Sábado, Janeiro 31, 2009
PONTO DE MIRA:Título:
Vantage PointRealizador: Pete Travis
Ano: 2008

Segundo os números norte-americanos, desde o 11 de Setembro que já morreram mais de 4500 inocentes em todo o Mundo, devido ao terrorismo. É uma situação complicada, mas Hollywood esfrega as mãos de contente, aproveitando esta paranóia terrorista para pincelar todos os seus filmes de acção, desde o mais comprometido thriller político ao mais inocente filme-catástrofe de monstros. Até que o desconhecido Pete Travis decidiu fazer qualquer coisa pelo tema e arriscou em pegar no touro pelos cornos.
Eis
Ponto De Mira, the ultimate movie about terrorism, que começa em plena praça central de Salamanca (que saudades da noite da cidade espanhola...), onde se preparara uma cimeira histórica anti-terrorismo, onde o presidente norte-americano (William Hurt) vai assinar uns acordos de paz com o resto do Mundo, oriente incluído. Cá fora, os habituais protestantes anti-capitalismo, lá dentro a euforia normal de quem está prestes a presenciar um momento histórico. Até que dois tiros abatem o líder norte-americano, uma bomba detona algures e uma outra rebenta em plena praça. Estão lançados os dados!
Ponto De Mira começa muito bem e, com o atentado, há suspense e tensão por todos os lados. Temos a adrenalina a mil mas, no entanto, em vez de continuar em busca dos culpados, Pete Travis faz o inesperado e regressa atrás. Não uma, mas oito vezes, repetindo os acontecimentos sob o ponto de vista dos vários intervenientes: o do próprio presidente, o do seu guarda-costas pessoal (Dennis Quaid), o da produtora de televisão que faz a cobertura do evento (Sigourney Weaver), a do turista que filma tudo (Forest Whitaker) e mais três secundários menos importantes.
O resultado é uma espécie de
Memento em formato mosaico, em que cada releitura dada vai acrescentando novos dados ao caso, como um gigante mcguffin desconstruído. Não é uma coisa fácil de se fazer e dá muito trabalho, mas Pete Travis consgeue safar-se bem, sem buracos no argumento e conseguido controlar os timings, manipulando assim o suspense e a tensão ao longo do filme.
Este gadget argumentativo corria o risco de se tornar aborrecido ao fim de duas ou três vezes, por colocar o espectador sempre a ver a mesma cena (se bem que de pontos de vista distintos), mas o realizador consegue ultrapassar este obstáculo, ao ir imprimindo novos dados a um ritmo regular de policial urbano (24 a dar cartas), que faz com que cada visionamento seja fundamental para o avançar e o descortinar da intriga.
Infelizmente,
Ponto De Mira tem um daqueles finais que estraga um filme. Depois de tudo isto resultar, dando um nó no final das pontas soltas, Pete Travis parece ter ficado sem ideias e remata tudo com o fim mais corny de que há memória. No final, o que interessa é o entretenimento e isso é garantido - até porque nunca ninguém se preocupa em dar os motivos paras aquela intriga internacional e, verdade seja dita, também não interessa a ninguém querer saber -, mas destruir um plano gigantesco daqueles com a simples ideia de que
os terroristas também têm coração, é quase ofensivo para o espectador.
Por isso, das duas uma: se for uma pessoa que facilmente se ofende, então o final fará com que o Double Cheeseburger seja a ementa adequada; se, por contrário, precisa de muito mais do que uma simples muleta dramática para se sentir atingido na sua integridade, então não se irá arrepnder com o Le Big Mac.
Posted by: dermot @
1:50 PM
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