Segunda-feira, Março 23, 2009
I AM SAM - A FORÇA DO AMOR:Título:
I Am SamRealizador: Jessie Nelson
Ano: 2001

É incrível como os Beatles servem para tudo, quer seja como pretexto para musicais manhosos e desmiolados (olá
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, olá
Across The Universe), quer seja para preencher os buracos de um drama lacrimejante como este
I Am Sam - A Força Do Amor. No entanto, mais incrível ainda é a forma como conseguiram fazer querer que este filme era minimamente aceitável apenas recorrendo a meia dúzia de acessórios vistosos.
Estes assecórios são: um par de estrelas de Hollywood de créditos firmados (Sean Penn e Michelle Pfeiffer), uma teen-star (ainda) debutante com muito jeito para a representação (Dakota Fanning), uma banda-sonora única e exclusivamente com temas dos Beatles interpretados por pessoal famoso e com crédito junto da crítica (mas que, afinal, nem é assim tão boa como nos querem fazer querer) e, claro, uma excelente campanha de marketing. Tudo isto bem trabalhadinho manipulou na perfeição a opinião pública, tendo direito inclusive a uma menção nos Oscares desse ano.
Bem, também devo admitir que estou a exagerar.
I Am Sam - A Força Do Amor não é um filme assim tão mau. Tem as suas falhas, é um pouco ingénuo e monocórdico, mas já vi bem pior e a pagar. No entanto, uma coisa é certa: este é o filme mais mal filmado de sempre! E aqui não é eufemismo, é mesmo literal. É que
I Am Sam - A Força Do Amor é todo filmado como um gigantesco ataque epiléptico, uns planos fugidios que teimam em descair para os cantos não se percebe porquê e, pior que tudo, zoom outs e zoom ins constantes sem qualquer sentido, que, para além de uma enorme dor de cabeça, irritam sobremaneira. Todo o filme parece um programa do
Curto-Circuito, filho da televisão em movimento do João Baião e do
Big Show Sic, cujas lembranças mais ténues fazem-me logo querer espetar um pau nos olhos.
É que para além de ser mais feio do que cuspir na sopa, não se percebe o porquê da opção de incutir tanto ritmo e movimento a um filme que é metade drama familiar, metade filme de tribunal, sobre um pai autista (Sean Penn é o Sam do título) que trava uma batalha legal pela custódia da filha (Dakota Fanning), ajudado pela advogada de sucesso e sem tempo para a família (Michelle Pfeiffer). Tudo isto até parecia muito bem, se
I Am Sam - A Força Do Amor não fosse tão preto no branco, que faz com que pareça uma variação do
Três Homens E Um Bebé, mas com um deficiente no lugar dos homens. E não, não estou nada a ser insensível.
Além disso,
I Am Sam - A Força Do Amor tem um problema de linearidade. Não se percebe se foram cenas que ficaram no chão do estúdio de edição, mas tendo em conta as falhas na construção das personagens, tudo leva a crer que foi mesmo falta de jeito da realizadora, a estreante Jessie Nelson - que também nunca mais fez nada, será coincidência? Por fim, uma palavra de apreço ao grande Sean Penn, a fazer maravilhosamente de autista. No entanto, o filme começa a ser tão entediante que chega ali a meio e entra em piloto automático. Ou então é o facto de estar sempre a imitar o Dustin Hoffman em
Rain Man - Encontro De Irmãos. Até a roupa é a mesma...
Mais olhos que barriga - é assim a descrição de
I Am Sam - A Força Do Amor. E o Double Cheeseburger paga, essencialmente, os tais acessórios de que falei no primeiro parágrafo deste texto e não o seu conteúdo.
Posted by: dermot @
7:46 PM
|