Domingo, Fevereiro 15, 2009
Originalmente publicado na Take.SETE VIDAS:Título:
Seven PoundsRealizador: Gabriele Muccino
Ano: 2008

Will Smith sofre do mesmo problema que Jim Carrey: ambos são atormentados pela obsessiva necessidade de quererem provar ao grande público que são bons actores. Assim, tal como Jim Carrey, Will Smith tenta descartar, de tempos a tempos, todas as comédias e os action flicks manhosos e agarra num chamado
filme sério. Quem o manda ter-se tornado famoso com a patetice de
O Príncipe De Bel Air e de ter ganho milhões com os seus discos de rap-radiofriendly?
Depois de
Ali, Will Smith parecia ter acertado no jackpot:
Em Busca Da Felicidade não só convenceu grande parte dos críticos, como ainda lhe valeu a nomeação para o Oscar. Como a coisa correu bem, Smith parece ter querido repetir a fórmula e, após mais um par de filmes-pipoca, ei-lo a reunir-se novamente com o realizador Gabriele Muccino para mais um chamado
filme sério.
Sete Vidas é um drama assumido, que pede à partida que levemos connosco para a sala de cinema uma caixa de lenços de papel. Will Smith faz de Ben Thomas, um tipo que tem uma profissão terrível: a de cobrador de impostos. A função dele é andar atrás das pessoas com dívidas ao fisco, avaliar os seus seguros e cobrar-lhes as dívidas, qualquer que seja o estado delas, quer estejam em estado terminal, quer sejam cegos desgraçadinhso sem sítio para caírem mortos. No entanto, algo mudou na vida daquele homem, porque Ben Thomas mostra-se condescendente e compreensivo para com as pessoas.
Gabriele Muccino tenta o golpe de asa nesse truque: o de não contar ao espectador o que se passa. Percebemos que algo não corre como devia, porque Ben Thomas não age como os flashbacks mostram que ele agia. Também percebemos que falta a sua esposa na equação, o que nos leva a pensar que alguma tragédia deixou marcas profundas naquele homem. No fundo, é um gato com o rabo escondido, porque muito antes do twist final, já nós estamos fartos de perceber o que se passou e o que se vai passar.
Sete Vidas lembra a estrutura de
O Sexto Sentido, mas com um twist escangalhado. Além disso, ao contrário do filme de Shyamalan, a premissa não é assim tão interessante quanto isso. No entanto, tudo isto é indiferente, se aliarmos ao facto de as personagens secundárias serem extremamente aborrecidas (Rosario Dawson então é tão interessante quanto um bocejo) e da realização chapa três de Gabriele Muccino. Infelizmente, ao contrário de
Em Busca Da Felicidade, que era um drama tocante e familiar,
Sete Vidas pede incessantemente que tenhamos pena dele e para isso enche-se de meninos doentes, velhinhos maltratados e outras desgraças que podiam ter saído directamente de um telejornal da TVI. Não há pachorra.
Filme bastante inofensivo e soporífero por vezes,
Sete Vidas não irá, certamente, tirar a imagem que temos colada a Will Smith. Ainda não foi desta que ele encontrou o seu realizador. Em contrapartida achou um McChicken, que muitos dos seus filmes de pipoca não valem.
Posted by: dermot @
5:25 PM
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