Quarta-feira, Abril 22, 2009
ESPECIAL ELVIS:Na década de 60, Elvis Presley já era o Rei e tinha o Mundo a seus pés. De tal forma que poderia fazer o que quisesse. E então debruçou-se sobre a plebe e disse que queria fazer cinema, atacando assim o seu outro sonho. Criou então uma carreira cinematográfica paralela, completamente asfixiada pelo infame Coronel Tom Parker, que tentou espremer ao máximo esse filão, negando-lhe papéis em filmes respeitáveis e aceitando tudo o que demorasse apenas poucas semanas a fazer e que rendesse uns cobres valentes. E em 13 anos, Elvis Presley fez 31 filmes, arruinando a saúde e a credibilidade, repetindo vezes sem conta a mesma fórmula: comédias românticas musicais, onde fazia de si próprio e cantarolava umas canções, enquanto sacava a rapariga do filme nos mais variados cenários (misógino? naaah).
Hoje, sem qualquer razão especial além de celebrar a existência do Rei, decidi apresentar um
Especial Elvis, com sete matinés patetas que, no fundo, mais não são que uma espécie dos livros da Anita, em que Elvis vai ao circo, à feira mundial, ao deserto... E sempre com títulos que parecem de filmes porno.
RUIVAS, LOIRAS E MORENAS:Título:
It Happened At The World's FairRealizador: Norman Taurog
Ano: 1963

Comecemos por
Ruivas, Loiras E Morenas, onde Elvis Presley vai à Expo de 62. Tal como na novela
Flor Do Mar, em que o tio Jardim deve ter pago uns trocos chorudos à TVI para ir filmar à Madeira, aqui deve ter sido Seattle a abrir os cordões à bolsa ao Col. Tom Parker. Tudo para o Rei andar lá a bambolear-se, visitar o Space Needle, andar de monocarril e cantar umas músicas.
Elvis é então Mike, um aviador engatatão e sem grandes perspectivas de futuro, que tenta abrir uma companhia de aviação com o seu sócio, Danny (Gary Lockwood, esse mesmo, o de
2001: Odisseia No Espaço), ao mesmo tempo que este vai estoirando todo o dinheiro que ganham no vício do jogo. No entanto, lá para meio, o filme deixa de ser o buddy-movie descontraído que estava a ser quando parceiro de Elvis passa a ser uma miúda chinesa perdida (Vicky Tiu), que serve para lhe dar uma faceta sensível e levar as mulheres aos cinemas.
Por entre o Elvis sensível que vai cuidando da miúda perdida (
Um Pai à Maneira é um dos mil-e-um rip-offs de que me lembro agora) e o Elvis que tenta seduzir a enfermeira séria e sofisticada (Joan O'Brien), nada neste mundo explica que
Ruivas, Loiras E Morenas demore tanto tempo a chegar ao fim.
Feelgood movie by the rules, com um Elvis claramente ainda a divertir-se com o que faz, há ainda tempo para os números musicais habituais, deonde se destaca
Relax (variação pateta de
Fever) e a theme song
Take Me to the Fair. Curiosidade ainda para a presença de um jovem Kurt Russell, com apenas 9 anos, que vários anos antes de interpretar o próprio Rei em
Elvis, contracena ao seu lado simplesmente para lhe dar um pontapé nas canelas. Leve e ligeiro, passa por nós como uma brisa na cara e um Double Cheeseburger nas mãos.
AMOR E CORRIDAS:Título:
SpeedwayRealizador: Norman Taurog
Ano: 1968

O filme
Amor E Corridas podia ser um dos maiores monumentos da história da cultura pop. No entanto, como é um filme nada de especial, é apenas um documento bastante curioso. Tudo porque junta no mesmo ecrã duas das mais cintilantes estrelas da música rock dos anos 60: Elvis Presley e Nancy Sinatra. O primeiro estava na fase velocidade de cruzeiro da sua carreira cinematográfica e a segunda estava no auge, depois do sucesso do single incestuoso,
Somethin' Stupid, com o seu pai, Frank. Depois de
Amor E Corridas, Elvis fez apenas mais quatro filmes e Nancy Sinatra nunca mais apareceu no grande ecrã. Eu não quero fazer juízos de valor acerca deste filme, mas acho que isto diz muita coisa, não acham?
Eis então mais uma variação da fórmula dos filems do Rei: aqui, é Steve Grayson, piloto de Nascar, engatatão e com um apetite por festas, mas que no fundo é um sensível que ajuda os pobrezinhos que necessitam de dinheiro. Desta vez, o seu parceiro é Kenny Dunford (Bill Bixby), manager e amigo de infância, que constrói umda dívida gigantesca ao IRS. Claro que a agente da finanças enviada para tratar do assunto é a bela Nancy Sinatra, que vai envolver-se com Elvis (óbvio) e ajudá-lo a saldar as dívidas (óbvio) até ao habitual final feliz (óbvio óbvio).
