Terça-feira, Março 03, 2009
VICKY CRISTINA BARCELONA:Título:
Vicky Cristina BarcelonaRealizador: Woody Allen
Ano: 2008

Qual Oscar, qual Globo de Ouro, qual quê!
Vicky Cristina Barcelona irá ficar para sempre conhecido como o filme de Woody Allen em que Scarlett Johansson e Penélope Cruz se beijaram. Aliás, foi apenas por isso que o filme ganhou tantos prémios.
Falando mais a sério, o que é certo é que, desde que abandonou Manhattan, o interesse em Woody Allen foi renovado. Os ingredientes continuam a ser os mesmos, mas bastou um invólucro diferente (neste caso, os cenários europeus) para a crítica voltar a empolgar-se com o cinema do neurótico realizador norte-americano. É como aquelas adaptações de séries televisivas ao cinema: são episódios um pouco mais alargados em que apenas acrescentam uma personagem secundária nova para nos convencer a pagar por aquilo que podemos ver todas as semanas de graça. A ressalva aqui é que até o pior filme de Woody Allen é melhor do que a maioria dos filmes que estreiam por aí.
Depois de Londres, agora temos Barcelona. E tal como nos filmes anteriores, Woody Allen não se furta a fazer o roteiro cultural da cidade, aqui um pouco mais convencional que a arte moderna de
Match Point (é impossível contornar Gaudí, eu sei). No entanto,
Vicky Cristina Barcelona é o menos convencional filme do mestre dos últimos anos, começando logo pelo facto de não haver uma personagem que seja uma projecção da personalidade do realizador (ou pelo menos, de forma declarada, uma vez que a insegurança de Scarlett Johansson tem algo de Allen). Além disso, utiliza pela primeira vez um narrador, opcção que pode ser entendida como preguiça narrativa, principalmente quando utilizada num filme ligeiro.
O curioso é que
Vicky Cristina Barcelona não é tão light quanto possa parecer ao início, quando as duas amigas americanas, Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson), vão passar férias a Barcelona e conhecem o despreocupado pintor Juan Antonio Gonzalo (Javier Bardem sempre com a camisa aberta). Vicky é pragmática, terra-a-terra e convencional, enquanto que Vicky tem uma atracção pelo abismo e pela aventura. No entanto, o charme mediterrânico de Bardem é tanto que consegue levar as duas para a cama.
Eis então Woody Allen a prestar tributo aos triângulos amorosos de
Jules E Jim, abordando um tema que lhe é querido, mas desta vez de forma mais arrojada: a disfuncionalidade e a problemática do amor. Contudo, ao contrário do filme de Truffaut, por exemplo, o equilíbrio deste triângulo é bambo, uma vez que soa sempre a espertalhão e a pretensioso -
'bora falar de sexo de forma descomplexada e a crítica vai-se passar com a coragem. Por isso, Woody Allen troca a forma geométirca e constrói um quadrado romântico, inserindo a ex-mulher psicótica, Maria Elena (Penélope Cruz).
Penélope Cruz ganhou o Oscar para melhor actriz secundária, mas a sua actuação não é nada de outro mundo. O seu maior condão é dar mesmo a consistência que faltava a
Vicky Crisitna Barcelona até então, conferindo-lhe os últimos pozinhos que necessitava para um filme sobre todas as formas de amor: o mais convencional, de compromisso e formatação aquilo que a sociedade convencionou de uma relação normal (um casamento, filhos, a carreira...), incarnado por Vicky; o mais liberal, no limiar da relação amor/ódio, incarnado por Maria Elena; e aquele que fica entre estes dois, incarnado por Cristina, seja ele qual for. Tudo isto com Penélope Cruz e Scarlett Johansson a curtirem pelo meio. Yeah!
Confesso que estava cansado quando vi o filme e, por isso, necessito de o ver outra vez para ter a certeza das minhas conclusões. No entanto, também é verdade que não fiquei com vontade para o fazer em breve e isot pode querer dizer alguma coisa. Sem ser propriamente genial,
Vicky Cristina Barcelona está ao nível do que Woody Allen costuma fazer regularmente na sua carreira: o McBacon.
Posted by: dermot @
11:57 PM
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