Sábado, Março 07, 2009
ZOMBIES STRIPPERS:Título:
Zombie Strippers!Realizador: Jay Lee
Ano: 2008

Uma das vantagens do projecto
Grindhouse foi ter legitimado o cinema mau. De repente, o cinema xunga passou a ser o novo cool. Obviamente que um filme chamado
Zombies Strippers nunca iria passar despercebido por este imodesto tasco, mas nunca um straight-to-video xungoso teria tanta atenção se tivesse sido feito há uns aninhos atrás.
Quando vemos um filme de zombies onde os próprios protagonistas sabem que estão a lidar com zombies, devemos desconfiar (nos flicks do género, nunca é pronunciada a palavra z). E quando, num filme de zombies, vemos zombies a falarem que não seja para chamarem mais paramédicos (referência a
O Regresso Dos Mortos-Vivos, caso não estejam a perceber do que estou a falar), então devemos duvidar do que estamos ver. No entanto, Zombies Strippers tem, num elenco cheio de estrelas porno, a raínha do porno, Jenna Jameson e mr. Freddy Krueger himself, Robert Englund e, por isso, sentimo-nos na obrigação de lhe dar o benefício da dúvida.
Devo confessar que
Zombies Strippers me deixou um sentimento estranho. É que, por um lado, fez-me detestar o facto de ser um filme de baixo (sem?) orçamento, filmado em digital, verdadeiramente série-z, com uma edição desastrosa e demasiado tempos mortos. Mas por outro, é um filme mais inteligente do que parece, com alguma subversão, one-liners divertidas e um tema apelativo. A conclusão a que chego é que
Zombies Strippers é um bom filme, mas mal feito.
Mas vamos ao que interessa:
Zombies Strippers passa-se num futuro em que George Bush, no seu quarto mandato consecutivo, desenvolve um vírus para ressuscitar os mortos, de forma a alimentar as suas guerras pelo mundo fora. Depois de uma matança inicial bastante gratuita e com um cgi manhoso, o vírus vai atacar um bar de strip (
Aberto Até De Madrugada anyone?), transformando as strippers em super-strippers, degladiando-se entre si pela fama e por mais carne masculina.
Não é só os zombies que Robert Englund vai guardando na cave que faz lembrar
Morte Cerebral. Obviamente que o humor exagerado e absurdo deste último é a principal referência, deste zombie-flick destrambolhado, cheio de referências importantes, desde o mestre do absurdo Eugène Ionesco, deonde a história é baseada, a Nietszche. Além disso, tem ainda umas críticas nada disfarçadas aos republicanos, à NRA, ao conservadorismo da igreja, ou à parvoíce patriótica dos americanos. O problema é que é tudo mais ou menos mal feito e misturado com demasiadas partes aborrecidas e uma edição que nos faz esquecer o que estamos a ver.
Mais giro que as mamas de Jenna Jameson (que continua em forma, garanto-vos) e das suas amigas (filme mais machista e com mais testosterona do ano), é a cena em que esta luta mano-a-mano com outra stripper pelo lugar de estrela do espectáculo para deleite do público masculino, num duelo que inclui arrancar pele, rodopiar no varão a alta velocidade e atirar bolas enfiadas na xirita, tal e qual
o truque da Winona Rider em South Park.
Agora que olho para trás, fico espantado comigo próprio como é que consegui escrever tanto acerca dum filme que se resume a duas palavras: zombies e mamas. Termino por isso com a escolha do McChicken, realçando que a escolha é sobrevalorizada pelo facto de o filme se chamar
Zombies Strippers, como é óbvio.
Posted by: dermot @
7:28 PM
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