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Royale With Cheese | ||
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PROCURADO:
Título: Wanted Realizador: Timur Bekmambetov Ano: 2008 ![]() Há dois motivos evidentes para ver Procurado. Primeiro, ver Angelina Jolie a fazer de durona, toda tatuada, com jeito para as armas e com ar de quem nos dá uma coça se respirarmos um pouco mais alto (e aqui há uma pergunta que se impõe: para quando um Barb Wire - Bela E Perigosa com ela?); e segundo, ver como é que Timur Bekmambetov se safava neste seu primeiro filme em Hollywood (e isto faz-me lembrar que já devia ter visto o resto da sua triologia russa). Deixemo-nos de rodeios: depois de ver o filme, estes dois pontos são mesmo os únicos relevantes em Procurado. Procurado é baseado nuns livros de banda-desenhada homónimos que eu ainda não li, mas consta que são muito bons. Também consta que a adaptação não tem nada a ver: enquanto que nos livros os protagonistas são os vilões da história (como se houvesse um livro sobre o Joker ou sobre o Duende Verde), aqui a coisa foi invertida e, surpresa!, os protagonistas são heróis. Se bem que com (uma tentativa de) um twist final que procura subverter essa condição de herói/anti-herói. A estrutura do filme não é nada de novo: há um tipo, Wesley Gibson (James McAvoy), que tem a vida mais rotineira e miserável de sempre; depois aparece a bela Fox (Angelina Jolie) e Sloan (Morgan Freeman) que lhe revelam que ele é um super-assassino que pertence a uma seita secreta de mercenários a soldo de um tear do destino(!), que matam para equilibrar o caos do Universo. Há meia hora/quarenta e cinco minutos de treino e, no final, o confronto com o seu némesis. Lembraram-se do Harry Potter? Pois sois uma vergonha, deviam era ter-se lembrado do Matrix. Ao contrário de Matrix, em que tudo se passava numa espécie de realidade alternativa, aqui esse mundo tem contornos mais realistas. Se bem que os assassinos dão saltos gigantescos, movem-se mais depressa que toda a gente e conseguem disparar balas com efeito(!). Yeah, fuckin' cool man! Claro que muitas alminhas iluminadas vieram criticar isso, com base nas leis da física. Não me lixem! O filme pode ser uma banhada, mas criticarem-no por não obedecer às leis da física? Quer dizer, eles podem andar a matar todos com um cotonete e a receber ordens de um tear(!!), mas disparar balas curvas é que não, porque a física não deixa. Deixem de levar a vida demasiado a sério, se faz favor. Temos então um rip-off do Matrix, mas mais realista (mais perto do estilo de acção do Shoot'Em Up - Atirar A Matar, estão a ver?) e com um protagonista narrador que lhe dá um ar de Médicos E Estagiários. Talvez seja o tom de comédia que o realizador dá ao filme, nunca o levando muito a sério, ou talvez seja simplesmente a cara de parvo de James McAvoy. Depois há umas cenas de acção bem esgalhadas, como a perseguição Lótus vs carrinha de gelados, mas tudo bem esprimido dá apenas num pretexto fraco para umas correrias doidas e meia dúzia de socos e pontapés. Com uma história fraquinha que nunca percebemos se devemos levar a sério ou não, visto que nada é assumido, Procurado é ainda uma decepção no que diz respeito aos actores. Angelina Jolie anda lá a fazer o mesmo papel que o móvel do meu corredor, o de decoração, e Morgan Freeman já enjoa sempre a fazer de Morgan Freeman, esperando pelo cheque no final. Em fim de ano, uma época propícia a balanços, acrescento ao meu Cheeseburger o veredicto de filme mais aborrecido de 2008. ![]()
Posted by: dermot @
12:41 PM Quinta-feira, Dezembro 25, 2008 TOP 5: Depois de passar uma semana a ser inundado por emails e comentários a exigir um post natalício, decidi aproveitar a ressaca do dia de hoje para satisfazer a vontade dos ávidos leitores deste imodesto tasco. Uma vez visto que, anteriormente, já foram apresentados os melhores filmes de Natal, nada como inverter a lista para apresentar O TOP 5 DOS PIORES FILMES DE NATAL DE SEMPRE: Santa's Magic Kingdom Este é um de três filmes feitos nos parques temáticos do Pai Natal nos Estados Unidos, terra dos parques temáticos de tudo e mais alguma coisa, durante os anos 60. Costuma-se dizer que, se te lembras dos anos 60, é porque não os viveste. E este filme é a prova cabal dessa afirmação: até num filme (supostamente) infantil, o pessoal encharcava-se de cogumelos e ácidos. Neste curto clipe disponibilizado pelo maravilhoso mundo do youtube não se conegue ver o terrível coelhinho da páscoa com voz fininha que vive no Pólo Norte, mas é possível admirar os bonecos de borracha à Power Ranger, as interpretações brutalmente dedicadas, o gato das botas, a banda-sonora cheia de drones e um Pedo-Pai-Natal rodeado de elfas de 15 anos. Diz quem já viu que isto é assustadoramente bom, mas, sinceramente, não me deixa muito convencido e, pelo sim pelo não, só lhe toco com um pau de cinco metros. 