Quinta-feira, Janeiro 29, 2009
MILK:Título:
MilkRealizador: Gus Van Sant
Ano: 2008

Não é por acaso que
Milk é um dos filmes mais aguardados deste ano que agora começa. São várias as razões: porque é a concretização de um projecto de longa data do realizador Gus Van Sant; porque é um filme sobre Harvey Milk, o primeiro homossexual assumido a ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos; porque tem criado uma enorme onda de polémica, especialmente porque mostra muitos homens a darem beijinhos na boca de outros homens; e, finalmente, porque é um dos favoritos à corrida dos Oscares.
Milk é então um bio-pic tresmalhado de documentário, com excertos de imagens reais, seguindo uma tendência que marcou o cinema internacional no ano passado (vide filmes como
A Turma ou
Fome, por exemplo). Começa no exacto momento em que Harvey Milk celebra 40 anos -
40 anos e ainda não fiz nada de que me possa orgulhar - e termina com o assassinato deste, às mãos de Dan White (interpretado por Josh Brolin que, de repente, agora está em todas). Pelo meio, o relato da sua carreira enquanto mártir dos activistas gays, com principal enfoque na vertente política, descurando um pouco a parte pessoal (há lá uma parte em que James Franco cai do céu no argumento). Pessoalmente, uma dramatização assim como um
Nixon, por exemplo, não tinha sido nada má.
Ao contrário de filmes como
Gerry ou
Elephant,
Milk é um filme mais
convencional. Com uma reconstituição de época irrepreensível (com a ajuda das tais imagens reais de arquivo) e um guarda-roupa a preceito, Van Sant filma como nos anos 70, de cores queimadas e grão na imagem. De início, enquanto Harvey Milk é um hippie inspirado pela contracultura, Van Sant dá uns toques arty com piada ao filme, mas há medida que este vai entrando na máquina do sistema, o filme torna-se cada vez mais
normal. Opcção propositada ou não nunca saberemos.
Com um leque de secundários notável (Emile Hirsch é mesmo actor, Jess Franco também e Josh Brolin está aí para as curvas), Sean Penn é, no entanto, um senhor. O filme podia ser só uma hora a olharmos para Penn, cheio de maneirismos abichanados, o jeito de rir do verdadeiro Harvey Milk e a enrolar-se com outros homens. Se o Oscar de melhor actor lhe escapar, será única e exclusivamente por já ter um em casa.
Entretanto, chego ao fim desta prosa e não falei da polémica despoletada pelo filme. Se calhar porque não há nada para dizer. Ah, há sim. Mas não é sobre isso. McRoyal Deluxe.
Posted by: dermot @
8:26 PM
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