Domingo, Maio 17, 2009
ESPECIAL X-MEN:
X-MEN:Título:
X-MenRealizador: Bryan Singer
Ano: 2000

Os X-Men são um dos maiores trunfos do mundo da Marvel e, por isso, esteve vários anos há espera do momento certo para saltar para o grande ecrã. No fundo, esse momento chegou quando se conjugou dois factores decisivos: o desenvolvimento do CGI até níveis aceitáveis, que permitissem criar aquele mundo fantástico de forma credível; e o advento do boom das adaptações cinematográficas dos livros de banda-desenhada. E assim evitou-se arrastar o grupo de super-heróis mutantes pela vergonha, como aconteceu com o
Quarteto Fantástico, em 1994.
Os X-Men chegaram então ao cinema pela mão de um rol de então ilustres desconhecidos: Halle Berry ainda não tinha ganho o Oscar, Hugh Jackman era um novato e James Marsden... bem, James Marsden continua sem passar da cepa torta. Quanto a Bryan Singer, continuava a ser apenas o tipo que fez
Os Suspeitos Do Costume, tentando rasgar de vez o rótulo de promissor.
Os primeiros filmes destas sagas têm sempre um papel complicado: o de introduzir as personagens. Especialmente quando está em causa um colectivo tão grande e variado quanto os X-Men. Por isso, Singer teve de perder uma hora de filme para os apresentar e desenvolver (com demasiadas coincidências no argumento, ressalve-se), deixando a acção propriamente dita para a meia-hora final. O que, para um filme de acção, nem sempre é muito tolerável.
Para primeira aventura, os X-Men enfrentam logo o seu principal inimigo, Magneto (Ian McKellen),
o líder dos mutantes maus, que inventa uma máquina para transformar todos os humanos em mutantes. A premissa parece simpes - mutante extermina humanos -, mas no fundo é bem mais complexa que isso. Primeiro, porque ecoa no outro extermínio (o do Holocausto), deonde Magneto sobreviveu quando era pequeno; e segundo, porque retrata os mutantes como uma minoria oprimida, que precisa de se assumir que, quer queiramos quer não, ecoa na homossexualidade assumida de Bryan Singer (e que, aliás, voltou ao tema em
Super-Homem: O Regresso).
Além disso, apesar de a história ser sobre a tentativa de Magneto destruir os humanos,
X-Men acaba por se centrar principalmente na personagem de Wolverine (Hugh Jackaman). Afinal, a escolha foi óbvia, ou não fosse a personagem mais carismática do grupo. Não é por acaso que deu azo a um spin-off/prequela, não é? É ele o dínamo do filme, apesar de no centro da intriga estar Rogue (Anna Paquin), que deixou de ser uma mulher com força sobre-humana para passar a ser uma adolescente insegura. Aliás, foi a única mudança que Singer fez à história original, fundindo duas personagens numa só por motivos dramáticos. Digamos que não resultou lá muito bem, não só porque a personagem é pouco credível, como Anna Paquin foi um erro de casting.
E por falar em erro de casting, quem diria que Halle Berry iria conseguiria alguma vez ganhar um Oscar? É certo que os diálogos não ajudam (que raio de fala é
sabes que acontece a um sapo quando é atingido por um raio? Exactamente o mesmo que acontece ao resto das coisas?), mas Halle Berry anda ali apenas a arrastar-se, com umas lentes de contacto opacas e calças de cabedal bem justas, desperdiçando uma personagem forte como Tempestade. Menos sorte teve o Homem-de-Gelo, por exemplo, que é reduzido a um adolescente secundário. Triste sina para um X-Men fundador.
Não é propriamente excitante, mas
X-Men cumpre aquilo a que se dispõe com os mínimos exigíveis: introduz as personagens, oa temas e prepara o terreno para a sequela. Nada mau para um primeiro tomo começar por um McBacon.
X-MEN 2:Título:
X2Realizador: Bryan Singer
Ano: 2003