4º Lugar Kiss Saves Santa No episódio de Natal do Family Guy, o Peter mostra-nos aquele que podia ser o melhor filme natalício de sempre (a seguir ao Sozinho Em Casa, claro): o Pai Natal é raptado por pterodátilos(!) e a Mãe Natal pede ajuda aos Kiss(!!). Com uma animação muito Scooby-Doo, a coisa é genial e ate tem o Gene Simmons a com a melhor christmas-liner de sempre - Someone kidnapped Santa? That does not rock!. No entanto, o final estraga tudo e não conseguimos deixar de sentir uma enorme frustração. Depois de levarem o Pai Natal para casa, são e salvo, os Kiss oferecem-lhe uma guitarra e aconselham-no a praticar para depois tocarem um solo. Uma aldrabice, porque vê-se claramente que aquilo não é uma guitarra, é um baixo(!!!). 3º Lugar O Tesouro De Natal ![]() Neste Exterminador Implacável goes Christmas time, sentimo-nos como numa montanha russa a cem à hora, saltando entre grandes e maus momentos a uma velocidade incrível. Se por um lado temos Arnie, o Governador a andar de jet-pack, por outro temos uma tentativa de comédia tão engraçada quanto Um Polícia No Jardim-Escola; se por um lado temos o Exterminador a tentar comprar o último Turbo Man para o seu filho - I have to get the Turbo Man doll for Jamie!! -, por outro temos um némesis chamado Sinbad(!). 2º Lugar Tim Allen ![]() Sim, viram bem, o segundo lugar não é um filme, mas antes uma pessoa: Tim Allen tem tantos maus filmes de Natal que é impossível escolher o pior. É certo que no meio de tanta porcaria havia de acertar em alguma coisa e o Santa Cláusula até é giro. Mas mais duas sequelas? E o Natal Radical? Eu sei que as clínicas de reabilitação são caras, mas dá lá um descanso à malta. 1º Lugar Santa Claus Conquers The Martians Em termos cinematográficos, este filme está para o Natal como o pinheiro está para as decorações natalícias. O Pai Natal é raptado pelos marcianos, que têm inveja dos terráqueos por não terem um velho gordo, vestido de vermelho, criado pela Coca-cola e que simboliza o consumismo desenfreado. A coisa é tão má, tão má, que se torna boa e dá a volta até ficar má outra vez. Tão má que só de lembrar ficamos doentes. Tão má que não há palavras para a descrever. Só mesmo para ver esse resumo comentado, cortesia do fantástico mundo do youtube. Menção Honrosa Espírito Do Desejo ![]() Eu confesso que nunca vi isto. Mas sejamos sinceros, um filme de pretos realizado pela Whoopi Goldberg branca (Penny Marshall), com a Whitney Houston e o Lionel Richie... Não me lixem.
Posted by: dermot @
11:58 AM AUSTRÁLIA: Título: Australia Realizador: Baz Luhmann Ano: 2008 ![]() Confesso que gosto do Baz Luhmann e muito do Moulin Rouge, que continua a ser um dos meus filmes favoritos de todo o sempre. Gosto daquele romantismo exacerbado do realizador, uma lamechiche melodramática e até kitsch elevada ao expoente máximo da loucura. No entanto, à medida que os seus filmes têm vindo a aumentar de sucesso, Baz Luhmann tem vindo a tornar-se cada vez mais megalómano, consumido pelo próprio ego. Basta ver o anúncio que ele fez para o Chanel Nº5, um épico milionário de apenas 3 minutos. Se continuar por este caminho, Luhmann irá terminar os seus dias vagueando pel sua mansão deserta, falando sozinho e contratando e despedindo actores para um filme que nunca irá acabar. Austrália é o tipo de filmes que pode acabar com uma carreira (ou com uma produtora), tipo o Cold Mountain: um épico milionário de muitas horas e demasiado ambicioso, que recupera o cinema clássico de Hollywood com toda a pompa e circunstância. E tal como no grande sucesso de Anthony Minghella, Austrália sofre do síndrome O Paciente Inglês: é um filme que promete muito ao início, demora demasiado tempo e quando chega ao fim, afinal não é tão bom quanto parecia. Depois de Escolha Mortal, eis mais um filme sobre a Austrália. No entanto, este avança ligeiramente uns anos e aborda a fundação do país mais ou menos como o conhecemos hoje. Assim, nos anos 50, Hugh Jackamn é um cowboy aventureiro e amigo dos aborígenes que vai receber uma aristocrata inglesa, Nicole Kidman, que se muda para a Austrália para tomar conta do negócio de gado do marido. Choque de culturas, gado roubado, monopólios de carne, ronhonhó ronhonhó e temos um A Raínha Africana revisited, com Hugh Jackman coberto de resquícios de westerns (até a sua primeira aparição é feito com um plano dos olhos, a lembrar os famosos Clint eyes). A primeira hora de Austrália é então um excelente filme de aventuras, na boa tradição de coisas como O Tesouro De Sierra Madre, que recicla os clichés do