Domingo, Março 08, 2009
MAMMA MIA:Título:
Mamma Mia!Realizador: Phyllida Lloyd
Ano: 2008

E o filme mais visto de 2008 foi:
Mamma Mia. Não ganhou nenhum Oscar nem nenhum crítico (com boa ou má vontade) o elogiou, mas, no entanto, toda a gente o viu, quer de livre vontade, quer obrigado, quer tenham vergonha de o admitir ou não. Eu não tenho vergonha de confessar que o vi, até porque toda a gente sabe que gosto de musicais e porque estou bastante seguro da minha masculinidade. No entanto, devo admitir que a ideia de
Mamma Mia é das mais parvas de sempre: uma adaptação dum musical com as músicas dos ABBA.
Devo ainda confessar outra coisa que me surpreendeu. É que nunca me tinha apercebido que as letras das músicas dos ABBA são todas sobre tipas interesseiras à procura de gajos com dinheiro, de pila, ou dos dois ao mesmo tempo. Mas a música pop não devia ser sobre coisas felizes e bem intencionadas, como mundos idílicos onde tudo é perfeito, as gomas nascem nas árvores e o céu está sempre cheio de arco-irís?
Seja como for,
Mamma Mia reflecte na perfeição essas duas componentes da música dos ABBA: em primeiro lugar é um feelgood movie por excelência, cheia de canções alegres, ambientado nuam ilha mediterrânica onde está sempre sol, com praia por todo o lado, pessoas bonitas, álcool e confetis a caírem (só faltam mesmo as drogas para a festa perfeita); em segundo lugar, (o que se assemelha à) história é um espelho do deboche das letras dos ABBA, onde as personagens só pensam em sexo e todo o filme é uma enorme mensagem subliminar sobre cobrição (hetero e homossexual).
Claro que tudo isto é embrulhado na estrutura musical, onde todas as pessoas desatam a cantar sem motivo aparente, em coreografias muito bem ensaiadas, realçando os momentos dramáticos do argumento. É como
Across The Universe, mas com as músicas do ABBA em vez dos Beatles; e é como
Brilhantina, mas com personagens mais cotas (se bem que tudo aquilo é um enorme romance juvenil). No fundo, (aquilo a que chamam de) história resume-se a: Sophie (Amanda Seyfried) vai-se casar mas não sabe quem é o pai. Assim, convida para o copo de água os seus três pais possíveis, uma vez que a sua mãe (Meryl Streep) é uma hippie velha que andou a cobrir ao desvario e não sabe quem a emprenhou. Já muita sorte tem ela de a miúda não ter nascido a ladrar...
Claro que os três pais são, pertinentemente, bastante esteriotipados: Stellan Skarsgård é o hippie envelhecido, Colin Firth é o tipo certinho e Pierce Brosnan é... bem, é Pierce Brosnan, o playboy. Também pertinentemente há duas amigas da mãe, igualmente esteriotipadas: Christine Baranski, a divorciada em série, e Julie Walters, a eremita. É uma mistura entre a figura das mulheres emancipadas e independentes de
O Sexo E A Cidade com... a música dos ABBA.
Temos então um argumento que dá para meia hora de filme, mais meia-hora de músicas dos ABBA (bons arranjos e divertidas coreografias). Fica a faltar uma meia-hora de filme em que a realizadora, Phyllida Lloyd, vê-se à rasca para encher chouriços. Temos então meia-hora de chover no molhado, em que nada desenvolve, até terminar tudo numa assustadora festa à chuva, em que os homens se despem todos em tronco nu e fica uma etsranha tensão homossexual no ar. Creepy ending...
Nada contra musicais, nada contra os ABBA, nada contra o Pierce Brosnan a cantar (se bem que às vezes faça apetecer querer espetar um pau afiado nos ouvidos), nada contra silly movies.
Mamma Mia é mesmo fraaquinho e só entretém nos primeiros trinta minutos. Para aguentar o resto é preciso ser mesmo muito fã da banda sueca. E mesmos esses tenho dúvidas que consigam comer mais que um Double Cheeseburger.
Posted by: dermot @
11:31 PM
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