Amor E Corridas é um dos filmes mais americanos da filmografia de Elvis Presley, que além de exaltar o american dream (em que todos têm uma chance para endireitar as suas vidas), presta mesmo vassalagem ao sistema, incluindo um tema dedicado à segurança social americana(!). No entanto, também é aquele que tem uma atmosfera mais juvenil e jovial, apenas ambientado entre as corridas nascar e os bares com réplicas de carros a fazerem de mesas e dançarinas go-go a incentivarem Elvis e Nancy a cantarem um temas para a banda-sonora.
No entanto, apesar da cor, da música e do ritmo contagiante do filme, que deve ter os melhores créditos de abertura dum filme do Elvis,
Amor E Corridas tem as corridas Nascar mais aborrecidas que há memória. Pior só mesmo estar a ver ao vivo dezenas de carros a andarem às voltas durante mais de quatro horas... Se querem ver um filme sobre corridas, vejam
Dias De Tempestade ou
Le Mans, porque
Amor E Corridas é só mesmo para admiradores do Rei.
Quanto à banda-sonora, é a única que tem um tema cantado por alguém que não Elvis Presley. Neste caso é
You groovy self (que é mesmo o melhor tema de uma banda-sonora pobrezinha), escrita por Lee Hazlewood e interpretada por Nancy Sinatra, claro. E por falar nela, nunca tinha reparado quão pau de virar tripas ela era. O que só prova que aquelas botas go-go com vestidos curtos ficam bem a qualquer pessoa. Ora aqui está uma moda que deveria regressar em força. Mais uma vez, um Double Cheeseburger.
LINDAS ENCRENCAS AS GAROTAS:Título:
The Trouble With GirlsRealizador: Peter Tewksbury
Ano: 1969
Lindas Encrencas As Garotas é uma das obras mais diferentes de Elvis Presley, que combate um pouco a ideia de que os seus filmes são sempre os mesmos, em que só muda o cenário. Este é tão diferente tão diferente, que o próprio Elvis é quase uma personagem secundária no seu próprio filme: não faz de si próprio, quase que não canta e não monopoliza o tempo de antena em cena. Só não se percebe é o título, meio porno meio idiota, que nada tem a ver com a história. Mas como alguém disse, nesta altura do campeonato, as únicas pessoas que ainda iam ao cinema ver um filme do Elvis queriam tanto saber se se chamava
Lindas Encrencas As Garotas ou
Filme Nº29 Do Elvis.
É um filme de época, ambientado nos anos 20, época das chautauquas: insitituições itinerantes, metade escola metade feira de variedades, que percorriam o interior norte-americano com objectivos pedagógicos e de entretenimento. O presidente Roosevelt chegou a apelidá-las de
a coisa mais americana da América. Ou seja, o trabalho certo para Elvis Presley, seguidor fiél do ideal do Tio Sam.
Elvis é então Walter Hale, o director dessa chautauqua, que vai ter que lidar com empregadas sindicalistas, empregadas apaixonadas (claro), os interesses dos cabecilhas que injectam dinheiro na feira e ainda um assassinato. Tudo em hora e meia da mais pura patetice e muito poucas canções para o que estamos habituados num filme do Rei.
Apesar de manter o registo da comédia, com os habituais gags de humor televisivo e alguns mais raros momentos de humor físico,
Lindas Encrencas As Garotas aposta num aprofundamento mais dramático da intriga, servindo-se das várias personagens secundárias. No entanto, tal como os excêntricos artistas daquela feira (com destaque para o cameo de Vincent Price (vénia), o rei do terror, na pele do Senhor Moralidade), as personagens secundárias são demasiado baças para terem algum protagonismo, não passando de fogos-fátuos cujos relampejos só servem para ir arrastando a intriga.
E se o assassinato a meio tentava dar uma cambalhota mais ou menos inesperada ao filme (qualquer coisa a acenar a Hitchcock), então o desenvolvimento final é do mais corny possível, destroçando a muleta do whodunnit ainda antes dela começar. Quanto ao realizador Peter Tewksbury, tirando a habilidade inicial em começar a preto e branco e apenas passar para a cor quando Elvis Presley aparece em cena, todos os truques artísticos que experimenta são tiros ao lado: há uns planos subjectivos que parecem vindos de outro filme e um momento musical retalhado e epiléptico, antecipando a MTV em quase duas décadas.
Para além de Vincent Price, o único motivo de interesse de
Lindas Encrencas As Garotas é mesmo
Clean Up Your Own Back Yard, pouco convencional bluesgrass de Elvis, que além disso só canta três canções religiosas no filme. Muito pouco, que nem justifica um brinde de um Happy Meal.
