raquel Freire teve o momento mais feliz da sua realização ao apelidar aqueles segmentos cinematográficos de
fragmentos. O resto é mais verborreia mental e que ajuda a rotular o cinema português com aquelas ideias que a maioria das pessoas tem dele: as personagens femininas andam sempre com as mamas à mostra, cena sim cena não há sexo e os diálogos são demasiado poéticos, como aquele em que uma tipa abre as pernas e ordena ao namorado(?) que lamba.
Quando já estava quase a ficar com um nó no cérebro, olhei para o relógio para ver quanto tempo faltava para o fim e espantei-me, porque apenas tinham passado vinte e poucos minutos! Que se lixe isto, ando demasiado cansado para aturar coisas destas!! Ou então sou eu que não sou suficientemente inteligente para o perceber...
Tomem lá Pão Com Manteiga.
Posted by: dermot @
4:52 PM
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