Quinta-feira, Junho 25, 2009
NO LIMITE DO AMOR:Título:
The Edge Of LoveRealizador: John Maybury
Ano: 2008

Dylan Thomas, nascido no País de Gales em 1914 e falecido precocemente com apenas 39 anos, devido ao comportamento alcoólico pouco (nada?) moderado, foi um dos maiores poetas da língua de Shakespeare e, no geral, do Mundo. O autor de palavras tão perfeitas como
And death shall have no dominion é ainda um ícone da cultura pop, aparecendo na capa do
Sgt. Pepper's, dos Beatles, ou influenciando o baptismo artístico de Robert Zimmerman, vulgo Bob Dylan. Tudo isto era matéria para um filme biográfico e
No Limite Do Amor só estranhou pela demora.
Confirmo: Dylan Thomans, interpretado por Matthew Rhys, é mesmo uma das personagens de
No Limite do Amor. No entanto, de bio-pic, o filme tem... bem, não tem nada, digamos. É antes um filme sobre uma determinada fase da vida do escritor (começando no final da segundo guerra mundial, quando escrevia textos de propaganda para os ingleses, e indo um pouco mais além, até ao seu regresso ao País de Gales natal), com principal incidência sobre a pouco convencional (estranha) relação de Dylan Thomas com a sua mulher, Caitlin MacNamara (Sienna Miller, que parece cada vez mais a Courtney Love, sempre a fazer de si própria: bêbada, drogada e/ou puta), a sua amiga de infância, Vera Philips (Keira Knightley), e o marido desta, William Kilick (Cillian Murphy). É desenhado um quadrado amoroso, nem sempre consumado, mas entregue às mulheres, que são os dínamos do filme.
No Limite Do Amor é um exercício de estilo bem pretensioso de John Maybury, que tem a mesma atitude de quem instala pela primeira vez o photoshop e quer usar todos os efeitos do programa no primeiro trabalho gráfico que faz. Maybury não utiliza os efeitos visuais de um Tony Scott, mas experimenta tudo o que se lembra.
No Limite Do Amor começa como um produto saído da época clássica de Hollywood, mas com as cores polidas e brilhantes em vez do patine do preto e branco; depois, tem umas pinceladas arty, uns tiques de cinema europeu e o porte do cinema britânico, com enquadramentos pouco convencionais ou travellings arrojados, mas injustificados.
No Limite Do Amor mistura inúmeras formas de filmar, umas boas outras más (um bombardeamento filmado como o início do
Irreversível ou uma cena de amor desfocada são rebuçados estragados para o nosso cérebro), mas, no geral, poucas combinam entre si. É como vestir um casaco da alta costura italiana com uns calções do Coronal Tapioca: ambos podem ser muito giros isoladamente, mas juntos vão-lhe dar um ar ridículo.
Quando vejo filmes como
No Limite Do Amor, só consigo lembrar-me
disto. E estou sempre há espera que alguém diga
condensation. Tudo demasiado pretensioso e a fazer muito pouco sentido na maior parte das vezes. Eu até acredito que, no fundo, está uma história enterrada, com um excelente ponto de vista, mas eu é que não tenho uma pá para escavar tanto. Por isso, a ideia que me ficou foi: uma primeira parte verdadeiramente pointless, por entre o subsolo londrino em plena segunda guerra mundial, com um quadrado amoroso que tenta ser um
Os Sonhadores, mas com a mesma credibilidade de um par de fedelhos adolescentes; e uma segunda parte ligeiramente melhor, mais violenta e caótica, que vai explorando as fases mais sensacionalistas da relação, violentando o nosso espírito com tanta incoerência argumentativa (e adolescente).
Da vida de Dylan Thomas,
No Limite Do Amor tem muito pouco. Alguns dos seus poemas estão lá, é certo, recitados em vez da banda-sonora, mas se não tivessem era igual. E quanto ao trabalho de John Maybury, que não liga necessariamente a linhas temporais coerentes, descrevo-o numa palavra: pfff! Por isso, o meu Happy Meal tem muito em consideração a boa memória de Dylan Thomas.
Posted by: dermot @
12:02 AM
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