Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009
FROST/NIXON:Título:
Frost/NixonRealizador: Ron Howard
Ano: 2008

Já vimos filmes sobre antigos presidentes, já vimos filmes sobre importantes decisões que alguns presidentes tomaram e já vimos filmes as consequências dessas ou outras decisões. Mas
Frost/Nixon é a primeira vez que vimos um filme sobre um debate de um presidente. Só mesmo nos Estados Unidos, em que um debate televisivo entre um antigo presidente da república e um antigo humorista tem direito a mega-produção de Hollywood.
Claro que estou a ser mauzinho, porque o debate (entrevista?) que opôs David Frost (aqui com Michael Sheen na sua pele) a Richard Nixon (Frank Langella a suceder a Anthony Hopkins) não foi um debate qualquer. Por isso, para quem não está a par da história, deixem-me fazer um breve resumo: em 1974, o presidente norte-americano Richard Nixon resignava ao cargo em directo na televisão, numa atitude sem precedentes na história dos Estados Unidos, devido ao escândalo Watergate, em que, alegadamente, foi apanhado a espiar a oposição. O caso nunca foi bem explicado e Nixon escapou dos tribunais devido a um perdão do seu sucessor, o General Ford, o que sempre deixou um gosto amargo na boca dos liberais. Tudo isto pode ser visto e percebido em
Nixon.
Uns aninhos mais tarde, Nixon deu a sua primeira entrevista televisiva pós-demissão e o caso ganhou uma projecção mediática tão grande que deu mesmo direito a este filme. Devido a vários factores e começando logo pelo apresentador: David Frost era uma estrela da televisão de entretenimento, um tipo sem credibilidade jornalística para uma empreitada daquele alcance. E, o mais importante de todos, saber se Richard Nixon iria ser colocado entre a espada e a parede naquele seu primeiro confronto público.
Ron Howard lança as mãos à empreitada e tenta construir todo o processo, começando exactamente onde Oliver Stone terminou. Aliás,
Frost/Nixon podia muito bem ser apelidado da sequela não-oficial de
Nixon. Há dois objectivos no filme: o primeiro, contar esta história, com factos objectivos, numa reconstrução histórica de perícia e imagem granulada. Para isso, Ron Howard cruza o filme com imagens reais e forja umas entrevistas a posteriori com alguns dos protagonistas da história, misturando ficção e documentário (ou melhor, mockumentário), seguindo a tendência recente de filmes como
A Turma ou mesmo
Milk. A opção é desnecessária, mas não ofende ninguém, se bem que possa ser apelidada de presunçosa ou de facilitismo narrativo.
O segundo objectivo de
Frost/Nixon passa por dar densidade dramática aos dois personagens principais que, no fundo, acabam por ser as faces da mesma moeda: dois tipos que só queriam ser amados e reconhecidos, um pelo seu trabalho na política e o outro pelo seu desempenho no show business. Esta é a parte mais interessante de
Frost/Nixon, mas nem por isso a melhor, uma vez que a credibilidade das personagens fica condicionada pela caricatura de algumas das secundárias: Kevin Bacon, que continua a engrossar a eficácia do seu oráculo, parece um cão de guarda que saliva pelo seu dono com uma devoção de plástico, enquanto que Rebecca Hall está lá a fazer o mesmo que o poster dos Rolling Stones que tenho aqui por cima da secretária: enfeitar.
Quanto a Ron Howard continua a ser o realizador mais aborrecido de sempre. Tudo é feito segundo a cartilha cinematográfica, sem arrojo nem golpes de asa, mas com tudo ceritnho e no sítio, que nos impossiblita de criticar o que quer que seja na sua realização.
Frost/Nixon é assim um bem competente filme político e o complemento ideal a
Nixon, um McBacon sem grande possibilidades de competir com uma hamburga de um restaurante a sério.
Posted by: dermot @
12:02 AM
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