ENCRENCA DUPLA:Título:
Double TroubleRealizador: Norman Taurog
Ano: 1967

Um dos sonhos de Elvis Presley sempre foi fazer uma tour europeia, mas o Col. Tom Parker sempre tratou das coisas para que isso nunca acontecesse. Dizem os rumores que o empresário tinha uns problemas com a lei na Europa e, como mais vale prevenir do que remediar, nunca atravessou o Atlântico para o lado de lá. Por isso, mesmo quando participou em
Encrenca Dupla, filme ambientado na Bélgica e na Inglaterra, o Rei nunca saiu dos estúdios da Califórnia. Para os exteriores, foram enviados duplos de corpo.
Encrenca Dupla é uma recambolesca história de detectives, em que Elvis Presley é Guy Lacombe, um... cantor rock(!) de uma banda de duplos saídos da british invasion (e que desaparecem a meio do filme por magia), em digressão pelo velho continente. Na viagem entre Londres e Antuérpia, Elvis vai conhecer Jill (Annette Day), uma menor de idade que cai de amores por si (curioso para quem conheceu Priscilla com 14 anos), cruzar-se com uns traficantes de diamantes e envolver-se numa complicada intriga que envolve heranças, herdeiras ricas e tios gananciosos.
Apesar dos contornos detectivescos, o conteúdo é demasiado cartunesco para dar alguma credibilidade ao Elvis policial e cosmopolita, qual James Bond. Por exemplo, os capangas e os polícias europeus parecem tds personagens do
Tintin e de
A Pantera Cor-de-rosa, tropeçando em tudo o que é saliência e fazendo caretas esquisitas sempre que se atrapalham.
Meia-dúzia de situações que servem para fazer um esgar, outro par de gags engraçados e uma banda-sonora que já viu melhores dias (ora raios, há uma versão do
Old MacDonald, será que sou só eu que não acho isto normal?),
Encrenca Dupla vale duas horas de uma tarde de ressaca de domingo e um Double Cheeseburger para ver e não levar muito a sério. Mesmo assim, não é tão mau quanto o costumam pintar.
FÉRIAS NO HARÉM:Título:
Harum ScarumRealizador: Gene Nelson
Ano: 1965

Nos anos 50, perdido na sua megalomania, Cecil B. DeMille passou os últimos anos da sua carreira a realizar épicos gigantescos em cenários imponentes, de reinos antigos e longínquos. E, uma década depois, o que é que os produtores de Hollywood se lembraram? Aproveitar os majestosos cenários e levar para lá Elvis Presley, para mais um filme by the rules, mas de aparência exótica.
Desta vez, Elvis é Johnny Tyrone, uma estrela internacional da música, do cinema e... das artes-marciais(!). Durante uma digressão ao reino do Bubalquistão para apresentar um dos seus filmes (onde mata um leopardo com um golpe de karate(!)), Elvis é raptado por um perigoso bando de terroristas, intitulado os Assassinos, envolvendo-se numa tentativa de golpe de estado com a miss América, Mary Ann Mobley, num reino parado no tempo há 2000 anos, mas que não os impede de ter metralhadoras.
Elvis dá assim o salto para as matinés de aventura, não desprezando, no entanto, a vertente bem disposta. Consta que o Col. Tom Parker ficou tão desiludido com o tom pouco sério do filme, que queria mesmo que houvesse um camelo falante para as pessoas não duvidarem que era uma comédia. Aliás,
Férias No Harém é mesmo tido pelos admiradores do Rei como um dos seus piores filmes.
No entanto,
Férias No Harém tem uma atmosfera especial, um toque série-b que transmite uma atracção irresistível. Começando logo pela criação daquele reino, uma espécie de reconstituição do médio oriente for dummies, mas com o inevitável fascínio das
1001 Noites. A grandiloquência dos cenários pintados à mão dos épicos de Cecil B. DeMille, o guarda-roupa de
Kismet ou o rip-off descarado de
O Sheik, fazem dele um caldeirão de bom mau cinema.
Férias No Harém é tão cheesy que nem escapa à típica presunção norte-americana, com Elvis a comentar, espiritualmente, o atraso de vida daquele reino no médio oriente, sem carros, progresso e ajuda económica norte-americana. Claro que estávamos trinta anos antes do armamento dos talibans e quarente anos antes do ataque dos próprios à América, mas não deixa de ter piada a insolência. Deus mastiga, já dizia a minha avozinha...
Filme tão vazio que é um dos mais curtos da carreira cinematográfica de Elvis Presley. Aliás, só não é mais porque qualquer buraco no argumento serve para pô-lo a cantar. No entanto, todas as músicas soam ao mesmo, inevitavelmente ao ritmo de djambés, como se estes fossem um instrumento típico da Pérsia. Mesmo assim, safa-se a baladona
So close yet so far. Guilty pleasure assumido,
Férias No Harém merece igualmente um Double Cheeseburger.
