Quinta-feira, Fevereiro 05, 2009
ROCKNROLLA - A QUADRILHA:Título:
RocknrollaRealizador: Guy Ritchie
Ano: 2008

Guy Ritchie deu-se a conhecer ao Mundo com dois filmes muito parecidos:
Um Mal Nunca Vem Só e
Snatch - Porcos E Diamantes eram os dois filhos de um mesmo pai, thrillers urbanos estilizados com resquícios de humor, em formato mosaico, que cruzavam pontas no final, juntamente com diálogos escorreitos e situações bizarras. Muitos compararam o seu estilo ao de Tarantino, especialmente no copy-paste, mas tanto um como outro eram bons filmes. Afinal, desde
Pulp Fiction, quantos copycats já apareceram por aí e todos eles ao lado?
Depois, Guy Ritchie tentou criar o seu próprio estilo e deu-se mal. Por isso, antes que passasse a ser conhecido apenas como o ex-marido da Madonna, eis
Rocknrolla - A Quadrilha, um regresso ao passado para fazer aquilo que sabe fazer melhor: mais um thriller urbano no submundo do crime, em que várias personagens se cruzam de forma mais ou menos caprichosa, até coincidirem num clímax final que serve para atar todas as pontas soltas e nós soltármos um
aaaahh demorado e admirado, enquanto batemos umas palmas e olhamos para a pessoa sentada ao nosso lado, abanando a cabeça em sinal de aprovação, como quem diz
e esta hein, olha lá o malandro.
Para
Rocknrolla - A Quadrilha, Guy Ritchie pegou novamente nos seus bandidos ingleses, uns mais cabecilhas que outros, juntou-lhes uns mafiosos russos (provavelmente andou a ver
Promessas Perigosas), uma contabilista sensual (suspiro por Thandie Newton), um preto que sabe tudo e que vive no seu jipe artilhado, um rocker decadente, os agentes do rocker decadente e mais uns secundários que mal aparecem, e misturou tudo muito bem misturadinho numa centrífugadora.
Para além da repescagem de vários elementos que conseguimos identificar de vários filmes (incluindo os seus), que depois filtra através de umas cores saturadas e uns truques em pós-produção, Guy Ritchie estiliza a violência do filme e dá-lhe um toque cool, com as situações improváveis e, aquilo que sabe fazer verdadeiramente bem, diálogos divertidos. Além disso, existem três cenas que sobressaem no filme: uma cena de dança, pilhada à descarada de
Pulp Fiction e que é, simultaneamente, o melhor e o pior do filme (o melhor porque dá-lhe um toque diferente, ao acrescentar-lhe legendas, e o pior porque a dança é tão ridícula que, por momento, parece que estamos a ver um daqueles filmes-paródia à
Scary Movie); uma cena de porrada non-stop e deliciosamente estúpida que faz lembrar o mano-a-mano gratuito de vários minutos entre Roddy Piper e Keith David, em
Eles Vivem; e uma cena de sexo super-sónica, bem interessante, mas que se calhar já a vi em qualquer sítio.
A história tem demasiado personagens e algumas podiam nem lá estar que não faziam diferença ao argumento. No entanto, Guy Ricthie não pode ser acusado de não incutir o mesmo interesse e atenção a todas elas, com o ritmo por igual. Por sua vez, do rol de protagonistas, Toby Kebbell destaca-se como rocker-alucinado-drogado, enquanto que Gerard Butler pensa que ter uma voz rouca chega para tudo.
O problema de
Rocknrolla - A Quadrilha é esforçar-se demasiado em ter estilo e ser cool, em vez de se deixar ir, ser fluído e natural. Não ofende ninguém com o McBacon, mas caso se concretize a triologia que se espera, temo o pior.
Posted by: dermot @
12:49 AM
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