Quinta-feira, Fevereiro 05, 2009
VALQUÍRIA:Título:
ValkyrieRealizador: Bryan Singer
Ano: 2008

Que tem em comum Tom Cruise com Kurt Russel e David Hasselhoff? É que, com
Valquíria, Tom Cruise passou a pertencer ao lote restrito e muito anseado de actores que interpretaram personagens com pála no olho, símbolo máximo do anti-herói e importado directamente daquela criatura mítica que é o pirata, apenas ultrpassado em awesomeness pelos ninjas.
Valquíria é a história do coronel Claus Schenk Graf von Stauffenberg (interpretado por Tom Cruise, lá está), uma espécie de herói nacional da resistência alemã, que levou a cabo a última grande tentativa de assassinar Adolf Hitler dentro de portas. Para além de ter sido a última, a tentativa de Stauffenberg só não teve sucesso por um bocadinho de nada. Mesmo assim, o plano ainda chegou a ser dado como bem sucedido e só uma intervenção radiofónica do próprio Hitler travou a tomada de poder.
Tudo isto pode agora ser visto no novo filme de Bryan Singer. Com uma reconstituição do Reich notável, incluindo suásticas verdadeiras, Singer consegue o mais difícil: explicar ao espectador, que não percebe nada dos nazis além de que eles eram uns tipos ruins, de como funcionava a estrutura interna do regime, indispensável para o bom funcionamento da trama política (nestes casos ajuda sempre ver os filmes do Oliver Stone, nomeadamente
JFK). Depois, faz o seu número do costume, com a sua realização acertada e um elenco assinalável. Ressalva para a língua utilizada: apesar de não ter abdicado do filme em inglês, Singer não caiu naquela tendência ridícula de os pôr a falar com sotaque alemão.
Valquíria é então arrumado, bonito e certinho, mas falta-lhe um golpe de asa que o torne genial. E as razões? Também não sei bem, mas nos últimos dias tenho pensado muito e elaborei uma lista de possíveis causas, a saber:
a) Bryan Singer parte do princípio que todos sabem que é Hitler e não necessita de dar razões a Tom Cruise para o querer matar. Erro. Porque assim, parece sempre que Cruise vai tentar assassiná-lo porque este mandou-o para a guerra em África, onde ele ficou sem um olho e uma mão. Muito pouco.
b) Bryan Singer dá pouca profundidade dramática a Tom Cruise, especialmente na sua relação familiar. A sua mulher e filhos são apenas acessórios e uma muleta dramática conveniente para o tearjerker final.
c) O conjunto das alíneas a e b fazem com que a personagem de Tom Cruise não ganhe especial simpatia por nossa parte. Chegamos a certa altura e damos por nós a torcer para que o assassinato tenha sucesso, mas apenas porque queremos que o Hitler morra. E isso é provado quando Tom Cruise é executado, em que não sentimos muita comiseração.
Ficamos então com a sensação de que Singer está apenas numa de demagogia e de querer desculpar os alemães perante o resto do Mundo, mostrando aquela história recorrente do
nem todos os alemães eram nazis, também havia uns bonzinhos. Qualquer pessoa com dois dedos de testa sabe isso, não é preciso um filme de duas horas para nos convencer. Para quem gosta de filmes sobre a segunda guerra mundial e/ ou de thrillers políticos,
Valquíria é francamente bom. Para quem quer um filme sobre o regime de Hitler, nada melhor do que continuar fiél a
Der Untergang - A Queda.
Valquíria não chegou a tempo dos Oscares, mas também dificilmente ficava com algum. Assim, fica pelo menos com um McBacon.
Posted by: dermot @
12:35 AM
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