Quinta-feira, Janeiro 22, 2009
JCVD:Título:
JCVDRealizador: Mabrouk El Mechri
Ano: 2008

Jean-Claude Van Damme está a ficar velho. Já tem quase 50 anos, está a ficar careca e a sua carreira bateu no fundo há já um bom par de anos. Por isso, estava na hora de fazer, urgentemente, alguma coisa à sua vida. E essa coisa chamou-se
JCVD, uma
one million dollar ideia - um filme em que faz de si próprio, auto-parodiando-se. Basicamente, é o primeiro filme de Van Damme em que não lhe matam ninguém próximo e ele tem que se vingar.
Van Damme faz então de Van Damme, a antiga estrela do cinema de acção que anda a fazer filmes a metro, que esteve metido nas drogas, que está mal de finanças e que acaba de perder a custódia da sua filha em tribunal. A última réstia de esperança é a sua Bélgica natal, onde continua com crédito suficiente para tentar relançar a sua carreira. No entanto, uma ida ao banco vai alterar muita coisa. No habitual caso do
sítio errado há hora errada, Van Damme fica refém de um assalto ao banco, acabando por ter de dar a cara pelos assaltantes.
JCVD podia ser feito de muitas formas, mas Mabrouk El Mechri opta pela mais inesperada: uma espécie de mockumentário, em que a vida real se mistura com a ficção, como se fosse um documentário do mockumentário. Nesta experiência metafísica, pulvilhada de apontamentos artísticos,
JCVD tem ainda mão de mestre numa remessa de travellings e long-shots que se prendem à cara do actor belga ao longo de complicadas sequências.
O filme tem dois momentos cinematográficos brutais. O primeiro é a cena em que Van Damme fala com o próprio espectador num monólogo confindencial que rebenta qualquer convenção artística e vale o filme por si só; e o segundo é a sequência de abertura, um travelling que acompanha Van Damme nas rodagens em mais um dos seus filmes de porrada, despachando exércitos inteiros só com as mãos num único take. Tudo isto é sempre filmado com aqueles ocres embaciados, típicos do cinema holandês/belga, numa fotografia bem polidinha.
JCVD é ainda uma experiência metafísica, uma farsa redentora que serve para Van Damme exorcizar os seus fantasmas, gozando consigo próprio. E há muita coisa para gozar com Van Damme: a famosa
entrevista do aware, o facto de saber falar tão bem inglês quanto o Mário Soares fala francês, a rivalidade com o outro actor(?) de acção, Steven Seagal, ou a relação com John Woo, que é vista de maneira desigual por orientais e ocidentais. Esquecida fica apenas a cena no Brasil, em que
ficou com uma erecção em directo. Contudo, a cena mais fantástica disto tudo é que.. afinal, Van Damme é um actor do caraças e não só faz tudo isto parecer real, como ficamos convencidos de que a sua carreira ao lado foi culpa da má sorte e dos agentes.
JCVD poderia muito bem reabilitar Van Damme para reinventar uma segunda metade de carreira. No entanto, ao pesquisar no imdb, descobri que um dos próximos projectos do belga será uma terceira sequela do
Máquinas De Guerra. Fail!
Sem ser propriamente um Le Big Mac,
JCVD vale-o nem que seja por ser o primeiro filme de Van Damme sem ser de acção.
Posted by: dermot @
10:23 AM
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