bom cinema da época de ouro norte-americana. Baz Luhmann não se faz rogado e aproveita a geografia australiana para tirar magníficas panorâmicas, contra-picados assustadores e muita mise-en-scene-postal-de-férias. Depois, acaba-se a aventura e Austrália presta atenção a um menino aborígene mestiço que por lá anda. Afinal de contas, ele não era o narrador por puro capricho. A segunda hora do filme é então sobre a segregação, a descriminação dos aborígenes e as gerações roubadas que eram enviadas para ilhas desertas até encontrarem Jesus Cristo. A coisa anda ali por entre o drama, até que se resolve mais ou menos, mesmo a tempo da terceira hora de filme, onde Austrália se torna na história do romance mais do que anunciado entre Nicole Kidman e Hugh Jackman, os dois pólos opostos que se atraem. Eis então os violinos, os beijos à chuva, o romantismo kitsch e o melodrama cor-de-rosa, cheio de corações e querubins a tocar harpa. Quando pensamos que já vimos tudo e estamos desejosos de esticar as pernas, surpresa! Estala a segunda guerra mundial e, de repente, a última hora é um filme de guerra, que mistura as anteriores três histórias numa só, numa enorme massa disforme. Subitamente, há violinos tocados sempre que possível, tearjerker esprimido até à última gota, várias explosões gratuitas por minuto e a morte das personagens secundárias. Baz Luhmann leva a corda toda e, de repente, a megalomania dá lugar a aborígenes místicos com ares de artes-marciais e outros ovnis que me fazem acabar esta frase com muitos pontos de exclamação!!! Austrália é um épico gigantesco e demasiado ambicioso para o seu próprio argumento, numa tentativa de ser E Tudo O Vento Levou dos dias de hoje. Até ao intervalo é um excelente filme, mas a partir daí estica a corda em demasia até que ela parte mesmo. No final, lembramo-nos mais dele como uma estopada que nos deixa o cu quadrado, do que um excelente filme que emula o classicismo de forma perfeita. Nem oito nem oitenta, é mais um McBacon. ![]()
Posted by: dermot @
11:04 AM Quinta-feira, Dezembro 18, 2008 A VALSA COM BASHIR: Título: Waltz With Bashir Realizador: Ari Folman Ano: 2008 ![]() Se há coisa que não se pode apontar a Valsa Com Bashir é falta de originalidade. Depois de Persepolis, este polémico filme israelita (candidato ao próximo Oscar para melhor filme estrangeiro) vem mostrar que os desenhos-animados também podem ser usados para falar de coisas sérias e cria um género totalmente novo: o do documentário de animação. A Valsa Com Bashir é a visão muito prórpia do próprio realizador Ari Folman da guerra do Líbano, em que participou quando era muito jovem, mas cuja mente se encarregou de apagar da sua memória como defesa automática às experiências traumáticas. Ari Folman tenta então exorcizar esses fantasmas, com epicentro no famoso massacre das aldeias de Sabra e Shatila, entrevistando antigos companheiros de guerra, montando o puzzle com as várias peças que vai descobrindo ao longo do filme. É uma espécie de Apocalipse Now animado, mas A Valsa Com Bashir não tem o impacto deste devido à animação. Para já, o género de desenhos algo artificiais começa logo por provocar um certo distanciamento com o espectador e, depois, nunca chegamos a conseguir estabelecer total empatia emocional com as estórias que ouvimos ser relatadas, por mais chocantes e cruéis que sejam. E não esquecer a banda-sonora de Max Richter, que nos seus momentos mais electrónicos também não ajuda a criar laços emocionais. Talvez devido a este distanciamento entre público e factos reais, Ari Folman sentiu necessidade de mostrar aos espectadores imagens reais do massacre. Percebe-se a intenção, mas depois de um filme de animação, o facto de as únicas imagens reais com que somos confrontados serem as de cabeças cortadas e corpos empilhados soam logo a sensacionalismo barato. É o problema de Ari Folman falar de uma estória muito pessoal, que não lhe permite um certo distanciamento. Mas não pensem que A Valsa Com Bashir é um mau filme, ou que não vale a pena. Ari Folman é um rei da animação e reconstitui os relatos dos seus entrevistados com sequências oníricas, surreais e sempe com um toque artsy. Soldados a dançarem a valsa por entre chuvas de balas, telediscos war-rock à la Kalashnikov ou alucinações traumáticas com mulheres gigantes nuas, A Valsa Com Bashir casa Apocalipse Now com Fantasia e tem filhos muito felizes. Pode não ser tão polémico como os israelitas dizem, pode não ser tão poderoso quanto gostaríamos que fosse e pode, simplesmente, não ter nada a ver com as expectativas que o trailer cria. No entanto, A Valsa Com Bashir é um excelente filme a ver, que vale um McBacon bem redondinho e sem espinhas. ![]() TAKE - CINEMA MAGAZINE: ![]() Página