Segunda-feira, Abril 13, 2009
OS IRMÃOS GRIMM:Título:
The Brothers GrimmRealizador: Terry Gilliam
Ano: 2005

Mais do que importantes linguístas, os irmãos Grimm foram, a par de La Fontaine, os mais importantes autores de fábulas infantis de sempre. Foram eles que escreveram clássicos intemporais como a
Cinderella ou a
Branca De Neve E Os Sete Anões. A diferença entre as histórias dos Grimm e as de La Fontaine é que eram bem mais negras e sinistras. Ou seja, bem mais interessantes...
Terry Gilliam, o homem dos Monty Phytons, mas também o homem das guerras com as produtoras e dos azares com as filmagens, pegou no folclore em redor dos autores alemães e, mais do que um filme sobre os irmãos Grimm, fez um filme inspirado nos irmãos Grimm. E, curiosamente, intitulou-o
Os Irmãos Grimm. Matt Damon (o racional) e Heath Ledger (o sonhador) são os dois manos, dois alrabões que recriam maldições, monstros e bruxas no interior rural da Alemanha do século XIX, para depois desmistificar os mitos e enriquecerem à pala dos crédulos aldeões.
Ao longo do filme, os dois irmãos vão coleccionando relatos de pequenas histórias que, mais tarde, iriam usar para escrever os famosos contos infantis que conhecemos: uma menina desaparecida com um capuz vermelho, dois miúdos que deixam um rasto de pão para não se perderem , ou uma casa de gengibre no meio da floresta. Até que os dois irmãos vão encontrar um mito que é mesmo verdadeiro, que envolve uma bela bruxa (Monica Belluci) enamorada pelo espelho e presa numa torre altíssima. No fundo, é como acontecem simulacros e nós comentamos que, curioso, era acontecer mesmo uma catástrofe naquele instante.
Terry Gilliam gosta destes ambientes e já os experimentou mais que uma vez, mas que continua a ser imagem de marca exclusiva de Tim Burton, não se sabe bem porquê. Aproveitando uma Alemanha medieval, Gilliam cruza-a com o folclore popular e dá-lhe um tom fabulástico que já encontrámos em
A Lenda Do Cavaleiro Sem Cabeça, por exemplo, com uma fotografia exemplar, cenários expressionistas (o expressionismo alemão também faz escola por aqui) e planos pouco convencionais, constantemente orientados ao nível do solo ou colocados nos cantos das divisões. Além disso, cruza os efeitos especiais artesanais (que os próprios irmãos Grimm utilizam nas suas criações) com o pior que o CGI já pariu, numa fusão nefasta entre um charmoso série-b e um low-budget straight-to-video com aspirações a sci-fi manhoso.
Se visualmente
Os Irmãos Grimm é um rebuçado (com excepção do tal CGI), o mesmo já não se pode dizer do conteúdo. E desta vez nem é por Terry Gilliam se perder no seu habitual entusiasmo megalómano, até porque este é um filme bem mais ligeiro. O problema é a fragilidade do argumento (a forma como colecciona os clichés das histórias infantis não é suficiente), um irritante Matt Damon sempre a queixar-se, o prólogo em flashback sobre a infância dos irmãos para o qual nunca percebemos qual é a utilidade (para além de mais queixas de Matt Damon), ou o background histórico da invasão francesa à Alemanha, que só serve para montar uns esterótipos franceses e soltar o comic-relief (afinal de contas, um Monty Python é sempre um Monty Python).
Os secundários são o mais divertido do filme: Peter Stormare é um italiano cheio de over-acting que faz lembrar o barbeiro de Sacha Baron Cohen, em
Sweeney Todd, e Jonathan Pryce é um déspota cruél e com estilo. Meio filme de aventuras, meio filme de fantasia,
Os Irmãos Grimm seguem a tradição da obra de Terry Gilliam: filme algo incompreendido e com algumas argoladas ao lado. Vale um McChicken em contabilidade hamburguística.
Posted by: dermot @
8:26 PM
|