Depois do trabalho de sapa em
X-Men, Bryan Singer ficou com o caminho totalmente livre para a sequela e com todas as condições para fazer o seu trabalho de forma descansada: os personagens estavam apresentados e as sementes para o desenvolvimento da intriga estavam lançadas. Por isso,
X-Men 2 não tinha nenhuma desculpa para falhar.
Os mutantes de Singer são uma minoria silenciosa e oprimida e aqui, em
X-Men 2, o cenário não é diferente. No entanto, a guerra fria entre humanos e mutantes do primeiro filme ganha aqui uma ligeira variação: entra em cena um tipo novo (Brian Cox) que quer acabar com os mutantes e, antes que a coisa se descontrole, a balança é equilibrada com a aliança entre os X-Men e Magneto. Ou seja, mantem-se a premissa, apenas variam os lados da barricada, de forma honesta e eficaz.
Wolverine (um Hugh Jackman cada vez mais confortável no papel) continua a ser a estrela da companhia, em busca das suas origens recalcadas, mas já não é tanto o dínamo que fazia as coisas girar em
X-Men. Jean Grey (Famke Janssen), por exemplo, ganha igual destaque, lançando pistas para a sequela e para a sua mutação em Fénix (os fãs da série sabem do que estou a falar). Felizmente, Rogue desaparece de cena, relegada para um papel secundário num romance adolescente com o Homem-de-Gelo (Shawn Ashmore). Quanto ao rebuçado de X-Men 2, chama-se Kurt Wagner (Alan Cumming), um mutante com o poder de se teleportar, jeito para as artes marciais e sotaque alemão carregado.
Ao contrário de
X-Men,
X-Men 2 já se parece mais com um filme de acção (a cena inicial é particularmente genial, com Kurt Wagner a invadir a Casa Branca e a tentar assassinar o presidente norte-americano em grande estilo), mas mesmo assim, perde-se em demasiada ficção-científica. Ele é máquinas para detectar mutantes, ele é máquinas para detectar humanos, ele é alucinações para prender mutantes a eleminar mutantes através de máquinas... No entanto, a invenção mais patete de Singer neste tomo, depois da máquina radioactiva que mutava humanos no primeiro filme da saga, são umas gotinhas na nuca dos mutantes que lhes controla a mente(!).
É certo que
X-Men 2 perde demasiado tempo nestes rodriguinhos de CGI e maquinaria pesada, mas é igualmente verdade que não perde tempo em assuntos secundários, dando igual importância ao desenvolvimento das personagens e à acção propriamente dita. Chamam-lhe o melhor filme de super-heróis, mas eu chamo-lhe o melhor McBacon de super-heróis.
X-MEN 3 - O CONFRONTO FINAL:Título:
X-Men: The Last StandRealizador: Brett Ratner
Ano: 2006

Apesar de não ter podido completar a triologia, Bryan Singer pôde sentir-se descansado e com a consicência tranquila de quem fez o seu trabalho bem feito, quando abandonou a saga X-Men. Quanto ao seu sucessor, Breet Ratner, foi como se lhe saísse a sorte grande, apanhando o franchise com a papinha já toda feita. Por isso, em toda esta equação, quem ficou mais a perder foi mesmo o público, que viram o seu grupo de super-heróis mutantes favorito entregue a um tarefeiro de Hollywood.
Se alguém ainda tinha minimamente a esperança que
X-Men 3 - O Confronto Final pudesse ser, simplesmente, uma história de acção que opusesse os X-Men a um qualquer vilão, em hora e meia de pancada, então deve-se ter arrependido rapidamente. É que este terceiro tomo fecha a triologia com mais degrau avançado na guerra entre humanos e mutantes, desta vez com a criação de uma cura para os mutantes por parte do pai de Anjo (Ben Foster), um dos novos personagens do filme, que acaba por ter tanto protagonismo quanto o Balboa teve no plantel do Benfica esta época. O outro extra é Hank McCoy (Kelsey Grammer), o peludo Besta, que substitui Kurt Wagner, desparecido sem deixar rasto desde o último episódio.
No meio disto, Wolverine deixa, finalmente, de procurar as suas origens e ganha um estatuto cada vez mais forte no seio do grupo, enquanto que Tempestade aumenta o protagonismo que lhe faltou nos dois filmes anteriores. Isto de ser a Halle Berry tem as suas vantagens e dá para fazer estas birras. Só é pena é que, por ser a Halle Berry, baste andar a exibir os seus novos penteados para receber o cheque no fim do mês. Entretanto, o sub-enredo de
X-Men 3 - O Confronto Final tem a ver com a ascensão de Fénix, como havia ficado patente no episódio antecessor. No entanto, esta é uma história com tanto para se dizer, que fica sempre a impressão que apenas é tocada à superfície.
X-Men 3 - O Confronto Final volta a abusar do CGI, não para grandes sequências de acção, mas para satisfazer a opulência caprichosa de sequências megalómanas, que remata tudo com um filme-catástrofe, muleta essencial para quem quer impressionar grandes públicos. O pior é que embrulha este pacote com muita música triunfal e demasiadas bandeiras defraldadas ao vento, num patriotismo que era desnecessário, como Bryan Singer provou nos dois primeiros filmes.
O grande motivo de interesse de
X-Men 3 - O Confronto Final é mesmo a coragem que tem em fazer mudanças profundas na história, matando várias personagens importantes sem grande pudor. Infelizmente, logo a seguir, o final dá-nos duas cenas que deixa outra vez tudo em aberto, mas aqui o problema já não é de Brett Ratner, mas sim da própria Marvel, que está sempre a matar e a ressuscitar os seus personagens.
X-Men 3 - O Confronto Final é o mais fraco dos três, mas não muito, apenas um McChicken.
Posted by: dermot @
1:07 PM
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