Terça-feira, Fevereiro 24, 2009
WALK HARD - A HISTÓRIA DE DEWEY COX:Título:
Walk Hard: The Dewey Cox StoryRealizador: Jake Kasdan
Ano: 2007

Era inevitável que, com o fenómeno de biopics de músicos que surgiram no último par de anos, não surgisse uma ou outra sátira ao género. Foi assim que nasceu
Walk Hard - A História De Dewey Cox, um filme a gozar com os biopics e que mereceu a minha atenção por dois aspectos: primeiro, porque traz o carimbo de Judd Apatow na co-escrita do argumento, nome cada vez mais incontornável na comédia actual; e segundo, porque fala de rock'n'roll.
Como o título indica,
Walk Hard é o biopic de Dewey Cox (John C. Reilly, que é um cantor do caraças), uma estrela rock dos anos 60, cujas semelhanças com Johnny Cash não são coincidências, assim como as semelhanças entre o título do filme e o de
Walk The Line. Aliás, a primeira metade de Walk Hard é uma paródia a
Walk The Line que, se tivesse o Leslie Nielsen como protagonista, chamar-se-ia certamente
Aonde-pára-qualquer-coisa. No entanto, o seu tipo de humor pouco tem a ver com o absurdo e o non-sense dos
Aonde Pára A Polícia, é antes um humor que se ri de si próprio, enfatizando os clichés do género e pondo a nu o ridículo das situações. Como o humor das trivilidades dos filmes de Judd Apatow.
Walk Hard começa então com Dewey Cox de costas para a câmara, prestes a subir a palco para um concerto, onde ouvimos uma multidão em êxtase. Há hesitação nos seus gestos e, por isso, quando o vêem chamar, alguém diz que ele já vai depois de
rever toda a sua vida. E eis o flashback para os anos 50, que depois se extendem até aos 60, os 70, os 80 e os 90, até chegar novamente à actualidade e encerrar o filme num círculo perfeito.
Olhamos para a vida de Dewey Cox e encontramos Johnny Cash, Ray Charles, Brian Wilson, Stevie Wonder e mais uma série de personalidades da história da música rock, pilhando descaradamente vários momentos das suas biografias e parodiando-os. É como uma versão para rir de
Quase Famosos. A primeira hora centra-se, principalmente, na estrutura de
Walk The Line, mas quando passamos os anos 60, o filme começa a parecer uma coisa nova e a ter verdadeiramente interesse. Principalmente, porque a primeira cena é logo uma viagem à Índia para encontrar o Maharishi, juntamente com uns Beatles incarnados pelos cameos de gente como Jack Black ou Jason Schwartzman, que é simplesmente brilhante.
Existem momentos divertidíssimos e outros que deveras aborrecidos, especialmente porque há fases da vida de Dewey Cox que teimam em ser demasiado longas. Aliás, nada justifica duas horas de um filme sobre nada. Tinha sido bem mais proveitoso que se tivesse ignorado aquela fixação pelo
Walk The Line e se aprovitasse todos os recursos, especialmente no cruzamento que faz com a vida real, aproveitando umas participações famosas de Eddie Vedder, Jewel ou Ghostface Killah a homenagearem aquele grande músico que nunca existiu. Ah, é verdade, também lá anda Jack White a fazer de Elvis Presley, que é tão óbvio e natural que nem necessita de comentários.
Outra coisa que faz falta a
Walk Hard são canções mais interessantes. É certo que tem o condão de nunca descurar o lado musical, mas faltam-lhe um par de músicas que fiquem no ouvido e que nos fazem querer comprar os álbuns daquele músico que não existe, mas que podia muito bem existir. Principalmente, é isso que faz com que
This Is Spinal Tap funcione tão bem.
No balanço geral,
Walk Hard merece, sem sombra para dúvidas, uma visionadela que seja e um McChicken a acompanhar. Mas veja até ao fim dos créditos, porque a cena que vem a seguir desconcerta qualquer um.
Posted by: dermot @
7:45 PM
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