oficial Terça-feira, Dezembro 16, 2008 HELLBOY 2: O EXÉRCITO DOURADO: Título: Hellboy 2: The Golden Army Realizador: Guillermo Del Toro Ano: 2008 ![]() O primeiro Hellboy é, provavelmente, a melhor adaptação de um super-herói da banda-desenhada ao cinema neste passado recente. Guillermo Del Toro foi o único (Sam Raimi também esteve lá perto) que conseguiu conjugar na perfeição entretenimento e cinema de acção, com profundidade dramática suficiente para que o herói não fosse um simples esteriotipo biidimensional. E, por isso, era impossível que o demoníaco herói da mão de pedra não se tornasse no nosso novo herói favorito, mesmo sem nunca termos lido um único livro dele sequer. Para quem está a leste, Hellboy é um demónio de outro Mundo, com cornos e cauda pontiaguda inclusive, mas que foi acolhido pelos serviços secretos norte-americanos quando pequenino e agora serve os humanos, como agente de uma parcela do FBI dedicada aos casos paranormais, tipo Ficheiros Secretos. Hellboy, encarnado na perfeição por Ron Perlman (vénia), é o típico anti-herói: mau feitio, desrespeitador, brigão, facilmente irascível, mas bom coração e profissional irrepreensível. O sucesso do franchising faz-se com uma mistura em proporções iguais do universo fantástico de Ficheiros Secretos com a estrutura dos buddy movies dos anos 90 (olá Arma Mortífera). Aqui, Hellboy é o bad cop, enquanto que um anfíbio chamado Abe Sapien (Doug Jones) é o good cop da equação. Obviamente que também há a parte romântica da história, a inflamável Liz Sherman (Selma Blair) e o chefe que é azucrinado (Jeffrey Tambor). Em Hellboy 2: O Exército Dourado, o grupo sofre um upgrade com a insersão do supervisor Johann Krauss (corpo de John Alexander e voz de Seth Green), uma máquina com sotaque nazi. Talvez aproveitando o facto de ir fazer o Hobbit, Guillermo Del Toro decidiu usar Hellboy 2: O Exército Dourado como tubo de ensaio e escreveu para esta sequela uma história demasiado fantasiosa, mesmo tendo em conta os monstros do antecessor. Enquanto que no primeiro era uma espécie de mundo real meets mundo fantástico, do género As Aventuras De Jack Burton Nas Garras Do Mandarim ou mesmo Predador 2, aqui é mais o oposto. É um Ficheiro Secretos goes O Senhor Dos Anéis, com profecias élficas, uma coroa que controla um poder destrutivo e outros rip-offs de Tolkien. Tudo isto poderia ser assustador nas mãos de um maçarico, mas Del Toro não é um qualquer e recicla todos estes elementos naquilo que é, sobretudo, um filme de aventuras. Hellboy é o novo Indiana Jones e depois da desilusão que foi O Reino Da Caveira De Cristal, parece que temos um novo herói em quem confiar as nossas matinés. A componente de acção de Hellboy 2: O Exército Dourado vem não só do cinema fantástico, mas das matinés domingueiras e das histórias pulp, não renegando a um certo cinema série-b. E para o provar basta dizer que o filme termina ao som de Barry Manilow(!). Poderá não ser tão bom quanto o primeiro, mas Hellboy 2: O Exército Dourado é um McRoyal Deluxe tão saboroso que só nos resta desejar que o Hobbit tenha o sucesso suficiente que permita a Del Toro fazer mais umas duas ou três sequelas do herói demoníaco da mão de pedra. ![]() Não conhece o primeiro filme? Então clique aqui.
Posted by: dermot @
11:49 PM AMÁLIA: Título: Amália Realizador: Carlos Coelho da Silva Ano: 2008 ![]() Eis o filme português mais caro de sempre. Três milhões de euros inteirinhos, o que mesmo assim não chega a metade do que um filme de baixo orçamento de Hollywood. O que não quer dizer nada para além de demonstrar o meu complexo de inferioridade. Amália era um dos filmes mais inevitáveis do cinema português e só admira ter demorado tanto tempo a fazer. Fosse Leitão de Barros vivo e iam ver... Agora, depois da Amália, da Severa, do Carlos Paredes e do Variações que aí vem, fica apenas a faltar o Zeca Afonso para o cardápio musical português ficar completo. Amália mostra bem a almofada financeira que tem por trás, colocando os meios ao dispor do seu cinema: tecnicamente irrepreensível, salvo o habitual (que pensava já estar resolvido) problema com o som, Amália tem uma reconstituição de época perfeita, com o guarda-roupa certo, os decors mais fotogénicos e os contra-picados mais arriscados desde... Balas E Bolinhos 2. Infelizmente, nem tudo são rosas. Para além do já mencionado problema sonoro, a caracterização da Amália velha é a coisa mais risível de sempre, que faz com que estejamos sempre à espera que ela diga get ready for a surpriiiise e que a cabeça expluda (caso não estejam a ver do que estou a falar, é desta cena do Desafio Total). O que vale é que temos sempre o (não)sotaque brasileiro do Ricardo Carriço, à la TV Shop, para nos