Terça-feira, Fevereiro 17, 2009
A DUQUESA:Título:
The DuchessRealizador: Saul Dibb
Ano: 2008

Não sei porquê, mas algo tem feito com que as actrizes de hoje tenham vindo a especializarem-se em algo. Por exemplo, toda a gente sabe que se formos ver um filme com a Kate Winslet vamos-lhe ver as mamas. Se for com a Julianne Moore, de certeza que lhe veremos a farfalheira. E se for com a Keira Knightley, o mais certo é ser um filme histórico.
A Duquesa não é excepção e ei-la a fazer de Georgiana, a duquesa de Devonshire, uma das mais influentes e importantes mulheres do século XVIII.
Georgiana foi uma espécie de princesa do povo original, dois séculos antes da princesa Diana. Casada com um dos fidalgos mais importantes da nobreza inglesa da época, a duquesa era uma mulher muito à frente do seu tempo, defensora dos direitos humanos e empreendedora. No entanto, casou com o tipo mais aborrecido de sempre (Ralph Fiennes), que só queria um herdeiro e montar-se nas mulheres dos outros. Assim, enquanto a duquesa não lhe conseguiu dar um filho rapaz, a sua vida conjugal foi uma espécie de pesadelo, que se transformou num triângulo e, depois, num quadrado conjugal.
Com uma reconstituição de época perfeita, Saul Dibb recorre ao guarda-roupa ideal, à maquiagem irrepreensível e aos planos abertos para aproveitar toda a nobreza da arquitectura barroca e imperial dos palácios ingleses, sempre com uma fotografia de cores verdes e ocres, que faz sempre lembrar os filmes de época da BBC ou a bonomia das histórias do Shakespeare. No entanto, a realização de Saul Dibb mantém-se tão rígida quanto o protocolo da vida real dos duques de Devonshire, com os seus vestidos aparaltados, os jantares formais em mesas gigantes e os cumprimentos cheios de regras. Ou seja, uma seca de morte.
Além disso, há data em que o filme se passa, o Mundo atravessa uma fase decisiva. Em França, precipitava-se a revolução de 1789 e na América começava-se a falar em independência. Claro que tudo isto se repercutia na Inglaterra, com as eleições e as discussões partidárias. Tudo isto são assuntos dos quais ouvimos uns ecos difusos ao longo do filme... Keira Knightley tem a coragem de dar uma opinião política logo no início do filme e nunca mais abre a boca para falar de algo que não sejam filhos, amor ou traição; vimos algumas coisas sobre a vida política inglesa, mas apenas porque ela andava enrolada com o futuro primeiro-ministro; e o resto deve ter ficado, provavelmente, no chão do estúdio de edição. Ou então, na gaveta da incompetência do argumentista.
A história fixa-se então, única e exclusivamente, na personagem da duquesa de Devonshire que, no entanto, não tem espessura suficiente para aguentar o filme sozinha. Aliás, nunca se percebe muito bem quem foi aquela mulher. Vimos que, quando ela vai à rua, o povo gosta dela, mas não se sabe porquê; ouve-se dizer que a influência dela nas eleições é determinante, mas não se percebe porquê; e vê-se alguém a dizer que ela dita as tendências da moda, mas pensamos que aquilo não quer dizer nada. Com todas as falhas que
Maria Antonieta possa ter, em questões de construção de personagens dá uma goleada de quinze a zero a
A Duquesa.
A Duquesa é um filme completamente inofensivo e até mete raiva da sua incapacidade de ir além da mediania. É como aquela chuva miudinha, que não molha, mas aborrece. E é assim que a modos de um Cheeseburger. Ah, é verdade: e que raio foi aquela cena lésbica?
Posted by: dermot @
11:47 PM
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