Quarta-feira, Março 25, 2009
CHOKE – ASFIXIA:Título:
ChokeRealizador: Clark Gregg
Ano: 2008

Chuck Palahniuk é o único escritor contemporâneo de quem eu posso dizer que realmente gosto. É certo que, por um lado, o problema é meu, porque tenho um ideal romântico da persona do escritor que já não se adequa aos nossos tempos e, por isso, ver gente como o José Luís Peixoto (um tipo da nossa idade, igual a nós e de piercings) não me convence muito. No entanto, Palahniuk consegue corporizar tudo aquilo que é o espírito da sociedade contemporânea e, visto que o faz como ninguém, acaba por ser o meu escritor vivo favorito.
Depois do sucesso de
Clube De Combate, Palahniuk regressa ao cinema, desta vez com a adaptação de
Choke – Asfixia por Clark Gregg, uma estória cujos protagonistas são como todos os seus protagonistas: inadaptados de uma sociedade imperfeita que preza a perfeição e que, no fundo, acabam por ser as pessoas normais no meio da (aparente) normalidade. Aqui, especificamente, falamos de Victor (Sam Rockwell), um viciado em sexo, que, devido a uma infância digamos pouco normal com uma mãe drogada/fugitiva (genial Anjelica Huston), acaba por reprimir as suas emoções e exprimi-las em sexo desenfreado e indiscriminado com estranhos. Agora, num processo auto-redentário, Victor irá colocar tudo em pratos limpos, com o seu melhor amigo, a sua mãe doente e consigo próprio.
Apesar de partilhar o ambiente urbano-maníaco-depressivo de
Clube De Combate,
Choke – Asfixia é muito mais descontraído, com um humor descomplexado, politicamente incorrecto (o sexo está sempre presente, em todas as formas e feitios e faz muita comédia screwball roer-se de inveja) e negro, bastante negro. Aliado a isto, a desconstrução dos temas habituais: as paranóias minúsculas e insignificantes da sociedade moderna. Palahniuk domina de tal forma estas temáticas, que dá-se ao luxo de jogar com uma variação crística, em que Victor é, alegadamente, fruto de uma inseminação artificial com o prepúcio sagrado de Jesus Cristo(!), levando-nos a crer numa coisa que sabemos à partida que é mentira. Neste capítulo faz lembrar
The Favour, The Watch And The Very Big Fish, em que Jeff Goldblum era um Cristo milagreiro fruto do ocaso, em que toda a gente acreditava excepto o próprio.
Conseguindo colocar todos os pontos nos is, com mais ou menos dificuldades, Choke – Asfixia fecha o círculo no final, com uns créditos saborosos. Não é propriamente um Clube De Combate, mas
Choke – Asfixia é, sem sombra para dúvidas, um Chuck Palahniuk. E este é o melhor adjectivo que se pode dar ao filme e ao seu realizador. Melhor ainda que um McRoyal Deluxe.
Posted by: dermot @
10:38 AM
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