distrair. Sem seguir o formato narrativo convencional, Amália começa pelo fim e vai-se construindo por camadas, recorrendo a prolepses constantes até a essa muleta conciliadora final. A coisa funciona bem e é bom cinema, se bem que, pessoalmente, agradava-me que o filme mantivesse o tom mais negro e suicida até ao fim, em vez de acabar com tantos passarinhos e o sol a brilhar e... uma montagem musical(!). Infelizmente, não há é argumento, apenas uma sucessão de acontecimentos disconexos, alguns sem razão aparente entre si, em que as personagens secundários vão caindo de pára-quedas e nada tem ligação entre si. É o formato telefilme a dar cartas no cinema português. Um dos principais males que se apontam ao cinema nacional é a falta de dinâmica. O realizador Carlos Coelho da Silva parece que ficou com medo de lhe apontarem tal defeito e abusa na edição, pondo o filme rápido de mais, retalhando inclusive sequências de movimento. A primeira meia-hora então é de nos deixar sem fôlego, tal é a rapidez. Quanto ao bio-pic de Amália Rodrigues, é normal que se exagerem algumas coisas e se acrescentem outras para efeitos dramáticos. E até a divinização da cantora se aceita, se bem que isso não tem piada em lado nenhum (lembram-se de Ray?). Agora, num filme sobre uma das maiores cantoras de sempre do Mundo, praticamente não se falar de música, bem, isso é inadmissível. Os fados estão lá de forma tímida, basicamente como música de fundo, mas o filme é mais sobre a vida amorosa e sentimental de Amália do que sobre a sua música. Eu tinha falado em telefilme? Corrijo, é mais telenovela. Comparando com outros bio-pics recentes, o mais parecido a Amália será La Vie En Rose, mas sem música. Sandra Barata também está perfeita na pele da diva do fado (até na voz está igual), mas não tem culpa que a tenham caracterizado no fim como o Eddie Murphy gordo do Professor Chanfrado. E o realizador Carlos Coelho da Silva tem as noções de um cinema de entretenimento sagaz e construtivo. Até há, pela primeira vez no nosso cinema, o Salazar! Infelizmente, esqueceram-se todos do argumento. E da música, cacete! Apesar do Cheeseburger, ainda continuo a acreditar na Valentim de Carvalho. ![]()
Posted by: dermot @
12:01 AM Sexta-feira, Dezembro 12, 2008 PARABÉNS: ![]() 100 anos Quando crescer quero ser assim. É impossível ignorar esta data: Manoel de Oliveira completou um século de vida e continua a fazer filmes. Quer se goste ou não do seu género (e, recentemente, parece-me ser um pouco ímpossível gostar verdadeiramente, mesmo reconhecendo que aquela história de que os seus filmes são estopadas épicas com planos arrastados até à exaustão é um mito urbano que se tornou verdade por ter sido repetido muitas vezes), é impossível ficar indiferente perante isto. Sinto-me esmagado perante este gigante e, por isso, deixo aqui a minha homenagem. Só não faço uma lista com os melhores filmes porque não tenho conhecimento de causa suficiente.
Posted by: dermot @
12:40 AM O DIA EM QUE A TERRA PAROU: Título: The Day The Earth Stood Still Realizador: Scott Derrickson Ano: 2008 ![]() Por mais habituados que estejamos, é impossível não nos surpreendermos sempre que anunciam mais um remake de um filme como O Dia Em Que A Terra Parou. Porquê mexer em algo em que já não vale a pena mexer muito? Mas pronto, neste caso até se aceita um upgrade da história aos dias de hoje, uma vez que a mensagem do filme é intemporal e continua bem presente na actualidade: temos que parar de matar o planeta, porque a nossa sobrevivência depende dele. O Dia Em Que A Terra Parou é a crónica de uma invasão extraterrestre anunciada: Klaatu (Keanu Reeves) é um extraterrestres com formas humanas que vem à Terra falar com os líderes mundiais para os avisar que, ou páram de estragar o planeta, ou então isto vai tudo pelos ares. E para provar que está a falar a sério, Klaatu traz na sua nave espacial um robot gigante, Gort de seu nome, que é activado pela violência, é indestrutível e é implacável. Claro que depois vai ser envolvida na equação uma tipa gira (Jennifer Connelly) e o seu filho (Jaden Smith), pertinentemente preto para apelar à multicultaridade, que o vão introduzir ao humanismo e às especificidades da espécie humana. Uma das grandes expectativas deste remake era ver como é que ia actualizar o filme aos dias de hohe. O Dia Em Que A Terra Parou original era uma metáfora à Guerra Fria (basicamente, como todos os filmes de ficção-científica da época, ou pensam que o facto da ameaça exterior vir sempre do planeta vermelho era coincidência?) e tinha uma tensão no ar quase palpável. O novo O Dia Em Que A Terra Parou segue o caminho que praticamente têm seguido os filmes do género no pós-11 de Setembro: a paranóia