Domingo, Junho 28, 2009
DEIXA-ME ENTRAR:Título:
Låt Den Rätte Komma InRealizador: Tomas Alfredson
Ano: 2008

O vampirismo também andam na moda. Muito graças ao novo fenómeno juvenil, que já chegou ao cinema com
Crepúsculo (e que eu tenho que ver para me poder integrar e comentar), os vampiros voltaram a ganhar tempo de antena. Mas desta vez a luxúria e o deboche ficaram guardados na gaveta; os vampiros são agora jovens marginais, minorias escorraçadas pela sociedade e ostracizados por não se inserirem na
normalidade.
Deixa-me Entrar, filme sueco que tem feito furor pelos festivais do fantástico e realizado por um tipo que, há pouco tempo, realizou uma curta dedicada ao nosso cherne (o senhor Durão Barroso, claro está), insere-se nesta vaga: adolescentes vampiros marginalizados, pequenos outsiders cuja sua condição não é uma forma de vingança e de escape, mas antes o resultado de uma doença de que querem fugir. Já não são os vampiros de Anne Rice, pequenos adolescentes românticos assustados com a puberdade; são jovens postos de parte pela sociedade, emos que encontram conforto junto dos seus iguais.
Claro que isto é mais teoria do que prática. De forma mais pragmática,
Deixa-me Entrar é sobre Oskar (Kåre Hedebrant), um puto solitário vítima de bullying na escola, com uma fome escondida de vingança. Mas como isto não é realizado pelo Larry Clark, Oskar não vai sacar de uma arma e assassinar toda a gente. Vai antes ganhar forças com uma amiga nova, que se muda para o apartamento ao lado do seu e que só pode sair à noite. Ela é Eli (Lina Leandersson), alimenta-se do sangue dos outros e também não tem amigos, mas porque é uma vampira. No fundo, os dois miúdos são as faces da mesma moeda: dois jovens marginalizados pela sociedade por serem
diferentes.
Deixa-me Entrar tem vampiros a morder pescoços, vampiros a incinerarem-se com a luz do sol (espectacular cena) e algumas cenas gráficas (extremamente bem filmadas, há que dizer), mas extravaza muito mais o simples filme de género. Porque o vampirismo é apenas um pretexto para aprofundar aquela relação a dois, entre Oskar e Eli, num drama de escola adolescente e num ritual de crescimento e passagem. Só que com dentes afiados e uma necessidade urgente de beber sangue humano.
Ambientado nos subúrbios de Estocolmo e filmado com uma sobriedade glaciar,
Deixa-me Entrar é um drama gelado, com uma fotografia exemplar e herdeiro da tradição de Ingmar Bergman. Supreende a mistura de estilos, mas se pensarmos bem faz todo o sentido: que sítio mais indicado para um vampiro viver do que um país nórdico, onde os dias solarengos rareiam? Além disso, termina com uma das cenas mais geniais (e brutais) do cinema de terror recente. Chamam-lhe o melhor filme fantástico com crianças como protagonistas desde
O Labirinto do Fauno, mas eu prefiro chamar-lhe o
Tubarão, mas com vampiros em vez de tubarões. Ou então, simplesmente, um Mcroyal Deluxe.
Posted by: dermot @
7:58 PM
|