AMOR EM LAS VEGAS:Título:
Viva Las VegasRealizador: George Sidney
Ano: 1964

Não deixa de ser irónico que, anos antes do início do fim da sua carreira pelos palcos de Las Vegas, Elvis Presley tenha tido um dos seus filmes de maior sucesso ambientado exactamente no
recreio da América:
Amor Em Las Vegas é a variação do Elvis flick com o glamour, o jogo, os espectáculos e a excentricidade de Vegas.
Desta vez, Elvis Presley é Lucky Jackson, um piloto de carros (outra vez) que chega a Las VEgas para tentar ganhar dinheiro para comprar o motor para o seu carro, dias antes do grande grand prix local. No entanto, o que acaba por ganhar é uma bela instrutora de natação, Rusty Martin (a bela Ann-Margret, metade Marylin Monroe metade Madonna, sex-symbol dos musicais de Hollywood), que vai ter que disputar com o galã mediterrânico, Elmo Mancini (Cesare Danova).
Amor Em Las Vegas é do mais esquemático possível, mas também não quer ser mais do que isso, o que o faz desde logo evitar cenas corny ou ridículas. Agarra em Elvis Presley e Ann Margaret e põe-nos em roteiro turístico por Las Vegas, desde os casinos (um a um, correm os mais famosos todos) até à imponente barragem Hoover e a sua marina (mais uma propaganda turística certamente bem paga). Pelo meio, qualquer buraco serve para pôr o par a cantar, isoladamente ou em duetos.
Com Hollywood a queimar os últimos cartuchos do musical clássico,
Amor Em Las Vegas tem alguns dos melhores momentos musicais da filmografia de Elvis, muito provavelmente desde
O Prisioneiro Do Rock And Roll. O experiente George Sidney não se limita a pôr o Rei em piloto automático e a debitar meia-dúzia de canções; coloca-o também a dançar e ensaia algumas tímidas coreografias, sublinhando várias vezes a parte do musical do filme.
The lady loves me, por exemplo, é o equivalente de
You're the one that I want, de
Brilhantina. Além disso, Elvis e Ann Margaret percorrem todos os géneros musicais: desde o british rock de
C'mon everybody, o swing de
You're the boss ou Elvis a justificar o epíteto de rei do rock com a versão de
What I'd say. E Ann Margaret dança que se farta...
A rematar a comédia romântica e musical ligeira,
Amor Em Las Vegas tem uma corrida de carros velozes que, apesar de não ter muita adrenalina, tem um par de cenas bem esgalhadas. Depois acaba em três tempos e arruma-se na prateleira, como um dos melhores filmes do Rei. O McChicken prova-o.
NUNCA DIGAS SIM:Título:
SpinoutRealizador: Normau Taurog
Ano: 1966

No seu reinado de 31 filmes, Elvis Presley especializou-se em três papéis: cantor, piloto de automóveis e cowboy. Curiosamente, em
Nunca Digas Sim, Elvis faz dos dois primeiros: cantor rock e piloto de automóveis nos tempos livres(!). O que mostra logo a qualidade do que nos espera.
Além disso, em Nunca Digas Sim, o Rei é o expoente máximo da masculinidade, em que se safa com todas (e quando em digo todas, são mesmo todas) as raparigas do filme (rói-te de inveja, James Bond). Elvis é tão bom tão bom, que até há uma escritora de sucesso a escrever sobre o perfeito exemplar do macho americano para se casar com ele. E quem é o verdadeiro macho americano? Touché! (rói-te de inveja, Zezé Camarinha).
Elvis é então Mike McCoy, líder de uma banda-rock de sucesso, ainda melhor piloto de corridas e ai jesus das mulheres. Há então três senhoras desesperadas a perseguirem-no para casar e não podiam ser mais diferentes entre elas: há a rica e mimada (Shelley Fabares), há a tal escritora emancipada e sofisticada (Diane McBain) e há a maria-rapaz baterista da banda (Deborah Walley).
Claro que depois é tudo irreal e não lembra ao menino Jesus. E, claro, tudo demasiado corny. Também se não fosse,
Nunca Digas Sim era cosia para ser rotulada de machista e misógina em três tempos. No fim, todas se casam, mas com outros homens, deixando Elvis livre para continuar a cantarolar temas para encher a banda-sonora. Conclusão: as mulheres são umas fáceis.
Nem a banda-sonora se safa em
Nunca Digas Sim, onde o melhor tema é o de abertura,
Stop look and listen, despachado ainda mal nos sentámos no sofá. Também há uma corrida a alta velocidade, mas a de
Amor Em Las Vegas é melhor. E há bem melhor que este Cheeseburger.
Posted by: dermot @
8:50 PM
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