terrorista e, claro, o filme catástrofe. E para isso abusa do CGI. A banalização do CGI tem vindo, cada vez mais, a reduzir o efeito surpresa no cinema de ficção-científica. Já não nos surpreendemos com monstros gigantes como a primeira vez em Parque Jurássico, nem com destruições megalómanas como em O Dia Da Independência. Por isso, para O Dia Em Que A Terra Parou ser interessante, era preciso um argumento e não apenas uma sucessão de factos que justificassem o armagedão final. Que é coisa que este remake não tem. Além disso, há que abrir este spoiler: mas quem raio acha que destruir o mundo com bichinhos minúsculos é uma boa ideia? Nanotecnologia o tanas! Mesmo assim, haviam dois momentos que poderiam ter beneficiado do CGI: a chegada de Klaatu à Terra e, claro, Gort, um dos mais famosos robots da sétima arte. E se o primeiro momento é mesmo o mais conseguido do filme (apesar do disco voador ter sido substituído por umas esferas manhosas), o segundo é revoltante. Eu não pedia outro tipo alto dentro de um fato de borracha, mas transformar um robot gigante num power ranger animado, que se mexe como o bonequinho da michelin, dá logo cabo da vontade de ver o resto do filme. Para quem conhece e é fã do filme original, este O Dia Em Que A Terra Parou é uma espécie de desastre de viação. Klaatu ganha super-poderes especiais (isto de ser encarnado pelo the choosen one tem a suas vantagens), a sua humanização não convence ninguém, a destruição é gratuita, Kathy Bates a fazer de Condoleezza Rice não passa de uma caricatura dos Estados-Unidos-Polícia-do-Mundo, a metáfora Arca de Noé é mais batida que a defesa do Benfica, a frase Klaatu barada nikto está lá só para dizer que está e a segunda pele de Klaatu é, claramente, postas de bacalhau. E já agora, outro spoiler: para que raio serviu aquela cena de abertura nas montanhas da Índia? O meu cão já fez coisas com melhor aspecto que isto (mas com pior cheiro, confesso). E também já civ Cheeseburgers mais saborosos que este. O Dia Em Que A Terra Parou é um dos claros exemplos que depois dão mau nome aos remakes. ![]() Para quem não se lembra do original, é só clicar aqui.
Posted by: dermot @
12:00 AM Terça-feira, Dezembro 09, 2008 BUSCA IMPLACÁVEL: Título: Taken Realizador: Pierre Morel Ano: 2008 ![]() A pouco e pouco, o cinema de acção tem vindo, novamente, a centrar-se mais na sua componente de entretenimento puro e duro, abandonando as pretensões de bom cinema. Começou por brincar consigo próprio, em filmes como Shoot'em Up - Atirar A Matar, mas lentamente tem vindo a recuperar a acção oldschool que marcou os saudosos anos 80. Até o Stallone já veio anunciar um filme de porrada à antiga que está a fazer com o Dolph Lundgren, o Jet Li e o Jason Statham. Busca Implacável é mais um action flick à antiga, feito em França com actores americanos. Obviamente, Luc Besson tinha que estar envolvido, mesmo que o realizador seja Pierre Morel, o realizador do semi-interessante Os Gangs Do Bairro 13. Besson já topou os americanos à légua e recicla a fórmula vezes sem conta para produzir filmes-pipoca a metro que toda a gente papa, seja nos Estados Unidos seja na Polinésia Francesa. Têm acção a rodos, tearjerker acompanhado de violinos, elementos americanos para que eles se identifiquem com o filme e cenários europeus para nós o chamarmos de nosso. Liam Neeson é o actor convidado de Busca Implacável, na pele de um meticuloso agente secreto, que se reforma para dedicar mais tempo à sua outra faceta: a de pai super-protetor. A filha é Maggie Grace, que faz de jailbait, e passa o filme todo a queixar-se e a correr como uma criança com trissomia 21, uma fedelha mimada que está mesmo a merecer ser raptada. E é isso que acontece quando vai para a Europa em road-trip com uma amiga, para seguir os U2. Chatear e mentir ao pai ainda Deus compreende, agora ir para a Europa seguir os U2 é impossível perdoar. Por isso, Deus nosso Senhor castiga-a e envia-lhe uns traficantes de mulheres albaneses para a raptarem. Obviamente que isso é one big mistake! E Liam Neeson vai ter 96 horas para concluir a sua busca implacável (tinha que fazer o trocadilho com o título tão chamativo). Mais uma vez, eis a xenofobia a dar cartas. Busca Implacável faz da Europa o sítio mais perigoso do Mundo, em que não se pode pôr um pé na rua. Mas enquanto o Hostel ainda se dava ao trabalho de ir buscar uns países esquisitos, umas Eslovénias e umas Estónias, Busca Implacável vai mesmo de caras: Paris, tumba! E aposto que a maioria dos americanos vai nessa. Quem se deve ficar a rir para caraças é o Luc Besson, que não tem vergonha nenhuma em pôr os franceses todos a andar na rua com um pão baguete debaixo do braço. Pô-los todos vestidos de branco com riscas