Domingo, Maio 17, 2009
QUARENTENA:Título:
QuarantineRealizador: John Erick Dowdle
Ano: 2008

É impressionante a avidez com que Hollywood pilha as filmografias de outros países em busca de bons filmes de terror (e às vezes de outros géneros) para fazer remakes. Tudo isto acontece pela fome de dinheiro dos grandes estúdios (porquê experimentar um filme novo, se sabemos que aquele já funcionou noutro lado?), mas sobretudo porque os americanos são preguiçosos de mais para verem um filme legendado (
se quiser ler um filme, arranjo um livro e não um dvd, lê-se amiúde nos fóruns da especialidade). No entanto, no caso deste
Quarentena, isto chega a a ser assustador: em menos de um ano, foi refeito o espanhol
[Rec], alto sucesso de terror europeu e limpa-festivais, em versão praticamente igual.
Quando opinei sobre
[Rec] aqui neste humilde tasco (podem clicar
aqui, caso não se recordem), apostei que este remake não iria ser nem metade bom do que é o original. Não o fiz apenas devido ao meu mau feitio; fi-lo porque todos sabemos o que a casa gasta. E além disso, o trailer de
Quarentena revelava o twist final do filme, o que punha o gráfico no vermelho no campo do ridículo. Mas eis uma grande novidade: o remake não é nada mau. Antes pelo contrário.
Caso não saibam,
Quarentena é a história de dois jornalistas (a pivot Angela Vidal (Jennifer Carpenter, que precisava de umas mamas um pouco maiores para rivalizar com a espanhola Manuel *suspiro* Velasco) e o cameraman Scott (Steve Harris)), que vão acompanhar um quartel de bombeiros para uma peça televisiva. Uma chamada de emergência leva-os até um prédio igualzinho ao de
[Rec], mas onde vive uma comunidade ainda mais multicultural, onde vão encontrar uma velhota que ataca todos à dentada. Daí até a um virus que deixa toda a gente semelhante a zombies é um salto. E daí até ao governo selar o edifício à espera que todos morram é um pulo.
Quarentena surge na tradição de
O Projecto Blair Witch, filmes em que somos mais uma das personagens, filmado na primeira pessoa como um mockuemntário de terror. Por isso, o terror e o suspense tornam-se mais realistas e, por mais que estejamos preparados, acabamos sempre por entrar no espírito do filme. Por acaso, em comparação com
[Rec],
Quarentena ganha aqui pontos: o cameraman não é tão apático quanto o seu homónimo espanhol, que se mantinha calado e mudo, sem mexer uma palha apara ajudar toda aquela gente que morria aos seus pés; aqui, Scott mata mesmo uma tipa com a própria câmara, esfrangalhando-lhe a cara numa massa de sangue, qual
Irreversível. How cool is that?
É claro que
Quarentena é um pouco mais descritivo que
[Rec]. É a natureza norte-americana e não se consegue evitar. Mas, surpreendentemente, o filme mantém o mesmo caracter pessimista e algo niilista do original, não caindo da inevitável tentação do final feliz ou promover algum romance ridículo (neste ponto, quase que vacilavam). Aliás, na parte final, Quarentena apaga mesmo qualquer explicação, deixando tudo em aberto. Funciona tão bem quanto
[Rec], apenas não tem o bónus de serem os portugueses os responsáveis pelo princípio do fim do Mundo.
É certo que
Quarentena não traz nada de novo num Mundo em que já havia
[Rec], mas também não era esse o seu propósito. O seu objectivo era apenas actualizar o filme espanhol para o universo dos americanos preguiçosos demais para lerem umas legendas. E conseguiu-o, sem ser propriamente genial, mas atingindo o essencial: assusta (mesmo para quem viu
[Rec]), trabalha bem o suspense e a tensão e, sobretudo, entretém. Não tenho pejo nenhum em reconhecer que errei na minha previsão e de dar-lhe um McBacon.
Obviamente que não subsitui o original, por isso sigam este link.
Posted by: dermot @
9:20 AM
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