pretas e a comer pernas de rã era já demasiada lata... A primeira meia-hora de Busca Implacável é demasiado risível para poder escrever o que quer que seja. Demasiadas coincidências no argumento e situações pouco credíveis, que nem sequer série-b são, são mesmo mau cinema. Depois, a miúda é raptada, mesmo a tempo de não desligarmos o DVD. E aí sim, temos direito a uma hora certinha de festa, com porrada da grossa, onde não interessa o que se conta, mas sim a forma como se conta. E com Liam Neeson a ligar o badass mode; Oskar Schindler caga de vez para os judeus e embarca num verdadeiro massacre indiscriminado, despachando metade de Páris só com as maus. Liam Neeson is the new Steven Seagal. Busca Implacável é o Homem Em Fúria vai a França. Com uma montagem dinâmica e realista (Jason Bourne continua a fazer escola), violência ultra-cruél (maus fritos até à morte e albaneses alvejados pelas costas à traição) e um herói tão herói que se torna anti-herói. Quando Liam Neeson dispara sobre uma inocente para obter informações, não conseguimos conter um grito e lembrar-nos de Jack Bauer. Depois, quando se acabam os maus para matar, acaba-se o filme. Todos vão para casa contentes e passa o genérico. McChicken, the end. No segundo em que o ecrã fica negro, já não nos lembramos de nada de especial que tenhamos visto, além da ideia passageira que, lá para o meio, há uma passagem ao som dos The Hives. ![]() Segunda-feira, Dezembro 08, 2008 KUNG POW - PUNHOS LOUCOS: Título: Kung Pow Realizador: Steve Oedekerk Ano: 2002 ![]() Existem filmes que não podemos ver nem pintados de amarelo, mas que dizemos que gostamos muito quando queremos impressionar uma rapariga. Existem também filmes que vemos dia sim dia não, mas que dizemos aos migos que não gostamos por termos vergonha. E depois existe Kung Pow - Punhos Loucos, o qual sem sequer conseguimos perceber se devemos ter vergonha de gostar ou não. Kung Pow - Punhos Loucos é uma espécie de trabalho de bricolage, em que o realizador Steve Oedekerk (conhecido apenas por realizar Ace Ventura Em África) agarra num filme manhoso de artes-marciais dos anos 70 (neste caso, uma coisa que supostamente se chama algo do género Tiger And Crane Fist) e dobra-o por cima à cara podre, acrescentando-se a si próprio e mais uns elementos inesperados digitalmente. O resultado é uma paródia aos próprios filmes de Hong Kong de artes-marciais, com um género de humor que vai do ZAZ style, do Ultra Secreto e do melhor que se fez no terreno do absurdo, até ao humor mais slapstick e tongue-in-cheek, sem contar com um tipo de humor que ainda nem sequer esá catalogado. Completamente fora, Kung Pow - Punhos Loucos é tão parvo que só conseguimos rir. Utilizando o truque dos Monty Phytons em A Vida De Brian, Oedekerk apenas utiliza vozes ridículas nas personagens, tirando qualquer réstia de credibilidade ao filme. Além disso, preenche os momentos em que a boca mexe e que não havia nada para dizer com uma remessa de guinchos e gemidos completamente gratuitos. Depois, diverte-se a acrescentar digitalmente personagens manhosas, tabuletas do Hooters ou o Titanic a afundar-se. O argumento não faz sentido nenhum e nem sequer existe. As imagens andam para a frente e para trás, mesmo em fast forward se for preciso e o filme goza consigo próprio, numa paródia aos flicks de artes-marciais, com vários zooms por minutos e a banda-sonora de um tiroteio sempre que alguém luta. A coisa faz tão pouco sentido, que os duelos fazem-se ao som do MC Hammer, enquanto um preto dança por trás com uma boombox ao ombro. Além disso, há ainda bonecos de borracha descarados e a cena mais conhecida do filme (que o maravilhoso mundo do youtube permite disponibilizar no final desta prosa), tem uma vaca em CGI que luta mano-a-mano com o protagonista. A cena é tão estúpida que só nos resta uma solução que é rir. Fazendo lembrar o mítico O Regresso De Hércules, em que era dobrado por cima o desastre Ercole, Sansone, Maciste E Ursus Gli Invincibili (e agora vou-te bater com este pau de borracha), Kung Pow - Punhos Loucos tem também a particularidade de mostrar que o filme original é tão mau e ridículo quanto a paródia. E, obviamente, essas falhas de raccord não passam despercebidas ao gozo. A primeira vez que se vê Kung Pow - Punhos Loucos é de rir e chorar até a barriga doer e não nos conseguirmos levantar do chão. E não há que ter vergonha disso, eu por exemplo, recomendo-o como um Royale With Cheese a todos os meus conhecidos e desconhecidos. Contudo, à segunda visualização, vão-se contar pelos dedos de uma mão os momentos que nos vão fazer esboçar um sorriso. Se à terceira vez ainda achar piada ao filme então, lamento informar-vos, mas algo de errado se passa com vocês.
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11:36 PM Quinta-feira, Dezembro 04, 2008 BEM-VINDO AO NORTE: Título: Bienvenue Chez Les Ch'tis Realizador: Dany Boon Ano: 2008 ![]() Bem-vindo Ao Norte dizimou todos os recordes de bilheteira de um filme francês em França. No entanto, apesar de inevitável, a internacionalização assomava-se uma tarefa arriscada, uma vez que se trata de um filme muito específico, uma crónica de valores, o que raramente funciona junto aos estrangeiros que não conhecem a identidade dos representados. É como se fizessemos um filme sobre alentejanos e o mandássemos para a Alemanha. Ou pusésssemos o Filme Da Treta a circular pelos festivais. Mas quem não tem medo de apresentar o filme com um cartaz como este, em que o co-protagonista (e realizador) parece o Ernesto, então não deve temer nada. Comédia simples e ligeira, Bem-vindo Ao Norte conta a história de um chefe dos correios, Phillipe (Kad Merad), que sonha em conseguir a transferência para as solarengas terras do sul de França para passar uns anos felizes com a sua família. No entanto, um par de peripécias mais arriscadas levam-no a ser castigado com dois anos numa terreola no norte de França. Basicamente, para quem não sabe, o norte francês é uma espécie de inferno pior que o próprio inferno, para onde ninguém quer ir, por fazer frio todo o ano, por se falar um dialecto esquisito e por serem todos bebâdos e brigões. Uma espécie de aldeia do Astérix, mas com chuva. O argumento é óbvio e nem sequer é novidade. Phillipe muda-se para o norte contrariado, a primeira impressão é terrível (ai o choque de culturas), mas depois de se misturar com os autócnes, acaba por travar amizade e de não se querer vir mais embora. Pelo meio, há sub-enredos românticos e mensagens moralmente correctas, orientadas para um final feliz e lamechas qb. No entanto, é a forma como é feito que vale a pena, como a forma como é dramatizada ao máximo a ida para o norte. A coisa está tão bem feita que chegamos a ter mais pena dele do que do miúdo judeu-atrasado-mental-alcóolico-com-um-cão-com-cancro-durante-o-Holocausto, do filme mais triste de sempre, naquele mítico episódio do American Dad. O início não é prometedor: Bem-vindo Ao Norte começa por abusar de muitos trocadilhos geográficos, que têm muito mais piada para quem é da zona (e os percebe), além de ter algum humor físico a mais (Jerry Lewis continua a ser uma escola em França). No entanto, há algo extra; há um humor um pouco absurdo, que por momentos lembra o ZAZ style, há o tradicional humor francês que nos remete para clássicos como Os Visitantes Da Idade Média e muitos gags realmente engraçados, que nos fazem rir à gargalhada. Tudo isto não é suficiente para um bom filme e fica sempre dependente do que se faz no final. E Bem-vindo Ao Norte tem o fim lamechas ideal, sem cair na tentação de forçar o tearjerker em prólogos desnecessários ou twists que não iriam funcionar. Além disso, termina com o I Just Called To Say I Love You, provando que quanto mais kitsch for a canção, mais interessante é a cena (lembram-se do Cambodja, da Kim Wilde, no Em Paris?). Sem ser propriamente superior, Bem-vindo Ao Norte sai daqui com um McRoyal Deluxe pela simples razão de que fazem falta mais comédias bem dispostas que nos façam verdadeiramente rir, nem que seja por um bocadinho. ![]()
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12:05 AM Terça-feira, Dezembro 02, 2008 CRUELDADE INTOLERÁVEL: Título: Intolerable Cruelty Realizador: Joel Coen Ano: 2003 ![]() Que razão leva os irmãos Coen, conceituados e legitimados realizadores da arte do neo-noir e do cinema independente, a embarcarem de quando em vez em projectos de comédias ligeiras? A resposta é simples e é a mesma razão por qual os cães lambem os tomates: porque podem. Os Coen gostam deste tipo de projectos. Comédias ligeiras com ar de feelgood movie, onde reúnem os amigos para passar um bom bocado, em filmes nem sempre excelentes, mas na maior parte das vezes aprazíveis. Em Crueldade Intolerável juntaram o habitué George Clooney à bomba Catherine Zeta-Jones, a Geoffrey Rush e ao cameo de Billy Bob Thorton. O resultado é uma crónica de valores da alta burguesia, um upgrade de Buñuel e uma reminiscência do Dean Martin screwball. George Clooney é, então, um advogado de sucesso implacável e o maior especialista em questões matrimoniais. É bem falante e tem uma fixação obsessiva pelos dentes, o que o fazem ser também um upgrade da sua personagem idiota que tinha uma fixação obsessiva pelo cabelo, em Onde Estás, Irmão. Por entre vários casos de infedilidade, Clooney conhece o avião Catherine Zeta-Jones, uma profissional do matrimónio, em casar-se com multi-milionários e depois ficar com metade da fortuna deles ao divorciarem-se. Daí até ao romance, à intriga e o final feliz da praxe é um pulo. Sem ser nada de especial, mas sem se deitar fora, Crueldade Intolerável tem a marca dos Coen, com as suas personagens bizarras (o assassino asmático de Irwin Keyes ou o velho a dever anos à morte de Tom Aldredge), os diálogos a cem à hora cheios de espiritualidade e, claro, o gato escondido com a cauda de fora que é o argumento, por mais previsível que seja. Crueldade Intolerável é bem tolerável (trocadilho inevitável), pelo menos até ficar preso ao gimmick romântico, do qual já não se consegue libertar na segunda metade do filme. Sem deslumbrar, Crueldade Intolerável serve para passar um agradável serão nas tardes de domingo ou nas noitadas da TVI, para ver com a namorada ou, simplesmente, acompanhado de uma bucha. E por falar em bucha, eis o McChicken que remata tudo isto. ![]()
Posted by: dermot @
11:15 AM |
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